sexta-feira, julho 30
Que a treta nunca acabe
"O que diz Molero" foi a peça que primeiro vi e que mais me marcou. Será reposta certamente no futuro. Disse, já perto do fim, que queria dar cabo do bicho. O bicho nunca irá dar cabo dele em nós e na sua obra. Até sempre "toni".
sexta-feira, julho 9
O rumo oriental – Portugal, o esgoto europeu.
quinta-feira, junho 17
Agora que o ano finda...

"It will cost you $200,000 to put me through university and grad school. If you invest that money instead, I can retire at age 18!"
A propósito da escola e de outras comédias...
-Professor. Poderia faltar só porque me apetece?
-Pode!
-E o que é que me aconteceria, em termos de retenção?
-Nada!
-Mas estava a ir contra os princípios do Estatuto do Aluno?
-Estava!
-E como é que o Estatuto me punia?
-De maneira nenhuma!
-Isto não é um bocadinho incoerente?
-Chiuuu! Faltar porque lhe apetece é contra o Estatuto, mas pode-se fazer! Mas é contra! Mas pode-se fazer, só que é contra! O que é que acontece a quem o faz? Nada! Mas é contra! Mas pode-se fazer, só que é contra!
-Portanto posso faltar?
-Pode!
-Mas é contra?
-É!
-E o que é que me acontece?
-Nada!
-Ah!
quinta-feira, junho 3
quarta-feira, junho 2
As bestas quadradas.
Domínio Actualidade, Educação, Portugal
terça-feira, maio 25
Crónicas de um tempo imóvel
quinta-feira, maio 20
quarta-feira, maio 19
Please, today, chase you and not the other
.
We used to believe in the good old days
We still receive In little ways
The things of kindness & unsporting brow
Forget & allow
segunda-feira, maio 17
Seguramente: nem correcto ou errado
Domínio Actualidade, Pedrada no charco, Portugal
quarta-feira, maio 12
Poema . 20
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, maio 11
Incontornável
De pausa em pausa, ao longo do meu dia, fui vendo as primeiras horas do papa no nosso país. Todas as estações, sejam de rádio ou televisivas, cobrem o evento à saciedade :) Tudo bem, não é todos os dias que o papa pernoita por terras lusas.
O que me faz escrever não é a minha crença ou falta dela, não é a mera perseguição da actualidade. Faço-o pelas imagens que fui beberricando. De Fátima guardo memórias vagas, ilustradas sempre pelo sofrimento dos peregrinos pagando promessas em jeito de sacrifícios físicos. Também já visitei Lurdes que, provavelmente com ou a par de Fátima, perfaz outro dos locais ocidentais mais marcantes do ponto de vista cristão. Desse guardo memórias mais vivas onde continuo a relembrar a existência da mágoa física. As ideias substanciais que guardo destes locais de culto são as mesmas, as mesmas que encontro noutros locais e momentos característicos de outras religiões. Quem não se lembra das imagens dos muçulmanos na sua peregrinação anula a Meca. Sofrimento, devoção, muita fé e imagens que, por vezes, são tão rudes que não compreendo esses mesmos actos. Diferentes religiões mas iguais níveis de devoção, parece-me.
A devoção das pessoas é directamente proporcional às asperezas da vida e estando Portugal cheio de agruras, que já chegam a ser chagas de tão extensas no tempo e na resistência das mesmas, seria de esperar que a participação das pessoas fosse imensa, principalmente nos pontos de paragem oficiais. E assim foi, fossem as viagens de um, dez, cem ou mil quilómetros, foi possível encontrar nas ruas lisboetas, mesmo à distância de hora e meia de auto-estrada, pessoas devotas que achariam descanso na esperança do vislumbre do papa, da fotografia fugidia no telemóvel.
É noite já e o movimento contínua, a fé continua a mover os homens, as mulheres sejam eles jovens ou velhos. Curioso, aos meus olhos. Num país que vejo cada vez mais carente de valores morais, éticos, que se diz e vejo cada vez menos cristão, crente, não esperava ver tamanha demonstração de religiosidade. O mesmo país que ainda há dois dias atrás, devido a um mero jogo de futebol, projectou imagens de jovens e não tão jovens, em jeito de guerra civil. Talvez sejam mesmo estes acontecimentos, que se tornam mísera capa dos matutinos, talvez seja a marca da incompreensão de muitas acções do Homem que já nos deixam de surpreender, que tenham tido hoje resposta neste género de exalação geral, nas manifestações que hoje fui vendo. Não esperava, gostei de ver. Entre extremos navega este país.
sábado, maio 8
Olh'ó ladrão!
De volta à graça, o deputado tomou posse ou… fanou? Palmou? Furtou? Locupletou? Desviou? Acção-directou? Apoderou? Embolsou? Abafou? Rapinou? Surripiou? Para mim roubou mesmo. Diz a lei, que o mesmo estudou – acho eu… também terá sido na independente…? – que no máximo seria acto para uma pena de 3 anos. Ui… era mesmo de valor, houvesse um juiz capaz. Para finalizar… vendo o vídeo, não acham que há ali muito savoir-faire? “Eles vão para lá para dentro e aprendem lá tudo” sobre o acto de roubar. Acabo com uma anedota a propósito:
Um homem passa pela porta Assembleia da República e escuta uma gritaria que sai de dentro;
"Filho da Puta, Ladrão, Vigarista, Assassino, Traficante, Mentiroso,
Pedófilo, Vagabundo, Sem Vergonha, Trafulha, Preguiçoso de Merda,
Vendido, Usurário, Foragido à Justiça, Oportunista, Engana Incautos,
Assaltante do Povo...
Assustado, o homem pergunta ao segurança parado na porta:
"O que se passa lá dentro?”
"Não", responde o segurança. Cá pra mim estão a fazer a chamada para saber se falta algum deputado".
quinta-feira, maio 6
segunda-feira, maio 3
segunda-feira, abril 26
O dia de ontem, há 36 anos, deu que falar...
Se fossemos entrar pela discussão sobre a comparação entre sistemas políticos a discussão se esgotaria em si pela extenuação das ideias e porque não há sistemas perfeitos. A democracia é o melhor dos piores e disso não podemos escapar. E como aferir, já perto da data da nossa emancipação democrática, a nossa própria opção e a nossa responsabilidade política? Política é um domínio tão extenso e que deveria interessar tantos aos cidadãos como o ar que respiram mas os políticos portugueses foram e são muito fracos, são mesquinhos, movem-se por interesses pessoais o que é conduzido pela sua medíocre capacidade de valores e intelectual. Passamos em 50 anos, desde os anos sessenta, de sistemas raquíticos de saúde, educação, financeiro entre outros para sistemas comparativamente melhores. Pelo meio houve uma revolução, houve convulsão ao nível internacional com os choques petrolíferos, com a capacidade de entrar para o sistema económico e de solidariedade que é a União Europeia. As pessoas passaram de ter pouco dinheiro, pouco que comer, ordenados certos mas miseráveis, de alunos sem sapatos na escola, com os pais a preferirem a sua mão-de-obra do que a sua instrução, da falta de cuidados de saúde até mesmo no âmago dos centros urbanos. Muita pobreza. Para uma situação em que existe a universalidade de cuidados de saúde, de educação, de justiça, de solidariedade entre outras coisas. Certo é que tudo mede-se em função do que conhecemos lá fora, dos ordenados dinamarqueses, das férias em Itália ou Rep. Dominicana, dos cuidados de saúde ou de respostas sociais ao nível do norte europeu. Sim conhecemos isso, aferirmo-nos por eles, gastamos como eles ou mais e talvez seja aqui, nesta inevitável e herdada internacionalmente comparação ou uma irritável promoção de expectativas que tudo torce ao lado.
O 25 de Abril de ‘74 trouxe isso tudo mas também levou coisas mas muitas daquelas que trouxe foram empenhadas com o mais importante – o desbarate de valores morais e éticos. A democracia é isso mesmo, quando em roda livre, a democracia abraça para si propósitos económicos e financeiros, estatísticos e comparativos que nos levam a deixar para trás valores morais, éticos corroendo a perspectivas das gentes que em uníssono lutaram pela melhoria da sua vida. Falta a coerência, falta a realidade, peca-se pela, crescente e maliciosa distância entre os poderes decisores a todos os nível, até as famosas agências de rating e as pessoas. Não é Portugal que está mal, está consideravelmente melhor, mas com outros políticos, com outros valores internacionais podia estar melhor e não seria a mesma coisa, não senhor. O 25 de Abril de ‘74 estará para sempre presente, cada vez mais fazendo parte do nosso imaginário, mas muito daquilo que os definiu… perdeu-se, está esquecido e só a necessidade o trará de volta.
Domínio Efemérides, No sossego...









