segunda-feira, março 12

Ensaio sobre a lucidez, presidencial



Depois de tantas intervenções estranhas, incoerentes no tempo, no modo e aos olhos da realidade, decidimos aqui na redacção do perpétuo procurar saber quem são os conselheiros do Presidente da República que a ajudam a encontrar tão rápido o modo como não se deve proceder com a língua. Bem sei que o Sr. Presidente faz a tarefa sem receber mas nem por isso se pode o que se quer (seja condição médica ou não... cavaco parece pouco lúcido) mas por vezes há bens que dados saem bem mais caros do que outros novos em folha e de marca reconhecida. Pois não se via ou vê ainda nada na prateleira para poder comprar mas...haja fé, a ministra disse que tinha fé que chovesse e choveu?

Teatro da adultez em quatro actos

Takes musicados


Estava aqui a pensar não sei bem o quê durante sinceramente não sei quanto tempo.. não temam não é velhice ou aneurisma.. estava a ver os noticiários e pronto, fiquei como um peixe dourado - absorto mas longe do que via dentro daquele "aquário". E depois veio-me à cabeça, e já que gosto de filmes e música, de fazer aqui uma espécie de histórico sobre as cenas musicais mais famosas da sétima arte. Vêem algumas ao imaginário e irei colocá-las aqui mas agradeço dicas :)

#1 - o Corvo - "The crow"

Teve como único acontecimento de somenos a morte prematura e "on set" do actor do papel protagronista Brandon Lee. Música chama-se inferno. Bom nome :)




# 2 - Quanto mais idiota melhor - "Wayne´s World"



O filme é algo... palerma mas tem uma cena que nunca se esquece quando este grupo de estranhos seres "desce à terra" pela mão e voz do Freddy em Bohemian Rapsody.


# 3 - "The Matrix"



Um filme que teve o poder de fazer ver uma realidade alternativa e que me agarrou de um modo muito particular. Todo o filme e banda sonora são imperdíveis (o mesmo já não posso dizer do resto da trilogia). Da sua banda sonora range forte e alto Clubbed to Death de Rob Dougan.

# 4 - Pulp Fiction



Um filme a ver se nunca foi visto. Tem cenas marcantes a cada cinco minutos e representa a confirmação de um director que já havia brindado a "madeira santa" com duas pérolas mais underground - Reservoir dogs e Jackie Brown. De banda sonora completa, ressalta este trecho ao som de urge Overkill num original do intemporal Neil Diamonds.

What if?



E afinal a solução ali tão perto! Pelo sim pelo não levo um jerrican e o telemóvel...

quarta-feira, março 7

Som que corre na margem da pele



Sim é uma música com alguns anos. Sim foi gravada num quase registo. Por isso digo, e sem mas, que o ter muitos anos só a torna especial, que as duas vozes a conseguem levar ainda mais alto e que o ter sido gravada neste registo rude só a torna mais presente, mais próxima à pele. Aconselho a comprarem o cd, que é uma pequena peça de arte, e o colocá-lo no sistema de som - enche o peito e as ideias. Pelo caminho a compra ajuda a ajudar a quem precisa de ajuda - neste momento são muitos - e também merece um apoio quem age pelo simples acto de não se conformar com o estado de sítio. Conformem-se no sofá mas façam-no a ouvi-lo.

segunda-feira, março 5

Pure elegance

Uns numa e os outros ainda noutra



Hoje ouvi dizer que existem pessoas cá do burgo que interrompem o subsídio de desemprego quando ficam de baixa médica. Bem sei que procurar trabalho nos dias de hoje é difícil e talvez se corram alguns riscos na procura mas a este ponto? "Ainda ontem estava na fila pra me candidatar ao trabalho de calceteiro quando nisto vazam-me uma vista com uma pedra da calçada! Assim não há condições meu amigo! Eu gosto do mundo da calcetaria mas assim não pode ser, assim vou fazer a minha vida para outro lado, para uma fábrica de algodão doce hã! Lá dizem que também atiram coisas sim senhor, porque a vida está deficele em todo lado mas não é pela costas e não atiram ao cabelo! Ali só custa quando é para tirar tanto doce do corpo e se a gente não se agacha e leva com ele na mona, o que na altura do carnaval até dá jeito parecemos gueixas! Não sabes o que é? São aquelas moças chinocas que têm os pés piqueninos. Sim é assim que se diz ou não sabias!? Que a Ferreira Leite foi ministra da educação e dizia assim... pois'é... não lês as gordas no teletexto..." voltando...
Houve quem me tentasse fazer perceber que nem tudo é "preto ou branco" mas... desempregado com baixa do subsídio?
Parece aqueles casos em que a lei é como o verbo, mais-que-perfeita.
(com hífens ou sem hífens? E hífen com acento ou sem acento? E já nem falo no "hagá"... E acento é fofinho ou duro) - Raios para o acordo ortográfico...

Ele há coisas que nem o tempo muda

quinta-feira, março 1

"Ahh parcero aí não lembro mais não"



Aposto que quando os alunos acham as aulas uma chatice... não pensavam aqui neste artista :)
In Cidade dos Homens

Em loop...


Para mim, uma das músicas mais bonitas.

At the Hedge... :)

segunda-feira, fevereiro 27

O danado ponto de vista


Paul Krugman veio a Portugal receber (podiam ter vendido... sempre se pagava qualquer coisinha) o doutoramento honoris causa não de uma, não de duas mas de três universidades nacionais. Bom... se até Durão Barroso já ganhou... Krugman como foi Nobel teria que o ser com a devida diferença.
Chegou, sentou e disse: Portugal deve baixar os salários 20 a 30% relativamente à Alemanha. Estou um pouco farto da Alemanha, não dos Alemães mas da Alemanha. Penso nas palavras de Krugman, que até gosto de ir lendo, e olho o meu recibo de vencimento, penso nas palavras de Krugman e reviro de novo os olhos ao recibo...s que o dia-a-dia me vai ofertando ao cabo de cada compra. Se o que Krugman diz é verdade então por exemplo o café, a bica, o cimbalino tem que voltar a custar 50 escudos ou vinte e cinco cêntimos. Eu não bebo café mas meço por aí, no preço dos bens que desde que chegou o euro subiram como se não houvesse amanhã e, tal como já referi aqui noutro tempo, o governo nada fez. Parece que o impacto do valor dos bens na carteira é residual mas não se vê o mesmo relativamente aos salários. E os níveis de poupança, inclusive o meu, está ao nível da erecção de um octogenário sem químicos.
Krugman tem o peso de ter previsto o que ao tempo era imprevisível e granjeou uma aura de guru e é isso mesmo que a economia me suscita. Ando com imensa vontade de ir assistir a uma aula de economia numa universidade nacional para perceber até que ponto o senhor que está no palanque é familiar do zandinga. Parece-me que se navega, no meio económico e por arrasto nos Governos em crise, não à vista mas na perfeita escuridão e no meio dela os outros que navegam na costa dizem (por... telemóveis :) )
"Olha acelera nisso!"
replica o outro: "Não posso o barco tem muito lastro!"
"Deita coisas fora"
"O quê, só trago tripulação!"
"Eh pá... pois... olha vai deitando, entrega-lhes uma tábua mas não deites nenhum nobre que talvez assim ninguém dê por falta de..."
É assim. Faz-se governação às escuras baseando a mesma em previsões dos arautos nacionais, ou não, da economia que cada vez se assemelha mais a uma esquizofrénica pseudociência ao puro estilo kafkiano. Como é que uma disciplina desta importância se esvazia e perde lógica às mãos de mercados de capitais cuja única lógica é sobejamente conhecida. Qual será a lógica por detrás disto? Não tarda, qual será a reacção lógica?

Para refrescar a mona angela



Pensavas que não te acontecia nada. Que brincavas com a gente e que não levavas troco. Nós somos diferentes dos gregos que se dão porrada entre eles. Nós atacamos onde mais dói. A gente sabe o tempo que essa permanente leva todos os dias! Ahh pois é! Primeiro ataque: António, Tó para os amigos, o tuga escolhido para o ataque cirúrgico com uma bandeja de Sagres (aproveitamos e fazemos publicidade das nossas cervejas em terras Bávaras). Reparem nos pormenores: sem pêlo facial, botão da camisa até ao cimo para disfarçar a macheza ibérica, óculos para passar um ar intelectualogermânico, cabelo à escovinha e abanos à moda bávara (que aqui a gente não usa as orelhas para tapar do frio porque está bom tempo!)
Ora toma lá um banhinho que é para refrescares a mona! Pensamos em sapatos mas está muito visto além de que a indústria nacional do calçado não precisa de um arremesso publicitário. O próximo está a ser urdido... naprons ou a bela faiança das caldas... ainda não foi decidido. Vais ver como elas mordem (sejam cães de loiça ou não).

Ao cuidado de: Álvaro



Ao abrigo de "quando um sábio aponta para a Lua, o parvo olha para o dedo" deixo aqui uma dica, não foi a primeira nem será seguramente a última, para a nossa exportação, à laia do dedo esticado para o "pastel" de Álvaro. Bem sei que é cultura... pois, essa putrefacta semente que alimenta uma parte cada vez mais exígua do espírito do Homem (maldita sejas ó resquício pensante que interfere com a nossa passividade e colhe a produtividade em massas), mas talvez seja de considerar. É que acredito que nós aqui no extremo oriente lusitano, ups perdão (ainda bem que este não é, e eu por extensão, um meio informativo do estado senão era maso-insana e incessantemente sanado e não por esta ordem) extremo oriente euro-asiático-angolano não daremos por falta dela
- entre as horas de trabalho, a supressão de férias, feriados, os bancos de horas e demais disposições do acordo da concertação entre patrões, governo e um senhor gordinho e meio carecas de óculos genro do sempre em pé -
mas os senhores do nosso dinheiro, do corpo em vida ou não e do destino terão com que se entreter enquanto contam os dividendos das nossas privatizações e dos juros dos empréstimos forçados. Para eles a cultura ainda faz sentido e que melhor que comer um pastel de belém acompanhado de um sumol e ouvir esta rapaziada num jardim do CCB nas margens do rio Spree (sim... também desmontaremos o CCB que irá passar-se a chamar CCB... - Centro Cultural de Berlim - sendo este reedificado numa das margens do rio Spree com vista para a Porta de Brandemburgo).
E esta música até pode servir de slogan do Governo. A palavra Hang tem múltiplas leituras: como aguentem-se (hang on), como saiam (hang out) ou para o falecimento propositado induzido (hang yourselfe).

quinta-feira, fevereiro 23

Fez notícia há vinte e cinco anos atrás



José Afonso desapareceu, prematuramente, num dia como o de hoje há vinte e cinco anos. Foi um dos poucos cantores que sempre associei ao meu pai. Se tocava ele fazia questão de o sublinhar. Certa noite não houve outro programa de televisão que servisse de álibi para que o meu pai deixasse que o burgo lá de casa trocasse o concerto de Zeca que iria dar no Coliseu. Já na altura se sabia que este se encontrava doente e esse seria provavelmente o seu último, e creio que assim foi.
Como todos os grandes deu-lhe para falecer muito antes do tempo mas ao contrário de Pessoa que deixou um espólio muito maior do que o público conhecia, de Zeca não sobrou nada mais do que o silêncio ao ouvi-lo nas trovas conhecidas, do uníssono fielmente entoado quando as pessoas saem à rua neste tempos de despropósito democrático e de reconhecermos nele um dos estandartes de uma parte recente da história nacional que se fez de Homens com valores maiores do que a própria vida. Que a memória não morra. Relembro uma história já aqui postada.

José Afonso era um professor que se apresentava sempre com grande simplicidade, não usava fato e gravata, e granjeou a simpatia de muitos alunos, antes de ser expulso do antigo Liceu de Setúbal, em 1968.
A descrição é da advogada Alice Brito, uma antiga aluna de José Afonso, o poeta e cantor de Grândola Vila Morena, canção que, anos mais tarde, viria a ser utilizada pelos militares como senha da Revolução de Abril de 1974. "O José Afonso era um professor de História que contava muitas histórias. Lembro-me da análise que ele fazia dos manuais de História da época, que eram coisas intragáveis".
"Dizia-nos que se alguém gostasse daqueles manuais, provavelmente também gostava de palha", acrescentou, reconhecendo que o facto de ter sido aluna do "Zeca", acabou por marcar o seu percurso de vida. A antiga aluna de José Afonso recorda que, a dada altura, se soube entre as alunas - havia turmas separadas de rapazes e de raparigas - que aquele professor cantava, era cantor e que até tinha discos gravados. "Aquela ambiência quase mágica que as aulas já tinham foi ainda reforçada, porque ter um disco hoje não tem o impacto que tinha na altura", disse Alice Brito, recordando que também chegou a andar com um livro do José Afonso escondido, por dentro da bata, porque não podia ser mostrado no liceu. Além da História que fazia parte do programa curricular, José Afonso contava outras histórias nas salas de aula, algumas das quais ainda hoje permanecem na memória dos alunos, como foi o caso de um estranho encontro de Zeca Afonso com um pescador num imenso areal.
"Distraído, como sempre, José Afonso foi embater num pescador, que estava no areal remendar as redes", contou Alice Brito, adiantando que nunca mais se esqueceu da resposta dada pelo pescador: "e o mar é tão grande". Alice Brito, que define José Afonso como "um poeta inato, em que a poesia ia desde o motivo escolhido para a história até à forma como a apresentava, garantiu que na altura já se sentia que aquele professor não gostava do antigo regime e que foi por isso que o expulsaram do ensino oficial. "Ainda hoje não sei como é que foi feita a denúncia e como surgiu o problema, mas lembro-me que houve uma revolta sincera, sentida e dorida, de muitos alunos". "Claro que na altura as revoltas eram muito contidas, entre criaturas muito jovens, ainda adolescentes. Mas lembro-me dos cochichos, de se falar disto no recreio e mesmo fora do liceu". Olhando o passado, Alice Brito, garantiu à Lusa que tem "muito orgulho por ter sido aluna de José Afonso". In Expresso

terça-feira, fevereiro 21

O querer separar de águas


Ao abrigo do carnaval decidi ir confirmar se na capital estava instalado o bulício da praxe. Enganei-me. Lisboa no domingo pela noite até pareceu terra sem rei nem roque. Não se via ninguém o que serviu para treinar o pouco estofo das minhas capacidades de orientação na metrópole. E porque falo nisto?
Porque acabei de ler uma notícia da metrópole que…diz assim:
“O Conselho de Administração da Assembleia da República manifestou-se, mais uma vez, contra a introdução da água da torneira nas reuniões parlamentares, argumentando que o seu custo é quase 30 vezes superior ao da água engarrafada (…) Num documento enviado aos deputados, o Conselho de Administração do Parlamento sustenta que a água engarrafada servida nas reuniões da comissão custa 259,20 euros por mês. Para a água da torneira, o valor a que se chegou foi muito maior. O cálculo incluiu os custos de pessoal “para o enchimento, limpeza, colocação e arrumo dos vasilhames” e chegou à cifra de 2730 euros – cerca de dez vezes o valor para a água mineral. O Conselho de Administração também considerou o custo dos jarros em si, avaliados em 4680 euros – o equivalente a 18 meses de água mineral.” In Público.
Diversas considerações rasgam-me a cabeça. Os valores envolvidos neste estudo, as minhas reuniões e os acessos de sede que sofro nas mesmas e as diferenças que parecem existir entre pessoas que são semelhantes, única exclusivamente, trabalham em locais diferentes – um numa escola do interior esquecido e os outros na casa da democracia. Vou-me às considerações: quando eu tenho uma reunião, e tenho sempre mais do que aquelas que eu gostaria e acho úteis, tenho que prever se vou ter sede. Quando isso acontece faço assim: abro a carteira, retiro uma moeda e compro uma garrafa à medida da sede que previ ter. Pergunto porque isso não sucede a esta gente? Porque terei eu que pagar pela minha água e eles não?
Segunda consideração: Porque terão que ser estas pessoas melhores que nós? Pergunto-me sinceramente… Ora vejamos: ganham mais do que eu, têm acesso a mais variedade de tudo, têm mais férias e regalias mas porquê? Será que o trabalho feito tem justificado esta disparidade? Creio ser importante rever séria e profundamente estas espécies de direitos adquiridos. Terceira e última consideração: os valores inscritos. O valor de água gasto em cada comissão é digno de profunda meditação principalmente quando pensamos no número e nas grandes decisões que se devem tomar nestas comissões pífias. O cálculo realizado sugere…um putativo ajusto directo ao sobrinho de alguém. Pego só na questão do custo dos jarros. 4680 euros em jarros para água. Eu não sei quanto custa um jarro mas crendo que um jarro de 3 euros será mais que digno para estes senhores (deveriam beber de um bebedouro de cavalos ao estilo farwest) os mesmos 4680 euros dariam para 1560 jarros! Sabendo que existem 230 deputados nas cavalariças o valor obtido daria para, aproximadamente, 7 jarros de água por deputado. Ora bem, sabendo que às segundas só trabalham no período da tarde e que às quintas é normal encontrar reputados deputados nos alfas a caminho do norte, os sete jarros seriam excessivos. A questão não é, que raio de contas são estas mas sim como é possível que ainda estejam estes idiotas a disparatar a torto e a direito com os meus, os teus, os nossos dinheiros!?
Repuxando de novo o tema equino para aqui…de nada serve ver os dentes destes senhores em vésperas de eleições se posteriormente não lhes pudermos espetar as esporas no lombo para lhes endireitarmos o trote.

domingo, fevereiro 19

...and counting



12418 | 298032 | 17881920 | 1072915200..1..2..3..4..5..6..7..8..9.. and counting...

terça-feira, fevereiro 14

Do dia também, mas de ontem



Já está a levantar fervura :) o maior este Homem! Boa data para comemorar. De um ouvinte diário.

Do dia

domingo, fevereiro 12

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Depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, depende, mil vezes... depende, pelo menos para mim. O tempo não chega.