terça-feira, outubro 16

E se o meu papá tivesse um banco?


E se o meu papá tivesse um banco?
E se o meu papá tivesse um grande porquinho mealheiro?
(suspiro)
mas não tem.
Mas há que tenha essa sorte e vai daí o que faz? Bem diverte-se a pedir emprestados uns dinheirinhos - 12 euros? Caramba com isso não faço a segunda circular no meu porsche (terá pensado o jovem Gonçalves). 12 mil euros? É pouco. 12 milhões de euros? Hmmmm... pode ser, mas aceito porque estou a notar uma certa "má vontade". Já agora, empréstimo, que é isso? (...) Mas o banco não é do papá?
Se o jovem Gonçalves soubesse algo dos ditados Portugueses poderia ter-se lembrado que "quem semeia ventos, colhe tempestades" mesmo quando o nosso papá tem um porquinho mealheiro.
E nós? Haja saúde e trabalho, o resto logo se vê.

Negociável? Como sempre...



Iniciou-se hoje a discussão dos aumentos para a função pública entre o Governo, os Sindicatos e os representantes Patronais. Procura-se a chamada "concertação social" algo que, ano após ano, se parece mais com uma figura mitológica inatingível do que de uma realidade alcançável. As coisas por norma processam-se do seguinte modo: O Governo propõe, os Patrões refilam e os Sindicatos protestam – os segundos pelo excesso e os terceiros pelo defeito. Resultado: O Governo não cede (daí que não seja correcto o termo inicial de discussão) os patrões, que antes refilaram, ficam contentes apesar de surgirem posteriormente com um ar sisudo “…pois… mas não podemos esquecer a nossa função social.” – Tretas.
Já os Sindicatos teriam muito a ganhar se fossem organizados e se se apresentassem a uma só voz, como é o caso das Ordens de Engenheiros, Advogados, Médicos, Juízes. Como não o fazem, é cada um por si e, havendo uma das plataformas sindicais (UGT) que tem a sua génese no Partido Socialista, a sua contribuição para a discussão é nula e, por conseguinte, ao mínimo ossinho oferecido, a sua assinatura é prontamente conquistada. Quem fica reiteradamente mal na fotografia? A CGTP-IN. Deveria ser assim? Não creio, nem considero que os Portugueses ganhem com isso mas o Sr. João Proença (Secretário-geral da UGT) já nos habituou ao raciocínio do coitadinho e apesar de as reuniões terem começado hoje já se nota na sua declaração um certo amansamento “Esta proposta já era previsível, mas esperamos que ainda haja margem de negociação, tendo em conta que hoje foi a abertura de um processo negocial”.
O Governo propôs para todos Nós (o aumento da função pública determina o do sector privado) o valor de 2,1% para 2008, valor esse, conveniente já que passa a ideia de que, se a inflação andar pelo mesmo valor, os Portugueses não perderão poder de compra (não são fofinhos?). Será? Claro que não. Porquê? Simples.
1.º Ninguém garante que a inflação seja essa (ainda hoje o Petróleo atingiu um novo máximo);
2.º Ficamos compensados relativamente à inflação é certo mas os combustíveis irão aumentar assim como a Taxa da (aqui está algo que merece um artigo), o preço dos bens de consumo, a electricidade e muitas outras coisas de que necessitamos no dia-a-dia e nos aparecem em forma de factura, entregues sempre sem falta e com extrema lucidez, pelo prestativo carteiro que se engana em tudo o resto.
Resumindo: o aumento vai ser esse; a UGT vai fazer o papel de coitadinho; a CGTP-IN vai parecer o “rufia lá do bairro”; os “patrões” vão sair imaculados como entraram e o Governo? Digam-me vocês.

domingo, outubro 14

Mais suspeitas



Não me vou alongar por que o próprio processo Casa-Pia parece mais uma novela mexicana de baixo orçamento do que um qualquer processo judicial.
Apenas quero dizer que se o que Catalina Pestana vem dizer é verdade... isto está profundamente errado e a impunidade reina. Quem pode e não tem telhados de vidro devia acabar com estas charadas em forma de julgamentos da treta e estas situações vergonhosas. Espero que a Juíza ainda possa fazer Justiça e que a mesma a pecar, peque por excesso de modo indiscriminado. Quanto ao Sr. Pedroso... O caminho é longo e a verdade há-de vir ao de cima.
Quanto a Catalina Pestana, o seu contributo de dentro para fora teria mais força pela posição que ocupava. Assim perde força e as palavras irão levá-las o vento. Enquanto isso os miúdos estão esquecidos. Uns safaram-se por si, outros parecem permanecer no escuro contando o tempo e vendendo, pelo menos, a consciência de meninos.


Perpétuo link

sexta-feira, outubro 12

Arquivamento? Assim é Portugal, seja benvindo!



E Sexta-Feira passada foi outro dia em que a Justiça tomou a direcção errada, a sinistra e tombou de novo na "Rua da Amargura". É verdade quando se diz que o "Homem é o único ser capaz de tropeçar duas vezes na mesma pedra" e os Ministros, não sendo Homens normais, tropeçam e não evitam a dita rua para lá do que seria desejável. Mas caiu em estilo, logo pela mão de um Ministro e ex-juíz do Tribunal Constitucional que apenas aqueceu um assento que seria, para a maioria, inegociável! Isto de ser Ministro parece ser fácil, só têm que ter atenção a dois mandamentos:
1.º Colocar todos os boys que for possível como acessores. Não interessa com que tarefa, no final, eles não sabem mesmo mais que dar graxa, sorrir, orientar as próprias contas e dormir no sofá do gabinete; 2.º Mandamento: "Juro arquivar todo e qualquer processo que atente contra o Governo seja ele pertinente ou não, as críticas não são bem-vindas".
Neste país para que algo dê em mais que arquivamento é preciso que sejam gravadas imagens como no caso dos jovens a quem a Polícia sacudiu o pó no parque das Nações, com ou sem razão.
A atitude do Ministro Rui Pereira e a dos agentes da PSP até poderiam ser atenuadas noutro quadro de acontecimentos. Se não tivesse havia o Imbróglio Charrua (Min. Edu), o caso de destituição de um director de um serviço de saúde por uma graçola, em forma de fotocópia, feita por um médico da unidade (Min. Saúde) entre outros. Todos eles mostram que o Governo se dá mal com a crítica, a começar por José Sócrates o que paulatinamente se tem vindo a alastrar ao resto do executivo. A intervenção da Polícia até será normal, mas parece-me que o seria à posteriori quando se verificasse que realmente tinham acontecido atitudes graves, o que nunca foi o caso.
Palavras de ordem como "25 de Abril sempre", a "Luta contínua" ou outros chavões revolucionários dificilmente podem ser considerados atentatórios do bom-nome de um Minstro que se quer Primeiro e de um Governo que se pretende que governe. Porque se esse é o caso, se essa linha de raciocínio se pode seguir impunemente, também é possível dizer que a Polícia apareceu "à paisana" para não levantar sururu na rua mas sim para condicionar o sindicato. E ao levar consigo material de conteúdo político, essa acção transforma-a em Polícia Política o que, se espera, não é de todo o caso. No entanto medidas urgiam antes deste episódio e urgem ainda já que os casos se vão acumulando de braço dado com os arquivamentos. Essa sensação de superioridade por parte dos poderes fica a pairar, não se dispersa e acresce que, havendo pontas soltas elas, mais cedo ou mais tarde vêem a luz do dia já que a mentira ou em "modo de segurança" - politicamente correcto - as inverdades têm perna curta. O Ministro Rui Pereira disse que tudo foi normal mas o Inspector-geral da Administração Interna deu sinais em contrário.


Fica uma nota positiva, no meu entender, para o Ministro em causa. Na discussão sobre o novo Código do Processo Penal o Ministro Rui Pereira defendeu que o cúmulo penal não devia passar a ser regra mas sim excepção, isto é, não pode alguém que seja considerado, por exemplo, por pedófilo em dez situações diferentes ser condenado apenas pelo acto e não pelo cúmulo dos mesmos ou em "crime continuado" (assim percebi). O PS em bloco votou contra e assim apenas o cúmulo passa a ser a regra o que dará sem dúvida um certo jeito para, por exemplo, o Processo Casa-Pia. Lá está o PS a seguir o primeiro mandamento numa das suas muitas variantes.

terça-feira, outubro 9

40 anos



Eram 7h00 da manhã quando, ouvindo a rádio, soube da efeméride do dia, ganhando assim a frase e o acto de a colocar ontem no topo do blogue, ainda mais dimensão. Tentei até ao extremo fugir do Ernesto Guevara retratado pela imagem de Alberto Korda (engalanado com a bóina e a estrela). Foi difícil encontrar um Ernesto sorridente para a assinalar o dia do quadragésimo aniversário da morte do letrado Comandate. Deixo a imagem (sem bóina foi impossível), a frase no topo do Blogue de sua autoria e uma suposta frase de sua autoria antes da execução em La Higuera, Bolívia.

“Eu sei que você veio para me matar. Atire, você está apenas matando um homem”

segunda-feira, outubro 8

Morte ao Fascismo



O fascismo está de volta e as semelhanças são inegáveis. Agradeço ao regime vigente, graças ao seu pretensiosismo e à sua ardilosa propaganda, por me ter elucidado no voto!
.
"Prefiro morrer de pé a viver sempre ajoelhado"
Ernesto (Che) Guevara

domingo, outubro 7

Elites vs Populismo



Não é de agora e a ideia tenho-a “for quite sometime”. Logo após a campanha e as primeiras acções governativas de Sócrates bem como depois da eleição de Marques Mendes para líder do PSD. Aliás quem não se lembra de Durão e de Santana Lopes ou de Guterres? Nessa altura amadurecia ainda a minha opinião política. Adiante… Nunca mais afastei a sensação de que entrámos num período de populismo e não de líderes que pudéssemos considerar pertencentes a elites. Populismo é mau/bom? Elites são más/boas?
O termo Elite abarca muitas definições, algumas benévolas, outras nem tanto. Quando falo em elites falo em grupos sociais originários dentro das diferentes áreas que, por mérito próprio, recebem esse status e que, por conseguinte, pode contribuir a nível social, económico, judicial, político e em todas as áreas que careçam de liderança.
Pelo contrário o populismo assenta no que as massas querem ouvir em prol do benefício próprio e não do comum, isto é, ao esgaravatar o povo oferecendo, prometendo mas distorcendo subliminarmente o bem comum, o populista agarra para si a força do todo, esquivando as regras democráticas no sentido de obter vantagem nessa alienação de valores e abafando nas imensas vozes da turba aquelas que não perderam coerência.
Com isso ganha posição decisória (a outra disseminou-se no ruído da multidão) e tem espaço para decidir à conveniência (sua ou de alguns interesses) sem interferências. Ainda hoje uma multidão foi, à chegada de José Sócrates, dividida em função do seu ímpeto aclamador, isto é, os que só sabem viver de joelhos e aplaudem (local almofadado e com material de propaganda na certa) foram para um lado, os que preferem viver em pé e protestar foram para outro (duro a nublado certamente).
Creio que se vive uma época de Popularuchos (Sócrates, Mendes, Menezes, Portas e muitos mais) por toda a parte e tudo por culpa de uma elite que perdeu o norte e terreno para os anteriores e que nos dias de hoje espera que a multidão chegada “ao ponto sem retorno” se volte para eles de novo e lhes entregue o que ambicionam. Até lá optam por ficar escondidos na caverna a pregar para as paredes à espera que o vento lhes leve o sermão julgando que essa atitude amorfa será a mais eficiente.
O primeiro por cá a perceber e vociferá-lo (com outro peso e poder mediático) foi Cavaco Silva mas a sua figura sugada de grande parte de poder decisório e alinhado ou estigmado ainda numa “convergência estratégica” faz com que as suas palavras se virem a favor da propaganda e cito: “foi uma palavra de incentivo para o Governo”. É necessário que a elite ganhe coragem, esqueça um pouco da delicadeza, da elegância e volte à arena (ir à Tv. dar umas “aulas” já teve mais força e de graça ameaça-se cair em desgraça) e nela faça valer o conteúdo para além da propaganda, das fachadas que, quais estátuas lisboetas, se encontram impregnadas de material estranho a um verdadeiro governo.

sábado, outubro 6

As aparências...


Não sou dado a este tipo de programas. Não sei bem porquê. Não me inspiram curiosidade e até os achos meio popularuchos (aqui estou eu em modo "snob"). No entanto recebi um vídeo via email que me deixou muito... satisfeito até por que como os mais assíduos ao blogue saberão eu nutro muito gosto por toda a música até pela Ópera principalmente na voz de Pavarotti. Pois bem o resto é conversa, deixo-vos o vídeo e a respectiva tradução de Nessun Dorma de Puccini. Enjoy.

Nessum Dorma

"Que ninguém durma, ninguém durma...

Mas meu segredo permanece, guardado dentro de mim

Meu nome ninguém saberá. Não, não...

Desaparece ó noite. Sumam ó estrelas. Sumam ó estrelas.

... na alvorada vencerei...Vencerei. Vencerei!

Poesia . 12


Casa

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.

David Mourão Ferreira

Imagem . 8



Porto magnífico.

sexta-feira, outubro 5

Escola não é fábrica de ensinos



Palavra a quem de direito. Dentro de instantes (e até que enfim num registo digno de quem anda na rua) o Sr. Presidente da república.

"...Quero dirigir-me a todos os Portugueses (...) Por outro lado, importa sublinhar que a educação é a base da verdadeira inclusão social, pois esta encontra-se associada, em larga medida, às qualificações e competências de que cada um dispõe. Mas também num outro sentido se deve salientar o carácter inclusivo da escola: a democratização do ensino e a escolaridade obrigatória são factores de igualdade e elementos de convivência (...) Temos, de facto, de adoptar uma nova atitude perante a escola. Temos de perceber que aí residem os activos mais importantes do nosso futuro. É imperioso ter a consciência de que o investimento mais reprodutivo que poderemos fazer é nas crianças e nos mais jovens. Essa é uma consciência que, antes de mais, tem de existir nos pais, o que pode exigir uma intervenção personalizada no sentido da adequada valorização da educação dos filhos. Preocupamo-nos em cuidar dos nossos filhos no plano material, mas é frequente julgarmos que a educação, o bem mais importante e decisivo para o seu futuro, é tarefa que compete sobretudo a outros. Muitos continuam a encarar as escolas como «fábricas de ensino», para as quais enviam os filhos e aí depositam por inteiro o trabalho de os formar para o futuro. A primeira grande interpelação deve ser feita aos pais: de que modo participam na educação dos vossos filhos? Não basta adquirir livros e manuais, assistir de quando em quando a reuniões de pais ou transportar diariamente os filhos à escola. Há toda uma cultura de autoexigência que deve ser estimulada nos pais, levando-os a envolver-se de forma mais activa e participante na qualidade do ensino, na funcionalidade e na conservação das instalações escolares, no apoio ao difícil trabalho dos professores." Fico por aqui mas...

Perpétuo link . Discurso completo - aconselho vivamente.

Será preciso doutores de pá?


É usual dizer-se, principalmente numa época de excesso numas ocupações e défice noutras, que “nem toda a gente pode ser doutor”. É-me familiar esta ideia que, certo dia estando eu presente, foi resumida de um modo extremamente simples para o meu Pai. “Caro amigo se eu necessitar de um advogado arranjo os que quero por 500 euros. Já se eu precisar de alguém electricista que consiga arranjar este Mercedes nem com 1000 euros o arranjo” Falava um representante da Mercedes-Benz conhecido do meu Pai no seguimento das dificuldades sentidas pelos petizes de ambos na altura de conseguir um trabalho. Já lá vai uma série de anos e a dificuldade vai persistindo… É evidente que nem toda a gente poderá almejar a doutor nem isso é necessário ao país, mas o que o país precisa é de responsabilidade nas tarefas que cada um tem (privado ou público) são entregues por difíceis ou exigentes que sejam.
Discorro nisto porque esta semana ao subir a Serra da Estrela dei com uns trabalhadores da JAE (Junta Autónoma das Estradas) em plena empreitada. A operação, pelo que percebi, consistia em limpar as valetas adjacentes à estrada. O dia até estava agradável se bem que nenhum dia está agradável de pá na mão quando se podia estar a corar ao Sol numa esplanadinha com a companhia a preceito. Isso é justo e coerente quer para doutores quer para as outras profissões. O que eu não entendi foi o seguinte:
Os senhores com uma pá moviam a caruma caída das árvores a qual tinha-se acumulado nas valetas mas porquê? Bom, porque para além de estarem repletas, faziam com que a água das chuvas fosse para a estrada desvirtuando o intuito das mesmas e colocando em perigo os condutores como eu. E para onde ia a caruma? Para algum receptáculo de modo a ser utilizada como biomassa? Nada disso, era de novo enviada, no mesmo movimento de vaivém da pá, para a mata. Sou eu ou pareceu-me ridículo? (a palavra até era outra…) Será que era necessário estar ali um doutor ou um engenheiro para dizer que talvez aquele não fosse o melhor fim da lida? Será que um mero trabalhador não devia ter capacidade para perceber isso mesmo? Será que a escola aqui teria feito a diferença? Podia despejar aqui inúmeros “será” mas o certo é que a caruma repousa a estar hora um metro acima de onde atrapalhava.
A ideia da recolha não era má e por isso deixo-a aqui, bem como outra dica, quiçá mais urgente: É indispensável limpar as matas e a Serra da Estrela (1.º local do país a sofrer com o flagelo dos fogos, nunca se esqueçam disso!) que vai renascendo dos fogos está a atalhar o caminho a quem não precisa que lho atalhem e atrapalha a funções dos que remedeiam as coisas. Meus senhores juntem o útil ao agradável, limpem as valetas e as matas por exemplo com recurso a reclusos e utilizem o recolhido para a produção de energia ou para outras aplicações como fertilizante para os solos (aqui, porventura, já estarei a divagar).

sábado, setembro 29

Miscelânea política



Promiscuidades…
Benditas escutas telefónicas que, aqui e ali, vão emergindo e revelam a repulsiva, asquerosa e universal classe política deste país.

“Mal tomou posse, em Março de 2005, o primeiro-ministro José Sócrates formalizou ao então Presidente da República, Jorge Sampaio, a proposta de demissão de Souto de Moura e a sua substituição por Rui Pereira. (…) As escutas em causa mostram, além disso, como o primeiro-ministro teve encontros com Paulo Portas (então líder demissionário do CDS), a quem pediu ajuda para convencer Sampaio. E como Portas aceitou e deu o seu apoio a Rui Pereira (actual ministro da Administração Interna). Este, por seu turno, tentou ajudar Portas e outro dirigente do CDS, Abel Pinheiro, a confirmar se existia um inquérito do Ministério Público (MP) envolvendo aquele partido.” Semanário Sol

Quais homossexuais políticos misturam as necessidades individuais ou partidárias, esquecendo a sua missão para que, a troco de uma carícia da outra ponta do hemiciclo, obtenham aquilo que lhes permite atalhar caminho ao propósito a alcançar. O país? Que interessa! O povo é estúpido! Preocupa-se com as contas a pagar, com os prazos que vencem, com o cedo erguer do dia seguinte, com a realidade que directamente os atinge deixando para segundo, terceiro, enésimo plano os embustes governamentais.
As pessoas não se revelam – “O povo é sereno” exclamou o Almirante Pinheiro de Azevedo mas os tempos de “é só fumaça” também já vão longe. O povo será sereno até ao dia. Até ao dia que o não for. Quando será? Não sei mas espero que aconteça. As suas vozes perderão algum dia essa mudez cada vez menos contida. Até ao dia que a coberto de um bloqueio onde “já estivemos todos” elas ganhem força e o mesmo lhes dê sentido no meio de tanta serenidade. E que tal como as ondas que, volta não volta, retornam a terra, as lembranças ouvidas de outros tempos mas também das vivências próprias e sentidas, iluminem esta minha pós-geração numa nova história impar resultante da existente desilusão. Outrora escorada a flores, hoje norteada pelo espírito crítico cultivado numa educação de massas, de informação e de imagens.
E como há uns anos largos e em jeito de dejà vu, a agitação começou por França. Promiscuidades? Sim mas na medida do possível, não lhes irei dar tréguas.

Imagem . 7


Não resisti a esta festa de cores...
A preto & branco só mesmo estas singelas letras.

sexta-feira, setembro 28

Poesia . 11



Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Um dia areia branca seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos a água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir prá ver você chegar
E ao se sentir em casa, sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história prá contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

As luzes e o colorido que você vê agora
Nas ruas por onde anda, na casa onde mora
Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente
Você só deseja agora, voltar prá sua gente

Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito uma saudade um sonho
Um dia vou ver você chegando num sorriso
Pisando a areia branca que é seu paraíso

Cantado por Caetano Veloso

quinta-feira, setembro 27

No dia que o farol apontou para terra



Faz hoje 50 anos que as gentes do Faial viram, com gosto para uns com custos para a maior parte, um dos fenómenos mais extremos da Natureza. A ilha cresceu em tamanho mas perdeu para a imigração metade das suas gentes. 50 anos depois o Monte que se fez do Atlântico perdeu parte dimensão. Apenas se perdeu uma vida e essa foi a do vulcão passados treze meses. Deixo aqui algumas imagens em vídeo inéditas para muitos de nós mais novos.

Só pela lei não chega...


Todos nós por sermos latinos temos em nós um "quê" de juízes, de treinadores, de ministros isto é, gostamos de "meter a foice em seara alheia". Também desde há 3 anos para cá este país tem-se sobressaltado com casos mediáticos onde os protagonistas, pela pior maneira, são os pequenitos como a Joana, a Esmeralda e a Maddie para não falar nos outros não menos importante mas com menos cobertura noticiaria.

No caso de Esmeralda a história que parecia estar mais encaminhada levou agora novo volte face. Este caso é peculiar já que por pouco abriu um precedente, pelo menos a nível social, devido a diferentes interpretações de letra de Lei (não é a 1.ª nem a 2.ª...) no que concerne aos "abaixo-assinados". Sejam boa fé, de coerência de raciocínio ou de puro e simples populismo depois deste caso as pessoas talvez pensem duas vezes antes de colocarem o nome. Acredito que neste caso a coerência era o mote e desejava-se isso das instâncias reguladoras, neste caso os tribunais e os juízes. Já o aqui disse certa vez, a missão de um juiz, se for levada de modo honesto, profissional e ético é, na minha perspectiva, a de pegar na Lei e fazer a melhor leitura dela em função do caso que se lhes apresenta entre mãos. A Lei não consegue, apesar de ser esse o desejo do legislador, cobrir todas as saídas que os casos têm e é aqui que o juiz toma o papel conciliador ou assim se espera. Também seria de esperar que as pessoas não tivessem certas atitudes como "só lhe dei um pontapé", como se o acto de apenas o considerar como saída não merece-se, por si só, castigo. Resultado: uma bebé que deixou de o ser. Mas vamos aos factos da bebé (já o foi mais) Esmeralda.

Uma jovem com um comportamento imprudente e\ou leviano cruza-se certo dia com outro jovem não menos imprudente e leviano. Desse encontro resulta uma gravidez. A menina confronta o menino e o menino dispara num português rasteiro, aquele reconhecido como"curto e grosso" - eu não sei se é meu, eu sei que tu andas com todos! - e daí leva as suas mãos não querendo pelo menos aquilatar se existem, literalmente, umas células suas de verdade no assunto. Resultado: a menina emigrante, com a barriga a crescer de preocupações tenta resolver o caso. O desequilíbrio não lhe tolda o raciocínio e entre o ter e não ter o bebé, procura quem da menina se possa encarregar, possa ser pai, mãe, possa ser sinónimo de uma vida normal, com amor, conforto e com condições para ser alguém na vida.
E tudo está certo, a família é encontrada e a bebé vive feliz até que o menino (o tal que não quis saber), sabe-se-lá porquê, acorda com a vontade de uma "mini" - perdão - de ser pai. Isto após o seu animal acto, defensivo é certo, mas de qualquer modo negligente de não ter sequer considerado, e nessa linha ter decidido averiguar, se o bebé tinha mesmo o seu decisivo contributo.

É aqui que a história ganha fundo mediático e a opinião pública se apaixona ou critica, consoante a sua preferência, sobre os acontecimentos e as personagens. Com meses, férias (como se a menina a isso se devesse, pudesse sujeitar ou se a sua idade com isso se compadecesse) e outros casos pelo meio lá vem o Tribunal da Relação de Coimbra dar a sua achega ao caso ao entregar o poder paternal ao progenitor (e não pai) ausente deixando inconformados os que são os seus pais (sim apesar de não o serem geneticamente são-no nos actos) desde os três meses de vida. Globalmente é isto que o acórdão parece transpirar ainda antes das obrigatórias e oficiais notificações (mais uma vez o sistema no seu melhor).
No meio de tudo a que foi bebé e agora já é menina, que o sistema judicial permite que passe de mãos em mãos como se um bife se tratasse. E não me digam que ela não irá sofrer já que terá acompanhamento pedo-psiquiátrico que isso ainda me faz rir e isto é um assunto sério.

Absens heres non erit - "Não há ausentes sem culpa, nem presentes sem desculpa"

Atitude correcta

Não me vou alongar... Os directores de informações (presumo que sejam eles quem decide a linha de um noticiário) parecem malabaristas já que, a poder de guerras de audiências, jogam a seu belo prazer e necessidade com os telespectadores e mesmo com os convidados aos noticiários. O que ontem sucedeu no jornal da noite da SIC notícias (noticiário que aprecio) foi o milésimo exemplo desse tipo de atitude pouco coerente e ilógica. Esteve bem Pedro Santana Lopes e espero que a sua atitude faça escola para ver se a outra encerra por "falta de alunos" Não se fica apenas pela SIC mas estende-se a todos os canais sendo que cada um deles tem o seu "quê" de irritante - por exemplo ver o José Rodrigues dos Santos, que até parece escrever livros, tentar com um jeito sempre muito pateta indicar o nome de alguém com uma pronúncia "British". Hoje em dia a função de pivot televisivo ultrapassa (e muitas vezes mal) a mera acção de ler o teleponto. Não estou contra mas então sugiro que se orientem por pivots com "p" maiúsculo - Mário Crespo na televisão ou Fernando Correia na Rádio.
E por falar em rádio... Uma das virtudes de Fernando Correia e dos bons profissionais é de manterem a compostura mesmo quando o que relatam lhes diz sentimental respeito. Na noite de ontem o repórter e não comentador (há diferenças) da Rádio Renascença deu pena pela maneira pouco isenta e profissional com que berrava os golos ora do SL Benfica e os do Estrela da Amadora. Fraquinho e desprovido de algum carácter já que nuns ficava literalmente sem voz e nos outros murmurava "golo..." Triste serviço e espero que as audiências o demonstrem.

domingo, setembro 23

Não sei se vá se fique


Parece estar cada vez mais claro que para o povo Português a honra e a honestidade conta pouco. Somos os primeiros a exigir castigo, tal qual numa arena romana, sobre os casos mais mediáticos e sobre as personalidades hertezianas. Somos os primeiros a escolher como salvador do futuro um ditador do passado mas quando, no dia a dia, podemos fazer o tal "bem" que muitos já ouviram, que muitos verborreiam em alturas de aperto para outros o que é que se faz? Olha-se para o lado e finge-se que "não é connosco". Esta é parte da matéria negra que perfaz o nosso código genético.

Os políticos ou os "projectos a" acenam com intenções límpidas, carregados qual mulas de carga de honestidade, tementes de Deus (aliás de todos eles para não deixar pontas soltas) durante as tournées pré-eleitorais mas quando as mesmas se findam o que temos, o que resta? Normais, vulgares, enganadores, dissimulados e ordinários portugueses que quais Brutus apunhalam a honestidade pelas costas ou à moda política "se esquecem ou não sabem que" tinham, tal como o Zé-povinho desprovido de cargo público, de exercer os seus deveres entre eles os fiscais.
Faz manchete em dois diários que: "Ex-ministros enriquecem com a política" e "Há 43 autarcas em risco de perderem os mandatos". Vamos ao primeiro - Fazem questão lá para os lados de São Bento, e ainda esta semana isso foi patente no debate da Assembleia da República a propósito das interpelações de Francisco Louçã ao "roadrunner", de afirmarem que não existe falta de clareza nas nomeações exercidas pela Governo para cargos de confiança política. Que interessa se o homem que decide o que as criancinhas comem nas escolinhas é da Nestlé!? "Antes da Nestlé do que da Secção de adubos da Bayer!" dirão muitos. Desculpem se sou algo intransigente mas este tipo de compadrios não me sabem bem nem quando os mesmos são patrocinados pela Nestlé. Já o aqui escrevi "à mulher de César não lhe basta ser séria" e se há coisa que ela nesta foto não lhe acontece é, sequer, parecer ser séria. E é nesta onda de compadrios que eu pego para "ler" a noticia de que a política enriquece.
Todos nós sabemos que os conhecimentos abrem portas, desempatam candidatos, quando não estão empatados empatam-nos e depois o empurrão democrático empurra-os para a dianteira a coberto das supostas "entrevistas" no processo de selecção. É a vergonha geral a qual a poder de uma qualquer passagem medíocre e fugaz por uma gabinete ministerial perpetua a tradição e a promiscuidade público/privado e semipúblico ou semiprivado (semidivino?) fazendo com que as habilitações não sejam obstáculo às mais variadas e incoerentes funções.
- "Então o meu amigo é Engenheiro de Minas?! Arranja-se já algo no Ministério das Pescas ou prefere outro? Justiça?" E depois cá fora quando o Sol ilumina os outros "meninos" e a sombra das minas promete ameaçar a existência do "boi" vai daí e surge um grande amigo na PT! Até daqui a quatro anos...
Quando lá as obrigações terrenas passam ao lado até do esquecimento - "Sabe o que a mim me esquece há minha secretária também não se lhe lembra. Mas o senhor nem tem secretária? Exacto!" E depois vêem com a posição de que "não sabia" e de que "desconhecia" ou de que "ninguém na assembleia me avisou? Juro pelo que é mais santinho!" Onde andará o direito há indignação? Suicidou-se? Entrou no programa de apoio às testemunhas? Será que foi apadrinhado também?
Parece pescadinha de rabo na boca - se estás dentro afina pela mesma música, se não estás... estivesses! Fala-se mal mas hipocritamente todos querem e se não der, esquece o nevoeiro "à moda" de Dom Sebastião. Mas muitos clamam antes alto e bom som "volta Salazar estás perdoado!"

quarta-feira, setembro 19

Em modo mais ligeiro


Nos últimos tempos não tenho, por motivos profissionais, sido tão assíduo como gostaria para com o blogue bem como para todos os que dispensam 2/3 minutos do seu dia para por aqui passar. Não posso prometer mudar nos tempos mais breves mas posso prometer que quando aqui vier serei "implacável e suficiente" :) Para me redimir deixo aqui uma curiosidade histórica ligeira.

Andamos nós a estudar tanto para, certo dia, vir a descobrir que tudo ou quase tudo foi decidido já há muito tempo e de um modo nada científico. A bitola dos caminhos-de-ferro (distância entre os 2 trilhos) dos EUA é de 4 pés e 8,5 polegadas mas... porquê este valor? (duvido que alguma vez se terão questionado sobre isto).
Porque era esta a bitola dos caminhos-de-ferro ingleses e como os caminhos-de-ferro americanos foram construídos pelos ingleses, esta foi a medida usada. E porque é que os ingleses usavam esta medida? (já se estarão a aperceber de que volta levará a história) Porque as empresas inglesas que construíam os vagões eram as mesmas que construíam as carroças antes dos caminhos-de-ferro e utilizaram as mesmas bitolas das carroças.
E porque era usada a medida (4 pés e 8,5 polegadas) para as carroças? Porque a distância entre as rodas das carroças deveria caber nas estradas antigas da Europa que tinham esta medida.
E por que tinham as estradas esta medida? Porque estas estradas foram abertas pelo antigo império romano aquando das suas conquistas, e estas medidas eram baseadas nos carros romanos puxados por 2 cavalos.
E porque é que as medidas dos carros romanos foram definidas assim? Porque foram feitas para acomodar 2 traseiros de cavalo!

E Finalmente... O vaivém espacial americano (sim o vaivém... já vão ver porquê), o Space Shuttle, utiliza 2 tanques de combustível (SRB - Solid Rocket Booster) que são fabricados pela Thiokol no Utah. Os engenheiros que projectaram estes tanques queriam fazê-lo mais largos, porém tinham a limitação dos túneis ferroviários por onde eles seriam transportados, que tinham as suas medidas baseadas na bitolada linha, que estava limitada ao tamanho das carroças inglesas que tinham a largura das estradas europeias da época do império Romano, que tinham a largura do "rearend" de 2 cavalos.

Conclusão: O exemplo mais avançado da engenharia mundial em design e tecnologia é baseado no tamanho do "fundo das costas" dos cavalos romanos. Interessante não é?