segunda-feira, novembro 17
O herói do dia.
Que esta pessoa altruísta e corajosa, que visível e compreensivelmente ficou afectada pelo sucedido, não fique sujeita à sua sorte e vergada a certas situações incompreensíveis neste país, como a falta de reconhecimento da necessidade de apoio psicológico em situações extremas deste tipo. Força amigo. Deixo o link.
Domínio Actualidade, Assim sim, Excelente
Vários golpes.
Vivem-se tempos críticos ao nível educativo. Apesar de ter este espaço, pouco visitado é certo, nunca o usei como meio de arremesso irracional sobre as políticas educativas. Não poucas vezes tive vontade de usar o corriqueiro vernáculo, rude, sujo e rasteiro ou de me atirar com toda a força e raiva aos responsáveis por uma dinâmica intransigente, irresponsável, imprudente, injusta e obtusa.
Tenho-me mantido atento, dentro do possível, a todos os programas, debates, artigos publicados e demais meios informativos, no sentido de perceber se a população já entendeu o que se passa e qual é o fundamento deste descontentamento do qual sobeja este protesto diário e maciço.
A leitura feita por todos prende-se com a avaliação. Finalmente já todos perceberam que o problema não é o “sim ou “não” à avaliação mas sim o modelo imposto, e não proposto ou discutido. Dirão uns: o patrão pode impor. Sim é certo, mas nenhum modelo ou processo se sustenta em ar, isto é, sem a sua base de trabalho. Existem muitas coisas estranhas dentro do edifício educativo, até fisicamente na 5 de Outubro, quer a governação tenha génese neste ou naquele partido político. Parte logo pela eleição do Ministro que tutela a Educação. Nunca, e corrigir-me-ei no caso de estar a cometer uma inverdade (em estilo político), houve um Ministro da Educação que partisse da classe que visa tutelar, a dos professores e educadores.
Com as devidas diferenças, quem responde pelos advogados, o bastonário, é um advogado, tal como no caso dos médicos é um médico, nos diferentes ministérios onde quem o tutela não é alguém da classe, verificam-se sempre dificuldades de entendimento. Faço questão de sublinhar que só sabe da poda quem anda na vinha – desconstruíndo – só perceberá das questões educativas quem anda pelas escolas. Sempre me pareceram estranhas as opções tomadas e os resultados estão à vista. Para não falar que é de consenso geral que a classe à qual pertenço é uma das basilares a uma democracia salutar e robusta e uma das que mais investe em formação, quer em tempo, quer em dinheiro, quer em projectos familiares. Adiante…
O que transtorna os professores? Falarei por mim, sabendo que muitos dos professores espalhados pelo país, assinalariam este, aquele, senão todos os pontos que vou focar, e mais algum que irei, certamente, omitir.
A falta de responsabilidade por parte dos encarregados de educação na vida, civilidade e bons modos dos seus filhos, para mim é o mais decisivo. Bem sei que nos dias de hoje as famílias não têm tempo e confiam, literalmente, na escola a educação dos seus filhos. Tal como uma linha de montagem: O rebento nasce, de seguida é entregue às escolas, nós moldamos a criatura e no final o entregássemos já formado. Isso não é correcto e nem aos professores cabe essa função. Muitos pais não vêem, nem transmitem a ideia de que a escola é o melhor investimento que se pode fazer. Serve para aprender, os meninos não querem? Temos paciência, mais tarde entenderão. Parafraseando o neurologista João Lobo Antunes “Ora, a Educação serve fundamentalmente para dar instrumentos de felicidade às pessoas. Ora, a felicidade não é gratuita, tem de ser construída. A escola não serve para manter alunos felizes. Já o Presidente Wilson, dos Estados Unidos, que antes era reitor da Universidade de Princeton, dizia que a preocupação de que os meninos têm de ser felizes na escola não faz sentido.“ O que sentimos é a vitória da imundície que é o eduquês. Quem não respeita os pais, como identificará nos professores um agente a respeitar? Episódios de desrespeito existem todos os dias numa dinâmica “com direitos mas sem deveres.”
Guardo uma ideia da minha infância: “Olha que eu não te quero educar ao açoite. (…) Professor, se ele se portar mal, sacuda-lhe o pó e diga-me algo que eu depois trato do resto”. É óbvio que bater por bater é errado, que é uma acção que deve ser sempre precedida por conversas responsáveis mas não é por nada que um sinónimo de bater é castigar, por vezes não faz mal, venha quem vier, venha até a letra alterada recentemente da lei do Código Penal.
A reboque desta, estão o facilitismo dos currículos, a pressão superior extra e intra-escolar para que existam bons resultados como se a escola fosse uma fábrica de parafusos. Se o metal é fraco, se este não participa com vontade, como é possível fazer dele um parafuso? Na fábrica troca-se o metal, nas escolas tem que se arranjar alternativas não para ser, por exemplo, um prego, mas para ser parafuso à força. Isto é um contra-senso já que se promove, não a universalidade do direito à educação, mas sim a universalidade do direito à passagem e do pouco empenho.
O Estatuto do Aluno que deveria ser lido por todos os que, como pais ou fazedores de opinião, criticam os professores, porque se há coisa que o português se alvitra de ser é professor, treinador da bola ou juiz. Os cursos CEF’s ou os EFA’s, que não fazem mais do que dar lastro ao facilitismo existente, alimenta o crescimento espumoso das estatísticas ao nível da UNESCO, tal como os exames nacionais e que não resulta de “leituras” diferentes entre as escolas e ministério como parece ser hoje o caso do “ajuste” ou “esclarecimento” sobre o estatuto do aluno no referente ao regime de faltas. É real e uma aberração. A própria ideia das aulas de substituição, que eu defendo, mas que carece de uma aplicação mais justa. O próprio sistema de distinção entre professores titulares e os restantes que apenas leva em conta os últimos sete anos, quer para mim, com seis anos de “casa”, quer para colegas com vinte ou trinta anos na defesa da arte.Muitas outras ficaram por explicitar mas como é possível ver não é apenas a questão da avaliação, essa foi a gota de água. Para quem se arroga à posição de crítico faça um favor, leia, estude as coisas e não aventem “tácticas”, concordâncias ou posições sem a mínima instrução sobre o tema. Esse estar não serve outro propósito que o de defender um sistema que está a cair aos poucos e se irá demolir se não for responsavelmente alterado e reforçado. Após esta tempestade ainda estará por vir a necessária discussão sobre o sistema educativo que o país precisa.
Tenho-me mantido atento, dentro do possível, a todos os programas, debates, artigos publicados e demais meios informativos, no sentido de perceber se a população já entendeu o que se passa e qual é o fundamento deste descontentamento do qual sobeja este protesto diário e maciço.
A leitura feita por todos prende-se com a avaliação. Finalmente já todos perceberam que o problema não é o “sim ou “não” à avaliação mas sim o modelo imposto, e não proposto ou discutido. Dirão uns: o patrão pode impor. Sim é certo, mas nenhum modelo ou processo se sustenta em ar, isto é, sem a sua base de trabalho. Existem muitas coisas estranhas dentro do edifício educativo, até fisicamente na 5 de Outubro, quer a governação tenha génese neste ou naquele partido político. Parte logo pela eleição do Ministro que tutela a Educação. Nunca, e corrigir-me-ei no caso de estar a cometer uma inverdade (em estilo político), houve um Ministro da Educação que partisse da classe que visa tutelar, a dos professores e educadores.
Com as devidas diferenças, quem responde pelos advogados, o bastonário, é um advogado, tal como no caso dos médicos é um médico, nos diferentes ministérios onde quem o tutela não é alguém da classe, verificam-se sempre dificuldades de entendimento. Faço questão de sublinhar que só sabe da poda quem anda na vinha – desconstruíndo – só perceberá das questões educativas quem anda pelas escolas. Sempre me pareceram estranhas as opções tomadas e os resultados estão à vista. Para não falar que é de consenso geral que a classe à qual pertenço é uma das basilares a uma democracia salutar e robusta e uma das que mais investe em formação, quer em tempo, quer em dinheiro, quer em projectos familiares. Adiante…
O que transtorna os professores? Falarei por mim, sabendo que muitos dos professores espalhados pelo país, assinalariam este, aquele, senão todos os pontos que vou focar, e mais algum que irei, certamente, omitir.
A falta de responsabilidade por parte dos encarregados de educação na vida, civilidade e bons modos dos seus filhos, para mim é o mais decisivo. Bem sei que nos dias de hoje as famílias não têm tempo e confiam, literalmente, na escola a educação dos seus filhos. Tal como uma linha de montagem: O rebento nasce, de seguida é entregue às escolas, nós moldamos a criatura e no final o entregássemos já formado. Isso não é correcto e nem aos professores cabe essa função. Muitos pais não vêem, nem transmitem a ideia de que a escola é o melhor investimento que se pode fazer. Serve para aprender, os meninos não querem? Temos paciência, mais tarde entenderão. Parafraseando o neurologista João Lobo Antunes “Ora, a Educação serve fundamentalmente para dar instrumentos de felicidade às pessoas. Ora, a felicidade não é gratuita, tem de ser construída. A escola não serve para manter alunos felizes. Já o Presidente Wilson, dos Estados Unidos, que antes era reitor da Universidade de Princeton, dizia que a preocupação de que os meninos têm de ser felizes na escola não faz sentido.“ O que sentimos é a vitória da imundície que é o eduquês. Quem não respeita os pais, como identificará nos professores um agente a respeitar? Episódios de desrespeito existem todos os dias numa dinâmica “com direitos mas sem deveres.”
Guardo uma ideia da minha infância: “Olha que eu não te quero educar ao açoite. (…) Professor, se ele se portar mal, sacuda-lhe o pó e diga-me algo que eu depois trato do resto”. É óbvio que bater por bater é errado, que é uma acção que deve ser sempre precedida por conversas responsáveis mas não é por nada que um sinónimo de bater é castigar, por vezes não faz mal, venha quem vier, venha até a letra alterada recentemente da lei do Código Penal.
A reboque desta, estão o facilitismo dos currículos, a pressão superior extra e intra-escolar para que existam bons resultados como se a escola fosse uma fábrica de parafusos. Se o metal é fraco, se este não participa com vontade, como é possível fazer dele um parafuso? Na fábrica troca-se o metal, nas escolas tem que se arranjar alternativas não para ser, por exemplo, um prego, mas para ser parafuso à força. Isto é um contra-senso já que se promove, não a universalidade do direito à educação, mas sim a universalidade do direito à passagem e do pouco empenho.
O Estatuto do Aluno que deveria ser lido por todos os que, como pais ou fazedores de opinião, criticam os professores, porque se há coisa que o português se alvitra de ser é professor, treinador da bola ou juiz. Os cursos CEF’s ou os EFA’s, que não fazem mais do que dar lastro ao facilitismo existente, alimenta o crescimento espumoso das estatísticas ao nível da UNESCO, tal como os exames nacionais e que não resulta de “leituras” diferentes entre as escolas e ministério como parece ser hoje o caso do “ajuste” ou “esclarecimento” sobre o estatuto do aluno no referente ao regime de faltas. É real e uma aberração. A própria ideia das aulas de substituição, que eu defendo, mas que carece de uma aplicação mais justa. O próprio sistema de distinção entre professores titulares e os restantes que apenas leva em conta os últimos sete anos, quer para mim, com seis anos de “casa”, quer para colegas com vinte ou trinta anos na defesa da arte.Muitas outras ficaram por explicitar mas como é possível ver não é apenas a questão da avaliação, essa foi a gota de água. Para quem se arroga à posição de crítico faça um favor, leia, estude as coisas e não aventem “tácticas”, concordâncias ou posições sem a mínima instrução sobre o tema. Esse estar não serve outro propósito que o de defender um sistema que está a cair aos poucos e se irá demolir se não for responsavelmente alterado e reforçado. Após esta tempestade ainda estará por vir a necessária discussão sobre o sistema educativo que o país precisa.
Domínio Actualidade, Política, Portugal
quarta-feira, novembro 5
Aconteceu na América

© Chappatte in "International Herald Tribune"
Hoje é daqueles dias difíceis de classificar, de caracterizar com um título ou um mote, ilustrar com uma imagem ou um cartoon. Talvez seja uma daqueles dias do tipo “onde estavas tu no vinte cinco de Abril? Apesar de ser difícil eu não sou desistir e assim…
Olhando, principalmente para os meios de comunicação e para as imensas transmissões nota-se uma enorme alegria, esperança, fé, vontade popular em contribuir para uma nova democracia, um novo tempo, uma nova era. É como se globalmente o mundo estivesse atingindo o “estado orgásmico óptimo” conseguido, em certa forma, com Roosevelt, Kennedy ou Mandela. Era como se hoje, ao sair de casa, tudo tivesse mudado, os pobres deixassem de o ser, os acidentes não acontecessem, as guerras terminassem, os alunos estivessem sossegados J mas afinal… estava tudo na mesma e, algo me diz que assim vai estar por uns tempos.
A aspiração mundial, assente numa alegria colectiva sem precedentes, mostra muitas coisas, por exemplo, a falta, em cada país, de liderança capaz, de uma defesa determinante de valores compatível com os anseios das pessoas baseados em critérios éticos, morais, de justiça ou empregabilidade e prosperidade. É como se o mundo procurasse o giant leap for mankind. Será este dado com Obama? Estou ou sou meio céptico. Dos dois candidatos, este era definitivamente o que me nutria mais consideração, o que me deu mostras de mais capacidade mas… coisas surgem-me na mente: “Muita areia para a sua camioneta”, “Uma andorinha não faz a Primavera” entre outras. A tarefa ou tarefas, surgem-se colossais – “tempos extremos requerem medidas extremas” e logo aí será feita uma bifurcação do caminho. A primeira preocupação será sempre a política interna deixando a política externa, provavelmente, não para segundo plano mas, certamente, não estará no foco inicial da sua atenção.
Outra situação interessante e uma lição para muitos países centra-se na capacidade de resolver, não completamente é certo, a problemática racista em apenas quarenta anos. Desde o dia que Rosa McCauley, mais conhecida por Rosa Parks, decidiu em 1955 completamente sozinha num acto desgarrado e contra as convenções estabelecidas, não ceder às mesmas e ocupar um lugar para “brancos”, que este movimento se iniciou e agora tivesse tido um daqueles momentos determinantes. Merecem também referência as palavras de John McCain que acolheu para si a tarefa utópica de assumir as cores do Bush, provavelmente, o pior chefe de estado do mundo ocidental desde a alvorada dos tempos – “Foi uma eleição histórica. Para os afro-americanos, principalmente, e compreendo o orgulho que sentem hoje. Não há melhor prova de que os EUA percorreram longo caminho do que a eleição de um afro-americano para presidente.” (…) “Nós discutimos as nossas diferenças e ele prevaleceu. Vivemos tempos difíceis e eu ajudá-lo-ei a enfrentá-los. Temos de descobrir caminhos para nos unirmos.” Palavras dignas de um grande Homem. Resta agora viver um dia de cada vez até ao dia da tomada de posse e depois dele… logo se verá. O Sol nasce todos os dias por algum motivo, certo?
Olhando, principalmente para os meios de comunicação e para as imensas transmissões nota-se uma enorme alegria, esperança, fé, vontade popular em contribuir para uma nova democracia, um novo tempo, uma nova era. É como se globalmente o mundo estivesse atingindo o “estado orgásmico óptimo” conseguido, em certa forma, com Roosevelt, Kennedy ou Mandela. Era como se hoje, ao sair de casa, tudo tivesse mudado, os pobres deixassem de o ser, os acidentes não acontecessem, as guerras terminassem, os alunos estivessem sossegados J mas afinal… estava tudo na mesma e, algo me diz que assim vai estar por uns tempos.
A aspiração mundial, assente numa alegria colectiva sem precedentes, mostra muitas coisas, por exemplo, a falta, em cada país, de liderança capaz, de uma defesa determinante de valores compatível com os anseios das pessoas baseados em critérios éticos, morais, de justiça ou empregabilidade e prosperidade. É como se o mundo procurasse o giant leap for mankind. Será este dado com Obama? Estou ou sou meio céptico. Dos dois candidatos, este era definitivamente o que me nutria mais consideração, o que me deu mostras de mais capacidade mas… coisas surgem-me na mente: “Muita areia para a sua camioneta”, “Uma andorinha não faz a Primavera” entre outras. A tarefa ou tarefas, surgem-se colossais – “tempos extremos requerem medidas extremas” e logo aí será feita uma bifurcação do caminho. A primeira preocupação será sempre a política interna deixando a política externa, provavelmente, não para segundo plano mas, certamente, não estará no foco inicial da sua atenção.
Outra situação interessante e uma lição para muitos países centra-se na capacidade de resolver, não completamente é certo, a problemática racista em apenas quarenta anos. Desde o dia que Rosa McCauley, mais conhecida por Rosa Parks, decidiu em 1955 completamente sozinha num acto desgarrado e contra as convenções estabelecidas, não ceder às mesmas e ocupar um lugar para “brancos”, que este movimento se iniciou e agora tivesse tido um daqueles momentos determinantes. Merecem também referência as palavras de John McCain que acolheu para si a tarefa utópica de assumir as cores do Bush, provavelmente, o pior chefe de estado do mundo ocidental desde a alvorada dos tempos – “Foi uma eleição histórica. Para os afro-americanos, principalmente, e compreendo o orgulho que sentem hoje. Não há melhor prova de que os EUA percorreram longo caminho do que a eleição de um afro-americano para presidente.” (…) “Nós discutimos as nossas diferenças e ele prevaleceu. Vivemos tempos difíceis e eu ajudá-lo-ei a enfrentá-los. Temos de descobrir caminhos para nos unirmos.” Palavras dignas de um grande Homem. Resta agora viver um dia de cada vez até ao dia da tomada de posse e depois dele… logo se verá. O Sol nasce todos os dias por algum motivo, certo?
terça-feira, novembro 4
De cavalo para burro
O sentido de justiça do OA de 2009, por outras palavras, do Governo, é semelhante à perseguição feita pelos cristãos durante as cruzadas. Então vejamos o exemplo de uma calinada, em tamanho, comparável ao Mosteiros dos Jerónimos. Discorramos em duas ideias base: Diz-se que é necessário ter consciência ambiental – ok, punam-se os veículos que mais poluem, vulgo, os que emitem mais partículas e dióxido de carbono. Tudo bem, é justo, seguinte: Vivemos numa época de recessão económica, as pessoas motores da troca comercial de moeda não gastam, retraem-se e, por exemplo, as empresas de automóveis estão em dificuldades por essa Europa, quer cá como lá fora. Suspendem produções e isso afecta toda a indústria paralela da indústria automóvel. Sim porque um carro anda sem assentos mas sabe mal, anda se travões ou instalações eléctricas mas é perigoso, sem pneus mas é inseguro, desconfortável e... estúpido. Pois bem, guardo o “estúpido” e este conduz-me ao Governo. Quê fez ele? Fomentar alguma poupança? Evitar ao mesmo tempo uma retracção massiva do consumo? Penalizar, no caso da indústria automóvel, quem mais polui, quem mais consome e quem opta por não utilizar filtros de partículas (no caso dos motores a diesel)? Tudo correcto não é? Sim mas da fronteira para fora.
Segundo o ponto de "bista" do Governo, ou seja Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, a ideia é outra. E qual é, perguntam vocês. Simples – Quais são os veículos que mais se vendem? Diesel são quase 70% do parque automóvel. Dramatização de um pseudo-raciocínio.
Diz o Zé: "Oh "Nando" (Teixeira dos Santos) como é que nós arranhamos mais uns cobres nos carros?"
Resposta iluminada: "Oh Zé é fácil, os diesel vendem-se como cerveja nas queimas, vamos taxá-los!"
Zé: "Como?"
Nando: "Oh Zé nem pareces tu, é fácil: Os que têm filtros pagam por ter e os que não pagam por não ter; os que emitem menos CO2 pagam por isso mesmo; aumentamos, mas menos, o preço dos carros a gasolina que assim eles começam a comprar a gasolina..."
O Zé interrompe: "então e a poluição!??"
Nando: "Não podes querer tudo! Ólh-ó défice! Pensa, assim os totós compram carros a gasolina – o combustível é mais caro e gastam mais!"
Zé: "Oh Nando és um espectáculo!"
Nando: "Eu sei".
Segundo o ponto de "bista" do Governo, ou seja Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, a ideia é outra. E qual é, perguntam vocês. Simples – Quais são os veículos que mais se vendem? Diesel são quase 70% do parque automóvel. Dramatização de um pseudo-raciocínio.
Diz o Zé: "Oh "Nando" (Teixeira dos Santos) como é que nós arranhamos mais uns cobres nos carros?"
Resposta iluminada: "Oh Zé é fácil, os diesel vendem-se como cerveja nas queimas, vamos taxá-los!"
Zé: "Como?"
Nando: "Oh Zé nem pareces tu, é fácil: Os que têm filtros pagam por ter e os que não pagam por não ter; os que emitem menos CO2 pagam por isso mesmo; aumentamos, mas menos, o preço dos carros a gasolina que assim eles começam a comprar a gasolina..."
O Zé interrompe: "então e a poluição!??"
Nando: "Não podes querer tudo! Ólh-ó défice! Pensa, assim os totós compram carros a gasolina – o combustível é mais caro e gastam mais!"
Zé: "Oh Nando és um espectáculo!"
Nando: "Eu sei".
Deixo uma infografía do JN que atesta a tal estupidez não orçamental mas política, ambiental e racional.
segunda-feira, novembro 3
Pausa porreira
O país já está xoné por isso, também... fiquem com a ovelha xoné.
domingo, novembro 2
Rácios de sur(estupi)dez...
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Orelha guicha – quem está atento, com as badanas/orelhas no ar.
Autoridades de supervisão em Portugal – Orelhas moles…
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E o BPN nacionalizou-se… Uma pergunta ganha logo corpo, que raio fazem as entidades reguladoras neste país, e concretamente na banca? O BCP fez o que fez, o BPN acumula dívidas em 700 milhões de euros e o Banco de Portugal ou o Governo, apesar de dizerem que estavam atentos, deixaram as coisas chegarem a este ponto. Cavalgo na seguinte metáfora: de que serve a um professor estar atento à fraca performance dos seus alunos se este não toma medidas atempadas e se os catraios ficam todos retidos (chumbados)? Será chamado de mau professor, pelo menos. Ora façamos o mesmo para, por exemplo, Vítor Constâncio. Que raio faz este senhor, para além de falar em rácios, acertos, solvabilidades, prazos, processos e conversas deste tipo, que não seja cobrar-se religiosa e dispendiosamente mês após mês dos nossos impostos? Os bancos roubam, fazem aumentos de capital virtuais, vão à falência, ou quase se não fosse o bolo que o estado acabou de cozinhar, e a este senhor nunca lhe são acatadas responsabilidades apesar de as ter. Não é prática democrática ter direitos, por exemplo ao salário, e deveres, por exemplo fazer o seu trabalho? E que ninguém diga que o senhor se escusa de que a lei nada lhe pode ou deixar fazer. Se já chegou a essa conclusão o mais que tem a fazer é pedir para que os seus poderes sejam melhorados/modificados. O que nunca pode acontecer é este tipo de saber estar malandro com todos os traços característicos de isso mesmo: Bem-falante, fluente em conversa mole, ávido em discursos longos, bolorentos e extenuantes para os ouvintes e uma postura genérica de virgem Maria desonrada. Vai sendo hora de te fazerem “o acerto dos prazos num processo expedito e que te terminem a solvência de patrocínio público”
terça-feira, outubro 28
Evidências tardias
“Curvas com medidas desadequadas, defeitos de alinhamento, de empeno, travessas que necessitam de substituição imediata, anomalias na suspensão dos veículos”
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Serão nestas, ou nas restantes conclusões do relatório pedido sobre a linha do Tua, que as famílias enlutadas tentarão encontrar paz de espírito e respostas para a perda dos seus familiares. Espero que encontrem motivos para uma acção em tribunal. Já há época do acidente de Entre-os-rios, a culpa ficou solteira (Humor negro: talvez isso explique a pouca natalidade…), mesmo com a demissão do Ministro Jorge Coelho. Portugal é um país assim, quando a culpa assome à porta de uma grande empresa ou de alguns cargos governamentais, limpa-se a “caspa” e todos ficam a olhar para um lugar (comum) vazio.
Do mesmo modo que Helena Roseta, Manuel Alegre e ontem, Miguel Sousa Tavares, concluíram que o estado é pessoa de mal e optaram, e bem, pela acção cívica directa meios de comunicação adentro e, também aqui, um grupo de advogados deveria entrar em jogo (tal como no caso Esmeralda) e partir a louça toda. Seria boa publicidade, com muitas semelhanças ao American Style, o que é positivo para empresas privadas e faria o sérvio público que o estado não consegue fazer aos seus concidadãos.
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Serão nestas, ou nas restantes conclusões do relatório pedido sobre a linha do Tua, que as famílias enlutadas tentarão encontrar paz de espírito e respostas para a perda dos seus familiares. Espero que encontrem motivos para uma acção em tribunal. Já há época do acidente de Entre-os-rios, a culpa ficou solteira (Humor negro: talvez isso explique a pouca natalidade…), mesmo com a demissão do Ministro Jorge Coelho. Portugal é um país assim, quando a culpa assome à porta de uma grande empresa ou de alguns cargos governamentais, limpa-se a “caspa” e todos ficam a olhar para um lugar (comum) vazio.
Do mesmo modo que Helena Roseta, Manuel Alegre e ontem, Miguel Sousa Tavares, concluíram que o estado é pessoa de mal e optaram, e bem, pela acção cívica directa meios de comunicação adentro e, também aqui, um grupo de advogados deveria entrar em jogo (tal como no caso Esmeralda) e partir a louça toda. Seria boa publicidade, com muitas semelhanças ao American Style, o que é positivo para empresas privadas e faria o sérvio público que o estado não consegue fazer aos seus concidadãos.
segunda-feira, outubro 27
O caminho que trilhamos
O texto (a pérola) que se seguem tem o alto patrocínio do Ministério da Educação e dos últimos Ministros da Educação, sem excepção já que nenhum se aproveita. Recebi este texto como resultado de um brainstorming, certamente extenuante, de um aluno de nono ano. A situação não a posso confirmar mas a veracidade da empreitada, se se confirmar, não me surpreende.
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REDAXÃO - 'O PIPOL E A ESCOLA'
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas. Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os lesiades', q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas. Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os lesiades', q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?
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Acabo com uma frase de Abraham Lincoln que creio que vem muito a propósito:
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"Better to remain silent and be thought a fool than to speak out and remove all doubt."
Domínio Indicadores, Pedrada no charco
sábado, outubro 25
Ferida de Morte
Realmente este país tem o que merece. Os cargos públicos e as suas lapas orientam à esquerda e à direita a seu belo prazer, com a conivência da maior parte dos media. O povo, nos programas de opinião na rádio ou na televisão, arremetem contra professores, médicos e todos os que desempenhem uma profissão que não seja a deles mas quando ministros proferem este tipo de afirmações, eu pergunto: mas que merda é esta!? A vergonha governamental é tanta que se permitem afirmar as maiores sandices, disparates, baboseiras sem que nada suceda ou que, pelo menos os media, critiquem e façam notícia de afirmações deste calibre! Numa recente entrevista, a néscia, fátua, inapta, incompetente, irresponsável, cadáver da educação – eu recuso-me a classificá-la como pessoa, quanto mais ministra, disse a seguinte… (não tenho classificação a não ser através de má educação):
Mas porque é que a escola portuguesa mantém esses 7,4% de alunos na 2.ª classe?Tem vindo a baixar, eram 18%, há 15 anos. O que é que os professores pensam? A criança não aprendeu a ler, vale mais que fique retida, para aprender a ler. E fica para trás.
E vale a pena ficar para trás?
Mas porque é que a escola portuguesa mantém esses 7,4% de alunos na 2.ª classe?Tem vindo a baixar, eram 18%, há 15 anos. O que é que os professores pensam? A criança não aprendeu a ler, vale mais que fique retida, para aprender a ler. E fica para trás.
E vale a pena ficar para trás?
Não vale. E isto para uma criança de 7 anos é dramático. É o início de um percurso desastroso. Absolutamente desastroso. São estas crianças que depois abandonam a escola. A primeira coisa é que ficam num ano de ensino desajustado à sua idade. Todos os amiguinhos que vão ter no ano a seguir, já não são os mesmos, são mais novos, e começa aí um processo de desajuste. Todos os estudos provam que a repetência não permite recuperar nada. Porque é que ficam para trás? Porque antigamente a escola era assim.
Fica o excerto e o link do resto da entrevista. E fica o aviso: quando uma pessoa, com grandes responsabilidades, se dá ao desplante de proferir este tipo de afirmações, as acções não dos professores mas dos pais, todos eles, têm que começar a fazer-se sentir e ouvir. É impossível que alguém que defenda que um menino passe sem saber ler não defenda que este deva também passar pela vida sem saber escrever, falar, andar, comer, ouvir, pensar e tudo aquilo que quisermos juntar. Não sei que mais é preciso para que as pessoas todas tomem uma atitude definitiva em relação a estes criminosos. Estamos a milímetros de começar a queimar os livros.
Fica o excerto e o link do resto da entrevista. E fica o aviso: quando uma pessoa, com grandes responsabilidades, se dá ao desplante de proferir este tipo de afirmações, as acções não dos professores mas dos pais, todos eles, têm que começar a fazer-se sentir e ouvir. É impossível que alguém que defenda que um menino passe sem saber ler não defenda que este deva também passar pela vida sem saber escrever, falar, andar, comer, ouvir, pensar e tudo aquilo que quisermos juntar. Não sei que mais é preciso para que as pessoas todas tomem uma atitude definitiva em relação a estes criminosos. Estamos a milímetros de começar a queimar os livros.
Domínio Assim não, Mãos no ar isto é um assalto, Política
terça-feira, outubro 21
Operações ficcionais
O Orçamento de Estado (O.A.) é o exercício teórico que se pede aos sucessivos governos, há trinta e… quatro anos a esta parte, no que toca às contas públicas. Convém que o mesmo se aproxime da realidade mas Portugal é um país Quântico e questões dessas serão sempre relativas. O que se disponibiliza para cada ministério operar, o que se consegue juntar de modo a saldar as nossas contas, cá dentro e lá fora, e, penso eu, aquele é utilizado para fazer mover a máquina e para a optimizar. O que é que a minha vida, em tempo quase comparável ao tempo de vida republicana do O.A., me tem ensinado? É que a desgraça primeira desta grande nação é a matemática. Se tivessem dito a Pedro Álvares Cabral ou a Vasco da Gama quantos milhares de quilómetros e de horas estes iriam levar até chegarem a terra firme, estes provavelmente teriam ido até à Madeira passar o tempo ao sabor de caipirinhas (seria bom mas o Brasil ainda estava para ser).
Temos bons matemáticos mas eles escasseiam para os lados de São Bento. Seria de todo mais inteligente modificar-se o sistema político, o eleitoral pelo menos, de modo a podermos escolher os nossos ministros um a um. Veja-se o caso das eleições do EUA, onde um boletim de voto se consagra há eleição dos juízes das cidades, do Sheriff, ou para referendar sobre o tipo de empreitada a fazer (se túnel ou passagem superior ou inferior). Ou seja, retrata as preocupações mais fulcrais das pessoas e, se há situações às quais o nosso sistema já não parece ter resposta, por divórcio participativo dos Portugueses e por demérito ou falta de qualidade dos intervenientes, são as preocupações do dia-a-dia. Daí que eu advogue, do alto deste… sítio algures na planura, que o sistema seja revisto de modo a escolher os mais aptos, seguindo um movimento descrito por Darwin a propósito de outras “contas”, as biológicas.
Sendo assim e deste modo, o nosso sistema está estagnado e entregue a ineptos que, ano após ano, vagueiam num exercício que salta entre o absurdo e a utopia, ambas sem transposição prática para a língua matemática. Se por um lado é uma injustiça o que se passou com o sistema financeiro – e que acabou por disseminar o vírus com mais ou menos gravidade para todos – também o é a suposta moralização que a medida das rendas promove quando premeia os que fizeram mal as contas e/ou previram mal o futuro. Sim eu sei, seria complicado prever a volta que isto ia levar, mas havia coisas que se sabia: um – as taxas estavam a mínimos históricos; dois – ter capacidade para colocar de lado algum “cacau” de modo a não ultrapassar a barreira psicológica da “taxa de esforço máxima”.
Com esta regra permite-se indultar, e não “adultar”, os compulsivos aquisitores de casa, carro, plasma, bimbi, férias em Punta Cana e desgostar pessoas cumpridoras para já não falar numa certa lei das rendas aprovada em 2006 e da qual não há notícias, boas pelo menos. Num momento Zandinga, apodero-me do futuro e prevejo o mesmo desfecho para as outras parangonas desta legislatura.
Temos bons matemáticos mas eles escasseiam para os lados de São Bento. Seria de todo mais inteligente modificar-se o sistema político, o eleitoral pelo menos, de modo a podermos escolher os nossos ministros um a um. Veja-se o caso das eleições do EUA, onde um boletim de voto se consagra há eleição dos juízes das cidades, do Sheriff, ou para referendar sobre o tipo de empreitada a fazer (se túnel ou passagem superior ou inferior). Ou seja, retrata as preocupações mais fulcrais das pessoas e, se há situações às quais o nosso sistema já não parece ter resposta, por divórcio participativo dos Portugueses e por demérito ou falta de qualidade dos intervenientes, são as preocupações do dia-a-dia. Daí que eu advogue, do alto deste… sítio algures na planura, que o sistema seja revisto de modo a escolher os mais aptos, seguindo um movimento descrito por Darwin a propósito de outras “contas”, as biológicas.
Sendo assim e deste modo, o nosso sistema está estagnado e entregue a ineptos que, ano após ano, vagueiam num exercício que salta entre o absurdo e a utopia, ambas sem transposição prática para a língua matemática. Se por um lado é uma injustiça o que se passou com o sistema financeiro – e que acabou por disseminar o vírus com mais ou menos gravidade para todos – também o é a suposta moralização que a medida das rendas promove quando premeia os que fizeram mal as contas e/ou previram mal o futuro. Sim eu sei, seria complicado prever a volta que isto ia levar, mas havia coisas que se sabia: um – as taxas estavam a mínimos históricos; dois – ter capacidade para colocar de lado algum “cacau” de modo a não ultrapassar a barreira psicológica da “taxa de esforço máxima”.
Com esta regra permite-se indultar, e não “adultar”, os compulsivos aquisitores de casa, carro, plasma, bimbi, férias em Punta Cana e desgostar pessoas cumpridoras para já não falar numa certa lei das rendas aprovada em 2006 e da qual não há notícias, boas pelo menos. Num momento Zandinga, apodero-me do futuro e prevejo o mesmo desfecho para as outras parangonas desta legislatura.
sexta-feira, outubro 17
Hoje só me apetece dizer isto...
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"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
.
Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem,
nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência
como que um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,
da mentira a falsificação, da violência ao roubo,
donde provem que na política portuguesa sucedam,
entre a indiferença geral, escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido,
análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
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"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
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Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem,
nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência
como que um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
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Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,
da mentira a falsificação, da violência ao roubo,
donde provem que na política portuguesa sucedam,
entre a indiferença geral, escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
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Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
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Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido,
análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
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Guerra Junqueiro . Pátria
Domínio Actualidade, Poesia, Portugal
quarta-feira, outubro 15
Rigorosamente a não perder
Já não é novidade trazer aqui ao blogue o Professor Henrique Medina Carreira. Gosto bastante do seu estilo e, para lá disso e de me rever nas suas ideias, acho que é das poucas pessoas genuinamente interessadas na causa pública, a par de Silva Lopes, com uma lucidez magnífica que lhe permite falar e dissertar, sem se engasgar, sobre as maiores e as verdadeiras problemática deste país. Com ele serei sempre suspeito mas parem e ouçam, não por mim, não por ele mas por vocês. Peço perdão pelo modo como disponibilizo os vídeos mas a SIC não fornece um meio melhor em página própria e aproveito para deixar esse piscar de olho à SIC.
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Domínio Actualidade, Política, Portugal, Video
terça-feira, outubro 14
Futuro à volta da esquina
O desgraçado do costume a procurar fugir da desgraça instalada.
Domínio Humor, Teorias da conspiração, Video
domingo, outubro 12
Boas propostas
Trago duas propostas que acabam por resumir muitas das inquietações destes tempos de míngua e, pelo menos, num deles a míngua é explicada. Como tudo, sem a outra língua, a que se tornou universal nada é possível. Acho que vale bem o tempo empregue e a sabedoria ganha nas aulas da língua de shakespeare.
1 - Castelos de Cartas - Groundzero do Subprime.
2 - Carros Verdes - A oferta amiga do ambiente e da mobilidade como a conhecemos.
Uma nova viagem
Depois de o Google ter disponibilizado o curioso e útil, em certos casos, google earth, é a vez de podermos aceder, em viagem virtual mas muito educativa e curiosa, ao interior do nosso corpo humano. No site visual body, é possível ter uma perspectiva muito interessante sobre "o como", "o porquê", "o onde" das mil e uma características e funções do nosso corpo. Vale bem uma espreitadela.
Domínio Assim sim, Ciência, Curiosidades
domingo, outubro 5
My eyes seek reality
As preocupações gerais – e não as particulares como a conta da electricidade, as prestações várias, essas dificilmente mudam – têm andado muito à volta dos abusos. Abuso na concessão de crédito do outro lado do atlântico que acabaram por respingar para o lado de cá, tal é o emaranhado e a procura de lucro a qualquer preço. Aqui lembro-me de duas personalidades nacionais, uma que me merece crédito (Ferraz da Costa) enquanto que a outra (João Salgueiro), nem por isso – em duas alturas diferentes disseram que as pessoas só ficam apertadas com crédito, a mais para o seu ordenado, porque não sabem fazer as contas nem lêem as letrinhas pequeninas. Pois bem com esta crise duvido que eles tenham transformado em actos as suas sábias e acertadas, mas algo extemporâneas, palavras. Gostaria imenso que as perdas não afectem ninguém, como é evidente, mas que o susto e a mão na consciência de que, ninguém está a salvo independentemente do número de contas e do número de pessoas que as fazem por eles, gostava que não passassem sem ele. É que a sensação de controlo é uma miragem, não controlamos muita coisa e só as leis da probabilidade nos dão alguma margem. Como em tudo, há de tudo e o mal reside mesmo na generalização.
Os outros abusos são à nossa maneira e escala, isto é, o pagamento de favores com recursos públicos. Da crise, palavra maldita para os que se vêm afectados, ou em vias de o ser, era complicado saber-se a não ser que se estivesse por dentro do assunto com olhar crítico e aqui aconselho as intervenções de Nouriel Roubini. Já no caso dos favores… aqui tenho uma metáfora, que já existe em forma de saber popular e que reza assim: à mulher de César não lhe basta ser séria, tem que parecer. Fica a ideia, depois de ver todos os programas de debate que isto era algo estranho a todos. Fico com a ideia de que, como um todo, se julgava que a jovem permanecia virgem, impoluta, intocada e depois, há posteriori, descobrem que assim não é e a comoção toma de assalto tudo o todos, longe da privacidade do seu raciocínio e das conversas de algibeira. Todos vergonhosamente surpresos à direita, esquerda e ao centro. Ninguém está salvo e aqui apetece perguntar, quem resta? Até o primeiro-ministro, pessoa que recuso a classificar, parece ter o nome uma investigação com milhões à solta do Freeport ou então com pressões registadas e num tom ameaçador, aquando da polémica do seu pseudo-curso, ao director do jornal Público e disponíveis no site da ERC. Que raios querem que depois uma pessoa pense, faça ou escreva? Digam-me, por exemplo os comentadores da Quadratura do Círculo, ou melhor, não digam, que o mais certo é haver alguma “desculpa”, como é norma, e ainda acabamos nós por ter que pedir perdão.
Os outros abusos são à nossa maneira e escala, isto é, o pagamento de favores com recursos públicos. Da crise, palavra maldita para os que se vêm afectados, ou em vias de o ser, era complicado saber-se a não ser que se estivesse por dentro do assunto com olhar crítico e aqui aconselho as intervenções de Nouriel Roubini. Já no caso dos favores… aqui tenho uma metáfora, que já existe em forma de saber popular e que reza assim: à mulher de César não lhe basta ser séria, tem que parecer. Fica a ideia, depois de ver todos os programas de debate que isto era algo estranho a todos. Fico com a ideia de que, como um todo, se julgava que a jovem permanecia virgem, impoluta, intocada e depois, há posteriori, descobrem que assim não é e a comoção toma de assalto tudo o todos, longe da privacidade do seu raciocínio e das conversas de algibeira. Todos vergonhosamente surpresos à direita, esquerda e ao centro. Ninguém está salvo e aqui apetece perguntar, quem resta? Até o primeiro-ministro, pessoa que recuso a classificar, parece ter o nome uma investigação com milhões à solta do Freeport ou então com pressões registadas e num tom ameaçador, aquando da polémica do seu pseudo-curso, ao director do jornal Público e disponíveis no site da ERC. Que raios querem que depois uma pessoa pense, faça ou escreva? Digam-me, por exemplo os comentadores da Quadratura do Círculo, ou melhor, não digam, que o mais certo é haver alguma “desculpa”, como é norma, e ainda acabamos nós por ter que pedir perdão.
Estamos num beco de valores sociais e políticos e conómicos e morais e...
Domínio Actualidade, Teorias da conspiração
Tudo tem uma razão de ser
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E eu, que passo a vida com os meus alunos, a tentar explicar-lhes, mesmo contra a sua vontade, o porquê das coisas na Terra e não só, posso, com este vídeo, aperfeiçoar o meu saber. Bem-haja.
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