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terça-feira, agosto 12

and by a sleep to say we end




Podia - talvez devesse - fazer o que toda a gente fez e que, de uma maneira ou outra, gostava de Robin Williams. Como já fiz para com outros. Colocar uma sua foto ou video e enfeitar tudo com uma frase dele, daquelas que ficam para todo o sempre. Mas não o vou fazer. 
Ele há coisas e pessoas por quem sentimos uma pertença maior do que pensamos que elas têm a si próprias. São como monumentos vivos e eu tinha para com este sacana essa sensação. Uma certeza de que sempre que ele aparecia, o tempo nunca seria perdido. Como os Monty Python. Socorri-me deles para fazer a homenagem que não queria fazer. De uns tipos muito inteligentes para um outro que também o era. Só esses, os que fazem rir o são na realidade. Foi muito cedo. 

So remember, when you're feeling very small and insecure,
How amazingly unlikely is your birth,
And pray that there's intelligent life somewhere up in space,
'Cause there's bugger all down here on Earth.

segunda-feira, janeiro 6

O sr. D'Eusébio


Eusébio da SIlva Ferreira
1942|2014

Se é dia para se dizer que tudo foi dito, as 24h que medeiam desde o ontem ao hoje, é seguramente esse o dia. Um dos alicerces e o único ainda em vida, da trilogia do estado novo, Fátima, Fado e Futebol foi-se cedo no tempo.
Não guardo imagem melhor de Eusébio do que o rapaz da camisola vermelha com o número 13 a levar turbilhão ao verão inglês de '66.
Guardo de ontem algumas palavras: disse adeus no dia do futebol, num domingo e em véspera do dia dos reis, aquele a quem chamavam rei também. Se há céu, na certa que há futebol e assim Eusébio sai do campo da vida para aquele campo que era o dele.

sexta-feira, dezembro 6

A real rainbow men in a grey world

Nelson Rolihlahla Mandela
1918 | 2013

O que pode um Mundo inteiro aprender na morte de um grande homem quando pouco ou nada aprendeu com ele em vida?

domingo, agosto 26

O pioneiro Neil Armstrong.

 

Provavelmente este grupo de imagens condensa, para além de uma época, da superação de um limite ancestral, do abrir de novos horizontes, uma das maiores realizações da nossa civilização vivida por um homem. Pelo menos da civilização moderna. Se pensarmos em momentos decisivos na civilização humana, a obtenção do fogo, a capacidade de criar utensílios, o abandono da vida errante e a adopção de uma outra em sociedade estarão ao mesmo nível do histórico e da nossa evolução como o foi a ida do Homem à Lua.
A partir dessa data, 20 de Julho de 1969, os limites do Homem foram de novo desenhados ao sabor de um passo que durou 3 horas pela superfície lunar. E veja-se que esse limite foi refeito à menos de cinquenta anos. É o momento, o facto universal que foi vivenciado pelo Homem há menos tempo, que nos é mais próximo, e Armstrong esteve no extremo do conhecimento de muitos, da imaginação e crença de outros e foi o comandante de uma viagem maior, louca, vivida a três e posteriormente a dois. E ele foi o primeiro de um momento incrível de uma civilização que menos de vinte anos antes se degladiava em dois campos de batalha de uma guerra global e que esteve mais perto da aniquilação completa do que de uma superação destas.
E assim com Collins e Aldrin trocou a nacionalidade americana pelo o reconhecimento Universal e intemporal. Quem foi o quinto astronauta à pisar a Lua? Pois, só o próprio e os que lhe são próximos saberão mas o primeiro terá sempre o seu capítulo na história Humana e dará a face e o nome por um feito civilizacional. E pensar que a viagem da Apollo 11 esteve presa por um "fio"... tanta vezes. Genial. Uma vida feita odisseia como as relatadas por Verne na pele do comandante Nemo. Uma pessoa simples e de carácter que só veio valorizar aquele facto que resumiu numas palavras que foram o momento de uma vida e de uma civilização inteira: "one small step for man one giant leap for mankind".


sábado, julho 21

Uma vénia ao Contador da História


Não sei bem como começar a discorrer sobre a vida de José Hermano Saraiva. De formação advogado, profissão que exerceu ainda que tenha ficado universalmente conhecido porque percorreu o país português discorrendo sobre a nossa história. E se dentro do meio, dos historiadores, a sua contribuição foi controversa, é inegável que a sua actuação permitiu que a história de Portugal chegasse a casa das pessoas. Foi como um democratizador da mesma, não agradando a todos, como é apanágio dos homens que se colocam diante de grandes empreitadas.
Também foi ministro da educação e viveu, como tal, a maior e talvez o primeiro sinal de que algo estava a mudar naquele Portugal de brandos costumes e mais brandas atitudes. Terá tido muitos defeitos mas, para mim, teve a maior virtude: tentou educar o pagode. E qual é o pior inimigo de um governo? É a cultura do seu povo. 
Perdeu o país é certo e ninguém é insubstituível pelo simples facto de que à frente virá alguém melhor ou pior mas que seguramente fará as coisas de modo diferente e, por vezes, é nesse diferente modo de fazer, nesse acontecer que o bicho homem rebola mais uma volta para a frente. Só as pedras paradas ganham musgo e com tanta gente a nascer, não cá como sabemos, não corremos nunca o risco de estagnar. Tentemos é não andar para trás, reviver a história da qual aprendemos sobre os erros mas que não carece repetir. Jamais. E nisso, este homem, ajudou-nos como poucos nos últimos trinta ou quarenta anos. Para o bem e para o mal, haveria de haver um José Hermano Saraiva a nível europeu porque algo me diz, nesta época de incertezas e desencontros no âmago e na essência do projecto europeu, onde o pagode maior é governado pela primeira fornada de dirigentes europeus sem memória da segunda guerra mundial, que faria falta alguém que relembrasse o passado, já empoeirado noutro século, mas que está longe de estar distante. Apenas das mentes e dos olhos de quem lá esteve mas parece ainda nos diferentes códigos genéticos. Ela está escrita sim senhor mas o raio dos livros não se lêem sozinhos e os de economia e finanças não trazem notas de rodapé deste mester.

Post scriptum: e dos ministros de Salazar sobra apenas outro nome grande - Adriano Moreira.

sábado, maio 12

Bernado Sasseti



Quando ouvi a notícia, almoçava antes de voltar para a escola para terminar o dia, pensei: porra... como foi possível!? Doença? Entrado no carro passadas umas horas e já construindo o caminho de regresso ouvi que tinha sido acidente. Pensei: porra 41 anos! porra a tirar fotografias, Bernardo!? É nestes momentos que eu não acredito em deus nenhum, maior ou menor. Não há porque se houvesse isto não aconteceria e não me venha a beata de turno dar a balela do livre arbítrio porque ainda lhe mordo. 
Este tipo tinha o verdadeiro espírito Da Vinci: onde "tocava", tocava sempre em perfeição, fosse música, fotografia, pintura... Dele apenas sabia do seu precoce talento e que possuía uma extraordinária relação com o piano, que me fazia com a sua simplicidade com ele, querer ter um para mim, ter a mesma poesia na ponta dos dedos, a mesma energia e imaginação naquele quadro onde se pintam infinitas "telas" maravilhosas a poder de branco e negro. Recordo a equipa brutal que fazia com outros dois grandes, Mário Laginha e Pedro Burmester e que tinha em mente ver quando a providência mo permitisse. Já uma vez aqui escrevi que a verdadeira essência da existência não se mede pela capacidade de produzir dinheiro ou dominar a ciência. É a arte, as várias artes, o maior bem que o Homem pode acolher para si. Não se explica, vive-se, garante emoções e vezes, sem conta, estados de reflexão que é o que nos distingue dos bichos e nos transporta para um estado maior. Para além das questões pessoais, perdeu-se um marido e pai de família, filho e irmão de alguém, sabemos o que ele produziu e ficamos tristes não só pelo que ele já nos tinha dado do seu génio mas daquilo que ainda poderia dar o que, seria na certa, imenso. Não consigo pensar em nada mais do que: porra, não é justo. Tanto gajo reles que continua, sem morrer, a gastar o ar da gente boa e valente e tipos desta craveira que vão assim, num flash.

sexta-feira, abril 27

Insustentável dureza da tristeza


...fazia por esta altura a volta devida às últimas notícias que o dia nos deixou ou acabou de dar e assim do nada, o que é o mesmo que dizer, a partir da ponta dos dedos comandados pelo desejo inconsciente de visitar todos os diários nacionais e não só, dei com esta foto e mergulhei num estado de simpatia difícil de descrever e mais de entender. Esta foto de Paulo Portas deu-me um tabefe por dentro que quase me fez suar os olhos. 
Não tenho particular simpatia pelo mesmo. Já o seu irmão transmitia-me mais qualquer coisa, uns olhos de honestidade que parece só os militantes de esquerda parecem dar. Como se os mesmos fossem uma janela para uma alma que viu, sente sinceramente e transmite sem subterfúgios as dores do que menos podem. Fiquei obviamente triste pela sua perda, mais que prematura, mas longe de me fazer sentir no sentir em que esta foto me deixou. 
"Amigo" isso é daqueles coisas que só o tempo poderá...minorar. Esquecer será certamente um verbo a conjugar. Ânimo.
foto in DN

terça-feira, março 22

Um Senhor



Como um dia disse: "digam que morreu um gajo porreiro". E morreu mesmo. Mais do que o senhor rádio, morreu um verdadeiro Senhor. E ainda por cima Sportinguista... Diz-se que por cada um que cair, logo outro se levanta. Como este será difícil. Paz à sua alma.

quarta-feira, dezembro 1



Hoje perdi um amigo, um tio, o meu tio João. Estou triste ao ponto da dor comer tudo o que sou, de me fazer forte estando amargurado para sempre. Contorce-me por dentro, esfrangalha-me a alma e destila-me o corpo que brota água como raras vezes o fez, na adultez. Estou demasiado triste. Deito fora todas as alegrias duma vida que já não volta e as saudades de agora e vindouras, tornadas dor, em estado líquido. Já é a segunda vez na vida e não há direito, não há sentido. Diz-se que um pai nunca deveria ver partir um filho. Eu digo que nunca ninguém deveria ver partir os bons. O meu tio João. O meu tio da força imensa, do olhar azul clarinho, de uma bondade extrema, do espírito engenhoso, da voz meiga, de uma malandrice sem par. O meu bom gigante. O meu tio. O meu amigo. Estou triste que nem sei, acho que estou triste para a vida toda. Escrevo daqui a minha carta de Natal: quero os meus tios de volta.

sexta-feira, julho 30

Que a treta nunca acabe



"O que diz Molero" foi a peça que primeiro vi e que mais me marcou. Será reposta certamente no futuro. Disse, já perto do fim, que queria dar cabo do bicho. O bicho nunca irá dar cabo dele em nós e na sua obra. Até sempre "toni".