sexta-feira, janeiro 4

No comments



E ao fim de 30 edições com muitos percalços, ameaças, algumas mortes acidentais mas também belas imagens, paisagens deslumbrantes e muitas lágrimas de alegria, o Paris-Dakar (sou Português mas é assim que se deveria chamar sempre - tem mais carga mítica) decidiu não se fazer à "estrada". E logo pelo pior motivo - razões de segurança. Não, não foi o Jarbas que deixou a água aberta e alagou o Continente Africano. Devido a ameaças feitas por movimentos terroristas, o Continente Africano perdeu hoje uma das maiores feiras publicitárias do mundo. A perda para o sabes estar ocidental é, principalmente, emocional. Gerações inteiras vêm o Dakar como o verdadeiro espírito de aventura, uma provação extrema mas irresistível que salpica o subconsciente de emoção, estupefacção, encanto e desejo de "aaaaaiii se me sair o euromilhões... para o ano estou lá!"
Pois bem o sonho de menino fica adiado. Para o ano será o trigésimo primeiro aniversário desta mítica prova e talvez se viva no próximo ano, não pela televisão, mas por dentro. Esse valia duas passinhas...

Entre-ajuda



Noticia de hoje do diário Público: “Joe Berardo e aliados compraram acções do BCP com crédito da Caixa”.
E assim se perde alguma credibilidade ou será que não!? Sr. Berardo, a família Moniz da Maia (Sogema), Manuel Fino, Pedro Teixeira Duarte e José Goes Ferreira, todos accionista de referência do BCP, obtiveram empréstimos da CGD para adquirirem acções do BCP. Se é certo que nada disto é ilegal, a não ser que exista algum favorecimento que apenas os contratos permitam concluir, já a situação moral deixa algo a desejar, principalmente numa altura em que, para Presidente do Conselho de Administração do BCP se pretendem escolher “os pais” dos “tais” empréstimos.
Poder-se-ia pensar que esta foi uma situação fortuita mas… estamos em Portugal e o “acaso bom” nunca acontece por acaso, ou sem que alguém empurre nesse sentido. Torna-se evidente que a posição destes beneficiários de uma “relação estreita” com a administração cessante da CGD é fulcral no sentido de impedir, ou dar fé, para que Carlos Santos Ferreira, e o grosso dos elementos que leva consigo para o BCP, consiga chegar ao topo do maior banco privado português
Também é evidente que esta é, ou pode vir a ser, a típica situação de “um mão lava a outra”, ou seja, seria uma “falta de consideração extrema” não ajudar quem os ajudou em tempos. Assim sendo os empresários portugueses não jogam o futuro nos dados, tal como disse um dia Einstein de Deus, só o fazem quando os mesmos estão viciados.
O empréstimo (500 milhões de euros) apenas foi decisivo na obtenção de 5% das acções do BCP, talvez uma situação irrisória quando comparada com a trapaça protagonizada pela administração cessante presidida por Filipe Pinhal, em investigação (tardia, diga-se) pelas entidades reguladoras do sector. Quer se queira, quer não, a ideia de cumplicidade será sempre a que irá sobejar. Acabo com esta frase que gosto e vem muito a propósito: “À mulher de César, não basta sê-lo [séria], é preciso parecê-lo.”

quinta-feira, janeiro 3

Carrinho de compras



Para quem já tem a sua independência ganha, a lista de compras é uma inevitabilidade como o próprio ar que se respira. Começa o ano e os preços só conhecem um caminho - para cima. Sendo um adepto de questões económicas, vou deixar aqui uma lista que, certamente, irá deixar, quer os cestinhos, quer as carteirinhas, um pouco mais fáceis de transportar – o ar não pesa tanto… Os valores poderão não ser exactos, ainda não existem certezas em alguns bens de consumo já que as condicionantes são mais que muitas. Uma coisa é certa, o sentido será sempre de subida e será generalizada, menos no vencimento.

Electricidade: 2,6%
Transportes públicos: 3,9%
Portagens: 2,6%
Pão: entre 10% e 15% (último aumento foi em 2004)
Arroz: vai aumentar mas não se sabe para que valor.
Tabaco: 15%
CTT e Instituto Regulador das Águas e Resíduos: aumenta depois de Janeiro. O valor ainda está a ser apurado.
Combustíveis: como se sabe, vão aumentando numa base diária, semanal, mensal…

Estes foram os valores com alguma credibilidade que apurei. Deve ser considerado o facto de que, na base destes aumentos se encontra o elevado e, se me permitem, especulativo valor do petróleo e o aumento no valor dos cereais. O aumento nos cereais deve-se à procura crescente em mercados emergentes (Índia, China) para consumo e à sua crescente utilização na transformação desta matéria-prima em biocombustíveis (por exemplo biodiesel).
Agora peguemos, qual cavaleiros de tempos idos, nos 2,1% de aumento e vamos dar luta! Luta a este governo de retomas tão falhadas como o motor de um Lada.

terça-feira, janeiro 1

todo o mundo é composto de mudança



Como é perceptível o "perpétuo" não fez jus ao nome, desperpetuou-se, e decidiu dar um voto de confiança ao novo ano, afastando o negro pesadão e negativista, optando por trajar de branco. Espero que seja do agrado.

segunda-feira, dezembro 31

200...8


Sob muitos pontos de vista, o trabalho de criticar é fácil. É uma posição em que pouco se produz, onde se arrisca ainda menos e, portanto, confere uma vantagem confortável sobre aqueles que oferecem o seu trabalho, o seu melhor saber (quero crer) e eles próprios, ao escrutínio estranho. Muitas vezes, com ou sem razão, prospera-se numa avalanche emocional e divertida de criticar a qual deveria, ela própria, estar sujeita aos mesmos pressupostos. Se por vezes esse saudável e necessário confronto, comunhão de ideias ou diferentes visões, não se cruzaram foi por, espero eu, mera falta de oportunidade já que o espaço se tem mantido inalterável e aberto a tudo e a todos.
Muito provavelmente, na imensa linha de montagem que é uma sociedade, a mediania e o suficiente, têm mais peso do que um mero “pensador de circunstâncias” da sua posição consegue contemplar e, talvez por isso, os esforços outrora criticados tenham mais significado que o que a crítica lhes atribui. Não existem verdades absolutas e esta verdade defendida, dentro “destas portas”, só terá obvio cabimento no seio social e no confronto com as demais opiniões.
Sempre surgi “às claras” com opiniões francas, por acreditar na injustiça de certas situações e, penso, ser sempre ser essa a atitude a ter, quando alguém encontra um motivo de defesa de ideias, princípios ou valores que vislumbra em risco. A visibilidade das mesmas é residual mas isso nunca foi nem irá ser motivo para me silenciar.
Este “caminho” começou a ser percorrido há cerca de 8 meses e, ainda que, o confronto de ideias tenha sido miserável, encontro motivos catarsicos suficientes para que ele continue. Que o novo ano seja melhor e que, a vontade de escrever surja como o resultado de boas circunstâncias e não, pelo contínuo perpetuar de, vamos lá, medianas acções de quem é ou devia ser responsável. Votos de um bom ano para todos.

sexta-feira, dezembro 28

Mentalidades



Encontrava-me imerso no jornal com mais tirada cá da zona, quando encontrei uma crónica sobre o crédito à habitação. O texto mostra o costume, que o poder de compra está mau, que as pessoas já não aguentam as sucessivas subidas de Euribor ou que os mais novos, mesmo licenciados, têm muita precariedade no emprego e a sua vida é possível apenas com a ajudas dos pais e, como tal, apesar de pensarem não conseguem adquirir casa.
A certa altura surge o depoimento de um empreiteiro e foi esse
que me fez largar uma gargalhada. Eu sou um daqueles que queria mas não pode. O trabalho é incerto, para já não falar que o mesmo, ora aparece perto, ora loooooooooonge. Mas voltando ao senhor…
A certo ponto diz, e cito: “ Eu baixei em cerca de cinco mil euros o preço dos apartamentos em relação ao que fazia à dois anos atrás. Ainda hoje aconteceu. Fui ter com um cliente e fiz-lhe o preço mínimo, abati cinco mil euros e ele fez uma contra-proposta para baixar dez mil euros. E assim não posso vender!”
Pois pudera! Coitado do homem, o Mercedes não anda a água! O que eu acho incrível é que este ramo de actividade ganhou durante anos o que quis e vê-los agora fazer este tipo de declarações, sabe-me a perfeita parvoíce. Evidente que as coisas têm custos mas a margem de lucro ainda hoje é, bastante boa, já a qualidade de construção... Dou um conselho: Não venda isso, faça assim. Como existem mais casas por habitar que habitadas (em Espanha passa-se o mesmo), qualquer dia o mercado dá de si, e depois eu quero ver o valor das suas casas ir para metade! Chama-se “lei da oferta e da procura”. Deixe-se estar que depois nessa altura conversamos.

Reformar



A reforma da saúde vai de vento em popa, ou assim deve pensar o ministro porque as populações... O governo vai encerrar 56 serviços de atendimento à população (SAP), mais umas quantas urgências que fecham às quais se juntam mais uma dezena de maternidades. Isto tudo a juntar aos SAP's, às maternidades e às urgências que já fecharam. É a contensão obrigatória dirão uns, é a organização dos meios que muitas vezes se encontra mal feita e, como tal, é preciso actuar dirão outros. Não duvido que houvesse casos que devessem ser repensados mas o que esta reforma tráz é uma rasia do sossego médico de muitas populações. O bem estar mental é a melhor medicina que uma pessoa pode ter numa situação de crise e o que esta reforma cria é a crise em altura de saúde. Para sossego das populações deveria arranjar-se uma solução mais universal. Depois existe a questão de que se pretende um estado cada vez menos centralizado mas é exactamente o contrário que esta reforma patrocina.
A par de todos os cortes e encerramentos o governo apresenta com pompa a contrução do hospital de todos os santos para a cidade de Lisboa. A minha cidade não será afectada com estas reformas, pelo menos que se saiba, mas se eu morasse numa dos locais que estão a ser alvo de redução de meios eu ficaria profundamente indignado com este investimento. Na cidade de Lisboa existem 7 hospitais públicos, não entrando em conta com os que se encontram na periferia, e os privados florescem como cogumelos. É certo que Lisboa absorve uma parte considerável da população e como tal deve ter cuidados em harmonia com isso mas as populações perdidas "na paisagem" também necessitam desses mesmos cuidados em harmonia com a sua situação. Harmonia para a paisagem não é urgências a 30 quilómetros ou maternidades do lado de lá da Fronteira ou num qualquer quilómetro de uma estrada nacional.
O hospital de todos os santos será necessário, pelo menos assim espero (200 milhões de euros sem derrapagens), mas ao longo de todo o país a necessidade também existe e, o pior de tudo é que, nova necessidade talvez se esteja a criar. Algo vai mal quando o cobertor parece não conseguir tapar pés e cabeça e se escolhe por importância. O normal é que uma pessoa se encolha durante uns tempos porque, sem pés, a vida também é muito difícil.


PS: Aproveito o tema para aconselhar e muito o filme SICKO. É imperdível.

quinta-feira, dezembro 27

Para rir . 5

Nova Lei, vida nova

Como todos sabemos a lei anti-tabaco vai entrar em vigor daqui a poucos dias. Novos hábitos vão ser necessários tal como muita força de vontade para muita gente. Daqui enviamos uma força em quem vai ter que mudar de hábitos. Até lá inspirem-se no vídeo para ver os benefícios que têm em apagar o cigarro.

Os "bons rapazes" do costume




Este país encontra-se mesmo votado à mediocridade e a procura pela excelência é abafada a cada atitude tomada. Sinto esta situação nos cargos dirigentes do sector público onde a cunha e o compadrio é tão natural como o ar que se respira. no entato via o sector privado diferente orientado numa postura e atitude mais profissional e responsável. Pois bem a crise no BCP veio deitar isso tudo por terra. A começar logo pelas responsabilidades do Banco de Portugal na matéria. Como entidade que regula o sector, o BdP deveria ter a atitude a que a ASAE habituou a população, isto é, anda em cima, não dá descanso, fiscaliza. O BdP não faz nada, arriscou-se a atirar o país para uma nova síncope económica (não esqueçamos que o BCP é o maior banco privado Português). Eu não sou accionista nem cliente mas se fosse duvido que permanecesse por muito tempo como tal. Então para que serve o BdP? Para nada. Em termos monetários o BCE controla o valor da moeda e define, ou melhor, determina em consequência as taxas de juro. O BdP apenas serve para encontrar o valor do défice do estado quando é preciso e para receber os ordenados porque nisso os seus administradores não devem falhar. Há já me esquecia, serve também para colocar em banho maria "amigos" dos partidos. Mas voltemos ao BCP.
O Presidente do BPI, um dos maiores accionistas do BCP, insurgiu-se publicamente a propósito da incapacidade fiscalizadora do BdP e da CMVM (ou CVM "à Berardo"). Ora se o BPI é accionista de referência não será que algumas coisas aconteceram com a conivência ou a falta de atenção do mesmo? Concorrência desleal disse Fernando Ulrich com toda a razão mas não será que tendo uma atitude mais... digamos interessada, essas situações não teriam sido conhecidas. Fernando Ulrich também comentou que os documentos entregues por Berardo já eram do seu conhecimento. Se eram porque não se chegou à frente? Ficaram à espera do cowboy de serviço que neste caso até existe. Que seria deste caso sem o implacável Berardo? Que será a acontece em todos os locais de decisão? A par disso o Governo vai patrocinando os lucros indecentes da Banca, a qual por sua vez paga em lugares administrativos senão vejamos. Armando Vara, antes de chegar à política era nada, sem curso apenas armado com um cartão rosinha e a profissão de balconista da CGD. Desde então já é licenciado em relações internacionais, talvez è moda do primeiro, passou por alguns governo a coberto das amizades e, descobriu-se, que é um administrador excelente passando pela administração da CGD (isto é que é viver o sonho americano), pela PT e agora encontra-se em vias de ir parar com os ossos ao BCP, não como balconista claro.
Os outros nomes alguns são ex ministros mas todos têm uma coisa em comum: ou são PS ou PSD. Gostei particularmente de uma conferência de imprensa de Rui Gomes da Silva em que critíca a moralidade da possível escolhe de Manuel Pinho para a Presidência da CGD (Mais um taxinho). A determinada altura o mesmo diz que, e passo a citar: "Segundo Rui Gomes da Silva, a escolha de Catroga será “um bom passo”, indo ao encontro daquilo que a liderança social-democrata “tem vindo a afirmar”: a necessidade de garantir que as personalidades escolhidas para presidirem à CGD e ao Banco de Portugal não tenham “a mesma filiação partidária de quem ocupa o lugar de primeiro-ministro”. "
Andamos doidos ou quê? Agora escolhe-se em função da cor e não do mérito? Só se pode andar completamente doente para sequer pensar tamanha parvoíce (mas como é político) quanto mais afirmá-lo em público. O descaramento atingiu pontos inqualificáveis e começo a acreditar piamente que só à bomba é que este parasitas, seja PS, PSD, CDS, os Verdes ou outros quaisquer, são externimados por completo.
Que se pode fazer relativamente a situações destas senão desejar uma bomba para cada um deles? Cunhas e mais cunhas, negociatas, favores que são pedidos e cobrados, compadrios à luz do dia de todos os que se encontram respingados pela lama partidária. Vai sendo tempo de as pessoas mudarem de atitude, que a indignação seja efectiva, que crie receio e que traga medo à vida desta gente pestilenta que são verdadeiros sorvedouros do bem comum, da coisa pública. Urge fazer algo.

segunda-feira, dezembro 24

É dia de...


O que terá levado a que John Lennon tenha composto uma música sobre o Natal, cruzando a ela um apelo pelo fim das guerras? Guerras de armas, de palavras, de actos, de injustiças, de falta de solidariedade que se resumem muito facilmente numa palavra: parvoíce. Acredito que este dia deve servir para pensar nas coisas más para tentar provocar a mudança e por isso deixo este vídeo para ajudar a pensar. Seja tudo aquilo que gostava que fossem para si, faça aquilo que gostava que lhe fizessem e deixe-se de tretas. Bom Natal para vocês e para os que vos são mais queridos. Um abraço para a malta que anda por fora em especial para Cork.

Albanês - Gezur Krislinjden ; Alemão - Frohe Weihnachten ; Armênio - Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand ; Bretão - Nedeleg laouen ; Catalão - Bon Nadal ; Coreano - Chuk Sung Tan ; Croata - Čestit Božić ; Espanhol - Feliz Navidad ; Finlandês - Hyvää joulua ; Francês - Joyeux Noël ; Grego - Kala Christougena ; Hungaro - Kellemes Karácsonyt ; Inglês - Merry Christmas
Italiano - Buon Natale ; Japonês - Merii Kurisumasu (modificação de merry xmas) ; Mandarim - Kung His Hsin Nien ; Norueguês - God Jul ; Polaco - Wesołych Świąt Bożego Narodzenia ; Romeno - Sarbatori Fericite ; Russo - С Праздником Рождества Христова S prazdnikom Rozhdestva Khristova ; Checo - Klidné prožití Vánoc ; Sueco - God Jul ; Ucraniano - Srozhdestvom Kristovym


quinta-feira, dezembro 20

Escolhas


Investigadores do ISCTE concluíram, após uma visita a cinco estabelecimentos do ensino público lisboeta, que as mesmas escolas são parciais na escolha dos alunos, dando preferências aos de melhores alunos e até à origem social. Não sendo esta uma realidade surpreendente para mim, só me resta uma dúvida: A culpa será só das escolas? Não estarão as escolas a seguir o principio da sobrevivência?
Uma mudança legislativa, já com este Governo permitiu aos pais poderem escolher o local onde querem que os seus filhos estudem. Assim sendo parece-me que os primeiros que potenciam as desigualdades são o Governo e a os Encarregados de Educação. O Governo com a medida legislativa, os pais porque, e é normal e compreensível que o façam, querem que os seus filhos estudem nas suas escolas de preferências, seja ela qual for…
O estudo dá a ideia de que as escolhas são feitas exclusivamente pelas escolas o que não corresponderá completamente à verdade. Vivemos numa sociedade muitas vezes hipócrita e o ponto de vista mais aceitável é sempre aquele que favorece a maioria ou os que têm mais poder. Nos dias que correm torna-se evidente que as escolas, as que têm essa possibilidade, se regem pelas seguintes ideias: Ter os alunos com melhores resultados, com melhor condição social, menos problemáticos, que não defraude as expectativas de alunos e pais no que concerne à avaliação. Esta última é perniciosa e é a base de alguns, senão todos, os colégios privados e de alguns públicos.
Existe uma cultura que se está a estabelecer de forma sub-reptícia de que não vale a pena a chatice de explicar, fundamentar, justificar e supra-justificar situações que são demasiado evidentes. Como refiro muitas vezes em conversas, o ónus da prova virou-se completamente e, neste momento é quase um crime chumbar alguém. A par disso os encarregados de educação (não todos mas…) ou não aparecem na escola ou apenas surgem com ideias conflituosas e desfasadas da realidade. De encarregados de educação passam a encarregados de alimentação já que apenas servem para alimentar (as barrigas dos meninos, as chatices aos professores). A escola deveria ser inclusiva mas numa sociedade cada vez exclusiva, numa sociedade cada vez mais desresponsável à milagres que são difíceis de manter. Por isso os estudos agradecem-se mas apenas quando descrever a realidade sem subterfúgios e não uma realidade particular ou orientada. Deixo o link da notícia.



terça-feira, dezembro 18

Lembrança



Fez ontem 103 anos que os irmãos Wright realizaram um sonho ancestral do Homem - voar. Munidos com um essemble de contraplacados, um motor modificado na sua loja de bicicletas (Wright Cycle Company), muitas horas de trabalho e após anos de tentativa, conseguiram percorrer trinta e seis metros e meio durante doze segundos na vizinhança das Kitty Hawks. Na tentativa seguinte o feito foi ainda melhor. Ficava feita história no dia dezassete de Dezembro de 1904, sendo o culminar de anos de trabalho por uma vontade maior. O primerio passo estava dado com o primeiro voo de um aparelho mecânico controlado mais pesado do que o ar. A aviação ganhou impulso para uma centena de anos verdadeiramente decisivos para a humanidade em todos os níveis, determinando apenas cinquenta anos depois, a firme determinação de chegar à Lua! E não é que chegámos!?
Fica a lembrança e uma das fotos que fez história.

Thinking...



Ainda não há muito tempo discorri sobre a utilidade dos rankings. Não cheguei a conclusões novas ou a conclusões para além do óbvio mas a ideia permaneceu em busca de uma explicação. Os quilómetros diários na “biatura” ajudaram a cozinhar o que se segue… Depois de reflectir, inconscientemente já que os dias têm andado preenchidos, conclui que a razão talvez se prenda com o facto de sermos uma democracia recente e, devido a isso, somos intimidados por alguns complexos. Reconheço, nos dias de hoje, a pequenez como o principal e derradeiro motivo do nosso apego sôfrego aos rankings. Provavelmente essa amargura deriva do facto do que fomos, que reconhecemos já não ser, alguns duvidam sequer que outrora fomos devido à realidade que temos. É por esta altura que surge um velho sentimento sebastianino que começa a replicar dentro de nós em ritmo morfinoso, nos dias do piorio, para ajudar a curar o desconsolo das nefastas e inevitáveis euro comparações que, dia sim, dia não, nos entram casa adentro.
Coloco a questão: Será que um mau ranking um “pecado mortal”? Melhor: O que será mais importante? Liderar rankings ou conduzir uma população feliz?
Fico-me pela segunda que, explicada, destrói a primeira. Se existir trabalho que seja coerentemente pago; se existir estabilidade e não uma pseudo-segurança do tipo “flexi”; se as pessoas (todas) forem honestas e cumprirem as suas obrigações; se existir tempo para a família acredito piamente que os rankings deixam de fazer efeito porque as pessoas estão satisfeitas e não lhe darão tempo de antena. E mesmos que eles persistam, os resultados irão verificar-se extremamente positivos e serão alcançados do modo mais correcto, isto é, de um modo alicerçado e não de um modo composto ou ficcional.
Em Portugal temos o raciocínio oposto, de que (dês)governa, ou seja, se os euro rankings dizem que não estudamos vamos dar os diplomas aos meninos! Se os euro rankings dizem que somos “uns baldas” vamos arranjar um sistema para colocar tudo na rua! O problema destes rankings e das posteriores conclusões é que apenas reflectem valores. “Interessa o porquê? Nahhhhh isso é perder tempo, já temos os valores vamos, utilizando a conclusão matemática de que “uma linha recta é a distância mais curta entre dois pontos”, arranjar um modo para melhorar os números!”, e não o que está atrás deles. O ruído que se houve à posteriori é o ruir de algo (economia, educação, justiça, saúde and so on and so on…)
É necessário perder o sentimento de “pequenez”, encontrar dentro de cada o juiz mais impiedoso das nossas obrigações e exigir o direito a uma administração competente que se reja “to the people, for the people and by the people” e estou certo de que mais cedo ou mais tarde teremos um futuro auspicioso e seremos felizes que é o que mais importa.

domingo, dezembro 16

Para rir . 4



Sem comentário...

domingo, dezembro 9

Judiarias


No passado fim de semana a Ordem dos Advogados foi a votos e ganhou o candidato que mais cedo se mostrou disponível e mais depressa começou a corrida. Os outros candidatos, sem o peso mediático de António Marinho, desvaneceram-se no pó do acelerado ritmo do primeiro e nas propostas deste. António Marinho é, como o próprio se intitula, primeiro jornalista e depois advogado. Assim sendo persiste sobre si uma aura sindical e algo conflituosa com que o mesmo parece viver bem e, de algum modo, com orgulho. E bem o pode ter já que foi ela que o terá catapultado para o topo da hierarquia da classe. Nos dias seguintes verificaram-se reacções. Umas mais solenes e típicas, outras mais ameaçadoras mas a que ficou mais no ar foi a de um antigo Bastonário, José Miguel Júdice. J.M.J., como que possuído por um diabo da Tasmânia, perdeu as estribeiras e desatou a desclassificar o recém eleito Bastonário comparando-o a Mussulini.
J.M.J. é um dos advogados mais reconhecidos da praça judicial. Já foi Bastonário, a sua opinião é sempre procurada em assuntos da classe, dá-se com o poder político e talvez por tudo isso se considere acima do resto, com direito a toda a opinião e, como tal, imune a correctivos. Talvez seja a anciania a dar mostras de que não anda longe mas as suas palavras, que inclusive se estenderam ao Bastonário cessante mostram que J.M.J. anda um pouco longe da realidade do Portugal dos Advogados, e talvez do Portugal em geral. Que classe é esta a dos advogados? Outrora uma classe de destaque, paradigma de profissão liberal, encontra-se hoje substancialmente diferente. Tal como muitas outras, sofreu muito com a massificação da minha geração o que levou a que, hoje em dia Portugal, seja um dos países com maior número de advogados per capita. Debaixo de uma qualquer pedra encontramos hoje um professor e um advogado. Isso faz com que a aura passada da classe tenha sido trocada nos dias de hoje por pouco mais que uma luta titânica para chegar ao fim do mês. É evidente que existem advogados que ganham como os bons jogadores de futebol mas, seguramente, oitenta ou noventa por cento da classe luta ou desespera com o passar dos tempos.
Tal como o resto dos Portugueses, também os advogados querem mais, melhor mas principalmente que as expectativas dos tempos do secundário se concretizem. Foi aqui que António Marinho encaixou como uma luva. Não querendo fazer exercícios de suposições sobre a sua pessoa, certo é que as suas ideias colheram na classe, provavelmente naquela mais nova. Já à época de J.M.J. a massificação se fazia sentir em força e a única pessoa, que eu me lembre, que considerou fazer umas mudanças, coerentes ou não, foi o ex-Bastonário Rogério Alves. É certo que ainda antes foi feita uma mudança, trocando um trabalho de dissertação, creio, por uma prova de exame. Não sendo esse obviamente esse o seu propósito mas essa prova é mero pró-forma já que poucos são só que ficam lá enrascados. Assim sendo J.M.J. perde em diferentes frentes, tempos, já que nem sequer deixou que Marinho se pudesse enganar e, o que é pior, perde em respeito e em falta de conhecimento de uma realidade que ainda é a sua. Digo ainda porque os convites para uns tachinhos políticos já vieram bater à sua porta e só talvez a vergonha e a contradição é que o fizeram recuar. O silêncio diz-se de ouro e, se a ele somamos coerência, obtemos diamante.

Pecados

Dedico estas curtinhas linhas a dois pecados, personalizados em duas individualidades de carácter muito duvidoso, para não dizer outra coisa. O primeiro o Presidente Venezuelano, Hugo Chávez que, algo agastado com o resultado de um referendo sobre a mudança da Constituição, disse um rosário de alarvidades e ameaças enfeitadas com rol de insultos do mais baixo calibre. Isto tudo com o tolo do Fidel a apoiar por trás, certamente, e na Televisão Nacional. Já não há snipers como antigamente... Uma força para os Venezuelanos que disseram "Não" a essa besta.
O outro é o Mário Lino. Já não chamo Ministro porque a mentira é algo que, na minha óptica, não se coaduna com a posição ou o cargo de Ministro. Esse senhor teve, não direi a lata nem o descaramento porque se nota nele treino, preparação à frente de um espelho, talvez desfaçatez de afirmar e reafirmar que jamais tinha dito "Alcochete jamais!" em plena câmara da Assembleia da República.
"São as companhias com que se dá desde há três anos a esta parte" dirá a mãe, mas eu pergunto: Que será necessário para expulsar alguém do Governo? Se algum de nós mentir, roubar, beneficiar alguém com os poderes que nos são atribuídos pela nossa posição, somos castigados mas a este meninos nada acontece. Como disse anteriormente, só com o voto já não vai chegando...
Em honra ao senhor deixo esta tira dos gatos e aproveitando umas deles - estou algo farto de ver este governo de três ou quatro oitavas a bater ferros nos portugueses.
PS: Para a Ministra da Educação. Em resultado do sistema de avaliações de sua excelência e da transposição dos mesmos para todos os patamares da avaliação educativa, faço notar para agrado da mesma, que não vai ver honorar em nada o orçamento destinado às classificações de excelente dadas aos meninos. Quem é amigo quem é?

Boas vontades...


Vivemos uma época de Cimeiras e não falo apenas naquelas que resultam directamente da Presidência Portuguesa da UE. Verifica-se uma multiplicidade de encontros bilaterais, tripartidos, com o patrocínio de uns países ou com a participação de um grupo alargado no sentido de se discutirem... coisas. Tudo talvez comece ainda durante os anos oitenta com as reuniões entre Americanos e Soviéticos, passando pelos Israelitas e Palestinianos (umas que ora fracassam, ora recomeçam e entretanto as pessoas lá vão perecendo). A moda pegou e até Portugal se orgulha, ou não, em ter organizado altas reuniões! Quem não se lembra das Lajes, que ainda só não nos valeu uma bomba porque aqui seria um desperdício, outras ainda de mediação de conflitos principalmente em África ou, mais recentemente, as que derivam da Presidência da união. Para mim, fogueiras de vaidades e de interesses descarados, mas quem sou eu?
Concentro-me brevemente em duas. Em primeiro lugar a de Bali (Quioto séc. XXII). Durante a Cimeira sobre alterações climáticas em Bali, Indonésia, surgiu uma convidada inesperada, a mãe Natureza. É verdade, ela que está em toda a parte, decidiu passar por lá e dar a sua opinião e vai daí soltou um sismo de pouco mais de cinco pontos na Escala Richter. Pode ser que o súbito abano abane consciências ou, pelo menos, atitudes. De notar que se Quioto está como está, ou vai estar, por cumprir, que será de Bali? Espero que não fiquem na memória de quem, por esta altura, ainda lá está, como uma boas férias.
Em segundo plano a Cimeira, ou Summit, Europa/África. Creio que esta resulta de um raciocínio fácil – China? Já não dá, qualquer dia ultrapassam-nos. Índia? O mesmo. O que é que sobra? América do Sul e África. América do Sul está mais ou menos coberta, existem já muitos interesses por lá espalhados e se não fosse o gang Chavéz a coisa “era nossa”. E África? Sim é melhor, que os Chineses andam a papar aqui tudo! E as moscas, e a fome e as coisas feias que há por lá? Vamos andando e vendo.
Pois bem vejo esta Cimeira como isto mesmo, o último refúgio para a Europa poder vender a sua “banha da cobra”, alargando mercados, dizendo “a gente ajuda” mas com uma mão dá e com a outra tira, muito ao estilo da Época dos Descobrimentos. Certo é também que os africanos já não vão, e bem, na conversa do pechisbeque e desta vez, quinhentos anos depois, vão tentar não perder tudo para os “caras pálidas”. E o Mundo, de repente, está a ficar pequenininho para vender tanta coisa… Nunca haverá Cimeiras a mais, apenas reias conclusões a menos.

quarta-feira, dezembro 5

Poesia . 15



Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andersen

Para rir . 3

Por motivos profissionais, acompanho algumas vezes por semana "as manhãs da 3". Esta semana foi convidado o Marco Horácio em modo "Faduncho" que deu um recital brutal, quer a dar o trânsito com a ajuda da Cláudia Semedo, quer numas cantigas mas típicas como é este o caso. Creio que o vídeo é "made by Markl", ao qual agradeço a boa ideia. Muito bom.
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