quinta-feira, setembro 16

segunda-feira, setembro 6

Poesia . 21




Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.


Antero de Quental


Post scriptum: aconselho "causa da decadência dos povos peninsulares nos últimos três séculos". Tratarei de colocar excertos estranhamente actuais.

Ouço ali os primórdios do rock...

Grande batida de um tipo com grande pancada.

Ingenuidade ou hipocrisia?



O título presta-se a estas linhas pelo seguinte ponto de vista. Numa fase de crescendo extremar de posições e em que se perfila que o governo dificilmente chegará ao fim da legislatura, cumpre pensar: seremos guiados pela ingenuidade e acabaremos seduzidos pelo ar límpido do líder do PSD ou será que optaremos, hipocritamente, pela hipocrisia auto-elogiosa reinante?
Não é fácil, assim como está, esta questão não nos leva a lado nenhum, a não ser ao suicídio. Votar PS jamais (desta vez sem ponto de exclamação) – o ressentimento que tinha neste momento ganhou vida na forma da indiferença. Nem que Deus, ou Einstein, venha à terra dizer que aquele é o caminho da luz, eu cega e decididamente virarei para outro lado. Votar PSD perfila-se difícil. Mudança exige-se mas aquele jovem herói não me inspira nenhuma confiança, isto apesar de, aqui e ali, este ter querido valer a sua “coluna direita” ao mostrar de um modo atabalhoado mas directo, a sua visão de muita coisa. Não me considero com simpatia partidária ou sequer simpatia posicional (esquerda, direita ou centro) – considero que essa conversa está ultrapassada – mas acredito e perfazem-me valores que acham que certas propostas demasiado retorcidas e ingénuas (aqui é o meu alter-ego a crer-me sabedor de “coisas”…).
Então em quase histeria e impacientemente perguntam-se: que será de nós!? Calma. O que vai acontecer é, tipicamente, o que tem acontecido ao vulgozinho, a este retalho de terra. Não vamos ter capacidade para alterar a situação e, no extremo, acabarão por chegar cá uns fatos estrangeiros que irão tratar da gente como aconteceu em, salvo erro, no início década de oitenta. E porque não temos capacidade? Primeiro porque caminhamos para o analfabetismo com esta espécie de via verde educativa e depois porque não está na nossa mão fazê-lo. A melhor maneira de mudar isto seria com outro sistema legislativo, isto é, termos a possibilidade de eleger directamente que nós queremos ver no parlamento, este último também reduzido a metade. A capacidade de eleger menos, e directamente, os membros do parlamento faria com que a renovação da sua posição parlamentar viesse carimbada com a responsabilização ao longo de uma legislatura. Isto, na minha ingenuidade, seria uma espécie de aprumo da raça parlamentar, algo que se perdeu e que originou esta penumbra de uma arte intemporal - a política.

quarta-feira, agosto 25

...apropriada



Pareceu-me apropriada.

terça-feira, agosto 24

Melloncollie and the infinite sadness



Há dias que não deviam chegar sem consentimento. Onde a falta da nossa palavra fosse decisiva para a construção deste. Porque assim se sente um mundo de gente constantemente mas hoje, em especial, é diferente porque tocou aos meus. E tudo o resto é tão ridículo... The memory remains.

sexta-feira, agosto 20

Não se vive com elas nem sem elas... :)

Os malandros a querer tratar dos malandros


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Antes de... faço votos de que tenham sido ou estejam ainda a ser uns dias de merecido descanso.

Hoje deparei-me com uma notícia que me fez voltar, ordeiramente, ao teclado. O estado decidiu chamar, como as marcas fazem com os carros defeituosos, todos os beneficiários de subsídios vários (são alguns, não me vou perder neles) para que seja feita uma actualização dos dados muito à luz das alterações previstas numa recente letra de lei. Segundo esta, um subsidiário deste tipo de benefícios terá que: fazer prova de que o património mobiliário do seu agregado familiar não pode exceder os 100 mil euros; provar que, em comum com este, não vivam incluindo parentes e afins maiores “em linha recta e em linha colateral até ao terceiro grau, só para citar estes dois... Com isto querem dizer duas coisas: 1.º não podem viver muitos na mesma casa porque se isso acontecer, e se todos estiverem empregados, não há nada para niguém ou, em alternativa, não se pode ter o avô ou a avó em casa - há que matá-los...
Por outro lado, não se pode ter casa. Quem tiver um reles T1 comprado em Lisboa (qualquer caixa de palitos vale mais do que 100 mil euros), se tiver feito uma pequena carreira contributiva de 5 ou 7 anitos e se se vir desempregado, já não tem direito a nada... Curiosa esta.. como um T1 em Telheiras vale mais do que uma vivenda de 10 assoalhadas em Grândola, o proprietário da vivenda terá direito aos benefícios e o lisboeta não. Que "telha"... Mas nem tudo é miserável senão pensem, esta é a primeira medida de repovoamento do reino português desde os tempos de... D. Sancho I!? Avé Sócrates e a sua corja.
Não quero com este texto dizer que tudo está bem na atribuição dos benefícios, mas também não me parece que isto seja a opção, sequer perto do correcto. Agora será bonito é conseguir encontrar um indivíduo, com casa própria, beneficiário de, por exemplo, subsídio de desemprego em Lisboa, Porto, Gaia, Braga, Oeiras, Coimbra, Aveiro, Faro, Almada, Évora... and so on and so on.

sexta-feira, julho 30

Que diz o vosso post-it?


Sabe a praia

Que a treta nunca acabe



"O que diz Molero" foi a peça que primeiro vi e que mais me marcou. Será reposta certamente no futuro. Disse, já perto do fim, que queria dar cabo do bicho. O bicho nunca irá dar cabo dele em nós e na sua obra. Até sempre "toni".

sexta-feira, julho 9

Tudo é pecado

O rumo oriental – Portugal, o esgoto europeu.



Com um novo golpe de cintura, já de si muito fina, o estado prepara-se para cobra impostos futuros! Um conceito curioso… com infindáveis dramatizações: Sr. Manuel vai comprar leite como todas as semanas. Na caixa, o vendedor apresenta uma conta de 400 euros por 6 pacotes de leite! “Então meu amigo, isso não estará errado!? Não senhor, sabe como as suas compras mostram que consome 6 pacotes por semana, nós cobramos o leite a partir de agora em função disso, cobramos-lhe já o preço anual de leite” É similar… beba-se ou não “leite”. Em Portugal quem trabalha, está fod… em letras garrafais e em “caps lock”, não há como esconder. Junto também aqueles aposentados que lhe saiu do corpo, não coloco aqui as bestas dos partidos e afins comedores de tachos. O estado encontra-se assente nos impostos sobre o trabalho para dar de comer a parasitas cada vez mais sedentos dos dinheiros alheios. As deduções reduzem-se, as fundações sem préstimo, as pensões sobre pensões, a continua inclusão de boys, as pífias empresas públicas e parcerias público-privadas mantêm-se e não mostram sinais de abrandar e com isto a ira há-de descer à terra não sob a forma de manifestações comunista mas em agitação social.
Porquê rumo oriental? Simples, e dentro da minha área. Portugal vai caminhar de novo para a analfabetização. Os miúdos vão deixar frequentar a escola porque as deduções não permitem, porque os pais não têm dinheiro, estão desempregados ou ganham uma miséria e terão que encaminhar os seus filhos para: trabalho de vão-de-escada, trabalho escravo, emigração (só ficará cá a ralé, o esgoto), prostituição ou puro e simples abandono. Irá morrer gente à fome, se não morre já. E com este estado social, apenas pegando no caso da educação, o que irá suceder? Bem… nele já contemplei a morte de pessoas, pior não será ou será? Só se for para os abortos pertencentes aos partidos, todos sem excepção. E quando isto afectar o ramo da saúde? Não à volta a dar, é preciso matá-los. Sim, sem aspas ou metáforas. Temos que lhes dar a morte. Se não lhes convier, o falecimento, que desapareçam. Fujam, não volte mais. Senão, morte aos políticos. Façam-se as cruzadas democráticas, enquanto podemos, temos força, enquanto sabemos ler, enquanto não nos ficam também com o nosso raciocínio, já que quase têm lá tudo o resto. "Caro leitor já matou hoje o seu político!? Não!? Aproveite agora as promoções, duas armas por preço nenhum!! Limpe Portugal e com a morte de dois políticos habilita-se a ganhar uma extraordinária viagem num carro vintage da psp ou num UMM da gnr, uma pena suspensa para completar o seu currículum vitae, modelo europeu, e o agradecimento de milhares de pessoas. Ficam também a seu gosto, a visita a um tribunal, com foto tipo 'pass' nos calaboços, mas isto apenas se quiser comparecer e se esta não atrapalhar as visitas já agendadas. Tudo isto completamente gratuito! Serão dados prémios extras para: a morte mais rápida! A mais suja! Prémio especial para aquele que o fizer só com as mãos! Aproveite já!"

quinta-feira, junho 17

Agora que o ano finda...



"It will cost you $200,000 to put me through university and grad school. If you invest that money instead, I can retire at age 18!"

A propósito da escola e de outras comédias...

-Professor. Poderia faltar só porque me apetece?
-Pode!
-E o que é que me aconteceria, em termos de retenção?
-Nada!
-Mas estava a ir contra os princípios do Estatuto do Aluno?
-Estava!
-E como é que o Estatuto me punia?
-De maneira nenhuma!
-Isto não é um bocadinho incoerente?
-Chiuuu! Faltar porque lhe apetece é contra o Estatuto, mas pode-se fazer! Mas é contra! Mas pode-se fazer, só que é contra! O que é que acontece a quem o faz? Nada! Mas é contra! Mas pode-se fazer, só que é contra!
-Portanto posso faltar?
-Pode!
-Mas é contra?
-É!
-E o que é que me acontece?
-Nada!
-Ah!

quinta-feira, junho 3

quarta-feira, junho 2

As bestas quadradas.


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O Ministério da Educação ou as sumidades absurdas que por lá vagueiam, a começar pela desprezável ministra, decidiu encerrar escolas com menos de 20 alunos. Certo? Errado? Bem… como vem do ministério, e eu detesto à morte as pessoas que ocupam aquele edifício, fico logo com a sensação de que a medida é estúpida mas como me considero pessoa de bem e racional, paro e penso.
Prós: poupa-se, talvez, na mão-de-obra, funcionários, professores; são escolas com menos de 20 alunos tendem a ser escolas antigas, sem condições plenas e isso é um óbice que, nem os projectos, nem as autonomias vieram minorar – falta de vontade ou jogada já ensaiada…
Contras: Normalmente as escolas de acolhimento estão a muita distância. Passam os meninos a percorrer, em média, em transportes o equivalente a uma viagem de ida e volta entre Coimbra e Aveiro, sensivelmente duas horas. Ou seja, caiem na cama, não se levantam; desperdiçam tempo de estudo em “passeios”, fogem de um meio mais resguardado (para o bem e para o mal) para um meio mais aberto a tudo, à socialização, aos vícios, ao descontrolo ou acompanhamento. A casa para eles será o mesmo que é para alguém que more em Lisboa e que trata por tu o IC19 ou a CREL, um local de encontro com pessoas que se conhecem vagamente ou por quem se tinha outrora laços. Passam o dia carregados de livros uma vez que não vão a casa almoçar, logo não trocam os ditos.
Numa área mais cinzenta pode argumentar-se também que aí as turmas serão maiores, geralmente acontece mas não é uma inevitabilidade, e, como tal, a atenção dispensada ao menino será necessariamente menor. Que conclusões tiramos? Há mais contras que prós, sim mas isso pode ser o meu subconsciente, que deseja como se não houvesse amanhã, a implosão do edifício da cinco de Outubro, a funcionar. Sejamos sensatos e vejamos um quadro ainda maior. Basicamente e, fazendo fé pela noticias online, as escolas a fechar são no norte e interior, trocando por miúdos, as zonas mais afastadas do Litoral, ou seja (parte dois), está-se mais uma vez a fazer pender o país, não para o abismo, mas para o Atlântico, a desertificar o interior.
Se este tipo de medidas se levar ao ridículo ou extremo ou insano qualquer dia a fronteira de Portugal pode bem começar em Santarém. Olivença? A medida é boa ou má? Pelos prós e contras parece-me mal, por vir de onde vem, péssima, mas olhando ao quadro maior, Portugal, que andamos a querer fazer-nos? Já não há comboios, centros de saúde, vão deixar de haver escolas, que se seguirá? Há mais vida para além de conceitos economicistas. Será para aproveitar o interior para pasto? De bovinos e bestas quadradas partidárias socialistas, seguramente.

terça-feira, maio 25

Crónicas de um tempo imóvel



...este é um episódio de uma novela sopeira re-re-reposta a que chamamos abrupta realidade. Qualquer dia alguém perde o norte.

quinta-feira, maio 20

quarta-feira, maio 19

Please, today, chase you and not the other


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We used to believe in the good old days
We still receive In little ways
The things of kindness & unsporting brow
Forget & allow

segunda-feira, maio 17

Seguramente: nem correcto ou errado


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O Presidente da República acaba de anunciar a promulgação da lei conhecida por "lei do casamento homossexual". Referiu, e sublinhou, que Portugal tem outras coisas com que se preocupar. Não que esta seja uma questão de somenos mas que, por isso mesmo, deveria ser discutida quando o foco de todas as forças e atenção se desviassem um pouco dos problemas económicos e sociais, que são sérios.
Já outrora aqui escrevi sobre o assunto. Do meu fundinho, não sei se sou a favor ou contra. Por um lado sou a favor, porque acho que faz parte da liberdade de cada um a sua autodeterminação sexual. Por outro lado.. não me é muito agradável ver dois homens, por exemplo, de mão dada. É-me estranho. Talvez seja a minha formatação, isto é, como isso sempre foi uma realidade não próxima (longe disso mesmo, não creio conhecer ninguém homossexual) talvez seja essa a causa da minha, em parte, não relutância mas incerteza. Em caso de dúvida digo convicto que promulgue-se.
Mas há coisas que não entendo e, ainda hoje pelo almoço, se cometava sobre isso mesmo, como as leis colidem umas com as outras. Esta lei não permite a adopção de casais homossexuais mas por outro lado a lei da adopção permite que alguém que perfaça as condições de adopção, e uma delas não é a orientação sexual, possa adoptar sem qualquer problema. Quem faz leis não as sabe fazer. Outra coisa que me oferece alguma incoerência é que os homossexuais afirmaram querer, inclusive mais do que o casamento, seria a equiparação aos direitos dos casais heterossexuais, isto é, por exemplo em questões fiscais entre muitas outras. Acho que, neste assunto não se está correcto ou errado.
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Não posso deixar de fazer uma graçola a um senhor pelo qual não tenho a mais minima pinga de respeito, o senhor primeiro-ministro. A frase do dia pertence-lhe e, como dizia o outro, as verdades são para serem ditas: "Como se diz em espanhol para dançar o tango são precisos dois. Durante muitos meses não tinha parceiro para dançar." Cuidado Dr. Passos Coelho... que eles "andem" aí, alguns ainda dentro dos armários de casas, palácios..