terça-feira, setembro 4

Avaliações



A maior parte senão mesmo todos os que lêem este blogue conhecem-me pessoalmente e como tal sabem o que faço (quando me deixam) na vida. Para quem não sabe, sou com muito gosto Professor (é logo aqui que desatino com o poder instalado). O poder instalado diz que é Professor apenas quem está na carreira o que é o mesmo que dizer que o é apenas quem está quadro. Por aqui começo alertando que isto vai servir como uma sessão de autopsicanálise e que estão livres de terminar por aqui a leitura, no entanto agradeço a deferência e persistência que mostraram até este ponto.
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Ontem (dia 3) foi o que costumo chamar o pior dia do ano. Não o é quando sei que fico sem trabalho, não o é quando fico sem bola, não o é quando a Fujiko não aparece. É-o quando tenho que ir mendigar para o Centro de Emprego ou como carinhosamente as pessoas dizem "o desemprego". Digo mendigar porque é isso que parece senão vejamos. Sou de uma geração super avaliada já fiz referência disso aqui, desde a primária até ao último dia de escola como aluno passando pela obrigatória, pela não obrigatória, por uma Licenciatura e finalmente uma Pós-Graduação. Tudo isto em 29 anos e falo só no estudo daí eu achar que merecia um pouco mais do que me confundir com pessoas (não serão todas... mas) que não querem fazer nenhum quer por não terem aspirações, quer por abraçarem simplesmente o "xico-espertismo".
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Gosto de ser Professor e acho que tenho algum jeito. Já o faço à 5 anos e continuo a pensar que foi uma boa decisão porque segui aquilo que queria de coração. É evidente que serei capaz de fazer outras coisas no entanto sempre acreditei que uma pessoa deve fazer aquilo que lhe agrada porque o que mais me revoltaria era chegar ao fim de 10, 15 anos e pensar "mas que raio estou eu aqui a fazer todos os dias?". Não acho, sei, que a pior coisa é não ter vontade de sair à rua para ir trabalhar para um sítio que pouco ou nada nos diz. Também sei, e já o afirmei aqui, que existem muitos Professores e "candidatos a". Reminiscências de uma revolução escolar do pós 25 de Abril, da falta de meios humanos para responder a tal procura naquele então e de uma quebra da natalidade. Acrescento que as turmas são realmente grandes (falo porque as tive todos os anos sem excepção), que não entendo que raio de números anda a bradar a ministra com os seus lacaios amestrados e que as mudanças nos horários e nos currículos fizeram descer de modo concreto o número de Professores necessários.
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Agora vêm lá as avaliações que consistem 3 provas, a saber: um exame de Português, um exame oral que mostre o "à vontade" do candidato bem como a aptidão específica da sua disciplina e um de raciocínio mental. Pensava sinceramente que já tinha passado por isto mas... Adiante
1.º Ponto: Avaliação é necessária, e isso, não contesto;
2.º Ponto: A fazer-se é de inteira justiça que seja para todos e não apenas para quem ainda não tem 5 anos completos de ensino;
3.º Ponto: Porquê 5 anos? Porque não 1 ou 2 ou 3 ou 4 ou 10? Aposto que, tal como eu, anda aí muito boa gente a dar erros, algo a que ninguém está livre;
4.º Ponto: Haverá material para processos em tribunal? Digo isto porque se alguém sair com boa nota da universidade e der de caras com um chumbo nos 3 testes creio existir aqui uma falha algures que é inimputável ao "mexilhão";
5.º Ponto: A partir desse momento a profissão de Professor será a mais exigente de todas neste país o que irá implicar o afastar de candidatos com o consequente facilitar mais cedo ou mais tarde das regras para colmatar falhas e assim violar a regra de igualdade que a constituição ainda creio que prevê. Sei que é rebuscado mas estamos em Portugal e isso tem peso na desconfiança;
6.º Ponto: Espero que se verifique o consentâneo aumento salarial porque a este nível não estarão muitas profissões tal como não estarão, certamente, muitos ministros deste Governo a começar pelo cabecilha.
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Hoje não peço desculpa. Desta sensação de injustiça ninguém me esvazia.

1 comentário:

Pedro Miguel disse...

Educação = Caos + Tragédia + Horror -> futuro miserável.

Tão simples quanto isto Portugal perde a cada dia no campo da educação pontos preciosos que nos tiram progressivamente da corrida pelo desenvolvimento.

Que fazer... a solução podia passar por rezar...muito mas dúvido que qualquer entidade mais ou menos dívina estivesse em condições de pegar nisto e transformar o que quer que fosse em qualquer coisa de bom.

Por isso só me resta a solução científica estudar o problema e resolve-lo segundo um método. Parece-me que é urgente retirar os pseudointelectuais que tentam gerir o atraso do nosso País e substitui-los por pessoas crediveís com perspectiva de futuro ou vulgarmente chamados cientistas.

ATENÇÂO ao que o nosso Nobel da Literatura disse e que hoje o nosso Presidente chamou um absurdo... O primeiro disse que "Portugal só tinha a ganhar com a inclusão em Espanha" arrisco-me a dizer que Portugal não irá ter outro remédio se não incluir-se em Espanha, num futuro não muito longinquo.

Só um país do 4º mundo tem uma das maiores taxas de analfabetos reais e analfabetos graduados da Europa envia milhares de profissionais qualificados para o desemprego... eu vou dizer: Viva a burrice.

Porque gosto de ciência e gosto de entender as coisas aqui vou acabar por dizer

Não percebo esta solução para o problema... se calhar está errada.

Desculpem o texto, devia estar mais encadeado, mas as pessoas que o deviam ler nem esta organização mereciam.

Abraços