sexta-feira, março 11

E fez-se "clique"



Depois de encontrar este cartoon no magnífico Inimigo Público, não resisti. Junto aqui a letra de uma música que muito aprecio (daquelas de cantar a pleno pulmão) e que se apropria. Dedico-a a todos os bravos que amanhã não se irão calar, mais uma vez.

Mares convulsos, ressacas estranhas
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
Aa vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas

Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Nada me diz

Berras às bestas
Que te sufocam
Em braços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor

Remar remar
Força a corrente
Ao mar, ao mar
Que mata a gente

quinta-feira, março 10

O derradeiro viajante



No total foram mais de 238 milhões de quilómetros, 39 missões bem sucedidas, 5830 órbitas à Terra ao longo dos 27 anos que esteve ao serviço. Resume-se rápido a vida deste aparelho que acompanha a minha geração, desde que somos gente. Com alguma relutância lá foi de novo, pela última vez, ao sítio onde poucos podem passear e voltou, como sempre, sem fazer notícia, a não ser num rodapé "viagem bem sucedida". O fiel transporte espacial vai agora ensinar para os museus depois de ter ensinado, ou de ter tornado mais acessível, o nosso Universo. Escolher "a" foto do vaivém Discovery é uma tarefa difícil por isso deixo esta, com umas boas toneladas de hidrogénio por segundo a provocarem um tal calor que a água em redor da zona de lançamento mudava de estado e a originarem, simultaneamente, 30800000 newtons de força que permitiam elevar, do velho mundo, este descobridor e fazedor de novos horizontes. Já não vais ser tu a levar-me a beber uma minha mini à Lua. Tu é que perdes :). Até qualquer dia destes, quando a vontade me fizer passar o charco para te ir cumprimentar.

Ouvindo com atenção


Ontem foi a tomada de posse de Aníbal Cavaco Silva o que é o mesmo que dizer Cavaco versão 2.0 ou upgrade da versão obsoleta. Apanhou-me o início da festa ainda em casa mas o discurso trouxe-o comigo durante a viagem, para ajudar ou atrapalhar a digestão do peixinho do almoço. E depois vieram as considerações dos convivas que, consoante a cor ou a simpatia pelo recauchutado presidente, foram cegamente abonatórias ou tresloucadamente terríveis. Não vou pegar nelas a não ser que as palavras ganhem forma própria sem o meu consentimento. Sejamos pragmáticos, o que Cavaco Silva disse foge da realidade? Não, por muito que isso seja duro de ouvir. Pior seria se fossemos libaneses. Fez uma análise completa? Pooois… aqui é que a burra se montou. Foi um diagnóstico exaustivo, de quem parecia andar a ressacar de não dar aulas, mas este pecou por não ser completo. Fez bem em fazer a análise da última década, na qual persiste a sua quota de responsabilidade não governativa mas cooperativa, mas faltou indicar que, apesar dos pesares, Portugal estava deitado na praia confortável com o seu crescimento vagaroso, com a população no enésimo “apertar de cinto”, quando alguém decidiu rebentar um dique lá longe e de descanso ao sol passamos a ter a água pelo pescoço.
Teria igualmente sido mais honesto não esquecer o tempo em que o mesmo foi primeiro-ministro e a despesa disparou para níveis que hoje estão a tentar corrigir-se. Quem veio a seguir também não fechou a porta, é verdade mas a sua assinatura está lá. Chegamos ao ponto de sempre, a culpa morrerá solteira porque os pais da criança são tantos que não existe modo científico, e fidedigno, de encontrar quem se responsabilize por ela. Não há modo científico nem vontade diga-se. E agora? Bem é olhar em frente e tratar de, como povo, não refazer os mesmos erros de sempre. Pooois… e é aqui que Cavaco Silva decide incitar a juventude a sair à rua e como se isso não fosse preocupante, fez esse incitamento a três dias de uma manifestação que, na sua génese me é querida mas que já se encontra cheia de vectores perniciosos, leia-se, partidos e coisas afins. Estava decidido a ir, já não vou. Perguntava-me, após este seu dislate: quais são as motivações que o levam a fazer tamanho apelo. Só me ocorrem dois, um honesto e outro nem tanto. O bom, prende-se com o mais que patente afastamento dos jovens da política. Assim Cavaco Silva pede aos jovens, a nós, que desçamos do burro e subamos ao cavalo político no sentido de amansar este bicho nobre mas que anda com maus modos. Era o bom, não acredito.
Para mim, e como sou pessimista, o mau é o real, Cavaco Silva quer fazer dos jovens o corte da ponte 25 de Abril que o deitou abaixo do tal cavalo. Ele não irá dissolver a Assembleia da República sem álibi mas, como o deseja, que melhor do que não o fazer, fazendo-o num drama entre a espada e a parede. Sócrates merece-o? Não merecia sequer ter ganho as eleições, mas não merecia ele nem ninguém – a “belgificação” de Portugal. A Bélgica detém o recorde do país com mais tempo sem governo, a revolução da “batata frita” e andam todos contentes, enquanto a riqueza permitir… E nós? A manifestação de sábado poderá significar muito ou mais do mesmo. Seria útil que o Governo caísse agora? Só o Deus de alguém é que sabe. Não estamos à beira do abismo, isso era bom, quereria dizer que tínhamos saída, para trás. Surge-me mais a ideia de estarmos ilha onde a maré sobe e esta encolhe, encolhe, encolhe e o chão vai desaparecendo. Saída? Sim mas sem saber nadar ou voar, sem grande vontade para aprender e sem ninguém para ensinar mais, tudo se torna mais complicado. Qual será a melhor opção? Sinceramente não sei mas que isto vai ficar para a história, vai e nós estamos cá para ver, de camarote.

quarta-feira, março 2

Andava a escapar-me...



Nota mental: Não sei quem inventou o raio do playback. Esta andava-me fugidia...

Nova curta



shit happen's (especially when you want)

terça-feira, março 1

Efectivamente... mais um dia



Hoje o dia teve tanto de simples como de inerte e, despejado no meu "T", acabou por brilhar algo que vai ganhando o espaço no capítulo gostoso dos hábitos: doc's da rtp2 às 21h. Já não vislumbro o tempo onde o ressacar dos canais do cabo dominavam o final do dia. Depois da "faina" lá compunha o meu dia um pouco do how it's made, dos outros programas vários do discovery, da sic notícias ou da rtpn até que a época da NBA se iniciava e aí era até que o sol cumprimentasse, efectivamente, ao som dos passarinhos madrugadores a minhas janelas descobertas, as do quarto e do "mundo". E claro, estava em plena silly season. Efectivamente o tempo dava para tudo até para encher os pulmões. Devemos ter gosto naquilo que fazemos e esse gosto sente-se, vive-se mas não pode secar aos poucos o terreno em redor. A escola, e todas as profissões hoje em dia, transformam pinheirinho alegres e com vitalidade em eucaliptos que tudo secam. Continuo, e cada vez com mais fervor, a pensar que este estilo de vida torna-se doentio e mata o veículo. De que serve o cultivo intensivo se não se cuida do próprio terreno. Indivíduos A & B: A -"hmmm tanto milho e tão bonito! Vakos cultivar mais!!" B - "O campo não dá mais, temos que repensar!" A - Não penses nisso, temos tanto milho!" Modern way of (stupid) life. Até o campo secar... som na caixa que esta droga não dispenso.

sábado, fevereiro 19

Hoje escolho eu :)



Em vez da música de sempre, prefiro esta.

No comments



Para um pequeno grupo de pessoas, o dia de hoje já foi notícia. E depois nunca mais nada terá sido o mesmo.

segunda-feira, fevereiro 14

Hino geracional?

Fica o vídeo de algo mais que uma música, de um modo de vida que se estende em demasia a tanta e tanta gente deste país. Ajuizados o que largam a jangada de pedra e, no escurinho, confiam em si e procuram onde o saber não estorva e é bem recebido.

A "falar" é que tudo se entende

Fui desafiado mas... acabei por não ir abroad. Bem sei que existem reservas no contacto com as pessoas na "sua majestade" mas pensei em vocês e, para além das dicas que já vos fui dando, deixo este vídeo para...se as coisas não correrem como é esperado. Se correr mesmo mal apitem que eu vou ao ilhéu buscar-vos.

sábado, fevereiro 12

Power to the people



Umas linhas para salientar que é possível haver mudanças sem violência (alguma houve), sem guerras só como o poder da massa humana tal como Ganhdi defendia. E assim se fez história e vida, porque a vida é repleta de mudança.

Tiro no pé... esquerdo



Sou seguidor dos debates políticos e tenho alguma pena de não poder assistir aos debates quinzenais. É curioso, dispõe bem, não sendo uma coisa muitas vezes esperta. Mas acaba por ser o melhor wrestling à portuguesa. No último debate o BE optou ir mais longe do que os outros partidos que, em catadupa, após a eleição do PR se dividiram em conferências de imprensa, ou artigos, em que definiam o tamanho do seu nervosismo. O BE, num momento que defino como uma erecção involutária, fez o que alguém ainda não tinha feito, definir uma data. Mas datas servem para antecipar momentos bons como casamentos, a final do campeonato do mundo de ping-pong, mas para derrubar governos...? "Ahh malandro! Amanhã com toda a minha força e pujança virei vingativo, armado de ira em velocidade supersónica, escoltado por anjos e demónios dar-te tamanha fezada no cimo do teu melão que te reduzirei a pó deitado!" Não se prometem estas coisas, fazem-se e pronto. É-se homenzinho, ponderado, medem-se os prós e contras e, em função da situação, toma-se a devida atitude, agora este momento "Pedro e o Lobo" ou "agarrem-me que eu vou-me a ele" foi muito mau... Até os portugueses, no meio de tanta negridão, têm dado maiores sinais de inteligência ou força de estômago. Recebem sempre o primeiro-ministro com sorriso. Não sei o que tomam mas que é rijo, é. Eu não tenho tamanho estômago.

"ueber alles"


Penso nisto a miúde quando o assunto económico vem à berlinda e encontro-me sempre com a mesma resposta. O problema português assenta na incapacidade de produzir e vender para o exterior o necessário para que a mão cega, justa e isenta do estado possa colher o sumarento fruto fiscal e, com isso, cobrir tantas e tantas necessidades da nossa economia e sociedade. Um estado auto-suficiente é-o em muitos sentidos e este será, certamente, um dos seus alicerces. Como se convida para investir e deixar os recursos no país? Pois não sei, não sou da área mas acredito que os incentivos no pagamento de taxas fiscais atractivas (sim eu sei, mas não me estou a contradizer isto porque um é melhor do que zero) principalmente no que toca a empresas de dimensão elevada em criatividade, inovação e tecnologia bem como na simplificação, não confundir com balbúrdia, fiscal, na justiça (precavendo os direitos legais de trabalhador e empregador em curto tempo) seria decisivo para que tal acontecesse.
Porque sou da opinião de que os trabalhadores portugueses são excelentes, mas só quando o empregador é do norte europeu ou japonês. O patrão português é limitado, pelo menos, o da anterior geração. Aos trabalhadores sempre se lhes exige experiência, formação superior, ser adolescente porque para além de trinta anos a vida parece acabar e tudo isto por quinhentos euros mensais. Este é o status quo do mercado de emprego e não é digno para ninguém. Por isso digo que um dos principais factores que afecta a competitividade da nossa economia é, sem dúvida alguma, a vista limitada, por palas, do empregador nacional. Quando a vida corre bem, o cheque chega, troca-se o carro de dois anos pelo novo modelo germânico. Pensa em dinamizar, acrescentar know-how aos seus empregados, melhorar aspectos da vida laboral destes para assim alavancar mais sucesso, mais cheques? Hmmm… nops… gosto tanto dele e em branco que agora está na moda. É ridículo.
Daí que o país não tenha capacidade de acudir a todos os fogos reais e fictícios (que também os há e muitos) e que a manta não chegue para a cabeça o os pés. Devemos a tudo e entre todos, ficamos a jeito para especulações ou roubos pacíficos na nossa factura externa (chama-se dívida soberana) e continua tudo como se nada fosse. As pessoas pouco se privam ainda, a zona da restauração do shopping da modinha da minha zona de residência transbordava de gente ontem pela noite para jantar. Foi assim ontem e é-o sempre que perco a réstia de amor-próprio, e força, depois de uma semana ausente e o cansaço me leva para aquelas bandas. Dá-me que pensar… e deu também aos alemães e franceses que agora decidiram “pôr na linha” os malandros do sul da Europa. Dizem que “eles já enviaram muitos fundos é justo que salvaguardem os seus dinheiros", leia-se moeda comum mas eu pergunto: não está a França igual a nós? Défice pelas nuvens (bem sei que as dimensões do país, das capacidades, entre muitas outras não se comparam, a todos os níveis). Não ajudámos a Alemanha aquando da queda do muro e quando, e bem, deu a mão à sua congénere de leste? Aqui o mecanismo de reciprocidade não vale… E no meio da nossa entrada na Europa deixámos cair as pescas, a agricultura, as indústrias nacionais que eram boas apenas necessitavam modernização (lá está… o patronato não foi a alavanca porque não estava preparado). Veio dinheiro para tudo mas não soubemos reivindicar mais, melhor e nós próprios não fomos exigentes, dignos, honestos, versáteis e competitivos.
Somos o compêndio das leis de murphy (se alguma coisa pode correr mal, corre na certa) e agora, como se esperava, vamos perder a nossa soberania a propósito das medidas determinadas pelo eixo Berlim-Paris – a gravidade a gravidar-se. Para todos “salchichas au fromage" e uma "lager” para não enfastiar. Chama-se pacto de competitividade mas será que eles percebem o que vale o mercado aberto para países como nós? Percebem a realidade dos países periféricos? Não me parece mas o bom é que eles não desistem, de si, e vão continuar a atirar dinheiro a troco do…que resta. No meio disto tudo, os bancos, a galp entre outros continuam a juntar dinheiro, pagam menos impostos ano após ano e, parafraseando Ricardo Araújo Pereira, que raio de escalão de IRS é este que quando mais ganham menos pagam? Espero que a senhora Merkel continua a ajudarmo-nos… também nestes particulares.

quarta-feira, fevereiro 9

Onde eu andava com a cabeça?



A noite já fez frente ao dia há algum tempo e eu, como sempre, acabo a noite revendo as últimas novas que acontecem no mundo. Nada de especial mas houve duas onde parei. Duas meninas têm o seu paradeiro incerto algures em Itália. Um situação urgente e algo dramática que espero que ganhe contornos positivos a cada momento que passa. Depois encontrei outra no capítulo “mundo” que diz que a união europeia negociou com catorze fabricantes de telemóveis a adopção de um modelo único de carregadores! Brutal! Chiça! Caramba tenho visto mesmo poucas notícias… não sabia que isto era caso urgente na EU. Que raio de carregadores e, já agora, telemóveis terei eu que nunca tive uma urgência tão urgente que me teria levado a pensar: Sabem o que era mesmo agradável? Quiçá bom? Um bacalhauzinho à moda da beira-baixa? Não sempre mas um carregador universal que servisse do cabo da Roca a Vlavivostok... era de considerar, se era. Pensava eu nas pescas, na agricultura, nos têxteis e indústrias pesadas, para já não falar na desgraça do desemprego, mas afinal andava desnorteado! Graças a deus que temos políticos destes e, já agora, agradeço também a deus por me ter feito ateu, religiosa e politicamente…

terça-feira, fevereiro 8

Uma aragem do liceal entrou aqui...

...e do nada trovejou!!



...era um dia lindo... o sol brilhava... os passarinhos cantavam entretidos esvoaçando pelo azul namoriscando, as ervinhas viçosas cresciam saudáveis com o embalo radiante... os bichinhos saltitavam alegres e de repente!!! Um estrondo que ressoou pela natureza e ecoou durante por montes e vales - veto presidencial! Uuuuuuuuuuuu
Lá ao fundo, pouco perceptível mas irritante, o choro de um fedelho mimado. É o baby Arnold? Será o bebé de yanick e da menina árvore? Nãooooooo... é o primeiro-ministro...
Pois foi hoje caiu o "trovão", o primeiro e foi sem relâmpago mas da tempestade já se estava sobre aviso desde o dia das eleições. A isso há quem chame magistratura activa. Eu chamo-lhe: estás tão f#$"%do pá, por contraponto ao mais conhecido e, digasse, proferível "porreiro brother! ai, porreiro mano! ai, porreiro pá!!!"
Qual martelo de Thor, um dos meus personagens mais queridos, o presidente fez-se notar. Fez bem? Mal? Não sei. Na teoria o diploma consagrava uma coisa esperta, vender medicamentos pelo princípio activo sempre e quando o preço justificasse a troca na prescrição. Mas na prática já sabemos como é... na prática não se fazem cursos a poder de trabalhos de fim-de-semana em casa, passados ao domingo mas... pois esqueci-me é Portugal. Pois bem foi enviado à procedência e parece-me que o martelo do meu amigo Thor, deus dos raios, relâmpagos e fenómenos climáticos afins, irá ribombar até que algo se parta na "casa das loiças" de São Bento.

Um dia como os outros


Antes de nada e de tudo, as minhas desculpas pelo meu desaparecimento cibernético. Tenho tanta folha a meu cargo que me sinto como uma resma de caderno espiral A4, folha lisas de 100 gramas… E no fim de tudo há que ir vivendo...ou seria pelo meio? Ou não seria essa a ideia fundamental? Bem, as minhas desculpas aos sôfregos (e aqui ouvi o uivo de um lobo…) que aqui vem beber as minhas ideias e/ou absurdos.

Ele há dias em que este se arrastam como se o ritmo dos ponteiros fosse um tremendo martelar no céu da mente, vagaroso, espesso ao ponto de se tornar pegajoso ao juízo. Outros há, que escorregam como… tanta coisa boa, uma boa música, uma boa esplanada, uma boa noite largado, na companhia adequada, num local ouvindo o bater do mar e as convulsões rockeiras nas cordas de uma guitarra, com infinito obscuro a entrar pelos “zóios”.
Hoje deparei-me com um dia misto. Começou e não se arrastou mas acabo num farrapo. Que raio se passa com a cadência do tempo que parece nos encurtar os dias como se fossemos camisolas a 60 graus?
Soube especialmente bem hoje uma “visita” que tive de uns alunos de uma turma porreira do ano anterior que tenho alguma pena de não continuar comigo. C’est la vie. Preparava-me para me atirar a uns teste de avaliação ainda morninhos quando, eis que, o bater na porta me elevou à potência da dúvida: Sim? Têm dúvidas? Nops… estavam sem aula e com rumo incerto mas a navegar à bolina. Inicialmente pensei: daqui a nada fartam-se. Pois bem a conversa fluiu, foi curiosa e soube muito bem. Sabe bem vê-los ponderados, ajuizados, cada um há sua maneira, educada, equilibrada e jovial, e isso, a escola, não deve estragar.
Passado horas fugi de lá, eram quase vinte horas e encontrei um miúdo lá da escola sentado na penumbra perto do campo de futebol cá da terra à espera de…transporte? Dos pais? Por que raio está ali e porque ninguém parece preocupar-se? Há coisas que não percebo… Levantou-se e percorreu a rua, comigo ao telefone que a minha vida continua mesmo quando eu não lhe dou atenção, e parou perto do pavilhão onde futebolistas de final de dia se digladiavam como se o mundo fosse aquele couro de ar. Amanhã há mais… deixo um som aos shining happy people de hoje e espero, de amanhã.

segunda-feira, janeiro 24

Verdades à Monsieur "La Palice"


Ponto de ordem, o meu.
Após o suplício das campanhas aconteceu o que se sabia. Ganhou o melhor dos piores. Confesso que esperava que a divisão dos papéis levasse a que a segunda volta acontecesse. Queria a segunda volta. Com candidatos tão fracos e raquíticos teria sido um mal menor ouvir as alarvices por mais uns tempos. Vencedores só um, o eleito. Nem os partidos apoiantes se podem outorgar qualquer lustre que seja. Ganhou porque a população é sensata e tem pouco espírito "forcado". Mais vale este touro manso que qualquer um dos outros que ali ruminam no campo. Vencedores? Uns quantos. O sr. Coelho foi vencedor. O ataque à ilha, mesmo com o jardim a precisar de cuidado, será sempre uma perda de tempo mas se a mira se virar para o continente..será interessante e colorido ver o sr. Coelho nos debates quizenais, se o tempo não o levar.
O senhor Nobre, com muitos paios lançados ao longo da campanha, obteve um resultado que me parece bem simpático. É uma pessoa que merece todo o respeito mas como político não consegue fazer passar nada mais do que simpatia. E as suas intervenções só serviam para dar bagagem a essa ideia. De resto... o camarada "xico" não teve mais que uma menção honrosa por ser o candidato com o nick mais castiço. Manuel Alegre só se pode rir de Mário Soares, de mais ninguém. Defensor...ponta de lança socialista com jeitos de Fernando Couto nos bons tempos do Porto, obteve mais do que seria suposto. Não era suposta era a sua falta de educação mas...quem sou eu para criticar, a cada imagem dos políticos nacionais a quantidade de impropérios que enche a sala é enorme por isso... O que sobra? Nada, hoje diz-se que é o dia mais triste do ano. Coincidência com a recente eleição? Há-de voltar a falar-se dos juros, do crime novaiorquino, das medidas "anti ou soma" crise. É segunda-feira e pior que isto tudo junto só se o meu sporting hoje levar um bailinho à moda madeirense. Vá-la... saiu o Sol mas ele há dias...

sábado, janeiro 22

Um pouco de bocage


Não sei se este excerto é fidedigno de algum acontecimento relativo ao grande poeta e vivant português mas... vamos querer que sim, tem o seu pedigree :)

Conta-se que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do quintal. Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:
-Oh, bucéfalo anácrono! Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo... mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
-Doutor, afinal levo ou deixo os patos?

Sem novidades



Depois de muito reflectir... a cabeça falou - road to nowhere, mas isso também não é novidade.