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segunda-feira, janeiro 6

O sr. D'Eusébio


Eusébio da SIlva Ferreira
1942|2014

Se é dia para se dizer que tudo foi dito, as 24h que medeiam desde o ontem ao hoje, é seguramente esse o dia. Um dos alicerces e o único ainda em vida, da trilogia do estado novo, Fátima, Fado e Futebol foi-se cedo no tempo.
Não guardo imagem melhor de Eusébio do que o rapaz da camisola vermelha com o número 13 a levar turbilhão ao verão inglês de '66.
Guardo de ontem algumas palavras: disse adeus no dia do futebol, num domingo e em véspera do dia dos reis, aquele a quem chamavam rei também. Se há céu, na certa que há futebol e assim Eusébio sai do campo da vida para aquele campo que era o dele.

segunda-feira, dezembro 2

A prova?



Não queria escrever sobre o assunto mas se tenho escrito noutros fóruns...

O Ministério da Educação e Ciência, doravante MEC, chegou a acordo com um dos sindicatos (FNE) para dispensar (sabe-me a esmola) os professores com mais de cinco anos de serviço. A primeira questão que se impõe é: o estágio conta para o somatório? Vamos ao que importa.
Sempre me opus à prova e por um motivo que julgo ser de fácil percepção, ainda que existam por aí muitas vozes e tinta de caneta a defender o contrário. Respeito? Não sei bem, porque muitas vezes escrevem sem estarem devidamente informados ou pura e simplesmente por despeito e a cavalo do argumentário da inevitabilidade. É pouco.

Deve ou não haver prova? Honestamente não sei. Tenho noção de como foi a minha formação mas não faço a mais mínima ideia de como as coisas correram noutras instituições superiores, sejam ou não universidades. O que sei das mesmas é aquilo que tenha tido a possibilidade de aquilatar enquanto colega de outros professores que se formaram nas mesmas. Já encontrei grandes profissionais e péssimos. Já encontrei contratados e quadros (titulares ou não) que não dão uma para a caixa e outros que dá gosto partilhar trabalho. Eu próprio serei bom professor? Segundo a avaliação anual aprovada pelo MEC, sim. Mais importante os alunos sempre me disseram que sim e os resultados, que ficam sempre aquém do que gostaria e sei que podem, ajuda a essa conclusão.

Mas e a prova? O "não sei" a montante é relativo. Explico-me. Se alguém se licencia ou, segundo o reles acordo de bolonha, obtém o grau de mestre num curso profissionalizante, isto é, que aos olhos do MEC está certificado para poder exercer a profissão, então digo não. Rotundo não. Não pode o mesmo organismo passar um certificado de qualidade simultaneamente que classifica o grau obtido como insuficiente para a referida finalidade: leccionar. Parece-me, no mínimo, esquizofrénico. Já não encontro reservas relativamente aos cursos que não possuam profissionalização integrada. E a minha posição não se altera pelo simples facto de que o contratado, com profissionalização integrada, tenha um ou vinte anos de serviço. 

Não defendo com isto que quem tira um desses cursos, eu mesmo, garanta para si a obrigatoriedade do MEC lhe conceder um lugar no quadro. Nada disso. Garante tão-somente o estatuto que a certificação ministerial impõe. Deveria, por outro lado, o sistema garantir aquilo que a Constituição da República prevê e que não me parece que seja tenha muitas pessoas contra. A escolarização tendencialmente gratuita e em igualdade de circunstâncias. Este seria, ainda assim, um tópico a merece só por si um outro artigo. Voltando à prova.

Será que quem defende a prova, defende que anualmente a sua capacidade seja posta em causa por meros artifícios burocráticos? Exemplifico-me, se preciso, até à exaustão: um juiz, um advogado, um polícia, um militar, um vendedor de gelados, um médico, um artesão, um engenheiro, um... seria melhor, passaria de bestial a besta ou vice-versa se anualmente fizesse um teste a atestar a sua capacidade? Não basta, como o limite seguinte fosse de desconsiderar, que seja um bom profissional, segundo as leis do mercado (para quem tem uma "porta aberta" a quem reportar) ou um sistema de avaliação de desempenho? Parece-me que sim. Operacionalizando o assunto: será mau jornalista aquele cujo jornal não vende ou aquele cujo diário vende porque a sua isenção se subscreve a interesses alheios? 

A questão que envolve a prova é só esta ainda que possa haver quem diga ou escreva diferente. É então justa a dispensa de professores com mais de cinco anos de serviço? Não. Deveriam todos os que possuem habilitações para a profissão ser dispensados. É que à parte da experiência, que não desvalorizo mas que é isso mesmo experiência, "calo", "horas Homem", algo que apenas de ganha exercendo, não percebo a razão que leva a considerar uns aptos e outros não. E sinceramente não a vejo. A haver prova, seria para todos, até para os professores do superior.
Vejo aqui o mesmo modo de actuar dos tempos do governo PS: dividir para governar. Em tempos idos mas que jamais esquecerei também apareceu uma besta (MLR), que me granjeou um tal asco nunca irei esquecer, que dividiu os professores em dois grupos: os titulares e os outros. Nunca me senti acometido de alguma doença ou infecção que apenas um titular pudesse curar mas cujo estigma existiu e não creio mentir ao afirmar que ainda se mantém.

Quer o ministério rever os procedimentos para a certificação desses cursos ou pretende alterar a formação vindoura? Que assim o façam se bem entenderem. Não pretendam é passar um atestado de incompetência generalizado a este grupo de profissionais. 

terça-feira, maio 21

A Europa a fazer por expirar

















Quando vi a notícia na tv não percebi bem do que se estava a falar. Hoje por duas vezes caí, via rádio, no assunto e acabei por estar aqui a terminar a noite ao som dos daft punk e nas linhas irrecusáveis do MEC. E não há como tentar fazer melhor, ele diz tudo, em conta peso e medida, na forma, no tempo e no modo certos. Mas no final de tudo, devíamos revoltar-nos! Mais uma. Existe uma completa separação entre os políticos e as suas populações e este é mais um flagrante caso. Mais um tiro no pé do (incerto, instável) balanço europeu. 
 
A invasão que aí vem
Por Miguel Esteves Cardoso in Público
19/05/2013

No PÚBLICO.pt de ontem dá-se conta de uma reportagem da LUSA sobre o protesto dos pequenos produtores da aldeia transmontana de Duas Igrejas contra a nova lei das sementes que está quase a ser aprovada pelo Parlamento Europeu. Falam por todas as sementes, todas as hortas, todos os agricultores e, sobretudo, pela economia e cultura portuguesas. A lei das sementes - que proíbe, regulamentando, a milenária troca de sementes entre produtores - é pior do que uma invasão francesa de Napoleão.
É uma invasão fascista que quer queimar a terra para preparar a incursão das agro-corporações multinacionais (como a gigantesca e sinistra Monsanto) que virão patentear as sementes que são nossas há que séculos, obrigando-nos depois a pagar-lhes direitos de autor, só por serem legalisticamente mais espertos. Pense-se em cada semente como uma palavra da língua portuguesa. Na nova lei colonialista das sementes é como obrigar os portugueses a sofrer a chatice e a despesa de registar tudo o que dizem, burocratizando cada conversa.
Atenção: é o pior ataque à nossa cultura e economia desde que todos nascemos. Querem empobrecer-nos e tornar-nos ainda mais pobres do que somos, roubando-nos as nossas poucas riquezas para podermos passar a ter de comprá-las a empresas multinacionais que se apoderaram delas, legalmente mas sem qualquer mérito, desculpa ou escrutínio.
Revoltemo-nos. Já. Faltam poucos dias antes de ser ter tarde de mais. E para sempre. Acorde.

PS: perdoe-me o Público pela cópia integral e em reforçada ideia, o seu autor.

terça-feira, abril 13

O (em) mau Estado.



Durante estes dias de pausa aproveitei para ir espairecer, em jeito de escapadinha, para os lados de Sintra. Uma zona que se assemelha a um museu ao ar livre. Estradas em jeito de livro queirosiano, com bermas atapetadas de árvores frondosas, um ar fresco de elixir que preenche os pulmões que temos e quereríamos ter, pormenores por ali, por maiores acolá e poucos olhos ou sentidos para assimilar tamanha beleza que o homem e a natureza nos oferecem com supra displicência. Muito bonito, sem dúvida, uma overdose do sublime. O tempo ali parece parar, se bem que voa e apenas a escuridão forçada nos retorna ao limite do real.
Mas a viagem e a visita mesmo toda a sua oferta estimulante reportaram-me ao país que temos e não ao que queríamos ter, ao Portugal dos “Allgarves”, do olvido, da falta de projecção, de visão, de culto da identidade nos orgulha ou devia orgulhar. Visitei desde Mafra a Sintra quase tudo o que existe num guia “camone” ou “chininho” para flashar e não se entende como, por exemplo, o Palácio da Pena não merece um reparo digno da sua importância. O estado Português não trata bem o presente, não prepara o futuro mas sempre pensei, até pela imagem que passamos, pelo imenso gentio que visita os nossos símbolos que esta parte de Portugal ancorada por sinal, ao mais querido litoral, fosse mais acarinhada. Enganei-me. Não vou listar o que vi e desgostei nos monumentos, não porque fui pagante, não por ser Português mas não deixo de assinalar esse decrépito, nalguns casos, estado da nossa herança. Eu bem sei que a esfinge no Egipto não tem nariz e que isso faz parte do seu charme, é sucesso nas fotos mas ao Palácio da Pena sobra o verdete das infiltrações, a pintura desvanecida ou tantas outras coisas. Sublinho o contributo de mecenas ou de privados que tomam para si a posse de alguns dos edifícios, Quinta da Regaleira por exemplo, e que nestes são visíveis a sua contribuição constante.
Um país mede-se pelo grau de cultura do seu povo, disse alguém certo dia. Atrevo-me a dizer que este mede-se pelo grau de cultura do seu povo e do modo como trata o seu tempo passado, presente e futuro. Portugal era o mesmo país sem tratar dos seus monumentos? Claro que não e por isso não deveríamos deixar que tudo acontecesse como muitas outras coisas. É o país que temos mas não tem que ser o país que queremos.

domingo, fevereiro 21

E de repente, foi-se a ilha na força da encosta.

E quando pensamos que estamos a salvo destas catástrofes heis que... nos colocam no sítio à força. Algo me diz que as mutações climáticas trarão mais destes eventos até nós. Estar preparados é o mínimo que se nos exige e o máximo que podemos fazer. Força para a madeira.

sábado, dezembro 12

Bizzarias


As últimas semanas têm sido profícuas em casos com relevância política que respinga a acção ou o poder judicial, sendo que, pelo meio, algum ou muito poder económico anda pelo meio. O mundo junta-se em Copenhaga para salvar e limpar o mundo e Portugal reage visível e invisivelmente, mostrando o nível de imundície que nos cerca, invade, nos completa como sociedade.
Eles foram tantos que se torna num esforço pessoal digno de uma maratona seguir tudo na ponta da língua. Ainda assim, e porque vivemos na sociedade da boa, inerte, má e reles informação que nos entra em contínuo pela sala de estar adentro. Na passada quinta-feira Armando Vara (AV) surgiu na RTP. Este tipo de “aberturas” ao público já as vimos noutros casos… pausa para relembrar… eu ajudo… Carlos Cruz, Dias Loureiro… Se é certo que nenhum está judicialmente condenado o mesmo não será dizer que tudo passou impune aos olhos do povo, e pergunta-se o caro leitor: Porque terá então, o povo português, o terrível estigma, entre outros, de condenar em jeito Lucky Luck, mais rápido que a sombra? Pois bem porque como Portugueses vivemos em Portugal e isso dá a indisfarçável vantagem de conhecer os meandros da pequena sociedade, da “mãozinha”, do “por debaixo da mesa”, do “jeitinho” e como para cima o código genético não se altera o nosso íntimo diz-nos que eles enganam, é assim é o jeito Português. Parafraseando os Romanos: O povo Português nem se governa nem se deixa governar.
Dão também que pensar afirmações de AV como por exemplo, não ipsis verbis mas quase: “recebi uma carta anónima no sentido de alertar o PM sobre escutas e deixei-a na gaveta” assim sem dono, para qualquer pessoa da limpeza, um filho, pessoal da judiciária a leia que isto é material de primeira, digno inclusive do plano nacional de leitura. Quem é que sendo muito amigo de alguém sabe de uma coisa destas e não diz nada? Deixa contar os dedinhos no ar… pois! Todos diziam pelo jeito portuguesinho de “não vá o diabo tecê-las”… E como estas outras naquela maravilho entrevista. Gostei particularmente do jeito como qualquer pessoa perdida pode subir à penthouse do BCP ou de como sinceramente afirmamos que somos facilitadores de contactos, como que entrepostos de favorecimentos.
O grave de tudo é que a justiça é redigida por estes “maduros”. O grave é que a justiça querendo ser cega não o é mas faz-se sim cega à delapidação das suas competências e meios sem que os seus actores protestem. O ainda mais grave é que neste país alguém que foi ex-secretário de estado e ocupou lugares de relevo no maior banco estatal e privado venha dizer com todos os dentes que sim favorece encontros e que não vê mal nisso. Títeres, somos títeres.

quinta-feira, julho 2

Ainda ou já só vês os pés?



O dia-a-dia de um professor é repleto de situações únicas, nem que seja pelas tiradas dos jovens a quem eu proponho todos os anos o negócio das suas vidas: aprender, crescer por dentro como por fora. Uma das coisas que também pode acontecer é: “Srs. Professores de substituiçãaaaao! Tenho o sétimo D, o oitavo A” etc etc, como menus num qualquer takeaway. Com um sorriso, lembrando da maçada do momento vivido, digo-vos que são ossos do ofício. Nesses momentos pretendo, não havendo outros objectivos a atingir, melhorar a capacidade crítica dos jovens de hoje, a capacidade de observarem situações importantes para o seu futuro e, com esta primeira abordagem, saírem do estado “tábua rasa” para melhor optarem ou palpitarem quando a necessidade assim obrigue. Os meus momentos de substituição com eles, preencho-os então de um modo responsável vendo, por exemplo e dependendo do nível etário, com o visionamento de documentários que carrego a prazer e onde os temas são variados: o clima, reciclagem, alimentação saudável, etc. Uma série de informação que os leve a ficarem melhores seres, mais conscienciosos ou então não mas que onde a desculpa do “não sabia” nunca mais será aceite.
E porque tanta conversa? Hoje por necessidade desloquei-me às imediações do Macdonalds aqui da minha terrinha e não foi o cheiro a ‘combustível’ (óleos das batatas fritas) que impregnava o ar mas foram os gritinhos e animação que me levaram a olhar para lá. Repleto de catraios, miúdos de… não sei, quatro ou cinco anos todos com os seus chapéus liliputeanos muito garridos, vozes em falsete afiadas e energia a mais nos pés eu encontrei o ‘parque de merendas e diversão’ do restaurante fastfood da reconhecida cadeia.
Minto se dissesse que o calor que me derretia desde a planta dos pés ao mais insignificante pensamento tivessem desaparecido mas abrandei para observar o ‘quadro’. Um dos documentários que passo à exaustão é o de Morgan Spurlock, um jovem nova-iorquino que um dia pensou: “sou saudável, sem doenças passadas, ou vividas, nem vícios presentes, o que será que devo fazer comigo mesmo? Já sei vou comer só durante um mês no macdonalds, só para ver…” E assim fez e assim ia dando aniquilando o que uma boa educação havia criado em trinta anos. Se existe uma coisa que o documentário mostra, e não só ele mas os rabos gordos, as banhas oscilantes, as carinhas e garriguinhas fartas é que um dos problemas futuros será a alimentação, o sobre peso. É sem duvida uma das doenças silenciosas que já vivemos, recriminamos alguém por fumar mas não fazemos igual quando essa mesma pessoa se enche feita… É uma doença evitável, estúpida, de novo-riquismo.
Como posso eu fazer valer a atitude crítica quando um menino ou menina de quatro ou cinco anos é levada a estes locais por pessoas que se pretendem responsáveis de formação ou meras educadoras por necessidade de ‘gás, água e luz’? O que mais custa é que a informação é tanta e as educadoras erma tão novas. O capitalismo tem coisas estúpidas e a nossa única arma é a consciência. Não sei para onde caminhamos… eu sei, vou comer uma maçã.

segunda-feira, janeiro 12

Sem fim à vista



Existem acontecimentos que volvidas declarações imensas, actos ou sossegos cúmplices, imagens ou vídeos em conjunto com o habitual passar do tempo, fica a sensação crua e dura que a situação do médio oriente nunca terá fim à vista. As forças de um lado são desmedidas, criam opressão, situações de extrema fome, sede, discernimento, minguando a liberdade de raciocínio e de movimentos. Do outro lado, a luta não ingénua de um povo que tem a sua cota de culpa nos confrontos por quebra acordos, cessar-fogos ou por adoptar a facílima via do ataque furtivo em resposta ou início de um novo ciclo de hostilidades.
É certo que dificilmente esta disputa territorial, de recursos naturais, de génese religiosa entre outras, será resolvida por um toque de um midas. É verdade que esse mesmo midas, quaisquer que eles sejam, possa contribuir para desarmar os dois lados e talvez assim já não se comentam crimes principalmente do lado israelita que, de todas as nações, seria aquela, a única, que teria todas razões e mais alguma para desde o dia um, não deste ciclo de violência mas desde o início da disputa, não ter assumido tal atitude. O tempo passa tal como as pessoas responsáveis, os inocentes que parecem e avolumar a lista dos que morrem numa disputa… estúpida.

quinta-feira, dezembro 18

Nos tempos da outra senhora


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Escola de outros tempos... Cliquem para maximizar.

sábado, outubro 25

Ferida de Morte


Realmente este país tem o que merece. Os cargos públicos e as suas lapas orientam à esquerda e à direita a seu belo prazer, com a conivência da maior parte dos media. O povo, nos programas de opinião na rádio ou na televisão, arremetem contra professores, médicos e todos os que desempenhem uma profissão que não seja a deles mas quando ministros proferem este tipo de afirmações, eu pergunto: mas que merda é esta!? A vergonha governamental é tanta que se permitem afirmar as maiores sandices, disparates, baboseiras sem que nada suceda ou que, pelo menos os media, critiquem e façam notícia de afirmações deste calibre! Numa recente entrevista, a néscia, fátua, inapta, incompetente, irresponsável, cadáver da educação – eu recuso-me a classificá-la como pessoa, quanto mais ministra, disse a seguinte… (não tenho classificação a não ser através de má educação):

Mas porque é que a escola portuguesa mantém esses 7,4% de alunos na 2.ª classe?Tem vindo a baixar, eram 18%, há 15 anos. O que é que os professores pensam? A criança não aprendeu a ler, vale mais que fique retida, para aprender a ler. E fica para trás.
E vale a pena ficar para trás?
Não vale. E isto para uma criança de 7 anos é dramático. É o início de um percurso desastroso. Absolutamente desastroso. São estas crianças que depois abandonam a escola. A primeira coisa é que ficam num ano de ensino desajustado à sua idade. Todos os amiguinhos que vão ter no ano a seguir, já não são os mesmos, são mais novos, e começa aí um processo de desajuste. Todos os estudos provam que a repetência não permite recuperar nada. Porque é que ficam para trás? Porque antigamente a escola era assim.

Fica o excerto e o link do resto da entrevista. E fica o aviso: quando uma pessoa, com grandes responsabilidades, se dá ao desplante de proferir este tipo de afirmações, as acções não dos professores mas dos pais, todos eles, têm que começar a fazer-se sentir e ouvir. É impossível que alguém que defenda que um menino passe sem saber ler não defenda que este deva também passar pela vida sem saber escrever, falar, andar, comer, ouvir, pensar e tudo aquilo que quisermos juntar. Não sei que mais é preciso para que as pessoas todas tomem uma atitude definitiva em relação a estes criminosos. Estamos a milímetros de começar a queimar os livros.

domingo, setembro 21

...mais do que mil palavras



Miguel Barreira resume nesta imagem uma ideia - O pior inimigo de nós próprios somos nós. Falta saber se é Paulo Bento que pensa "que raio vou eu fazer contigo" ou se o teor do instante se centra mais na ideia "como eu me enganei contigo". Coisas certas: P. Bento é disciplinador mas como os bons pescadores sabem, às vezes, é preciso dar linha ao peixe; é sabido que a rapaziada do leste europeu, particularmente os ex-jugoslavos, são pessoas de carácter complicado e aqui entra uma ideia deixada por outro treinador leonino já falecido, Big Mal - Malcolm Allisson. Quando questionado sobre o carácter de alguns dos seus pupilos, após a conquista de um campeonato, o mesmo disse que todos são diferentes e, por exemplo, António Oliveira precisava de mimos e ouvir sistematicamente que era o melhor jogador de todos, e assim Oliveira rendia e muito. Será que Vukcevic não será desses jogadores? Se fosse Ronaldo a história seria diferente? Uma coisa é certa, P. Bento é ainda um jovem treinador, que admiro, com muito a conquistar, a dar ao futebol e a aprender tal como o jovem Vukcevic mas, no entanto ambos e os dirigentes do clube, encontram-se num negócio que não se compadece com teimosias ou caprichos, sejam elas de quem forem. Resolvam isso duma vez por todas, nem que seja num ringue de boxe, mas deixem-se de mariquices.

terça-feira, julho 8

No dia que a casa (uma delas) veio abaixo


O passado intimidou a noite lisboeta durante o início da semana. Um incêndio numa das avenidas principais e mais emblemáticas do “monopólio” da capital do país ameaçou reduzir a cinzas mais do que um prédio, num instante dejá-vu, com mais de quinze anos. Concordo com as palavras do arquitecto paisagista Ribeiro Telles, que afirma há anos, que a construção selvagem da periferia da cidade de Lisboa era um erro bestial só possível devido ao altíssimo patrocínio de bestas políticas e empresários de ocasião.
4600 Habitações livres, no seio da maior cidade de Portugal, é algo que me faz relembrar duas coisas. Primeiro, quem for a uma qualquer cidade europeia verá que os edifícios semelhantes aos que estão ao abandono em Lisboa são os mais acarinhados e os mais reluzentes. Segundo, relembro uma reportagem sobre o vereador bloquista da câmara em questão da cadeia Al-Jazeera, que na sua introdução dizia que a capital Portuguesa, outrora famosa pela sua construção vanguardista (pós 1755) e pela pujança proveniente dos tempos dos Descobrimentos, revelava, sem muita dificuldade, o passo dos anos e a decadência de uma ida potência mundial.
Curiosas também não deixam de ser as declarações de um tal representante de uma Associação de Proprietários Imobiliários de Lisboa, salvo erro que a verificar-se, no nome e não na substância, eu me penitencio. Dizia o senhor que se o Governo ou a Câmara quiser que os prédios não se degradem, o Governo “terá que dar subsídios”. A gargalhada espontânea, com alguma mágoa, apoderou-se de mim. Vou tentar metaforar, sobre a estúpida tirado do senhor, em prol da minha pessoa. Eu tenho um mini de 1974 e ele está a necessitar de um trabalhito de bate-chapas. Eu vou abandoná-lo na estrada e se o governo ou a câmara, que eu não sou esquisito, quiser que o retire ou arranje, que me patrocinem a empreitada.
Um conselho ao governo de quem quer uma casa daquelas, não tem como uma comprar mas que arrendaria de bom grado: Criem um Decreto-lei que exija que imóveis desses, existentes pelo país fora, sejam reparados ou, na impossibilidade monetária de que isso suceda, que os proprietários sejam forçados a vendê-los ou a arrendá-los. Quem não quiser vender que se sujeite ao cumprimento da Lei (limpeza, emparedamento, etc) e fique obrigado, no exercício voluntário dessa opção, a satisfazer esse sua vontade a poder de impostos obscenos, em virtude de magnificência dos edifícios em questão. Algo me diria que essas casas não ficariam ao abandono por muito tempo.

sábado, junho 28

Pura estatística



“talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média. Os “alunos têm direito a ter sucesso...honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos” by Margarida Moreira, DREN
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Lembram-se do macaco Gervásio? Aquele macaco que ao fim de 1 hora já sabia separar o lixo pelo código das cores? Pois bem acho que agora até já o macaco Gervásio começa a entender do que raio falam os professores quando dizem que existe facilitismo. Se tem quatro patas, chifres, tetas e manchas branca e negras, que bicho é este? Hipóteses:
A: Margarida Moreira, Directora da DREN;
B: Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação (dizem... com dedicatória);
C: Um coelho;
D: Uma vaca.
Alguém arrisca? Não vale apostar em mais do que uma alínea, seria... correcto?
Ou seja, do alto do critério e da sapiência do estado (já não faço distinção, é tudo farinha podre do mesmo saco) se eu quiser ter honra no meu trabalho basta passar os meninos. Levante a mão, o professor que ainda não foi convidado, por um qualquer conselho executivo perto de si, a fazer tal. Excelência? Sim, sim excelentes parasitas que nos governam e que nós, às custas das suas ideias, ajudamos a formar nas escolas, a rodos. Estou farto disto. Estou em blackout na Educação se é que ainda assim se poderá chamar.
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PS: Perguntem aos alunos que se esforçaram durante o ano, sobre os exames? Que dirá o "João" que se esforçou como um camelo e viu o "Manel", que não via um boi das coisas, que passou o ano a apanhar ondas, passar com uma nota semelhante à dele? "Oh Stora não é justo!"

quinta-feira, junho 5

10 Junho: Dia de assentar "ferro"



Aproxima-se o 10 de Junho e, como todos já se habituaram, é dia de assentar ferro. Todos reconhecem que, durante o magistério de Jorge Sampaio, essa prática se tornou uma actividade tresloucada digna do Guiness, seja o livro ou a cerveja, as duas concorrem de modo positivo para explicar tamanha empreitada. Já houve quem dissesse, e bem, que no auge da cegueira condecorativa, Jorge Sampaio entregou mais medalhas que o todo o Comité Olímpico Internacional! Quem condecora assim com tanto prazer e alegria devia ter lugar cativo na tribuna “operária” em Pequim, mas isso são opiniões… para já não falar em quem foi agraciado…
Falo nisto porquê? Concretamente pela última alusão feita. Jorge Sampaio entregou muitas medalhas, tantas que completar a caderneta foi coisa simples para muitos e quando digo muitos não falo em bués, ou infinitos, infinito elevado infinito, a ou malas de senhora, muitos mesmo, do tipo muito obsceno. Se na altura tivesse blogue ter-me-ia insurgido, depois de obviamente “ferrado”, contra a banalização do acto. Insurjo-me agora. O 10 de Junho está à porta e o Presidente da República, Cavaco Silva, prepara-se para distinguir mais umas quantas pessoas o que não deixa de ser uma coisa curiosa - ainda existem pessoas que chegaram à idade adulta sem serem condecoradas! Devem ser aqueles imigrantes de leste que dormem ao relento perto da residência oficial. Não? Não, esses passaram pelo prego, compraram o bilhete de regresso e foram embora, este ano é mesmo o Marques Mendes. O Marques Mendes… (pausa para que o desalento invada à moda Napoleónica). Que serviços relevantes terá prestado Marques Mendes, eu não vi mas também não tenho o poder da ubiquidade, que sugerissem tal reconhecimento? Alguém que me explique, o que é de todo improvável até mesmo para o cada vez menos respeitado por mim, Presidente. Ou sou que eu sou muito exigente ou o meu nome é Torsten, sou um sueco amnésico perdido no extremo ocidental da Europa. Hjälp!

quinta-feira, maio 15

Façam o que eu digo...



E o primeiro-ministro (e não só) foi apanhado qual virgem ou jovem delinquente, atrás de uma cortina a curtir umas folhas de tabaco em completa ignição. O acto fez notícia e compreensivelmente derramou imensos comentários por toda a parte, destituídos ou não de sentido mas todos imbuídos numa profunda vontade de sovar. Eu cá fiquei contente por isso e também porque o tabaco mata, a vida também mas o tabaco é mais afoito no processo e aqui encontro conforto. Segundo porque pela boca morre o peixe, até aquele que corre para cherne (o “pá” do porreiro) mas não passa de um mero carapau de corrida.
O episódio só me deixa algumas mágoas: primeira, que todos os políticos não fumem à desgarrada e segunda que o primeiro-ministro não tenha sido apanhado atrás de uma cortina a… governar. Se assim fosse, e pela mera extrapolação das suas palavras sobre o vício tabágico, era de todo expectável que ele admitisse o erro e que procedesse em conformidade, isto é, deixasse de governar.
Ainda sobre a mesma personalidade… não deixa de ser curioso que Sócrates durante a sua governação(?) tenha visitado China, Líbia, Venezuela, Rússia… Tudo países conhecidos pela sua forte implementação democrática… Neste caso consegue-se uma proeza científica – pólos com o mesmo sinal atraem-se.

quinta-feira, maio 8

...



O dia de hoje, para além de particularmente longo, tornou tudo subitamente relativo. Não sou professor há muitos anos e por onde tenho passado tenho tentado deixar amizades boas por onde quer que a sorte me leve. Relações de amizade com os alunos é algo que me é relativamente fácil e, quero crer, que também deixo algum tipo de saudades. Pois bem hoje recebi a notícia da morte de uma aluna minha, uma miúda simples, trabalhadora, concentrada e com os pés, muito cedo, assentes na realidade. Aluna de Medicina, a terminar o curso pelo que sei com bons registos, a injustiça, o azar ou as leis do acaso foram mais fortes e optaram por ela.
Digo azar, acaso etc. porque esta é mais uma daquelas situações que me faz não acreditar em qualquer tipo de Deus, porque se assim fosse a justiça seria feita noutros moldes ou na pele de um qualquer inútil. A Lili viveu uma vida a lutar contra o seu coração e na noite passada, enquanto quase todos dormíamos, ele deu de si. O dia de hoje, 8 de Maio de 2008, que foi um dia longo, produtivo, com uma irritação na voz desagradável mas tornou-se de repente num dia de merda.

quarta-feira, abril 30

Cada vez preciso menos disto...



Os iluminados que (des)governam este país demonstraram hoje, pela enésima vez nas insanas palavras da Ministra da Educação, quais são os seus objectivos para o Portugal. Gastar menos, não reformar; Seguir indicadores internacionais, sejam eles quais forem, façam eles as considerações obtusas que fizerem. José Sócrates e o seu grupo de arlequins amestrados são daquele tipo de tolos que seguem qualquer um que diga “o caminho é por ali, pelo precipício.”
A Ministra da Educação encheu a boca de disparates e agora vem dizer que o chumbo vai ser persona non grata. Isto tudo porque será melhor para todos? Não, apenas porque se gasta muito com os chumbos. E fiquei maravilhado por ver que a ministra saber fazer contas de somar sem errar! Se com cada aluno se gasta “x”, se este chumbar gasta-se “2x”. Fiquei extasiado e louco de alegria porque pensei, e penso, que para se ser ministro não era preciso saber nada, nem contas de somar. No futuro e pelo que vejo dia após dia, a sociedade vai ser composta, na sua grande maioria, por potenciais ministros. Vamos na rua, tropeçamos e o mais certo é deitar abaixo um potencial Ministro.
Enquanto os políticos não se aperceberem que a Educação é uma área que só dá lucros a médio, longo prazo este país não terá remédio. Na escola o princípio da responsabilidade já tinha tido melhores dias. Os alunos agora não têm trabalhos de casa e como tal não exercitam a necessidade de estudar, não se cria o hábito. Não terem trabalhos de casa até é coerente porque os miúdos têm que passar tanto tempo na escola que seria de certo modo irreal irem para casa estudar. O que não é admissível para mim é que eles passem tanto tempo na escola: oito quilogramas de livros, quinze disciplinas… Está tudo exponenciado, a começar pela estupidez que emana da 5 de Outubro, a um nível difícil de entender.
Por outro lado não deixa de ser caricato que em plena discussão do processo de avaliação de professores, a tutela venha com esta ideia estapafúrdia. Senhores advogados ajudem-me, não existe nenhum artigo da Constituição que possa ser accionado por se verificarem danos objectivos e irreparáveis ao país?
Irra quase que desejo ser espanhol! Antes a ETA que esta cambada de doutores Analfabetos.

segunda-feira, abril 28

Estupidez ganaciosa




O preço do arroz sobe, sobe como a canção de Manuela Bravo. Aliás é o preço do arroz tal como tudo o resto. Estranhissimas as palavras do Ministro da Agricultura, as quais demonstram pouco conhecimento da economia do país e total esquecimento em relação ao Ministério em questão. A entrada para a Europa trouxe coisas positivas é certo mas em certas questões este país foi cilindrado de um modo perfeitamente irresponsável. O caso da agricultura é um caso paradigma disso. Este foi um país que recebeu dinheiro para deixar de plantar, foi e é um país que tem cotas para o leite, ou seja, se uma vaquinha deita uma gota que seja a mais do que devia, o país paga multa. Com este tipo de raciocínio matam-se imensas coisas como por exemplo: o espírito empreendedor tão em voga nos dias de hoje; imensos postos de trabalho de que o país carece; a dependência estúpida do exterior para produtos que podiam ser produzidos no país e tantas outras.
O Ministro diz que temos excesso de produção, maravilhoso! Então o arroz para nós deveria, no mínimo, ficar no valor em que está, certo? Errado sobre 16 cêntimos porque é necessário acompanhar os preços do exterior, vulgo, os aumentos por falta de arroz lá fora. Ou seja pelas palavras sábias do Ministro se não temos um aumento e racionamento real por falta de bens, no caso o arroz, vamos arranjar um aumento, no caso, por simpatia com os outros países.

PS1: Com o aumento de população mundial, este tipo de situações previa-se inevitável, pelo menos para quem devia ou estuda este tipo de fenómenos.

PS2: Gostava que me explicassem qual a mais valia em produzir zero e em ir comprar lá fora o que é necessário cá dentro ou como é que se explica que havendo pessoas com imensas carências neste país, o leite esteja sujeito a cotas. Parece que anda tudo louco

domingo, abril 6

Pontes para a outra "margem"



Sou adepto da SIC noticias. Talvez por defeito de formação/criação sempre andei rodeado, mas principalmente, foi-me chamado sempre à atenção factos relevantes nos noticiários. Como tal ficar viciado em informação foi um passo. Pego neste tema porquê? Simples. Um dos programas que sigo com alguma frequência é a Quadratura do Círculo que contou até há bem pouco tempo com Jorge Coelho, eminência política dentro do PS. Para quem não via o programa mas vê a SIC notícias talvez se lembre do anúncio ao programa e onde se ouvia Jorge Coelho dizer “Há muita fraca memória nos políticos e nos portugueses…” Ora bem, sobre o que haveria ao tempo que justificasse a “fraca memória” sou sincero, não me lembro, mas parece que a Coelho a memória também já teve mais pujança.
Para paladino da honestidade e da pureza de valores, Jorge Coelho na minha óptica, acabou de dar um tiro no pé ou talvez não porque nada irá fazer correr mais tinta que a que vai ser gasta nos talões do seu vencimento. Após ter sido Ministro das Obras Públicas algures em Governos PS ao ex-Ministro foi-lhe descoberta a característica transversal a qualquer ex-Ministro e, como por arte de magia, transformou-se num reputadíssimo gestor aos olhos da maior empresa do ramo da construção em Portugal, a Mota-Engil. Não deixa de ser curioso que esta movimentação estratégica se dá na altura que o Governo se prepara para entregar a concessão de milhões e milhões de dinheiros em obras públicas às entidades com características idóneas. Espero que a idoneidade se consiga, nomeadamente, pela relação custo/qualidade e não propriamente pelas personagens que “comandem o barco”, o tal concurso público que pretende impedir, mas não consegue, o acerto directo. Confuso?
Pensemos que isto mesmo acontece com outras tantas personagens, algumas delas de capacidade intrigante: Ferreira do Amaral (Lusoponte), Armando Vara (BCP), António Mexia (EDP, mas a este dou um desconto), Pina Moura (Galp/Iberdrola), Jorge Coelho (Mota-Engil).
Fará parte de algum tipo de formação especializada e desconhecida dos portugueses que consiga que ex-ministros pareçam passar de bestas a bestiais gestores num ápice? Uma coisa é certa parece existir um… preocupante? Enervante? Vergonhoso? Descarado padrão de cumplicidades entre o cargo de ministro e os lóbis privados. E não será que existirá algum jornalista que consiga quantificar quanto é que custou ao estado português este tipo de favores às claras? Não digo com isto que os ex-ministros estão condenados a ficar no desemprego mas deveria existir um período razoável de anos, quiçá uns dez, de modo a que a promiscuidade não parece-se ou fosse, tão clara.