terça-feira, julho 24

...e continua o erro crasso


Faltam, mais coisa menos coisa, cinco semanas do arranque do ano lectivo. Por esta altura as escolas deveriam estar com o próximo ano lectivo quase preparado e estando apenas a alinhavar as pontas e aqueles pequenos imponderáveis ou situações que vão ocorrendo. Saber o número de alunos e as regras para a distribuição do serviço fazem parte do mínimo indispensável. Até ao dia de ontem, as escolas haviam recebido tantas alterações nessas ditas regras, como os noticiários foram dando conta, deixando as mesmas o sistema à beira de um ataque de nervos, frustrado e em alguns casos em profunda desorientação. 
Pois bem, num volte-face inesperado mas tendo em conta o ministério em causa e o ministro em particular, já seria de esperar…o ministério enviou uma nova circular às escolas onde indica as novas orientações para a redução, ao máximo, de professores com horários zero. A ideia é que a estes lhes seja distribuída qualquer tarefa para que estes não fiquem nas escolas, cumprindo a crata ou crassa promessa, de que nenhum ficaria sem horário. As novas ordens alteram as orientações pela enésima vez. Qualquer coisa como: oh chefe então como é? Eh pah põe tudo por ordem alfabética…(1 hora depois…) ou melhor coloca por cores…(1 hora depois…) ou melhor coloca por tamanhos…(1 hora depois…) ou melhor distribui pelo peso…(1 hora depois…) ou melhor distribui por vectores! Hein!? Oh chefe entenda-se!
É assim ou tem sido assim…e lá lê-se que, "considerando a necessidade de garantir a ocupação de tempos lectivos a todos os docentes relativamente aos quais se venha a verificar a ausência ou insuficiência de componente lectiva, cumpre estabelecer orientações para a melhoria de distribuição de serviço docente em cada agrupamento ou escola não agrupada". As escolas devem "abrir ofertas no âmbito do ensino recorrente, distribuir componente lectiva no 3.º ciclo aos docentes de Educação Visual e Tecnológica e afectar docentes de carreira de Potuguês e Matemática "às actividades de apoio ao estudo" no 1.º ciclo do ensino básico, situação que viola alguma lei uma vez que todos os professores, pela formação académica, estão sujeitos às suas habilitações e ser professor de 1.º ciclo não é o mesmo que ser de 3.º ciclo ou secundário. Ou seja o ministério passa uma novo certificado de habilitações “em pó” ou à lá relvas aos docentes.
Se isto não acabar com os horários zero, propõe-se uma longa lista de actividades que podem ser distribuídas aos professores com ausência de componente lectiva: apoio à biblioteca, activades de orientação escolar para alunos do 8.º e 9.º anos, programas de tutoria, actividades de apoio pedagógico acrescido, actividades de aprofundamento da língua portuguesa que facilitem a integração de alunos oriundos de países estrangeiros, lavar o carro do director, cortar a relva das áreas verdes, agitar um abano para correr um ar fresquinho na direcção, fazer constantes e incessantes comentários de motivação a quem vai leccionar, tipo cheerleaders.
Não fosse a besta crassa, a saída desta situação seria basicamente diminuir o número exageradíssimo de alunos por turma. Assim, continuamos a brincar com a vida das pessoas. Uma saudação especial para o grupo de pessoas que optou por reunir todos juntos com o ministro e não em separado. Quer isto dizer que finalmente se chega à conclusão óbvia que o discurso não era o mesmo para todos. O chamado divide to conquer.

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