quinta-feira, junho 3

quarta-feira, junho 2

As bestas quadradas.


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O Ministério da Educação ou as sumidades absurdas que por lá vagueiam, a começar pela desprezável ministra, decidiu encerrar escolas com menos de 20 alunos. Certo? Errado? Bem… como vem do ministério, e eu detesto à morte as pessoas que ocupam aquele edifício, fico logo com a sensação de que a medida é estúpida mas como me considero pessoa de bem e racional, paro e penso.
Prós: poupa-se, talvez, na mão-de-obra, funcionários, professores; são escolas com menos de 20 alunos tendem a ser escolas antigas, sem condições plenas e isso é um óbice que, nem os projectos, nem as autonomias vieram minorar – falta de vontade ou jogada já ensaiada…
Contras: Normalmente as escolas de acolhimento estão a muita distância. Passam os meninos a percorrer, em média, em transportes o equivalente a uma viagem de ida e volta entre Coimbra e Aveiro, sensivelmente duas horas. Ou seja, caiem na cama, não se levantam; desperdiçam tempo de estudo em “passeios”, fogem de um meio mais resguardado (para o bem e para o mal) para um meio mais aberto a tudo, à socialização, aos vícios, ao descontrolo ou acompanhamento. A casa para eles será o mesmo que é para alguém que more em Lisboa e que trata por tu o IC19 ou a CREL, um local de encontro com pessoas que se conhecem vagamente ou por quem se tinha outrora laços. Passam o dia carregados de livros uma vez que não vão a casa almoçar, logo não trocam os ditos.
Numa área mais cinzenta pode argumentar-se também que aí as turmas serão maiores, geralmente acontece mas não é uma inevitabilidade, e, como tal, a atenção dispensada ao menino será necessariamente menor. Que conclusões tiramos? Há mais contras que prós, sim mas isso pode ser o meu subconsciente, que deseja como se não houvesse amanhã, a implosão do edifício da cinco de Outubro, a funcionar. Sejamos sensatos e vejamos um quadro ainda maior. Basicamente e, fazendo fé pela noticias online, as escolas a fechar são no norte e interior, trocando por miúdos, as zonas mais afastadas do Litoral, ou seja (parte dois), está-se mais uma vez a fazer pender o país, não para o abismo, mas para o Atlântico, a desertificar o interior.
Se este tipo de medidas se levar ao ridículo ou extremo ou insano qualquer dia a fronteira de Portugal pode bem começar em Santarém. Olivença? A medida é boa ou má? Pelos prós e contras parece-me mal, por vir de onde vem, péssima, mas olhando ao quadro maior, Portugal, que andamos a querer fazer-nos? Já não há comboios, centros de saúde, vão deixar de haver escolas, que se seguirá? Há mais vida para além de conceitos economicistas. Será para aproveitar o interior para pasto? De bovinos e bestas quadradas partidárias socialistas, seguramente.

terça-feira, maio 25

Crónicas de um tempo imóvel



...este é um episódio de uma novela sopeira re-re-reposta a que chamamos abrupta realidade. Qualquer dia alguém perde o norte.

quinta-feira, maio 20

quarta-feira, maio 19

Please, today, chase you and not the other


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We used to believe in the good old days
We still receive In little ways
The things of kindness & unsporting brow
Forget & allow

segunda-feira, maio 17

Seguramente: nem correcto ou errado


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O Presidente da República acaba de anunciar a promulgação da lei conhecida por "lei do casamento homossexual". Referiu, e sublinhou, que Portugal tem outras coisas com que se preocupar. Não que esta seja uma questão de somenos mas que, por isso mesmo, deveria ser discutida quando o foco de todas as forças e atenção se desviassem um pouco dos problemas económicos e sociais, que são sérios.
Já outrora aqui escrevi sobre o assunto. Do meu fundinho, não sei se sou a favor ou contra. Por um lado sou a favor, porque acho que faz parte da liberdade de cada um a sua autodeterminação sexual. Por outro lado.. não me é muito agradável ver dois homens, por exemplo, de mão dada. É-me estranho. Talvez seja a minha formatação, isto é, como isso sempre foi uma realidade não próxima (longe disso mesmo, não creio conhecer ninguém homossexual) talvez seja essa a causa da minha, em parte, não relutância mas incerteza. Em caso de dúvida digo convicto que promulgue-se.
Mas há coisas que não entendo e, ainda hoje pelo almoço, se cometava sobre isso mesmo, como as leis colidem umas com as outras. Esta lei não permite a adopção de casais homossexuais mas por outro lado a lei da adopção permite que alguém que perfaça as condições de adopção, e uma delas não é a orientação sexual, possa adoptar sem qualquer problema. Quem faz leis não as sabe fazer. Outra coisa que me oferece alguma incoerência é que os homossexuais afirmaram querer, inclusive mais do que o casamento, seria a equiparação aos direitos dos casais heterossexuais, isto é, por exemplo em questões fiscais entre muitas outras. Acho que, neste assunto não se está correcto ou errado.
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Não posso deixar de fazer uma graçola a um senhor pelo qual não tenho a mais minima pinga de respeito, o senhor primeiro-ministro. A frase do dia pertence-lhe e, como dizia o outro, as verdades são para serem ditas: "Como se diz em espanhol para dançar o tango são precisos dois. Durante muitos meses não tinha parceiro para dançar." Cuidado Dr. Passos Coelho... que eles "andem" aí, alguns ainda dentro dos armários de casas, palácios..

quarta-feira, maio 12

Poema . 20


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.


Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, maio 11

Porque nunca serão demais...

Incontornável



De pausa em pausa, ao longo do meu dia, fui vendo as primeiras horas do papa no nosso país. Todas as estações, sejam de rádio ou televisivas, cobrem o evento à saciedade :) Tudo bem, não é todos os dias que o papa pernoita por terras lusas.
O que me faz escrever não é a minha crença ou falta dela, não é a mera perseguição da actualidade. Faço-o pelas imagens que fui beberricando. De Fátima guardo memórias vagas, ilustradas sempre pelo sofrimento dos peregrinos pagando promessas em jeito de sacrifícios físicos. Também já visitei Lurdes que, provavelmente com ou a par de Fátima, perfaz outro dos locais ocidentais mais marcantes do ponto de vista cristão. Desse guardo memórias mais vivas onde continuo a relembrar a existência da mágoa física. As ideias substanciais que guardo destes locais de culto são as mesmas, as mesmas que encontro noutros locais e momentos característicos de outras religiões. Quem não se lembra das imagens dos muçulmanos na sua peregrinação anula a Meca. Sofrimento, devoção, muita fé e imagens que, por vezes, são tão rudes que não compreendo esses mesmos actos. Diferentes religiões mas iguais níveis de devoção, parece-me.
A devoção das pessoas é directamente proporcional às asperezas da vida e estando Portugal cheio de agruras, que já chegam a ser chagas de tão extensas no tempo e na resistência das mesmas, seria de esperar que a participação das pessoas fosse imensa, principalmente nos pontos de paragem oficiais. E assim foi, fossem as viagens de um, dez, cem ou mil quilómetros, foi possível encontrar nas ruas lisboetas, mesmo à distância de hora e meia de auto-estrada, pessoas devotas que achariam descanso na esperança do vislumbre do papa, da fotografia fugidia no telemóvel.
É noite já e o movimento contínua, a fé continua a mover os homens, as mulheres sejam eles jovens ou velhos. Curioso, aos meus olhos. Num país que vejo cada vez mais carente de valores morais, éticos, que se diz e vejo cada vez menos cristão, crente, não esperava ver tamanha demonstração de religiosidade. O mesmo país que ainda há dois dias atrás, devido a um mero jogo de futebol, projectou imagens de jovens e não tão jovens, em jeito de guerra civil. Talvez sejam mesmo estes acontecimentos, que se tornam mísera capa dos matutinos, talvez seja a marca da incompreensão de muitas acções do Homem que já nos deixam de surpreender, que tenham tido hoje resposta neste género de exalação geral, nas manifestações que hoje fui vendo. Não esperava, gostei de ver. Entre extremos navega este país.

sábado, maio 8

Olh'ó ladrão!


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Do mais insuspeito e normal acontecimento, uma entrevista, pode surgir o acto mais inesperado, num estado de direito entenda-se. Um deputado do partido do governo, provavelmente habituado a não ser interpelado com alguma insistência lá na sua terrinha, que salvo erro, também está dependente das leis da nossa república - falo do belo arquipélago Açores – teve uma atitude que vai contra um estado de direito, com liberdade de expressão e a resguardo da reserva ou sigilo profissional, como é o caso dos jornalistas. Não sei se o deputado, aquando da sua estada nos Açores estaria habituado a estes momentos. Se estava é porque a lei afinal, como também é sabido genericamente pelas pessoas mais letradas, não chega da mesma forma a todo o lado. Depois do “evento” o mesmíssimo “fasthands” apressou-se a convocar uma conferência de imprensa – julgo ter visto todos os gravadores na mesinha com aquelas correntes das bicicletas – para dar, literalmente, a sua versão miserável do sucedido.
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Antes de prosseguir quero dizer que este senhor não tem atenuantes. É deputado, o que não é seguramente um atenuante, é membro do Conselho Superior de Segurança Interna – nem preciso tecer comentários – para além de que é advogado de formação, algo a que não se pode furtar (mais uma) no momento de alegar as imensas pressões a que foi sujeito. Pressão, meu caro, é a força pela unidade de área e, vistas as imagens, ninguém lhe estava a dar com um pau – antes fosse, que deviam a ele e a todos – a única pressão ocorreu aquando as manápulas do deputado se… e agora surge a graça. Segundo o mesmo “tomou posse”. Se tomar posse for isso mesmo, então as coisas de súbito, e partindo de uma entrevista como muitas outras, se fez luz sobre o sistema democrático português. “Tomar posse” o acto de tomar para si o que é dos outros, sejam gravadores de 40 euros, sejam milhões de milhões de euros de dinheiros públicos a coberto das mais variadas vestes – negócios de ferro-velho, compadrios vários, facilicitações aos amigos a troco de uma vaga num qualquer conselho de administração no futuro quando a “maré virar” and soo n and so on.

De volta à graça, o deputado tomou posse ou… fanou? Palmou? Furtou? Locupletou? Desviou? Acção-directou? Apoderou? Embolsou? Abafou? Rapinou? Surripiou? Para mim roubou mesmo. Diz a lei, que o mesmo estudou – acho eu… também terá sido na independente…? – que no máximo seria acto para uma pena de 3 anos. Ui… era mesmo de valor, houvesse um juiz capaz. Para finalizar… vendo o vídeo, não acham que há ali muito savoir-faire? “Eles vão para lá para dentro e aprendem lá tudo” sobre o acto de roubar. Acabo com uma anedota a propósito:

Um homem passa pela porta Assembleia da República e escuta uma gritaria que sai de dentro;

"Filho da Puta, Ladrão, Vigarista, Assassino, Traficante, Mentiroso,
Pedófilo, Vagabundo, Sem Vergonha, Trafulha, Preguiçoso de Merda,
Vendido, Usurário, Foragido à Justiça, Oportunista, Engana Incautos,
Assaltante do Povo...

Assustado, o homem pergunta ao segurança parado na porta:

"O que se passa lá dentro?”

"Não", responde o segurança. Cá pra mim estão a fazer a chamada para saber se falta algum deputado".

quinta-feira, maio 6

Um anúncio castiço



de voltas às "pubs"

segunda-feira, maio 3

segunda-feira, abril 26

O dia de ontem, há 36 anos, deu que falar...


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Democracia: disfarçada ou desgraçada?
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Se fossemos entrar pela discussão sobre a comparação entre sistemas políticos a discussão se esgotaria em si pela extenuação das ideias e porque não há sistemas perfeitos. A democracia é o melhor dos piores e disso não podemos escapar. E como aferir, já perto da data da nossa emancipação democrática, a nossa própria opção e a nossa responsabilidade política? Política é um domínio tão extenso e que deveria interessar tantos aos cidadãos como o ar que respiram mas os políticos portugueses foram e são muito fracos, são mesquinhos, movem-se por interesses pessoais o que é conduzido pela sua medíocre capacidade de valores e intelectual. Passamos em 50 anos, desde os anos sessenta, de sistemas raquíticos de saúde, educação, financeiro entre outros para sistemas comparativamente melhores. Pelo meio houve uma revolução, houve convulsão ao nível internacional com os choques petrolíferos, com a capacidade de entrar para o sistema económico e de solidariedade que é a União Europeia. As pessoas passaram de ter pouco dinheiro, pouco que comer, ordenados certos mas miseráveis, de alunos sem sapatos na escola, com os pais a preferirem a sua mão-de-obra do que a sua instrução, da falta de cuidados de saúde até mesmo no âmago dos centros urbanos. Muita pobreza. Para uma situação em que existe a universalidade de cuidados de saúde, de educação, de justiça, de solidariedade entre outras coisas. Certo é que tudo mede-se em função do que conhecemos lá fora, dos ordenados dinamarqueses, das férias em Itália ou Rep. Dominicana, dos cuidados de saúde ou de respostas sociais ao nível do norte europeu. Sim conhecemos isso, aferirmo-nos por eles, gastamos como eles ou mais e talvez seja aqui, nesta inevitável e herdada internacionalmente comparação ou uma irritável promoção de expectativas que tudo torce ao lado.
O 25 de Abril de ‘74 trouxe isso tudo mas também levou coisas mas muitas daquelas que trouxe foram empenhadas com o mais importante – o desbarate de valores morais e éticos. A democracia é isso mesmo, quando em roda livre, a democracia abraça para si propósitos económicos e financeiros, estatísticos e comparativos que nos levam a deixar para trás valores morais, éticos corroendo a perspectivas das gentes que em uníssono lutaram pela melhoria da sua vida. Falta a coerência, falta a realidade, peca-se pela, crescente e maliciosa distância entre os poderes decisores a todos os nível, até as famosas agências de rating e as pessoas. Não é Portugal que está mal, está consideravelmente melhor, mas com outros políticos, com outros valores internacionais podia estar melhor e não seria a mesma coisa, não senhor. O 25 de Abril de ‘74 estará para sempre presente, cada vez mais fazendo parte do nosso imaginário, mas muito daquilo que os definiu… perdeu-se, está esquecido e só a necessidade o trará de volta.

domingo, abril 25

Um prazer... para breve :)



Ía colocar umas palavras sobre o 25 d'Abril mas... para já, música.

quarta-feira, abril 21

Coisas que não matam mas moem(-nos).


A propósito de temas já ultrapassados… ou não. Curtas.

Um: O governo decidiu atribuir tolerância de ponto aos funcionários públicos. O governo quando decide, decide sempre à bruta e sem orientação para metade do país. É como se um condutor fosse sendo orientado por um GPS mas onde este gozaria com o condutor dizendo as orientações em cima do objectivo ou se fizesse andar o condutor às voltas. Nunca ninguém sabe para onde vão os tiros. Eu trabalho a contrato para o estado e vai-me saber bem, é certo, mas… interrogações? O estado não é laico? O país não corre a passos largos para a bancarrota? Hmmm… O que faz não se ter a maioria… Devia haver limites, assim penso eu e mais meia dúzia... Eu posso trocar esta “borla” pela visita dos metallica? Professam mais os meus gostos e estados de alma. “És func. Público? Sim, eu vou!”
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Dois: Nuvem de cinzas. Como diz num artigo recente Daniel Oliveira – Butterfly effect na sua plenitude. Ficamos tão pequeninos nestes casos e já há quem diga que houve mais perdas nestes dias do que no onze de Setembro. Comparação infeliz, dirão os familiares e diriam as vítimas, apesar das ideias dos burocratas que fazem praia em folhas de cálculo.

Três: E entrou Pedro Passos Coelho… Correndo o risco de comer estas palavras… não será mais do mesmo? Não é ainda com ele que a politica portuguesa irá alterar a sua mediocridade. Profundo lamento. Já agora na prevista revisão constitucional coloquem lá os termos: Democracia, Moral, Ética, Povo, Isenção, Excelência... entre outros.

Quatro: Salários dos administradores públicos ou pseudopúblicos. Haverá nalgum dicionário palavras correctas para, em décimas de segundo, classificar o tamanho disparate destes rendimentos. Gostaria de ver esta rapaziada em empresas sem monopólios ou a criarem a sua própria empresa já que é no seu know-how que o país se deveria alicerçar para nos levarem.. longe! (para o Norte da Europa nestes dias é mais complicado). Queria apenas saudar a ideia de Ricardo Araújo Pereira que eu acho pertinente: anexação dos salários dos trabalhadores, nomeadamente da GAPL ao preço dos combustíveis. Já que o combustível sobre, quer o petróleo suba ou desça, que o dinheiro fique na economia real. Não deixa igualmente de ser apreciável que na primeira e única intervenção do Ministro da Economia sobre os combustíveis estranhando o preço dos mesmos, a GALP reponde baixando miseravelmente, é certo mas baixando, o preço dos combustíveis.

Cinco: O Primeiro-Ministro não voa no mesmo avião que Cavaco Silva, será porque se dão mal? O sapo cocas não viajará com a miss piggy. Andará ele a enganá-la com outra personagem? E Nosso Senhor que tem o poder da ubiquidade, poderemos ir a algum lado sem corrermos o risco de acontecer um acidente e o mundo acabar? Dammit!!

Para ouvir e ouvir e ouvir e ouvir...



Provavelmente uma das melhores músicas deles e, por tabela, que sempre ouvi.

sexta-feira, abril 16

É português e tem pinta!



E em português sabe também muito bem! Para ouvir em jeito "disco riscado".

quarta-feira, abril 14

No sossego...



Existem imensos mitos urbanos que nunca nos deixam indiferentes. Por vezes perseguem-nos. O deste video é e consubstância um deles para mim. Ver Sting descontraído num sofá a tocar em jeito de tertúlia, na pausa do café ou da conversa, por entre refeições, na resposta a um despique ou simplesmente porque sim dá-me um certo gosto no corpo, um calor diferente. Faço-me entender. Conhecidos meus comentam coisas sobre as suas viagens e um deles comentou-me, certa vez, que em Inglaterra, não em qualquer sítio, na cosmopolita Londres se pode entrar num bar e ver algum grande músico a beber algo, descontraído na sua imortalidade aproveitando os nossos prazeres, dos comuns mortais. E que em qualquer altura este pode subir ao palco e cantar à capela ou, como aqui o Sting, com acompanhamento, subir ao cimo de um momento único e deixar todos os presentes entregues a constância da própria respiração e à providência da sua arte. Ver se uma dia destes encontro um deste momentos e se ele me leva a dar uma volta.

terça-feira, abril 13

O (em) mau Estado.



Durante estes dias de pausa aproveitei para ir espairecer, em jeito de escapadinha, para os lados de Sintra. Uma zona que se assemelha a um museu ao ar livre. Estradas em jeito de livro queirosiano, com bermas atapetadas de árvores frondosas, um ar fresco de elixir que preenche os pulmões que temos e quereríamos ter, pormenores por ali, por maiores acolá e poucos olhos ou sentidos para assimilar tamanha beleza que o homem e a natureza nos oferecem com supra displicência. Muito bonito, sem dúvida, uma overdose do sublime. O tempo ali parece parar, se bem que voa e apenas a escuridão forçada nos retorna ao limite do real.
Mas a viagem e a visita mesmo toda a sua oferta estimulante reportaram-me ao país que temos e não ao que queríamos ter, ao Portugal dos “Allgarves”, do olvido, da falta de projecção, de visão, de culto da identidade nos orgulha ou devia orgulhar. Visitei desde Mafra a Sintra quase tudo o que existe num guia “camone” ou “chininho” para flashar e não se entende como, por exemplo, o Palácio da Pena não merece um reparo digno da sua importância. O estado Português não trata bem o presente, não prepara o futuro mas sempre pensei, até pela imagem que passamos, pelo imenso gentio que visita os nossos símbolos que esta parte de Portugal ancorada por sinal, ao mais querido litoral, fosse mais acarinhada. Enganei-me. Não vou listar o que vi e desgostei nos monumentos, não porque fui pagante, não por ser Português mas não deixo de assinalar esse decrépito, nalguns casos, estado da nossa herança. Eu bem sei que a esfinge no Egipto não tem nariz e que isso faz parte do seu charme, é sucesso nas fotos mas ao Palácio da Pena sobra o verdete das infiltrações, a pintura desvanecida ou tantas outras coisas. Sublinho o contributo de mecenas ou de privados que tomam para si a posse de alguns dos edifícios, Quinta da Regaleira por exemplo, e que nestes são visíveis a sua contribuição constante.
Um país mede-se pelo grau de cultura do seu povo, disse alguém certo dia. Atrevo-me a dizer que este mede-se pelo grau de cultura do seu povo e do modo como trata o seu tempo passado, presente e futuro. Portugal era o mesmo país sem tratar dos seus monumentos? Claro que não e por isso não deveríamos deixar que tudo acontecesse como muitas outras coisas. É o país que temos mas não tem que ser o país que queremos.

segunda-feira, abril 12

Natalie Merchant sings old poems to life


Ando com bastantes coisas para comentar, escrever, libertar mas.. amoleço de fronte das teclas. Só apetece que o gasóleo não acabe, que a estrada não se esgote numa qualquer curva, que o tempo se suspenda e que o Sol por uma vez, só por uma vez não deixe que a Terra rode na sua rotina mediana de sempre, no seu "fazer como sempre fez". E por vezes também paro a escrita antes de essa se materializar virtualmente porque encontro momentos assim. É uma sugestão, como tudo aqui. Mais um video, mais uma palavras em jeito de ritmo.