segunda-feira, julho 30
Portugal: O resort que já foi país
Hoje recebi uma notícia de mer... Como se já não bastassem os outros que foram adoptados por outras cidades, um grande amigo meu vai para fora do país ver da vida que este, mesmo com um curso, não lhe garante. E assim in a blink of an eye faz-se a mala, muda-se de casa, cidade, país sem certezas de retorno quase em versão actualizada das idas para o "ultramar" mas dos novos tempos. Do meu grupo são alguns os que por motivos profissionais foram para fora. Vejamos os carimbos "amigos" do passaporte: Itália, Inglaterra, Irlanda, Macau, Dubai, Cabo Verde, França, Espanha. Tenho a sensação que ainda me falta algum... Só vejo algo positivo: somos o suficiente bons para irmos para fora, lá somos reconhecidos. Sejamos do Técnico, da UBI, da UC, de Braga, etc.
Já por outro lado é triste que no nosso país as competências que o mesmo se encarregou de nos fornecer e de disponibilizar não sejam aproveitadas. E ainda diz o zé que nos estamos a qualificar... Estamos a fazer sim uma troca estúpida que qualquer dirigente político, até do Zimbabué, concluiria que trocar pessoal especializado por mão de obra não qualificada é estúpido! A estupidez vem de cima. Não se criam condições e a malta vai embora. A malta quer fazer vida e tem ir para fora. A malta quer estabilidade e para tal tem que pôr pé no avião e a única coisa que cá deixa é saudades e o dinheiro do bilhete de ida, em low cost nem a TAP vê qualquer "cobre".
Conclusão: Portugal está a ficar um resort turístico. Só serve mesmo para passar férias e cada vez se resumirá a isso, com o apadrinhamento governamental - 57 empreendimentos de luxo a serem inaugurados por todos o país, por isso aconselho. Fechem todos os cursos já que o país faz um fraco aproveitamento dos mesmos e abram-se escolas de hotelaria até perder de vista! Vai ser o futuro...
Domínio Pedrada no charco, Sociedade... em ensaio
domingo, julho 29
20 valores
Os bons exemplos devem ser sempre reconhecidos e premiados. Ora é nessa perspectiva que escrevo sobre um grupo de alunos de Braga que acabou o secundário com média igual a 20 valores! São 8 de um universo de 75 que conseguiu o feito. Excelente, para eles, para os pais, para os professores, para a escola e para o país se os souber tratar bem. Esta insuperável média assenta nos pilares que advogo para que se banalizem mais estes casos de sucesso. Alunos com interesse, professores capazes, pais interessados e exigentes com os miúdos e uma escola que disponibilize não condições excêntricas mas as necessárias. De referir que este jovens, não prodígios, mas profissionais, interessados, adultos e brilhantes irão ser acompanhados por mais duas dúzias de colegas de escola que alcançaram média suficiente para ingressar em medicina (o cálice sagrado).
Do método inovador deste colégio apenas transpareceu uma situação: Desde o início do ano e pela importância do mesmo, os teste de avaliação (confeccionados pelos professores de todas as disciplinas) realizaram-se aos sábados pela manhã numa conjuntura em tudo igual aos exames nacionais, isto é, duas horas de duração, vinte alunos por sala dispostos por ordem alfabética e... aos sábados pela manhã. E deixo a questão dos sábados após reticências porque, não sendo isto uma descoberta estonteante e que eu estranhe, é sem dúvida uma medida que se orienta no interesse de todos, mas tal só é possível quando as regras são passíveis de serem moldadas consoante as características próprias do meio. As escolas por todo o país devem oferecer condições para que os meninos aprendam, mas as escolas devem ter possibilidade de reformar as suas características de acordo com todos os agentes educativos (meninos, pais, professores) no intuito de procurar a excelência que é isso que deveria ser o objectivo de tudo, algo diferente do que se sente.
A arrogância das medidas de Lisboa, no que se refere à propaganda da aposta na formação dos que abandonaram a escola, tolda as mentes das pessoas e passa a ideia de que a formação é uma realidade. Estas medidas só têm comparação com as passagens administrativas do após 25 de Abril. Não há muita gente que visite este blogue mas se por coincidência algum jornalista passar por aqui os olhos aconselho-o a investigar isso, a saber como decorreram as aulas e como foi feita a avaliação, as regras que o ministério enviou depois e talvez se depare com uma realidade interessante - professores sem saber o que inventar e a oferta de diplomas a analfabetos e pior que tudo, sem que os mesmo mostrem interesse por aprender nada. Evidente que existem excepções mas... E para quê? Para fazer boa figura lá fora nas estatísticas da UNESCO. Adiante...
Excelência sim mas em tudo. Assim sendo espero que, necessitando o país igualmente de outros profissionais, o empenho pela melhor média seja uma realidade nacional mas que não se afunilem os gostos apenas a medicina, porque sem um electricista o Mercedes do médico não anda!
Domínio Assim sim, Excelente, Pedrada no charco
sexta-feira, julho 27
Será, naturalmente, possível?
Numa época em que o desporto parece, e mal, se resumir ao futebol eis que nas últimas semanas surgiu o Tour e o início das tardes, possíveis, transformou-se num divertimento. Longe das repetidas conquistas de um americano extraordinário, o Tour voltou a reorganizar-se, renovou a força, a disputa típica, o espectáculo cativante que o consagrou como uma das provas desportivas reconhecidas mundialmente. Ora isto era há três dias atrás daí para a frente... desgraça. Mais uma vez o doping, confirmado e suspeito, voltou a bater à porta da prova e desta vez como uma maça vinda do inferno! Dois casos confirmados sendo que um deles foi, para mim, particularmente triste. O adepto não merecia mas provavelmente depois de tanto encontro e cabeçadas com o asfalto, não restou mais saída que uma "pica" - mal, este ano até tinha desculpa para a estranha posição classificativa. Quando se perde a honestidade, perde-se quase tudo.
Não refeitos da tristeza, zááásssssss o manto da suspeição cai sobre o homem de amarelo a pontos de que começam a chover assobios e apupos no lugar de palmas, tendo o mesmo sido forçado a desistir. Digo forçado porque ele passou 16 testes anti-doping durante a prova e nada acusou. Ora das duas uma: ou os testes (sendo falíveis) não detectaram nada e aí ele é bode expiatório e deveria permanecer na volta, ou os testes realmente são defeituosos - sendo que neste último caso todos os ciclistas podem estar a beneficiar dessa defeito, ou seja, são todos suspeitos! Algumas coisas são certas: o Tour talvez demore a voltar ao que era; Se existe doping a culpa é da organização que, ano após ano, aumenta a dificuldade da mesma e ao mesmo tempo brincando com o fogo; sobre os ciclístas desce um manto negro que apenas o tempo e a honestidade poderá apagar, para já não falar que até os resultados obtidos pelos Hindurains, Amstrongs, Lemons, Landis, Pantanis, etc poderão ser, por coerência, postos em causa.
Domínio Assim não, Desporto, No sossego..., Prazeres
Futebolez
"Faaaaalta!"
Quem fala verdade não merece castigo, diz a sabedoria popular. Ora pegando nessa perspectiva e noutra, a profissional que é o mesmo que dizer a do dinheirinho, uma das novas contratações do S.L. Benfica (Di Maria) teve a seguinte reacção à sua contratação: "Sei que o Benfica é um clube enorme e que luta por grandes títulos. Por isso, espero fazer uma grande temporada em Portugal e ir depois para o Chelsea". No mínimo, curioso e implacavelmente sincero.
PS: Camisolas cor-de-rosinha, jogadores "Di Maria" hmmmm... não sei não, que virá a seguir?"Penalty e expulsão"
E José Couceiro lá recebeu a, tardia e mais que merecida, guia de marcha. Como é óbvio não se coloca aqui em causa a pessoa de José Couceiro, mas sim o José Couceiro de "fato de treino". Mas não abona muito ao primeiro não ter sido capaz de despir as cores das quinas ao segundo afirmando coisas como: "Saímos de cabeça levantada, mas saímos tristes"; "Não foram os resultados que queríamos, mas somos a sexta equipa da Europa em 51 países, não me parece que seja assim tão mau"
Relembro que a selecção portuguesa de Sub-21 falhou o apuramento para os Jogos Olímpicos na Holanda e a equipa nacional de Sub-20 não foi além dos oitavos-de-final, no Canadá e que em oito jogos no conjunto das duas fases finais, Portugal só conseguiu ganhar a Israel e à Nova Zelândia.
Só mais uma: "Os Sub-21 são uma equipa mais madura, mas os Sub-20 não perderam até agora. Vamos ter o verdadeiro exame agora no Mundial." Parece que chumbámos.
Poema . 5
quarta-feira, julho 25
Curtas
Curta . 1 - O solitário, cidadão espanhol detido na Figueira da Foz, ao sair do tribunal foi recebido com apupos pelos populares. Parece-me mal e já agora de onde é que sai sempre tanta gente nestas situações? Figurantes como na apresentação pública governamental do plano tecnológico da educação?
Curta . 2 - Após 150 anos foi condenado o primeiro criminoso da ilha de Norfolk (uma ilha situada nas proximidades da Austrália e a Nova Zelândia). Como na ilha não existem prisões o condenado terá que cumprir a pena numa cadeia australiana.
Curta . 3 - Se dúvidas houvesse sobre as mudanças climáticas basta ver as cheias na Inglaterra e o calor extremo que o resto da Europa sofre. E tudo a uma hora de avião... Uma montanha russa(?) climática.
Curta . 4 - Semáforos, repuxos e WC públicos pagam serviço público de rádio e TV. Os autarcas queixaram-se mas o Governo não quer saber. Palavras para quê...
O pão dos pobres
O preço do pão vai aumentar e isso não é bom. Apesar dos industriais da panificação reclamarem que apenas querem aumentar de modo residual para abaterem os custos dos transportes e da energia, o certo é que o valor do pão está bem acima do mero valor monetário, tem valor social. O pão mede o peso da pobreza duma sociedade ou seja quanto menos recursos uma sociedade tem, mais as famílias recorrem ao pão pelo seu reduzido preço em comparação com a carne, o peixe, o leite, os legumes, a fruta. E se bem que o aumento de 1 cêntimo não é muito para uma pessoa que compre 2/3 pães por dia o mesmo não poderá dizer quem compra 20 pães para uma família inteira. Para já não falar que não é o cêntimo em si é o cêntimo vezes os pães vendidos e isso é muito dinheiro, não retirando neste raciocínio que efectivamente o preço dos combustíveis, como aliás tudo neste país, só tem um sentido - a subida. Diz-se que existe retoma na economia mas não havendo criação de empregos o país continuará na mesma e isso vai-se "ler" no pão, não tarda.
Arquivamento elevado ao infinito
Hoje foi arquivado o processo (de más intenções) disciplinar que pendia sobre Fernando Charrua. O arquivamento teve o cunho da Ministra que tutela a pasta e a Directora Regional de Educação do Norte posteriormente deu fé dizendo "...foi bem tomada." a decisão, entenda-se. Ora, se a decisão de arquivar foi bem tomada parece-me que ela entra em contradição com a sua posição de instigadora do dito cujo - quando não se tem nada de bem para dizer é melhor ficar calado. Mas o caso, qual novela brasileira, promete mais emoção ao retardador (justiça de cá...) já que o "amordaçado", livre das mordaças, promete não dar tréguas. Seguem-se cenas dos próximos capítulos.
No entanto não deixo de notar algo na justiça (sobretudo em processos em que o estado fica mal na foto): existe um exagerado arquivamento processual. O estado sempre que se julga no direito de cobrar, processar ou intimar os cidadãos serve-se de uma enorme velocidade, concluindo esses mesmos actos como se o mundo acabasse amanhã. Já quando os papéis se invertem a demora é o mote e se não se fizer barulho nos meios de comunicação os casos arrastam-se indefinidamente. Não entendo como um estado mau pagador é visto aos olhos da lei como pessoa de bem - "À mulher de César..." Existem dois pesos e duas medidas e no caso do estado, quando a conta é grande, o "taberneiro" tem que assentar mais uma no calote (arquivamento).
Domínio Assim não, Sociedade... em ensaio
Semper fi
No dia de hoje a PJ deitou a mão ao "most wanted" espanhol que os meios baptizaram de solitário. A alcunha não deixa de ter um rasgo poético não fossem as acções que levaram o às páginas dos jornais. É também de sublinhar que apesar da detenção ter sido feito após uma parceria com a polícia espanhola, a PJ não deixa de sair bem na foto e, no meu entender, bem o merece. Merece-o pelos anos a fío de trabalho consequente e profissional algo que, nos últimos tempos, parecia ter passado despercebido depois dos casos menos conseguidos das meninas desaparecidas no Algarve (a Joana e a Madeleine) e as situações menos claras de desvios de bens em custódia resultantes de operações, por parte de alguns inspectores da referida força. Uma maçã pobre não estragará todo o cesto.
segunda-feira, julho 23
No último ano foram detidos dois participantes do reality show/ experiência sociológica que foi o Big Brother. Portugal, pela mão da TVI, entrou de cabeça nesta novidade no início do milénio com grande pujança, sendo qualquer novidade da "casa mais vigiada do país", notícia de primeira página nesse ou no dia seguinte. Foram feitas quatro edições no entanto o balão foi perdendo gás até esvaziar por completo o conceito. A modificação de vida de alguns dos jovens participantes foi natural mas a sua preparação para tal situação era pouca ou nenhuma. Não foi preciso esperar muito tempo para que os mesmo fizessem notícia por motivos menos coloridos, bem diferentes dos que anos atrás colava as famílias aos ecrãs. O extremo surgiu nos últimos meses aquando da detenção de dois participantes da edição I e II, detenções essas envolvendo suspeitas (confirmadas no 1.º caso com pena de prisão de 7 anos) de participação em crimes violentos. Naquele então falou-se muito nas questões sociológicas que o programa suscitava mas após estas notícias seria interessante ouvir o que os mesmos intervenientes teriam agora para dizer. Em certo modo o filme The Truman Show retrata essa realidade, ainda que muito superficialmente e sempre norteado para o espectador. Quanto à análise dos sociólogos e do fenómeno... provavelmente já não vende no grande ecrã.
Domínio Nas bancas, Sociedade... em ensaio
sexta-feira, julho 20
Naïf
Diz-se, quase como mito urbano, que as pessoas ser tornam piores com o tempo, com a idade, com o contacto social. Olho-me ao espelho e não me vejo nem bom, nem mau, vejo-me e revejo-me e pronto, pareço igual. Mas uma situação de pouca deferência fez-me mudar ou moldou-me as acções, para pior. Sinto-o, agi em conformidade com outros, não meus, estranhos, sociais e aceites rascunhos de existência que parece quererem chegar, qualquer dia destes, a testamentos comportamentais. Senti e houve quem sentisse também o mesmo e me tivesse relembrado umas palavras que, tempos atrás, tinham um peso enigmático mas que hoje a tinta branca das palavras no monitor, com qualquer chuvinha miuda, seriam arrastadas para bem longe e rápido, até do esquecimento mas deixando-as confirmandas no tempo. Talvez seja raciocínio naïf mas não devia ser assim, não senhor.
Implusões da cepa torta
Mais uma notícia que a ser verdade só mostra estupidez profunda de gabinete.
Na manchete do Correio da Manhã de hoje diz-se que pelo menos 2500 professores... "pertencentes aos quadros de várias escolas do País, que sofrem de doenças consideradas incapacitantes (do foro oncológico e neurológico) e até agora definidas como protegidas, ou seja, que não implicavam a marcação de faltas ao serviço, vão ser colocados, em Setembro, no quadro da mobilidade especial da Função Pública" o que é o mesmo que dizer que, e deixem-me ser agoirento, serão colocados para funções administrativas paredes-meias com o fim do mundo com dezenas quilómetros a fazer todos os dias, sem respeito pela sua condição de saúde o que perjudicará a sua existência. Ou seja no pior dos casos a malta fica doente, leva com tratamentos invasivos, dolorosos e como prémio ganha uma cadeira torta, numa sala bafienta, a dezenas de quilómetros de distância com o único intuito de acelerar a sua morte. Excelente, a panaceia do sistema nacional de saúde e da segurança social! Bravo "mike", aliás zézinho. E quem se opuser vai no prazo de dois anos para a rua mas não desesperem porque dois anos não viverá ele!Parafraseando Wanderley, "extchi paízz di merdaaaaah!!"
.
Com o apoio de... desGoverno da República das Bananas.
.
Triste, triste será será se o meu lado agoirento se confirmar.
Curta visão
Não faz muito tempo que aqui discorri sobre o problema da natalidade. Por então considerei que a falta da renovação da população era um dos principais óbices para alguns dos problemas que existem em Portugal e sendo este um dos poucos que têm o dom de serem transversais a toda a sociedade. Pois bem chegaram novidades... curtas, no meu entender, e muito pouco realistas. É notícia da edição online do diário Público que o governo, na pessoa de José Sócrates, anunciou durante o debate da nação, um programa de apoio à natalidade e às famílias mais carênciadas. Bom relativamente a essas famílias, não estou contra, no entanto veja-se ou estude-se alguns itens como o comportamento escolar dos filhos, caso tenham, o dinheirinho gasto em bens de consumo não essenciais (telemóveis, tv cabo, etc), a situação de emprego do agregado e depois decida-se. Por aqui me fico. Relativamente à questão da natalidade. Acho que vou ser repetitivo mas... De acordo com Sócrates, destina-se a apoiar as famílias mais numerosas nos segundo e terceiro anos de vida das crianças - "período em que o acréscimo de despesas é mais relevante e onde o actual abono de família é substancialmente mais baixo". Bom resumindo, voltamos às famílias mais carênciadas porque nos dias de hoje só elas é que põe filhos no mundo "à desgarrada". O problema não está só nas famílias numerosas, aliás fiz questão de frisar há uns tempos atrás que as ajudas não têm que ser necessariamente monetárias. Existem outros tipos de carências que os JOVENS CASAIS têm e que não lhe permite a empreitada que é um bambino. Não tem somente a ver com dinheiros, nem com o número de bocas a alimentar, porque nos dias de hoje já é herói quem se decide por uma gravidez. Problemas, e apesar da letra da Lei, no que concerne ao posto de trabalho, problema de infantários (listas de espera de loooooooooongo meses), a inexistência de horários flexíveis, que em alguns casos em que isso seria possível e que faz a diferença para as empresas com boas práticas e muitas outras coisas. E claro os dinheirinhos nalguns casos. O problema, senhores, não se cinge apenas aos "probrezinhos" e aos "muitos" mas sim a todos. Mas cego é aquele que não quer ver ou que tem vista curta.
Domínio Política, Sociedade... em ensaio
quinta-feira, julho 19
Poema . 4
Mesa dos sonhos
Ao lado do homem vou crescendo
Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente
Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas
Ao lado do homem vou crescendo
E defendo-me da morte povoando
de novos sonhos a vida.
Alexandre O'Neill
Moleirinha
Tinha intenção de semanalmente colocar, à semelhança dos poemas, pequenos problemas ou curiosiaddes matemáticas no blogue e apesar da grande adesão ao primeiro (por sinal ainda ninguém resolveu totalmente) a intenção ficou diluída no tempo, no caminho. Pois bem estou de volta com o segundo, espero que mais fácil e tão participativo como o anterior. Divirtam-se e tal como antes, qualquer dúvida dirijam-se... "à caixa central".
A. Divida 110 em duas partes de modo a que obter dois números que se relacionem porque um é 150% do outro. Que dois números serão esses?
B. Descubra quatro números primos consecutivos que somados perfaçam o número 220.
Charada portuguesa
Portugal possui características muito própria, mais próprias que todos os outros da união europeia. Os rendimentos saltam entre extremos, ora muito altos ora muito baixos, sendo que o custo de vida é dos mais elevados por essa razão e porque tudo o resto ajuda. Os veículos e os combustíveis são os mais caros, as habitações na mesma linha, sem um verdadeiro mercado alternativo como poderia ser o do arrendamento, o que leva a que se contraiam endividamentos vitalícios. E depois a questão dos mercados: vendeu-se a ideia nas telecomunicações, combustíveis, medicamentos, electricidade etc que com a liberalização dos mesmos os portugueses iam ter uma vida mais desafogada com a introdução de concorrência finando-se assim monopólios de anos de abusos. Resultado: Tretas. Os combustíveis não deixam de aumentar sempre que um sheik árabe acorda com azia não fazendo o movimento inverso quando o homem está bem disposto; as telecomunicações permanecem monopolizadas num teatro em que os actores se dizem desmonopolizados; nos medicamentos genéricos (é hoje notícia) conseguiu-se a proeza de ter os genéricos mais caros da Europa! (acredito que os haja mais caros que os medicamentos normais); o mercado livre de electricidade apesar de estar consagrado há algum tempo permanece em águas de bacalhau... "burrocracias" ou manobras de proteccionismo parecem afastar potenciais concorrentes do papão EDP. Para não falar no veículos automóveis que apesar da boa fé do governo a mudança de tributação apenas penaliza o de sempre. E outros casos como a água e os bem de primeiro consumo. Surge-me uma questão: O estado diz à boca cheia que tem enormes encargos mas o que seria dele e das suas participadas (EDP, GALP e todos os impostos que cobra) se não existissem os contribuintes? Sim eu sei, o sistema baseia-se numa dinâmica "uma mão lava a outra" mas parece que nós esfregamos mais. Será isto uma charada tipo a "galinha e o ovo"? Não me parece, os ovos de ouro ficam sempre do mesmo lado e a galinha parece condenada a continuar a fazer força. Pensamento positivo amigos: ainda não somos canja! Ou será que...
Domínio Mãos no ar isto é um assalto
quarta-feira, julho 18
Tempo
A propósito de uma esplanadinha de ontem... Vou-me debruçar sobre um tema que temos por garantido mas que outrora não era assim. Vou falar do tempo medido, das horas contadas, acertadas ao longo dos tempos. Mas antes disso como se mede o tempo? Com um relógio responderá, é certo mas nem sempre foi assim. O tempo inicialmente foi medido atráves da posição do Sol ou da Lua e através de areia. Nada disto é informação nova mas o que é novo é que existiam discrepância muito grandes entre diferentes locais. O primeiro relógio que deu precisão (até ao segundo) à medição do tempo foi o relógio de pêndulo do Holandês Christiaan Huygens 350 anos após o início da utilização do Sol para esse efeito. No entanto este era susceptível à Temperatura e à humidade o que dava origem a variações na contagem das horas, em Londres seriam 11h35 enquanto que em Glasgow poderiam ser 11h20. Com a revolução industrial, a introdução do comboio e das tabelas horárias, a necessidade da uniformização temporal apertou e no 1.º de Dezembro de 1847 foi estabelecida a primeira zona temporal e o relógio que daria o tempo de referência ou, como é ainda hoje conhecido, GMT - Greenwich Mean Time. E a partir dessa data todos os relógios se basearam no tempo medido em Greenwich. Mas os relógio continuavam a carregar o problema do atraso e da precisão e para certas medições era necessário utilizar relógios muito precisos. Então em 1949 é pela primeira vez utilizado o relógio atómico na medição temporal, construido pelo NIST - National Institute of Standards and Technology, americano claro, já que eram eles que dominavam a tecnologia atómica.
Então e como funciona um relógio atómico? Tal como um pêndulo, os átomos também têm a capacidade de oscilar através do seu movimento vibracional. Descobriu-se que o átomo de Césio tem uma frequência de ressonância de 9,192,631,770 oscilações, passando a ser este o valor que definiria e define o nosso segundo. No entanto, tal como o micro-ondas, também os relógios atómicos se tornaram banais e neste momento existem cerca de sessenta países possuidores deste tipo de relógios, o que origina que cada país tenha a sua hora, por insignificante que seja a diferença. Então, para lá confusão que vão ver, criou-se o UTC - Universal Time, Coordinated - que não é mais do que o fuso horário de referência que resulta da média de cerca de duzentos relógios atómicos existentes em 50 laboratórios espalhados pelo globo. O UTC resulta do TAI - Tempo Atómico Internacional - é a escala de tempo calculada pelo Bureau international des poids et mesures (BIPM) sediado em Sèvres, França. O BIPM zela da uniformidade mundial das medidas e da conformidade com o Sistema Internacional de Unidades (SI) e entre elas está o tempo. Confuso não? Bem não acaba aqui porque esta média demora a fazer seis(!) semanas, ou seja só sabemos o tempo de agora daqui a seis semanas o que não deixa de ser... paradoxal.
Como cereja no topo do bolo existe mais uma nota a reter: Devido ao facto do tempo de rotação da Terra oscilar em relação ao tempo atómico, o UTC sincroniza-se com o dia e a noite o que leva a que se some ou subtraia segundos de salto (leap seconds) quanto necessário, por norma em Julho ou Dezembro. Desde que se utiliza a medida UTC já se fizeram 33 acertos = 33 segundos ganhos. Para escrever este artigo demorei... 22 minutos.
Então e como funciona um relógio atómico? Tal como um pêndulo, os átomos também têm a capacidade de oscilar através do seu movimento vibracional. Descobriu-se que o átomo de Césio tem uma frequência de ressonância de 9,192,631,770 oscilações, passando a ser este o valor que definiria e define o nosso segundo. No entanto, tal como o micro-ondas, também os relógios atómicos se tornaram banais e neste momento existem cerca de sessenta países possuidores deste tipo de relógios, o que origina que cada país tenha a sua hora, por insignificante que seja a diferença. Então, para lá confusão que vão ver, criou-se o UTC - Universal Time, Coordinated - que não é mais do que o fuso horário de referência que resulta da média de cerca de duzentos relógios atómicos existentes em 50 laboratórios espalhados pelo globo. O UTC resulta do TAI - Tempo Atómico Internacional - é a escala de tempo calculada pelo Bureau international des poids et mesures (BIPM) sediado em Sèvres, França. O BIPM zela da uniformidade mundial das medidas e da conformidade com o Sistema Internacional de Unidades (SI) e entre elas está o tempo. Confuso não? Bem não acaba aqui porque esta média demora a fazer seis(!) semanas, ou seja só sabemos o tempo de agora daqui a seis semanas o que não deixa de ser... paradoxal.
Como cereja no topo do bolo existe mais uma nota a reter: Devido ao facto do tempo de rotação da Terra oscilar em relação ao tempo atómico, o UTC sincroniza-se com o dia e a noite o que leva a que se some ou subtraia segundos de salto (leap seconds) quanto necessário, por norma em Julho ou Dezembro. Desde que se utiliza a medida UTC já se fizeram 33 acertos = 33 segundos ganhos. Para escrever este artigo demorei... 22 minutos.
terça-feira, julho 17
Egoísmos
Tenho-me servido deste espaço para uma periódica e necessária catarse. Não o faço numa tentativa, nem quero, de comparar os meus motivos próprios, remanescentes de situações de vida individuais, com os que utilizam este espaço para passar uns minutos. Faço-o por mim primeiro (sim sou egoísta) e só depois me interessam as reacções ao que escrevo. Neste momento estava aqui sossegado quando a sustentável leveza de outros seres me entrou de rompante pela TV agarrando-me pelo braço deixando-me interessado e em standby.
O programa reporta para a problemática para a colheita de orgãos, mais concretamente para o caso da colheita pulmonar. Relata o caso de uma pessoa que aos 27 anos é-lhe diagnosticada uma doença de foro pulmonar. Nesse momento afunila a vida a um máximo de três anos. Ideias base: A colheita de orgãos neste país caminha no caminho errado, passamos de 4.º lugar a nível mundial para 11.º (pulmões apenas 2 no ano anterior quando podia ser perto de uma dúzia); os orgãos existem em Portugal mas a recolha dos mesmos é deficiente ao ponto de serem desaproveitados por questões logistico-burocrática; o pulmão é o "Rei" nas dificuladdes das doações já que tem muitas especificidades (tempo de transplante, mais difícil de transportar, mais sujeito a infecções já que é o orgão vital mais exposto do corpo humano e a qualidade de vida do próprio doador - fumador por exemplo - interfere bastante); para já não falar em questões de compatibilidade pós-operação. Não havendo em Portugal uma resposta adequada (não é crítica porque em nenhum país a resposta é 100% eficaz) sabe-se que é possível fazer melhor e nessa base os portugueses que necessitam de transplante pulmonar deslocam-se à Corunha, na Galiza onde, apesar das configurações serem semelhantes às do lado de cá, a organização parece ser melhor beneficiando o doente, o sistema e o país.
Resumindo e entrando num lugar comum: os nossos problemas são sempre os piores nem que seja porque são os nossos. No meio do meu egoísmo lá vou rompendo uma lança aos egoísmos compreensíveis de todos nós.
Subscrever:
Mensagens (Atom)













