quarta-feira, abril 25

Porque é 25 de Abril

Certo dia um senhor com graça disse: "chapéus há muitos, seu palerma!" E tinha razão, uma razão universal. Há chapéus, chouriços, dias e, no que se refere a este artigo, tratados. Baptizados com o nome de Tratado de Lisboa há poucos, para falar verdade apenas um e é esse, até mais sobre o seu recente apêndice, que me levou a escrevinhar aqui umas coisas.
Porque o faço hoje, vinte e cinco de Abril, dia da Liberdade? Que melhor dia para o fazer!? Englobam, ou assim nos querem fazer crer, um conjunto de ideais e medidas que irão beneficiar o nosso european way of life, they say.
O Tratado de Lisboa, que as entidades europeias perceberam que era um balão cheio de ar (ou um sonho molhado de um famoso parisiense natural do Minho) foi recentemente alvo de uma demorada reformulação a poder dos poderes conjuntos dos dois maiores estados da UE. As (gravosas e quase... incompreensíveis) normas previstas em tal documento só foram alcançadas após uma espécie de "guerra de 100 dias monetária" que a Europa travou (e continua a travar) e que os dois países do poder mantiveram em lume brando provavelmente na expectativa de que o tempo os ajudasse na negociação... uma espécie de zaragata de pátio escolar onde anda tudo à bulha e quem pode acabar com a disputa pensa: "humm deixá-los estar, assim como assim todos irão perder sempre menos aqueles que estão fora, ou seja, nós." 
E assim foi. Grécia, Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Bélgica, pelo menos viram de modos diferentes é certo, os seus parlamentos abanarem ao sabor desta espécie de tempestade perfeita não criada mas sim patrocinada pelos motores europeus que em vez de travarem com uma mudança mas forte, tal como numa descida se faz num carro, não, deixaram o mesmo ganhar balanço quase em roda livre. Uma estratégia já vista com os EUA e as suas crises - quando há uma crise, onde irá acontecer uma guerra?
Assim a grande Alemanha e a petiz França, tentaram e conseguiram impingir o "Tratado sobre a Estabilidade, a Coordenação e a Governação na União Económica e Monetária" (lá se foi o sonho parisiense) aos "piquenos". Salvou-se a Inglaterra que, digamos... tem seres pensantes e, mais importante que tudo, não devedores, até dos chumbos dentários.
Bem tudo começou no dia que encontrei por acaso uma referência a um manifesto do Instituto Europeu da Faculdade de Direito de Lisboa relativamente à falta de servidão que o dito re-tratado tem para... todos nós e a Europa, como modelo e ideal histórico, em particular... Resumindo, o manifesto diz-nos que com a sua ratificação na Assembleia da República na passada semana deixa (e o mote é meu e não do manifesto) quem o leu a chorar por dentro e que a sua aplicação deixará todos a chorar para fora. 
Como em tudo há aqueles que dizem que é maravilhoso, outros que dizem o oposto. Não tendo eu lido o dito, fico-me pelas certezas. Vamos a duas mas interessantes: 
1.º É letra no referido documento que um país com uma dívida pública acima dos 60% do seu produto interno bruto, o denominado PIB (primo afastado do Tide...) deve anualmente proceder a correcções de mínimo 5% dessa mesma dívida até que a barreira seja de novo atingida. Bom, só com este ponto estaria aqui a escrever uma noite inteira...tentarei ser breve. Neste momento quem na Europa a vinte e sete tem dívida abaixo dos 60%? Sinceramente não sei mas daqueles que referi atrás creio, tenho quaaaaase a certeza que só a Alemanha e nem aí é certo. Preocupa-me a Alemanha? Sim, mas mais a Espanha e mais que tudo, Portugal. Portugal tem um endividamento acima de 100% do PIB, 110% dizem. Ora a 5% ao ano e considerando os tais 100% isso dá... lembrando Guterres...fazer as contas :) 8 anos. 8 anos a diminuir a dívida a 5% ao ano é um plano da Troika como o que vivemos por este período negociado só que num prazo muito mais curto. Ou seja um esforço...sobre-herculano uma vez que herculeano é o que vivemos.
O que este ponto condena é os povos mais endividados a uma pobreza sistemática. É, parece-me, um poço de onde não se vai conseguir sair ou um outro modo de decretar pobreza. Não irá haver crescimento e apenas aqueles que já têm alguma robustez poderão levantar cabeça, algo que na Europa não abunda. E por outro lado, onde ficam os apregoados valores europeus de, por exemplo, solidariedade? Foderam-se.
2.º Este ponto não deixa de ser igualmente importante. Recorro-me do texto "atribui ao Tribunal de Justiça de poderes de controlo quanto à consagração a nível constitucional ou equivalente do princípio do equilíbrio ou excedente orçamental estrutural e respectivos mecanismos de correcção automática, incluindo a sua vertente institucional". Voltem a ler. Muito bem. O referido Tribunal de Justiça não é o nosso de Contas, Supremo, Constitucional ou algum que se irá criar, não. Este é Europeu e terá a capacidade de controlar as contas dos países, isto é, os Orçamentos de Estado passam a estar sujeitos ao crivo de uma entidade externa ao nosso parlamento. Onde é que já vi isto? Salazar, és tu!? Aqui vamos parar. Quais são as bases de um estado independente? Ter um sistema político a funcionar, preferencialmente democrático, ter moeda, fronteiras próprias e definidas, lei fundamental ou soberana aka Constituição e um sistema político funcional. Ora olhando para Portugal já sabemos que deste conjunto de princípios basilares poucos ainda subsistem mas ainda assim e concretamente apenas não temos moeda própria. O resto que "não temos" resulta da nossa individual incompetência como cidadãos.
Este ponto retira a necessidade de partidos, no extremo, a necessidade de Assembleia da República porque a autonomia, qualquer que ela seja, foi desbaratada e caí por terra com base em princípios financeiros e económicos, que é a demanda única e descarada do tratado. Ora a Europa foi criada com que valores? Não interessa, porque esse paradigma está morto e foi enterrado com os seus fundadores, ou assim parece, na perspectiva de que este tratado seja realmente aplicado. Se não for e mesmo sendo parece que as elites europeias jogam ao monopólio europeu e brincam aos estados.
Como disse não posso escrever sobre tudo o que queria mas termino com o seguinte: Portugal foi o primeiro, repito, o primeiro país a ratificar este tratado no parlamento com os votos a favor do PSD, CDS e PS, ratificação essa, possível ou não, que tinha como data limite o mês de Novembro. Porquê tão cedo? Qual a razão para esta falta de ar ou velocidade da luz legislativa? Discussão pública? Zero e no parlamento deve ter acontecido na hora do almoço... Peço perdão mas, filhos da puta! E desdigo o dizer que afirma que as mães não têm culpa. Têm. Filho meu nunca deixaria de ter idade para apanhar uns tabefes certeiros e estes andam demasiado necessitados. E a comunicação social? Nada. Outros que parecem ser analfabetos. No meio das galas da TVI, das mariquices do Seguro no PS, nas eleições francesas, sobejamente mais importantes, e da crise em Bissau ninguém parou para ver se isto...era importante. E realmente não era, só era fundamental mas talvez esse já não seja um termo presente no acordo ortográfico. Acabo citando Vasco Lourenço, capitão de Abril, personalidade pela qual não me gera particular interesse mas cuja afirmação hoje é certeira e remata bem este longo artigo: "os eleitos já não representam a sociedade portuguesa". Pelo menos desde que me tornei ser pensante da coisa pública.   

terça-feira, abril 24

E de repente... esta trupe esteve toda junta.




Bem sei... vídeo manhoso de qualidade caseira mas... que grande som :) e grande "ajuntamento".

Porque o amanhã deu que falar

Roupas lúgubres, feições não alegres, os dias a passarem a um compasso mais lento sobre um ríspido olhar azul, na ordem negra e branca das conversas televisionadas, das notícias desconfiadas do que se passava além-mar, e não só, e que não se esqueciam ou perdiam mesmo com pobreza dos espíritos, dos regentes, da vida, dos costumes de então.
Não vivi esses tempos, nem sou um produto ou consequência da mudança para a democracia que a espada e a parede fizeram brotar. Sou talvez um filho de um estado mais livre, mais democrático, não de acordo com a esperança das pessoas que a abraçaram como o bote numa jangada sem rumo ou rubor dos tempos de então, tão democrático quanto caquético e pressinto cada vez mais finado, à imagem de um estado de Weimar onde a res pública impera sem dignos, e com consciência pesada o afirmo, res publicanos.
Passadas quase quatro décadas a vida estará melhor certamente mas não é pelo re-olhar a uma época de transversal pobreza que se afere a evolução de um povo. Afere-se pela grandeza genuína que reconhecemos nos outros e pela vontade ímpar de cultivar esses valores, jamais pela cópia, mas sim pelo caminhar de um caminho próprio de horizontes bem determinados, honestos, convictos, universais não em peregrinação como é este que se surge escuro, enfadonho, triste, sujo nas solas dos nossos sapatos.
Amanhã, vinte e cinco de Abril, será dia de comemoração geral sem que a razão impere. Não impera porque a realidade é nova e no entanto as preocupações encontram relação com as de então. Comemora-se um estado democrático que se perde, tal como a vida, a cada segundo que passa, a cada peito cheio de ar, em cada deliberação de norma fundamental revogada em virtude de necessidades transitórias, adaptações ou intensas variações.
Neste ano, tal como nos anteriores, encontro apenas reconforto na pessoa de Salgueiro Maia, da música de Paulo de Carvalho (bem sei que já escreveu outras mas... o "quis saber quem sou" é-me pungente) e em todos os que, bons ou maus, aqui ou além-mar, de armas ou pelas palavras, lutaram para que eu esteja aqui a escrever estas palavras num recôndito lugar em Portugal na completa discricionaridade que a minha educação, formação e moral me concedem.

quarta-feira, abril 18

Capitalist lesson 1:1


Isso e também que o capitalismo cria em nós uma necessidade para depois nos esmifrar tudo até ao dia que pensamos: "para que carago quero eu isto?"

PS: esse dia desaparece na proporcionalidade directa da passagem dos dias.

A verdade



Estive pela hora do jantar a ver uma notícia sobre as pessoas que, ainda eu estou a um terço de sono de ser arrancado do mesmo pelo despertador, já elas levam quase meio dia de vigília e com, pelo menos, um par de horas de trabalho ao corpo.
Como sempre estas coisas custam algo a ver, não pelo que me custa a encarar mas sim pela diferença que afastam as vidas entre si. Se uns às 6h da manhã já andam em bolandas, literalmente, como sardinhas em lata pelos transportes da capital eu ainda estou na cama a dormir quente e sossegado. Seria crível que pelo menos esses trabalhos e horários fossem de algum modo recompensados uma vez que aquela hora é própria do sossego horizontal. Mas não. Uma senhora comentava que ganhava 210 euros ao mês por 3h, deduzi, diárias.
Não estudou? Pois talvez ainda assim algo me diz que a sua vida não se compagina com a possibilidade de, num rasgo de raiva, o tentar fazer, se licenciar e com isso poder aspirar a outra remuneração e/ou a outros horários.
Uma outra senhora acordava a sua filha à 5h para que esta pudesse beneficiar da boleia que o pai dava à mãe, ainda que a escola só arrancasse passado mais de 3h. E esta senhora, que ainda tinha mais dois filhos, dizia que o que ganhava, perto do ordenado mínimo dava para pouco mais do que pagar a casa e que todas as despesas supervenientes ficavam a cargo do ordenado do marido... colector de ferro velho (nem sabia que ainda andavam por aí como os amola-tesouras) pela cidade de Lisboa. Estas vidas são...miseráveis mas o que mais me incomoda verdadeiramente é que em cada caso existia (não só mas este é evitável) um denominador comum: filhos. E é recorrentissimo pensar nestas ocasiões: Por que raio têm estas pessoas filhos!? Se já nem para elas o seu rendimento é possível, porque sujeitar, por exemplo, a pequena Raquel a acordar às 5h da manhã quando a escola só inicia às 8h30?
Juro que não entendo. Bem sei que a taxa de natalidade do país é ridícula e que também ela contribui em certa forma para o empobrecimento nacional mas assim também não me parece que ninguém ganhe. Terá que haver um dia em que realmente a escola seja o factor diferenciador na vida das pessoas, que lhe garanta a igualdade que a sociedade continua a não lhes dar e que seja a partir desses bancos da escola que se minimizem as clivagens que existem e que levam a que a Raquel, perto da hora do almoço não consiga prestar atenção ao professor porque a borracheira de sono é tal que nem a mais cavernosa chamada de atenção a possa trazer a convívio da turma. Está mal, porra, e nada muda porque os políticos são os e como são - não prestam. A imagem diz muito (a do tópico das maiores verdade que já li), todas elas e a sequência que a RTP passou hoje a reportagem de Domingo pela noite na SIC sobre abandono escolar universitário mostra que nada muda, a não ser para pior e é por isso que não encontro aqui, na imensidão do branco da página, sustentação possível para ainda escrever sobre as dores que vejo por aí nos olhos, peito ou mãos das pessoas que dão forte e feio e o amanhã é odioso como o ontem.

PS: Ontem a Ana Bola, no 5 para a meia noite, comentava que pela contas da segurança social, lhe cabia uma reforma de 400 euros. Não sei os seus descontos mas parece-me pouco e tal mais incrível como o que o estado continua a fazer ao sustentar a mama, por exemplo, de Mário Soares para quem parece que a pena na prisão durante o estado novo levou a uma dívida incomensurável e incompreensível deste povo para com singela e cada vez mais desprezível criatura. Hoje, já ias tarde.

Bateram, fui abrir... belissímo



Poema de Afonso Lopes Vieira

segunda-feira, março 12

Ensaio sobre a lucidez, presidencial



Depois de tantas intervenções estranhas, incoerentes no tempo, no modo e aos olhos da realidade, decidimos aqui na redacção do perpétuo procurar saber quem são os conselheiros do Presidente da República que a ajudam a encontrar tão rápido o modo como não se deve proceder com a língua. Bem sei que o Sr. Presidente faz a tarefa sem receber mas nem por isso se pode o que se quer (seja condição médica ou não... cavaco parece pouco lúcido) mas por vezes há bens que dados saem bem mais caros do que outros novos em folha e de marca reconhecida. Pois não se via ou vê ainda nada na prateleira para poder comprar mas...haja fé, a ministra disse que tinha fé que chovesse e choveu?

Teatro da adultez em quatro actos

Takes musicados


Estava aqui a pensar não sei bem o quê durante sinceramente não sei quanto tempo.. não temam não é velhice ou aneurisma.. estava a ver os noticiários e pronto, fiquei como um peixe dourado - absorto mas longe do que via dentro daquele "aquário". E depois veio-me à cabeça, e já que gosto de filmes e música, de fazer aqui uma espécie de histórico sobre as cenas musicais mais famosas da sétima arte. Vêem algumas ao imaginário e irei colocá-las aqui mas agradeço dicas :)

#1 - o Corvo - "The crow"

Teve como único acontecimento de somenos a morte prematura e "on set" do actor do papel protagronista Brandon Lee. Música chama-se inferno. Bom nome :)




# 2 - Quanto mais idiota melhor - "Wayne´s World"



O filme é algo... palerma mas tem uma cena que nunca se esquece quando este grupo de estranhos seres "desce à terra" pela mão e voz do Freddy em Bohemian Rapsody.


# 3 - "The Matrix"



Um filme que teve o poder de fazer ver uma realidade alternativa e que me agarrou de um modo muito particular. Todo o filme e banda sonora são imperdíveis (o mesmo já não posso dizer do resto da trilogia). Da sua banda sonora range forte e alto Clubbed to Death de Rob Dougan.

# 4 - Pulp Fiction



Um filme a ver se nunca foi visto. Tem cenas marcantes a cada cinco minutos e representa a confirmação de um director que já havia brindado a "madeira santa" com duas pérolas mais underground - Reservoir dogs e Jackie Brown. De banda sonora completa, ressalta este trecho ao som de urge Overkill num original do intemporal Neil Diamonds.

What if?



E afinal a solução ali tão perto! Pelo sim pelo não levo um jerrican e o telemóvel...

quarta-feira, março 7

Som que corre na margem da pele



Sim é uma música com alguns anos. Sim foi gravada num quase registo. Por isso digo, e sem mas, que o ter muitos anos só a torna especial, que as duas vozes a conseguem levar ainda mais alto e que o ter sido gravada neste registo rude só a torna mais presente, mais próxima à pele. Aconselho a comprarem o cd, que é uma pequena peça de arte, e o colocá-lo no sistema de som - enche o peito e as ideias. Pelo caminho a compra ajuda a ajudar a quem precisa de ajuda - neste momento são muitos - e também merece um apoio quem age pelo simples acto de não se conformar com o estado de sítio. Conformem-se no sofá mas façam-no a ouvi-lo.

segunda-feira, março 5

Pure elegance

Uns numa e os outros ainda noutra



Hoje ouvi dizer que existem pessoas cá do burgo que interrompem o subsídio de desemprego quando ficam de baixa médica. Bem sei que procurar trabalho nos dias de hoje é difícil e talvez se corram alguns riscos na procura mas a este ponto? "Ainda ontem estava na fila pra me candidatar ao trabalho de calceteiro quando nisto vazam-me uma vista com uma pedra da calçada! Assim não há condições meu amigo! Eu gosto do mundo da calcetaria mas assim não pode ser, assim vou fazer a minha vida para outro lado, para uma fábrica de algodão doce hã! Lá dizem que também atiram coisas sim senhor, porque a vida está deficele em todo lado mas não é pela costas e não atiram ao cabelo! Ali só custa quando é para tirar tanto doce do corpo e se a gente não se agacha e leva com ele na mona, o que na altura do carnaval até dá jeito parecemos gueixas! Não sabes o que é? São aquelas moças chinocas que têm os pés piqueninos. Sim é assim que se diz ou não sabias!? Que a Ferreira Leite foi ministra da educação e dizia assim... pois'é... não lês as gordas no teletexto..." voltando...
Houve quem me tentasse fazer perceber que nem tudo é "preto ou branco" mas... desempregado com baixa do subsídio?
Parece aqueles casos em que a lei é como o verbo, mais-que-perfeita.
(com hífens ou sem hífens? E hífen com acento ou sem acento? E já nem falo no "hagá"... E acento é fofinho ou duro) - Raios para o acordo ortográfico...

Ele há coisas que nem o tempo muda

quinta-feira, março 1

"Ahh parcero aí não lembro mais não"



Aposto que quando os alunos acham as aulas uma chatice... não pensavam aqui neste artista :)
In Cidade dos Homens

Em loop...


Para mim, uma das músicas mais bonitas.

At the Hedge... :)

segunda-feira, fevereiro 27

O danado ponto de vista


Paul Krugman veio a Portugal receber (podiam ter vendido... sempre se pagava qualquer coisinha) o doutoramento honoris causa não de uma, não de duas mas de três universidades nacionais. Bom... se até Durão Barroso já ganhou... Krugman como foi Nobel teria que o ser com a devida diferença.
Chegou, sentou e disse: Portugal deve baixar os salários 20 a 30% relativamente à Alemanha. Estou um pouco farto da Alemanha, não dos Alemães mas da Alemanha. Penso nas palavras de Krugman, que até gosto de ir lendo, e olho o meu recibo de vencimento, penso nas palavras de Krugman e reviro de novo os olhos ao recibo...s que o dia-a-dia me vai ofertando ao cabo de cada compra. Se o que Krugman diz é verdade então por exemplo o café, a bica, o cimbalino tem que voltar a custar 50 escudos ou vinte e cinco cêntimos. Eu não bebo café mas meço por aí, no preço dos bens que desde que chegou o euro subiram como se não houvesse amanhã e, tal como já referi aqui noutro tempo, o governo nada fez. Parece que o impacto do valor dos bens na carteira é residual mas não se vê o mesmo relativamente aos salários. E os níveis de poupança, inclusive o meu, está ao nível da erecção de um octogenário sem químicos.
Krugman tem o peso de ter previsto o que ao tempo era imprevisível e granjeou uma aura de guru e é isso mesmo que a economia me suscita. Ando com imensa vontade de ir assistir a uma aula de economia numa universidade nacional para perceber até que ponto o senhor que está no palanque é familiar do zandinga. Parece-me que se navega, no meio económico e por arrasto nos Governos em crise, não à vista mas na perfeita escuridão e no meio dela os outros que navegam na costa dizem (por... telemóveis :) )
"Olha acelera nisso!"
replica o outro: "Não posso o barco tem muito lastro!"
"Deita coisas fora"
"O quê, só trago tripulação!"
"Eh pá... pois... olha vai deitando, entrega-lhes uma tábua mas não deites nenhum nobre que talvez assim ninguém dê por falta de..."
É assim. Faz-se governação às escuras baseando a mesma em previsões dos arautos nacionais, ou não, da economia que cada vez se assemelha mais a uma esquizofrénica pseudociência ao puro estilo kafkiano. Como é que uma disciplina desta importância se esvazia e perde lógica às mãos de mercados de capitais cuja única lógica é sobejamente conhecida. Qual será a lógica por detrás disto? Não tarda, qual será a reacção lógica?

Para refrescar a mona angela



Pensavas que não te acontecia nada. Que brincavas com a gente e que não levavas troco. Nós somos diferentes dos gregos que se dão porrada entre eles. Nós atacamos onde mais dói. A gente sabe o tempo que essa permanente leva todos os dias! Ahh pois é! Primeiro ataque: António, Tó para os amigos, o tuga escolhido para o ataque cirúrgico com uma bandeja de Sagres (aproveitamos e fazemos publicidade das nossas cervejas em terras Bávaras). Reparem nos pormenores: sem pêlo facial, botão da camisa até ao cimo para disfarçar a macheza ibérica, óculos para passar um ar intelectualogermânico, cabelo à escovinha e abanos à moda bávara (que aqui a gente não usa as orelhas para tapar do frio porque está bom tempo!)
Ora toma lá um banhinho que é para refrescares a mona! Pensamos em sapatos mas está muito visto além de que a indústria nacional do calçado não precisa de um arremesso publicitário. O próximo está a ser urdido... naprons ou a bela faiança das caldas... ainda não foi decidido. Vais ver como elas mordem (sejam cães de loiça ou não).

Ao cuidado de: Álvaro



Ao abrigo de "quando um sábio aponta para a Lua, o parvo olha para o dedo" deixo aqui uma dica, não foi a primeira nem será seguramente a última, para a nossa exportação, à laia do dedo esticado para o "pastel" de Álvaro. Bem sei que é cultura... pois, essa putrefacta semente que alimenta uma parte cada vez mais exígua do espírito do Homem (maldita sejas ó resquício pensante que interfere com a nossa passividade e colhe a produtividade em massas), mas talvez seja de considerar. É que acredito que nós aqui no extremo oriente lusitano, ups perdão (ainda bem que este não é, e eu por extensão, um meio informativo do estado senão era maso-insana e incessantemente sanado e não por esta ordem) extremo oriente euro-asiático-angolano não daremos por falta dela
- entre as horas de trabalho, a supressão de férias, feriados, os bancos de horas e demais disposições do acordo da concertação entre patrões, governo e um senhor gordinho e meio carecas de óculos genro do sempre em pé -
mas os senhores do nosso dinheiro, do corpo em vida ou não e do destino terão com que se entreter enquanto contam os dividendos das nossas privatizações e dos juros dos empréstimos forçados. Para eles a cultura ainda faz sentido e que melhor que comer um pastel de belém acompanhado de um sumol e ouvir esta rapaziada num jardim do CCB nas margens do rio Spree (sim... também desmontaremos o CCB que irá passar-se a chamar CCB... - Centro Cultural de Berlim - sendo este reedificado numa das margens do rio Spree com vista para a Porta de Brandemburgo).
E esta música até pode servir de slogan do Governo. A palavra Hang tem múltiplas leituras: como aguentem-se (hang on), como saiam (hang out) ou para o falecimento propositado induzido (hang yourselfe).