terça-feira, novembro 4

De cavalo para burro



O sentido de justiça do OA de 2009, por outras palavras, do Governo, é semelhante à perseguição feita pelos cristãos durante as cruzadas. Então vejamos o exemplo de uma calinada, em tamanho, comparável ao Mosteiros dos Jerónimos. Discorramos em duas ideias base: Diz-se que é necessário ter consciência ambiental – ok, punam-se os veículos que mais poluem, vulgo, os que emitem mais partículas e dióxido de carbono. Tudo bem, é justo, seguinte: Vivemos numa época de recessão económica, as pessoas motores da troca comercial de moeda não gastam, retraem-se e, por exemplo, as empresas de automóveis estão em dificuldades por essa Europa, quer cá como lá fora. Suspendem produções e isso afecta toda a indústria paralela da indústria automóvel. Sim porque um carro anda sem assentos mas sabe mal, anda se travões ou instalações eléctricas mas é perigoso, sem pneus mas é inseguro, desconfortável e... estúpido. Pois bem, guardo o “estúpido” e este conduz-me ao Governo. Quê fez ele? Fomentar alguma poupança? Evitar ao mesmo tempo uma retracção massiva do consumo? Penalizar, no caso da indústria automóvel, quem mais polui, quem mais consome e quem opta por não utilizar filtros de partículas (no caso dos motores a diesel)? Tudo correcto não é? Sim mas da fronteira para fora.
Segundo o ponto de "bista" do Governo, ou seja Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, a ideia é outra. E qual é, perguntam vocês. Simples – Quais são os veículos que mais se vendem? Diesel são quase 70% do parque automóvel. Dramatização de um pseudo-raciocínio.
Diz o Zé: "Oh "Nando" (Teixeira dos Santos) como é que nós arranhamos mais uns cobres nos carros?"
Resposta iluminada: "Oh Zé é fácil, os diesel vendem-se como cerveja nas queimas, vamos taxá-los!"
Zé: "Como?"
Nando: "Oh Zé nem pareces tu, é fácil: Os que têm filtros pagam por ter e os que não pagam por não ter; os que emitem menos CO2 pagam por isso mesmo; aumentamos, mas menos, o preço dos carros a gasolina que assim eles começam a comprar a gasolina..."
O Zé interrompe: "então e a poluição!??"
Nando: "Não podes querer tudo! Ólh-ó défice! Pensa, assim os totós compram carros a gasolina – o combustível é mais caro e gastam mais!"
Zé: "Oh Nando és um espectáculo!"
Nando: "Eu sei".

Deixo uma infografía do JN que atesta a tal estupidez não orçamental mas política, ambiental e racional.

segunda-feira, novembro 3

Pausa porreira



O país já está xoné por isso, também... fiquem com a ovelha xoné.

domingo, novembro 2

Rácios de sur(estupi)dez...


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Orelha guicha – quem está atento, com as badanas/orelhas no ar.
Autoridades de supervisão em Portugal – Orelhas moles…

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E o BPN nacionalizou-se… Uma pergunta ganha logo corpo, que raio fazem as entidades reguladoras neste país, e concretamente na banca? O BCP fez o que fez, o BPN acumula dívidas em 700 milhões de euros e o Banco de Portugal ou o Governo, apesar de dizerem que estavam atentos, deixaram as coisas chegarem a este ponto. Cavalgo na seguinte metáfora: de que serve a um professor estar atento à fraca performance dos seus alunos se este não toma medidas atempadas e se os catraios ficam todos retidos (chumbados)? Será chamado de mau professor, pelo menos. Ora façamos o mesmo para, por exemplo, Vítor Constâncio. Que raio faz este senhor, para além de falar em rácios, acertos, solvabilidades, prazos, processos e conversas deste tipo, que não seja cobrar-se religiosa e dispendiosamente mês após mês dos nossos impostos? Os bancos roubam, fazem aumentos de capital virtuais, vão à falência, ou quase se não fosse o bolo que o estado acabou de cozinhar, e a este senhor nunca lhe são acatadas responsabilidades apesar de as ter. Não é prática democrática ter direitos, por exemplo ao salário, e deveres, por exemplo fazer o seu trabalho? E que ninguém diga que o senhor se escusa de que a lei nada lhe pode ou deixar fazer. Se já chegou a essa conclusão o mais que tem a fazer é pedir para que os seus poderes sejam melhorados/modificados. O que nunca pode acontecer é este tipo de saber estar malandro com todos os traços característicos de isso mesmo: Bem-falante, fluente em conversa mole, ávido em discursos longos, bolorentos e extenuantes para os ouvintes e uma postura genérica de virgem Maria desonrada. Vai sendo hora de te fazerem “o acerto dos prazos num processo expedito e que te terminem a solvência de patrocínio público”

terça-feira, outubro 28

Evidências tardias


“Curvas com medidas desadequadas, defeitos de alinhamento, de empeno, travessas que necessitam de substituição imediata, anomalias na suspensão dos veículos”
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Serão nestas, ou nas restantes conclusões do relatório pedido sobre a linha do Tua, que as famílias enlutadas tentarão encontrar paz de espírito e respostas para a perda dos seus familiares. Espero que encontrem motivos para uma acção em tribunal. Já há época do acidente de Entre-os-rios, a culpa ficou solteira (Humor negro: talvez isso explique a pouca natalidade…), mesmo com a demissão do Ministro Jorge Coelho. Portugal é um país assim, quando a culpa assome à porta de uma grande empresa ou de alguns cargos governamentais, limpa-se a “caspa” e todos ficam a olhar para um lugar (comum) vazio.
Do mesmo modo que Helena Roseta, Manuel Alegre e ontem, Miguel Sousa Tavares, concluíram que o estado é pessoa de mal e optaram, e bem, pela acção cívica directa meios de comunicação adentro e, também aqui, um grupo de advogados deveria entrar em jogo (tal como no caso Esmeralda) e partir a louça toda. Seria boa publicidade, com muitas semelhanças ao American Style, o que é positivo para empresas privadas e faria o sérvio público que o estado não consegue fazer aos seus concidadãos.

Universalidades

..........................Anxiety

....................by Angel Boligan

segunda-feira, outubro 27

O caminho que trilhamos



O texto (a pérola) que se seguem tem o alto patrocínio do Ministério da Educação e dos últimos Ministros da Educação, sem excepção já que nenhum se aproveita. Recebi este texto como resultado de um brainstorming, certamente extenuante, de um aluno de nono ano. A situação não a posso confirmar mas a veracidade da empreitada, se se confirmar, não me surpreende.
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REDAXÃO - 'O PIPOL E A ESCOLA'
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas. Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os lesiades', q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?
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Acabo com uma frase de Abraham Lincoln que creio que vem muito a propósito:
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"Better to remain silent and be thought a fool than to speak out and remove all doubt."

sábado, outubro 25

Ferida de Morte


Realmente este país tem o que merece. Os cargos públicos e as suas lapas orientam à esquerda e à direita a seu belo prazer, com a conivência da maior parte dos media. O povo, nos programas de opinião na rádio ou na televisão, arremetem contra professores, médicos e todos os que desempenhem uma profissão que não seja a deles mas quando ministros proferem este tipo de afirmações, eu pergunto: mas que merda é esta!? A vergonha governamental é tanta que se permitem afirmar as maiores sandices, disparates, baboseiras sem que nada suceda ou que, pelo menos os media, critiquem e façam notícia de afirmações deste calibre! Numa recente entrevista, a néscia, fátua, inapta, incompetente, irresponsável, cadáver da educação – eu recuso-me a classificá-la como pessoa, quanto mais ministra, disse a seguinte… (não tenho classificação a não ser através de má educação):

Mas porque é que a escola portuguesa mantém esses 7,4% de alunos na 2.ª classe?Tem vindo a baixar, eram 18%, há 15 anos. O que é que os professores pensam? A criança não aprendeu a ler, vale mais que fique retida, para aprender a ler. E fica para trás.
E vale a pena ficar para trás?
Não vale. E isto para uma criança de 7 anos é dramático. É o início de um percurso desastroso. Absolutamente desastroso. São estas crianças que depois abandonam a escola. A primeira coisa é que ficam num ano de ensino desajustado à sua idade. Todos os amiguinhos que vão ter no ano a seguir, já não são os mesmos, são mais novos, e começa aí um processo de desajuste. Todos os estudos provam que a repetência não permite recuperar nada. Porque é que ficam para trás? Porque antigamente a escola era assim.

Fica o excerto e o link do resto da entrevista. E fica o aviso: quando uma pessoa, com grandes responsabilidades, se dá ao desplante de proferir este tipo de afirmações, as acções não dos professores mas dos pais, todos eles, têm que começar a fazer-se sentir e ouvir. É impossível que alguém que defenda que um menino passe sem saber ler não defenda que este deva também passar pela vida sem saber escrever, falar, andar, comer, ouvir, pensar e tudo aquilo que quisermos juntar. Não sei que mais é preciso para que as pessoas todas tomem uma atitude definitiva em relação a estes criminosos. Estamos a milímetros de começar a queimar os livros.

terça-feira, outubro 21

Operações ficcionais



O Orçamento de Estado (O.A.) é o exercício teórico que se pede aos sucessivos governos, há trinta e… quatro anos a esta parte, no que toca às contas públicas. Convém que o mesmo se aproxime da realidade mas Portugal é um país Quântico e questões dessas serão sempre relativas. O que se disponibiliza para cada ministério operar, o que se consegue juntar de modo a saldar as nossas contas, cá dentro e lá fora, e, penso eu, aquele é utilizado para fazer mover a máquina e para a optimizar. O que é que a minha vida, em tempo quase comparável ao tempo de vida republicana do O.A., me tem ensinado? É que a desgraça primeira desta grande nação é a matemática. Se tivessem dito a Pedro Álvares Cabral ou a Vasco da Gama quantos milhares de quilómetros e de horas estes iriam levar até chegarem a terra firme, estes provavelmente teriam ido até à Madeira passar o tempo ao sabor de caipirinhas (seria bom mas o Brasil ainda estava para ser).
Temos bons matemáticos mas eles escasseiam para os lados de São Bento. Seria de todo mais inteligente modificar-se o sistema político, o eleitoral pelo menos, de modo a podermos escolher os nossos ministros um a um. Veja-se o caso das eleições do EUA, onde um boletim de voto se consagra há eleição dos juízes das cidades, do Sheriff, ou para referendar sobre o tipo de empreitada a fazer (se túnel ou passagem superior ou inferior). Ou seja, retrata as preocupações mais fulcrais das pessoas e, se há situações às quais o nosso sistema já não parece ter resposta, por divórcio participativo dos Portugueses e por demérito ou falta de qualidade dos intervenientes, são as preocupações do dia-a-dia. Daí que eu advogue, do alto deste… sítio algures na planura, que o sistema seja revisto de modo a escolher os mais aptos, seguindo um movimento descrito por Darwin a propósito de outras “contas”, as biológicas.
Sendo assim e deste modo, o nosso sistema está estagnado e entregue a ineptos que, ano após ano, vagueiam num exercício que salta entre o absurdo e a utopia, ambas sem transposição prática para a língua matemática. Se por um lado é uma injustiça o que se passou com o sistema financeiro – e que acabou por disseminar o vírus com mais ou menos gravidade para todos – também o é a suposta moralização que a medida das rendas promove quando premeia os que fizeram mal as contas e/ou previram mal o futuro. Sim eu sei, seria complicado prever a volta que isto ia levar, mas havia coisas que se sabia: um – as taxas estavam a mínimos históricos; dois – ter capacidade para colocar de lado algum “cacau” de modo a não ultrapassar a barreira psicológica da “taxa de esforço máxima”.
Com esta regra permite-se indultar, e não “adultar”, os compulsivos aquisitores de casa, carro, plasma, bimbi, férias em Punta Cana e desgostar pessoas cumpridoras para já não falar numa certa lei das rendas aprovada em 2006 e da qual não há notícias, boas pelo menos. Num momento Zandinga, apodero-me do futuro e prevejo o mesmo desfecho para as outras parangonas desta legislatura.

sexta-feira, outubro 17

Hoje só me apetece dizer isto...


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"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
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Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem,
nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência
como que um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
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Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,
da mentira a falsificação, da violência ao roubo,
donde provem que na política portuguesa sucedam,
entre a indiferença geral, escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
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Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
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Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido,
análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
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Guerra Junqueiro . Pátria

quarta-feira, outubro 15

Rigorosamente a não perder

Já não é novidade trazer aqui ao blogue o Professor Henrique Medina Carreira. Gosto bastante do seu estilo e, para lá disso e de me rever nas suas ideias, acho que é das poucas pessoas genuinamente interessadas na causa pública, a par de Silva Lopes, com uma lucidez magnífica que lhe permite falar e dissertar, sem se engasgar, sobre as maiores e as verdadeiras problemática deste país. Com ele serei sempre suspeito mas parem e ouçam, não por mim, não por ele mas por vocês. Peço perdão pelo modo como disponibilizo os vídeos mas a SIC não fornece um meio melhor em página própria e aproveito para deixar esse piscar de olho à SIC.
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terça-feira, outubro 14

Futuro à volta da esquina



O desgraçado do costume a procurar fugir da desgraça instalada.

domingo, outubro 12

Boas propostas


Trago duas propostas que acabam por resumir muitas das inquietações destes tempos de míngua e, pelo menos, num deles a míngua é explicada. Como tudo, sem a outra língua, a que se tornou universal nada é possível. Acho que vale bem o tempo empregue e a sabedoria ganha nas aulas da língua de shakespeare.

1 - Castelos de Cartas - Groundzero do Subprime.

2 - Carros Verdes - A oferta amiga do ambiente e da mobilidade como a conhecemos.

Desta vez...o fogo.



Na senda das "ideias" curiosas. Divirtam-se

Uma nova viagem



Depois de o Google ter disponibilizado o curioso e útil, em certos casos, google earth, é a vez de podermos aceder, em viagem virtual mas muito educativa e curiosa, ao interior do nosso corpo humano. No site visual body, é possível ter uma perspectiva muito interessante sobre "o como", "o porquê", "o onde" das mil e uma características e funções do nosso corpo. Vale bem uma espreitadela.

domingo, outubro 5

My eyes seek reality



As preocupações gerais – e não as particulares como a conta da electricidade, as prestações várias, essas dificilmente mudam – têm andado muito à volta dos abusos. Abuso na concessão de crédito do outro lado do atlântico que acabaram por respingar para o lado de cá, tal é o emaranhado e a procura de lucro a qualquer preço. Aqui lembro-me de duas personalidades nacionais, uma que me merece crédito (Ferraz da Costa) enquanto que a outra (João Salgueiro), nem por isso – em duas alturas diferentes disseram que as pessoas só ficam apertadas com crédito, a mais para o seu ordenado, porque não sabem fazer as contas nem lêem as letrinhas pequeninas. Pois bem com esta crise duvido que eles tenham transformado em actos as suas sábias e acertadas, mas algo extemporâneas, palavras. Gostaria imenso que as perdas não afectem ninguém, como é evidente, mas que o susto e a mão na consciência de que, ninguém está a salvo independentemente do número de contas e do número de pessoas que as fazem por eles, gostava que não passassem sem ele. É que a sensação de controlo é uma miragem, não controlamos muita coisa e só as leis da probabilidade nos dão alguma margem. Como em tudo, há de tudo e o mal reside mesmo na generalização.
Os outros abusos são à nossa maneira e escala, isto é, o pagamento de favores com recursos públicos. Da crise, palavra maldita para os que se vêm afectados, ou em vias de o ser, era complicado saber-se a não ser que se estivesse por dentro do assunto com olhar crítico e aqui aconselho as intervenções de Nouriel Roubini. Já no caso dos favores… aqui tenho uma metáfora, que já existe em forma de saber popular e que reza assim: à mulher de César não lhe basta ser séria, tem que parecer. Fica a ideia, depois de ver todos os programas de debate que isto era algo estranho a todos. Fico com a ideia de que, como um todo, se julgava que a jovem permanecia virgem, impoluta, intocada e depois, há posteriori, descobrem que assim não é e a comoção toma de assalto tudo o todos, longe da privacidade do seu raciocínio e das conversas de algibeira. Todos vergonhosamente surpresos à direita, esquerda e ao centro. Ninguém está salvo e aqui apetece perguntar, quem resta? Até o primeiro-ministro, pessoa que recuso a classificar, parece ter o nome uma investigação com milhões à solta do Freeport ou então com pressões registadas e num tom ameaçador, aquando da polémica do seu pseudo-curso, ao director do jornal Público e disponíveis no site da ERC. Que raios querem que depois uma pessoa pense, faça ou escreva? Digam-me, por exemplo os comentadores da Quadratura do Círculo, ou melhor, não digam, que o mais certo é haver alguma “desculpa”, como é norma, e ainda acabamos nós por ter que pedir perdão.
Estamos num beco de valores sociais e políticos e conómicos e morais e...

Tudo tem uma razão de ser


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E eu, que passo a vida com os meus alunos, a tentar explicar-lhes, mesmo contra a sua vontade, o porquê das coisas na Terra e não só, posso, com este vídeo, aperfeiçoar o meu saber. Bem-haja.

sábado, setembro 27

Ideia (pouco) luminosa.


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Umas das últimas iniciativas da EDP prende-se com a oferta de lâmpadas de baixo consumo, vulgo fluorescentes, a habitações que facturem um baixo consumo energético. A medida é boa ou má? Bem... será sempre boa em virtude de a EDP estar a entregar gratuitamente as ditas lâmpadas, no entanto, se raciocinarmos durante algum tempo talvez cheguemos a demasiadas interrogações. Primeira: serão gratuitas para alguns porque elas serão, ou já foram, sorrateiramente pagas por todos? Segundo: a entrega das lâmpadas deveria previligiar facturas baixas ou famílias de reconhecidos fracos recursos? Falo nisto porque, todos sabemos que neste país existem muitas famílias que possuem segunda habitação apenas para a época de férias (e quem diz famílias diz empresas que arrendam casas por breves períodos durante o ano, os de praia). Ora bem, essas casas são habitadas por breves épocas ao longo do ano o que configurará uma situação de baixo consumo energético ao fim do ano e como tal entrarão nesta contabilidade de baixos consumos mas por uma premissa errada - a pouca utilização e não os fracos recursos financeiros. E vocês devem estar a pensar: "Hmm... eles devem ter pensado nisso e terão feito a correspondente avaliação caso a caso". Aqui eu respondo: olhe que não porque eu conheço casos em que isso não foi feito e não são assim tão poucos. Cinco lâmpadas por habitação dá uma apreciável quantia. Os senhores dos media que investiguem a colham os louros do "furo".

terça-feira, setembro 23

Dêem-lhe uma arma, por favor.



Estou a ouvir, neste preciso momento, o Reitor da Universidade de Lisboa que clama, com alguma dor na voz, pelo apoio financeiro em falta e com os cortes sistemáticos que as Universidades têm sofrido. Gostaria imenso de ainda ter na voz a capacidade de explanar as minha ideias com calma e ponderação e de transmitir ainda o sentimento de confiança sobre o assunto que me diz mais respeito, o ensino dito regular, mas sinto que já não consigo e, por isso também, vergo-me à intervenção que... agora termina. Venho de mais uma interminável reunião sobre o modo como aplicar de modo efectivo o modelo de avaliação do ensino Básico e Secundário e, de lá chego com a seguinte ideia: No futuro, as pontes irão cair, acidentes vários acontecerão, seremos mal servidos nos diferentes serviços públicos ou privados, correremos perigo quando formos actualizar o cartão das vacinas, formos ser operados, levantar dinheiro ou pedir uma tosta mista. Estamos seriamente a caminhar para o descalabro como sociedade porque é no ensino que se erguem muitos valores futuros e se o meu caro Reitor acha que bateu fundo... espero um par de anos. Diz-me quando estudaste e dir-te-ei o tamanho da tua ignorância.
Por conselho do meu advogado é preferível não atentar contra a vida de ninguém, até mesmo no que concerne às afirmações que aqui exprimo. Por isso não vou publicitar, que tenho há muito em mente, um concurso para a contratação de um serial killer internacional para atentar violentamente, sem remorsos, com requintes extensívos no tempo e na malvadez, contra a vida quer do primeiro ministro quer da ministra da educação. Não posso publicitar, como alguém me disse que seria melhor fazer, mas se os sonhos se tornassem realidade... eu era Engenheiro encartado e não via candonga e cavava daqui para longe.

Imagem . 18


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Gosto muito de faróis mas ultimamente creio que me dizem mais. Não sei se é por não ver muita "luz" nas imediações...

domingo, setembro 21

...mais do que mil palavras



Miguel Barreira resume nesta imagem uma ideia - O pior inimigo de nós próprios somos nós. Falta saber se é Paulo Bento que pensa "que raio vou eu fazer contigo" ou se o teor do instante se centra mais na ideia "como eu me enganei contigo". Coisas certas: P. Bento é disciplinador mas como os bons pescadores sabem, às vezes, é preciso dar linha ao peixe; é sabido que a rapaziada do leste europeu, particularmente os ex-jugoslavos, são pessoas de carácter complicado e aqui entra uma ideia deixada por outro treinador leonino já falecido, Big Mal - Malcolm Allisson. Quando questionado sobre o carácter de alguns dos seus pupilos, após a conquista de um campeonato, o mesmo disse que todos são diferentes e, por exemplo, António Oliveira precisava de mimos e ouvir sistematicamente que era o melhor jogador de todos, e assim Oliveira rendia e muito. Será que Vukcevic não será desses jogadores? Se fosse Ronaldo a história seria diferente? Uma coisa é certa, P. Bento é ainda um jovem treinador, que admiro, com muito a conquistar, a dar ao futebol e a aprender tal como o jovem Vukcevic mas, no entanto ambos e os dirigentes do clube, encontram-se num negócio que não se compadece com teimosias ou caprichos, sejam elas de quem forem. Resolvam isso duma vez por todas, nem que seja num ringue de boxe, mas deixem-se de mariquices.