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sexta-feira, julho 18

A emboscada

http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=903681&audio_id=4033909

Link na imagem.
E em jeito de conclusão:

Quem não dá tréguas a fulano, beltrano e cicrano, mais as suas famílias, o que é que merece para ele e para a sua?

domingo, julho 6

A sério!? Continuamos a copiar os fracassos alheios?


Não é que não haja assunto. Rarei-a é a vontade de enfrentar enfrentar o branco vazio. Vim à boleia do que espero ser mais uma daquelas tiradas inférteis dos palhaços governamentais.
Assim diz-se, li, que se pretende avançar em toda a linha com a municipalização da educação. Isto é, passa da alçada do ministério da educação para as mãos dos apparatchiks partidários que mal sabem dar conta da sua dispensa, quanto mais de uma câmara ou das respectivas escolas. Antes demais e tudo o resto: estão com vontade de se atirar ao pote câmaras do PSD e do PS. Com a mesma goludice por isso não vale a pena olhar para o lado de lá da estrada. Do lado de lá como se houvesse alternativa e não apenas alternância. Onde ía?
Então e como é que querem fazer a coisa? Simples. Como se a educação não fosse um pote suficientemente apetecível, abanaram com outra cenoura, ou colheita inteira. Por cada professor que não precisem, isto é, que sobre da "racionalização ou uso adequado de meios" os apparatchiks ganharão o seu "audi", na forma de 50% do salário do dito professor. Um bom negócio. Educar, nem tanto mas não há leis no amor e nos negócios não é!? Se tudo correr mal, isto é, se os meninos não aprenderem e tal? Pormenores, quiçá, mas nada se esclarece sobre as responsabilidades assumidas. E mesmo que se esclarecesse, de que serviria levando em linha de conta que de quanto maior a reponsabilidade, menor a prestação de contas. Mentira? Experimentem não cumprir com algum imposto e levem a mesma desculpa de Ricardo Salgado que se olvidou (que os que podem não se esquecem, olvidam-se) de pagar impostos decorrentes de 8,5 milhões que tinha esquecido nos bolsos das calças de sarja.
Lembro também que na função pública os médicos e os juízes são as profissões que ganham bons ordenados. Isso sim seriam 50% bem aviados para os bolsos dos reles presidentes de câmara que estão eleitos por esse país inteiro.
Será desta que a escola em Portugal pára de vez? Se não for desta, quando será?

Eu, o autor deste artigo e de todos os outros, optarei sempre por não escrever segundo o acordo ortográfico de uns quantos descerebrados.  
 

quinta-feira, abril 3

Uma boa palestra



Já certa vez tinha "puxado" para aqui o resumo desta palestra na sua versão animada.
Parece muito tempo mas acaba por ser pouco para aquilo que se ouve. Eu acho.

segunda-feira, dezembro 2

A prova?



Não queria escrever sobre o assunto mas se tenho escrito noutros fóruns...

O Ministério da Educação e Ciência, doravante MEC, chegou a acordo com um dos sindicatos (FNE) para dispensar (sabe-me a esmola) os professores com mais de cinco anos de serviço. A primeira questão que se impõe é: o estágio conta para o somatório? Vamos ao que importa.
Sempre me opus à prova e por um motivo que julgo ser de fácil percepção, ainda que existam por aí muitas vozes e tinta de caneta a defender o contrário. Respeito? Não sei bem, porque muitas vezes escrevem sem estarem devidamente informados ou pura e simplesmente por despeito e a cavalo do argumentário da inevitabilidade. É pouco.

Deve ou não haver prova? Honestamente não sei. Tenho noção de como foi a minha formação mas não faço a mais mínima ideia de como as coisas correram noutras instituições superiores, sejam ou não universidades. O que sei das mesmas é aquilo que tenha tido a possibilidade de aquilatar enquanto colega de outros professores que se formaram nas mesmas. Já encontrei grandes profissionais e péssimos. Já encontrei contratados e quadros (titulares ou não) que não dão uma para a caixa e outros que dá gosto partilhar trabalho. Eu próprio serei bom professor? Segundo a avaliação anual aprovada pelo MEC, sim. Mais importante os alunos sempre me disseram que sim e os resultados, que ficam sempre aquém do que gostaria e sei que podem, ajuda a essa conclusão.

Mas e a prova? O "não sei" a montante é relativo. Explico-me. Se alguém se licencia ou, segundo o reles acordo de bolonha, obtém o grau de mestre num curso profissionalizante, isto é, que aos olhos do MEC está certificado para poder exercer a profissão, então digo não. Rotundo não. Não pode o mesmo organismo passar um certificado de qualidade simultaneamente que classifica o grau obtido como insuficiente para a referida finalidade: leccionar. Parece-me, no mínimo, esquizofrénico. Já não encontro reservas relativamente aos cursos que não possuam profissionalização integrada. E a minha posição não se altera pelo simples facto de que o contratado, com profissionalização integrada, tenha um ou vinte anos de serviço. 

Não defendo com isto que quem tira um desses cursos, eu mesmo, garanta para si a obrigatoriedade do MEC lhe conceder um lugar no quadro. Nada disso. Garante tão-somente o estatuto que a certificação ministerial impõe. Deveria, por outro lado, o sistema garantir aquilo que a Constituição da República prevê e que não me parece que seja tenha muitas pessoas contra. A escolarização tendencialmente gratuita e em igualdade de circunstâncias. Este seria, ainda assim, um tópico a merece só por si um outro artigo. Voltando à prova.

Será que quem defende a prova, defende que anualmente a sua capacidade seja posta em causa por meros artifícios burocráticos? Exemplifico-me, se preciso, até à exaustão: um juiz, um advogado, um polícia, um militar, um vendedor de gelados, um médico, um artesão, um engenheiro, um... seria melhor, passaria de bestial a besta ou vice-versa se anualmente fizesse um teste a atestar a sua capacidade? Não basta, como o limite seguinte fosse de desconsiderar, que seja um bom profissional, segundo as leis do mercado (para quem tem uma "porta aberta" a quem reportar) ou um sistema de avaliação de desempenho? Parece-me que sim. Operacionalizando o assunto: será mau jornalista aquele cujo jornal não vende ou aquele cujo diário vende porque a sua isenção se subscreve a interesses alheios? 

A questão que envolve a prova é só esta ainda que possa haver quem diga ou escreva diferente. É então justa a dispensa de professores com mais de cinco anos de serviço? Não. Deveriam todos os que possuem habilitações para a profissão ser dispensados. É que à parte da experiência, que não desvalorizo mas que é isso mesmo experiência, "calo", "horas Homem", algo que apenas de ganha exercendo, não percebo a razão que leva a considerar uns aptos e outros não. E sinceramente não a vejo. A haver prova, seria para todos, até para os professores do superior.
Vejo aqui o mesmo modo de actuar dos tempos do governo PS: dividir para governar. Em tempos idos mas que jamais esquecerei também apareceu uma besta (MLR), que me granjeou um tal asco nunca irei esquecer, que dividiu os professores em dois grupos: os titulares e os outros. Nunca me senti acometido de alguma doença ou infecção que apenas um titular pudesse curar mas cujo estigma existiu e não creio mentir ao afirmar que ainda se mantém.

Quer o ministério rever os procedimentos para a certificação desses cursos ou pretende alterar a formação vindoura? Que assim o façam se bem entenderem. Não pretendam é passar um atestado de incompetência generalizado a este grupo de profissionais. 

quarta-feira, junho 12

Ex-ministro "toureado" em directo - deste lado só orgulho no Paulo



O ex-ministro da educação, engenheiro Couto dos Santos, surge neste debate da sic notícias a ser toureado pela força da razão, da informação fundamentada, da ética e da moral numa tempestade social, política e educativa que já existe há tempo demais. Pobre imagem de um ex-governante às mãos de um enorme, e sim vou chamá-lo, colega que sempre representa esta classe profissional ao mais alto nível.
Um sentido obrigado ao Paulo (Guinote). Aos sindicatos uma frase: ponham ali os olhos, os ouvidos, ponham tudo ou desviem-se. Ao ex-ministro e ao encarregado de o enviar para aquele sacrifício uma ideia: senti vergonha alheia pelo triste espectáculo a que se deu. Era esperado mais de um ex-governante ainda para mais do ministério em causa. Confirma a suspeita que ou é ignorante ou no dito ministério só não manda o ministro. Esta é, e só acreditará quem dizer obviamente, uma disputa que não teria razão de o ser se as pessoas parassem e se informassem sobre o que está a acontecer, como disse, há demasiado tempo.
Aos meios informativos uma chamada de atenção: a tarefa noticiosa não se resume ou cinge à passagem de informação desinformada. Interessa não manipular a(s) realidade(s) mas sim recolher todos os dados para de um modo isento, a mesma se faça chegar à sociedade mostrando o que realmente está em causa. Assim quem quiser e se orgulhar de ter sobre os ombros um melão pensante, poderá tirar as suas conclusões e assumir uma posição convicta, leal e informada. Isso é aquilo que não acontece e seria bom pensarem na razão porque a sua existência está posta em causa (menos jornais vendidos, decréscimo no visionamento dos principais canais) para que um dia não se vejam confrontados (ainda que isso já seja uma realidade) com o que aconteceu no canal noticioso público grego. 
As bases de uma sociedade são não só mas também uma comunicação social livre e isenta e uma sistema educativo sólido e pacificado.

sábado, fevereiro 23

Sprint linguístico

Apesar de ser professor não acompanho com tanta atenção como deveria talvez, as especificações dos meus colegas do 1.º ciclo. Hoje à hora da refeição ouvi que o Ministério que gere a coisa educativa definiu como metas de aprendizagem para a leitura dos alunos do 4.º ano, 125 palavras por minuto. Sinceramente não vejo relevância na velocidade quando não se entende peva do que se lê. Apetece-me e muito testar isto na próxima semana com as minhas turmas e medir não apenas a velocidade como também a percepção daquilo que leram e da clareza da reprodução do texto. Sendo importante não é relevante ou o mais relevante ou não pode ser, a velocidade das coisas a definir um acto, a não ser que se fale no caso de uma actividade como o automobilismo ou de um larápio que segue adiante de um polícia ou dum pitbull.
Na leitura interessará certamente mais do que um item, muitos, mas a relevância que foi dada foi à velocidade e não, por exemplo, à compreensão da mensagem que se leu, parece-me... simplista. Ora eu noto que é mesmo aí que está o cerne do problema de algum insucesso dos alunos, digo algum porque a maior parte, continuo a pensar, é da juventude / imaturidade e falta de dedicação à causa. E eu nem me posso queixar ainda que gostasse de ver mais e melhor, sempre. Continuarei a bater-me por isso tal como continuarei a beber água ou a manifestar a minha indignação para com os nossos reles eleitos. 
E por aqui faço a ligação a uma (das muitas que tenho na cabeça) pergunta e à punchline. Se essas metas forem mesmo reais, que acontece a um aluno que apenas conseguir ler 124 palavras por minuto mas que tiver um elevado desempenho em matemática? (não que a música, as ciências, as artes, o desporto ou outro qualquer saber sejam de somenos). E a punchline: se as metas forem avante eu acho que o ministro das finanças será obrigado a voltar ao 1.º ciclo porque na certa, ele não consegue dizer 125 palavras por minuto, mas por nada deste mundo.   

terça-feira, julho 24

...e continua o erro crasso


Faltam, mais coisa menos coisa, cinco semanas do arranque do ano lectivo. Por esta altura as escolas deveriam estar com o próximo ano lectivo quase preparado e estando apenas a alinhavar as pontas e aqueles pequenos imponderáveis ou situações que vão ocorrendo. Saber o número de alunos e as regras para a distribuição do serviço fazem parte do mínimo indispensável. Até ao dia de ontem, as escolas haviam recebido tantas alterações nessas ditas regras, como os noticiários foram dando conta, deixando as mesmas o sistema à beira de um ataque de nervos, frustrado e em alguns casos em profunda desorientação. 
Pois bem, num volte-face inesperado mas tendo em conta o ministério em causa e o ministro em particular, já seria de esperar…o ministério enviou uma nova circular às escolas onde indica as novas orientações para a redução, ao máximo, de professores com horários zero. A ideia é que a estes lhes seja distribuída qualquer tarefa para que estes não fiquem nas escolas, cumprindo a crata ou crassa promessa, de que nenhum ficaria sem horário. As novas ordens alteram as orientações pela enésima vez. Qualquer coisa como: oh chefe então como é? Eh pah põe tudo por ordem alfabética…(1 hora depois…) ou melhor coloca por cores…(1 hora depois…) ou melhor coloca por tamanhos…(1 hora depois…) ou melhor distribui pelo peso…(1 hora depois…) ou melhor distribui por vectores! Hein!? Oh chefe entenda-se!
É assim ou tem sido assim…e lá lê-se que, "considerando a necessidade de garantir a ocupação de tempos lectivos a todos os docentes relativamente aos quais se venha a verificar a ausência ou insuficiência de componente lectiva, cumpre estabelecer orientações para a melhoria de distribuição de serviço docente em cada agrupamento ou escola não agrupada". As escolas devem "abrir ofertas no âmbito do ensino recorrente, distribuir componente lectiva no 3.º ciclo aos docentes de Educação Visual e Tecnológica e afectar docentes de carreira de Potuguês e Matemática "às actividades de apoio ao estudo" no 1.º ciclo do ensino básico, situação que viola alguma lei uma vez que todos os professores, pela formação académica, estão sujeitos às suas habilitações e ser professor de 1.º ciclo não é o mesmo que ser de 3.º ciclo ou secundário. Ou seja o ministério passa uma novo certificado de habilitações “em pó” ou à lá relvas aos docentes.
Se isto não acabar com os horários zero, propõe-se uma longa lista de actividades que podem ser distribuídas aos professores com ausência de componente lectiva: apoio à biblioteca, activades de orientação escolar para alunos do 8.º e 9.º anos, programas de tutoria, actividades de apoio pedagógico acrescido, actividades de aprofundamento da língua portuguesa que facilitem a integração de alunos oriundos de países estrangeiros, lavar o carro do director, cortar a relva das áreas verdes, agitar um abano para correr um ar fresquinho na direcção, fazer constantes e incessantes comentários de motivação a quem vai leccionar, tipo cheerleaders.
Não fosse a besta crassa, a saída desta situação seria basicamente diminuir o número exageradíssimo de alunos por turma. Assim, continuamos a brincar com a vida das pessoas. Uma saudação especial para o grupo de pessoas que optou por reunir todos juntos com o ministro e não em separado. Quer isto dizer que finalmente se chega à conclusão óbvia que o discurso não era o mesmo para todos. O chamado divide to conquer.

quinta-feira, julho 5

Por favor um velhinho que mate um político. É urgente.


Este foi o estado em que ficaram todos aqueles a quem lhes segredei que o ministro adjunto do governo português tirou, não sei bem se o verbo será este... será, convenceu? Persuadiu? Ameaçou com o revelar dados privados da vida dos professores? Do mentecapto do reitor? Pois não sei, só sei que aquele... (suspiro para não atingir a mãe deste...) grandessíssimo aborto incompleto do reino animal, sub-sub-sub-espécie homo-politucus-filhus-ad-putix conseguiu uma licenciatura pela velhas oportunidades, o ordinário e reles e asqueroso prostíbulo político. Este rasteiro animal fedorento conseguiu com esta façanha que os pais deste país pensem: "bem eu sei que o rebento andou lá e trouxe para casa uma licenciatura pré-bolonha mas... raio do puto sempre lhe disse para abrir a pestana. Podia ter ido para a República Checa estudar na universidade de Tachov e no mesmo tempo tinha feito meia dúzia de cursos!"
Eu e dezenas ou centenas de milhares de portugueses andaram a queimar as pestanas, a custo elevado para muitos e para todos aqueles que este ano ou nos anos anteriores foram obrigados a desistir e vêm estas espécies de expectorações humanas que, a poder abrirem caminho nas merdas das "jotas" e dos partidos políticos, alcançam como disse o não menos asqueroso reitor da universidade lusófona, uma licenciatura de acordo com a lei. Não sei se a possibilidade que a lei outorga ou a explicação do palerma do reitor que me causa mais asco. Quer a merda da lei e o não de somenos reitor deviam ambos perecer, falecer, sucumbir e todos os que fizeram a lei e todos os que a aplicam. Gostava de saber quem é que na Assembleia e no Governo tirou o curso com mérito. Gostava mesmo. Se eu tivesse a idade da minha avó dava-lhe utilidade e limpava o sarampo a todos estes miseráveis que conseguisse. Pena a independente ter fechado mas vou ver se vou à lusófona. Com os meus anos de experiência e estudos devo estar prestes a obter a cátedra.  

terça-feira, junho 19

Falta de equidade

Uma curta ainda no ramal educativo. Não quero perder demasiado tempo nisto porque eu faço a minha vida por outros valores e lavoures e para coisas destas só tenha más palavras que a minha mãe não aprecia que eu diga e porrada de criar bicho, juro que lhe partia os dentes.
Vão haver exames para professores, pude ler ontem nos jornais. Tenho os seguintes comentários a fazer. Como aluno fui eu que inaugurei provas globais, exames nacionais e fui ainda avaliado num exame à saída da quarta classe. Fala portanto quem, como aluno, só falhou o exame da próstata e tracto rectal, ainda que este último pareça que ande a ser feito ao longo do caminho... Sou da geração que saltou de provas em provas como uma borboleta se move de nenúfar em nenúfar.
Depois já dentro da universidade passei por duas remodelações curriculares uma das quais me obrigou a fazer treze cadeiras para não perder literalmente cadeiras que já havia feito e que iam perder equivalência com a remodelação em causa.
Terceiro: ando nestas andanças vai para dez anos e nunca tive a sorte de ver o meu rendimento aumentado quer seja uma besta ou bestial e a ideia de equidade e de justiça neste sistema tem feito tanto caminho em mim como a de uma galinha na Etiópia. 
Por último, querem fazer exames? Façam-nos então mas se é para mim é para todos. Faça o exame quem tem um ano como professor, quem tem dez e quem tem trinta e que depois cada um seja responsável pelo seu futuro. Haver livre passes como no monopólio é que não. Não é justo, é mesquinho e revela uma tremenda falta de equidade, espero até constitucional. Não sou nem nunca serei nem menos nem mais do que o resto dos outros professores, nem sequer da merda do ministro. E já agora, que essa besta faça o exame também ou será que se serve da posição como o bastonário da ordem dos advogados para cair da verborreia de "faz o que eu digo, não faço o que tu fazes". Se um dia te vir na rua podes ter a certeza que vamos ter uma conversa, palhaço.

Enxames de exames

Ser ministro não será tarefa fácil, tenho-o por certo nem que seja apenas pela responsabilidade que se assume carregar. Creio que seja um serviço muito gratificante nomeadamente quando os resultados são alcançados e estes sobrevivem ao passar do tempo de mão dada com o reconhecimento dos parceiros e das pessoas, principais interessadas no urdir sem falhas da máquina. Mas repito, não é fácil.
Nunca será fácil quando vamos para a posição por sermos bem falantes ou por sermos escolhidos sem reunir o que é necessário para o ser. Isto passa-se com o ministro da educação. Era bem falante mas pouco mais (espero ainda assim que saiba da área dele). A das tarefas de um primeiro-ministro é a da escolha criteriosa das pessoas a quem ele confia o olhar clínico para uma determinada pasta e Passos Coelho começa a cheirar a Sócrates, já acertou em algo? Voltando...
O iluminado ministro da educação sempre carregou com ele o estigma avaliativo, algum recalcamento, e mal pôde desatou a inaugurar exames (não havendo verba inaugura-se o que se pode). E agora vêm aí mais uns quantos. Mas existe alguma base sólida que indique que a proficuidade de exames mudará algo? Aqui vou-me armar em ministeriável e vou dar uma nota sobre o interior de uma sala de aula. No final do ano, e poderão vir aqui todos os meus alunos para me desmentir, acabo sempre o mesmo com algumas perguntas. Mostro a avaliação a que se chegou, resultante do seu trabalho e eles dizem de sua justiça. Posteriormente, e tal como no final de cada período, peço que me digam qual ou quais as coisas que eles acham que poderiam mudar em mim, já que eu raramente fico satisfeito com as notas e assumo para mim esse pecado. E todos mas todos mesmo indicam que eles podiam fazer mais e que às vezes somos bons, procuramos a excelência mas não chegamos lá. A excelência não se encontra apenas naquele aluno que vai com a barriga cheia de vinte's para a universidade. A excelência pode ser atingida por um aluno com dificuldades e que se transcende e atinge catorze ou quinze. Comigo na sua frente tentarei que chegado ali prossiga o esforço para o dezasseis mas reconheço-lhes grandeza. 
Todo esse esforço poderá num exame não ser patente, lembro-me de uns alunos com quem tenho/tive o prazer de trabalhar que nos dias de prova a pressão pode com eles. Não sabem se ácido-base ou se electromagnetismo? Sim sabem, eu vi nas aulas que sim. Colocaram dúvidas, formaram o raciocínio lógico sobre os temas e aplicaram os mesmos de um modo consistente. 
Este ano andei pouco motivado com as suas avaliações e então numa das turmas perguntei a quem se devem a responsabilidade das avaliações? E todos naquela sala disseram alunos, professores, pais e da escola. "Ponham por ordem". Então os alunos são os principais responsáveis e, segundo eles, com mais de metade da responsabilidade. Tinha para mim como aluno e confirmei esta teoria a partir da posição de estrado que do aluno depende quase tudo. E pego só nos casos extremos: se um mau aluno tiver a sorte de ter um bom professor o resultado vai ser igual a nada. Quando uma cabeça não quer nada lá dentro, não reconhece vantagens em estar ali, nunca irá esta dar nada. Já se o aluno for bom e se o professor for mau, o aluno apenas precisa de pegar no livro e terá por certo uma boa avaliação. Um mau professor não sabe para avaliar de modo difícil e o miúdo estudando alcançará os resultados que procura. É óbvio que não se pretende que existam maus professores, que os há, mas ao sistema interessa mais alterar este activo de mau para bom, na medida em que este queira. Não querendo, rua.
O problema na escola centra-se mais na questão do porquê? Os alunos muitas vezes andam ali por andar, não vêem lógica naquele "sobe e desce a escada, entra aqui e sai dali". A escola portuguesa não tem a capacidade de lhes oferecer um percurso que lhes crie sentido para o futuro. E não será a introdução de exames que irá mudar o estado das coisas, fala quem o pode dizer com propriedade: as minhas turmas tiveram melhores notas que a média nacional nos testes intermédios. Ainda assim eles sabem o que aquelas notas me dizem: é preciso trabalhar mais.
Querem melhor notas ou melhor escola? Esta é a pergunta que têm que se responder. Podem ter a primeira não nunca terão a segunda. Já se conseguirem a segunda, terão na certa a primeira. Mudem o ministro mas matem tudo o que está dentro desse ministério porque já se percebeu que os ministros mudam mas as fraldas aparecem sempre sujas. O bebé não aprende a ir ao penico. Deixo também uma nota para uma iniciativa de um grupo de alunos que se manifesta de um modo muito inteligente durante esta época de exames. Apreciei a iniciativa e é esse o caminho. Pena que o povo português só se mova pela selecção ou pelas cândidas palavras quando alguém morre, nem que tenha sido uma besta. No que interessa...

terça-feira, junho 12

Como na passagem de nível: pára, escuta e olha



Acredito bem no que Sir Ken Robinson diz. Acredito mesmo no que ele diz, faz-me imenso sentido ainda que também tenha para mim que muita coisa teria que mudar, ao estilo do que aconteceu por exemplo na época Renascentista. 
E dedico este vídeo à Sara que neste momento está imensamente à toa uma vez que não sabe ou não encontra adiante no caminho uma finalidade para o seu futuro. Enquanto um aluno chegar a este ponto sem saber o que o motiva, o que o fará cultivar um futuro de utilidade e de bem com a vida, a escola estará sempre a falhar e aparentemente era para dar um sentido a este sítio algo complexo que ela existe, qual bússola no mar alto.

terça-feira, novembro 1

Reformas "Ctrl+Alt+Del"


Procurei mas ainda não li. Procurei com vontade? Pouca. Também o condenado à morte não vai aos pinotes para o cadafalso. Terrível esta comparação...
Bom, queria ter lido a entrevista do Ministro da Educação e Ensino Superior mas a mesma escapou-se-me por entre os pedidos dos outros professores que queriam saber do futuro. Não li mas a informação ininterrupta fez o obséquio de me prendar com os pontos essenciais. Sobre as Ciências não ouvi nada. Ou não houve referência ou para os meios informativos isso são peanuts (quero acreditar mais na primeira). De interessante tudo. O que me prendeu a mente foi a questão das TIC. Ora bem antes de mais o acrónimo TIC representa Tecnologias da Informação e Comunicação, ou seja vulgarmente designado por "computadores".
Vão acabar com a disciplina no nono ano com o pretexto, fundado ou não, de que a juventude já sabe daquilo, disto onde escrevo a rodos. Sim e não. Sabe do coloquial para a idade que é: sacar filmes e músicas, andar nas redes sociais mais com menos do que mais jeito, consultar o mail, participar em sites de chats e arranham algo de word. Os que têm essa vontade já dominam o A-B-C de um blogue. E pronto.
Quem sabe o que eu acabei de descrever sabe de informática? Se assim é venha de lá esse atestado de competências com classificação superior a "conhecimentos de utilizador". A verdade é que os alunos, tal como ainda alguns muitos profissionais liberais ou do estado encontram dificuldades nesta ferramenta (até nos programas mais básicos da edição de texto ou de cálculo). E é normal que assim seja porque a escola não foi estruturada para que essa lacuna fosse colmatada e desengane-se quem julga que o que os alunos andam a aprender em TIC os ajuda a dar a volta estas temáticas. Nunca vi o programa de TIC e posso estar a laborar em erro mas não será normal que alunos com o nono ano completo não tenham visto como se faz um gráfico em Excel ou como se formata um documento em word.
Senhor Ministro, antes de mexer, coloque as acções onde antes colocava as palavras - estude. Veja o que é necessário e de que modo podem os bambinos aprender para o futuro serem letrados neste mester. Que não lhes aconteça como ao comum dos estudantes da minha e de outras gerações que apenas aprendeu em função das necessidades do momento (realizar um trabalho, um relatório, uma apresentação qualquer).
E isto é só das TIC's... que virá aí...

quarta-feira, junho 2

As bestas quadradas.


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O Ministério da Educação ou as sumidades absurdas que por lá vagueiam, a começar pela desprezável ministra, decidiu encerrar escolas com menos de 20 alunos. Certo? Errado? Bem… como vem do ministério, e eu detesto à morte as pessoas que ocupam aquele edifício, fico logo com a sensação de que a medida é estúpida mas como me considero pessoa de bem e racional, paro e penso.
Prós: poupa-se, talvez, na mão-de-obra, funcionários, professores; são escolas com menos de 20 alunos tendem a ser escolas antigas, sem condições plenas e isso é um óbice que, nem os projectos, nem as autonomias vieram minorar – falta de vontade ou jogada já ensaiada…
Contras: Normalmente as escolas de acolhimento estão a muita distância. Passam os meninos a percorrer, em média, em transportes o equivalente a uma viagem de ida e volta entre Coimbra e Aveiro, sensivelmente duas horas. Ou seja, caiem na cama, não se levantam; desperdiçam tempo de estudo em “passeios”, fogem de um meio mais resguardado (para o bem e para o mal) para um meio mais aberto a tudo, à socialização, aos vícios, ao descontrolo ou acompanhamento. A casa para eles será o mesmo que é para alguém que more em Lisboa e que trata por tu o IC19 ou a CREL, um local de encontro com pessoas que se conhecem vagamente ou por quem se tinha outrora laços. Passam o dia carregados de livros uma vez que não vão a casa almoçar, logo não trocam os ditos.
Numa área mais cinzenta pode argumentar-se também que aí as turmas serão maiores, geralmente acontece mas não é uma inevitabilidade, e, como tal, a atenção dispensada ao menino será necessariamente menor. Que conclusões tiramos? Há mais contras que prós, sim mas isso pode ser o meu subconsciente, que deseja como se não houvesse amanhã, a implosão do edifício da cinco de Outubro, a funcionar. Sejamos sensatos e vejamos um quadro ainda maior. Basicamente e, fazendo fé pela noticias online, as escolas a fechar são no norte e interior, trocando por miúdos, as zonas mais afastadas do Litoral, ou seja (parte dois), está-se mais uma vez a fazer pender o país, não para o abismo, mas para o Atlântico, a desertificar o interior.
Se este tipo de medidas se levar ao ridículo ou extremo ou insano qualquer dia a fronteira de Portugal pode bem começar em Santarém. Olivença? A medida é boa ou má? Pelos prós e contras parece-me mal, por vir de onde vem, péssima, mas olhando ao quadro maior, Portugal, que andamos a querer fazer-nos? Já não há comboios, centros de saúde, vão deixar de haver escolas, que se seguirá? Há mais vida para além de conceitos economicistas. Será para aproveitar o interior para pasto? De bovinos e bestas quadradas partidárias socialistas, seguramente.

segunda-feira, maio 3

sexta-feira, janeiro 16

O Professor morreu



Classe vergonhosa, asquerosa, bafienta e pestilenta, não menos matreira, ardilosa, interesseira e corrupta. Rasteira e imunda como ratos de esgoto que apenas desejam ter a penumbra a preencher a mísera existência, que é parasita de ribeiras fétidas de nepotismos, atidas aos sórdidos e ocos superiores, sem carácter, sem chama, sem vida, desprovidos de capacidade de reacção às vagas e regurgitamento de uma manada eleita de gado grosso chifrudo.
Infelizes e moribundas putas políticas.
Do plebiscito da turba mansa, estupidificada, preguiçosa e mal formada encontra-se a malcheirosa e pungente necessidade de vendetta no seio material dos distintos idênticos, num género ensaístico selvagem e bestial de reivindicar equidades assentes em circunstâncias imerecidas e antagónicas.
Fracassadas e bravias massas.
A indignação e a vergonha são vestes que trajei sem senso ou noção, envolto numa poeira colorida que me deturpou o cenário mas não deteriorou a reflexão em razão. Consubstancio-me sem entusiasmo ou apegos.
Meteis nojo! Estimo bem que se afoguem na podridão da vossa existência!

Pedro Miguel Santos

quinta-feira, janeiro 15

Um "abr'ólhos"!


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A imagem que deixo reporta-se ao presente ano lectivo. Deixo-a para mostrar como são realmente 75% dos Encarregados de Educação de um país endividado, mal formado onde os políticos dão o maior exemplo, a começar pelos que aves raras que povoam o governo e o Ministério desta tutela.