quinta-feira, julho 24

Acto segundo, de três.



“…pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…”

Escrevo de véspera (já passa da meia noite… lá se foi a véspera) numa tentativa de cruzar o presente e o futuro próximo. Falo do livro do ex-Inspector Gonçalo Amaral sobre o caso dos Mc Cann. Contam os meios informativos que com o livro de amanhã será dada mais luz aos acontecimentos de Vila que vive no escuro, vai para quinze meses. Um dia é tempo de mais, uma hora sequer é tempo que não tem fim. É a segunda vez que escrevo sobre o caso e ao relê-lo vejo que apenas uma das teorias ganha força, apesar de recém arquivamento: a teoria da morte em contraponto há do rapto. Ao reler verifico também que, por aquele então, já não encontrava muita credibilidade à versão dos progenitores. O futuro ditaria a entrada em cena dos cães do nariz de ouro, a retirada estratégica dos pais, a assumpção das ligações privilegiadíssimas do casal ao, à época, Primeiro-ministro Tony Blair e o aparecimento do técnico ou facilitador de Comunicação Social de quem não guardo o nome, apenas a face marmórea e imperturbável; um tipo estranho mas talvez seja esse o seu encanto.
Acredito que muitas coisas falharam. Acredito que muitas outras foram conduzidas subliminarmente para ir dar ao vazio. O vazio mais penoso encontro-o nos olhos da menina, destilados de vida. Conclusões, minhas: Um - a menina morreu por negligência e quando os pais deram por isso optaram pela ocultação do cadáver; Dois – sem corpo não é possível verificar a hora da morte, logo não se sabe concretamente a hora do sucesso; Terceiro – não se sabendo a hora só se pode concretizar/conjecturar através de depoimentos sendo que, para mim, o dado mais relevante é a chamada ao local dos meios informativos ingleses antes mesmo das autoridades (acho este dado… massivo); Quatro – uma questão de coerência, se eu quiser sabotar, por exemplo um carro, sem dar nas vistas, contrato um mecânico. Junte-se-lhe a frigidez do ofício, da nacionalidade e do aperto et voilá! Que melhor para fazer desaparecer uma corpo que dois médicos e os seus amigos com a mesma arte? Cinco – a menina terá falecido no quarto onde se encontravam os seus irmãos. Com eles, um dia, ganhar-se-á um pouco de lucidez do sucedido e pegando na sabedoria popular: “zangam-se as comadres, sabem-se as verdades”, isto é, talvez o livro, o tempo, a vergonha e uma “pata na poça” devolva luz à Vila que pende na escuridão.

“…e vem-nos à memória uma frase batida, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”

terça-feira, julho 22

Óbvio



Recebi via email um texto que é atribuido ao Primeiro-ministro Australiano, John Howard. Optei por transcrevê-lo na integra já que me parece que está bastante apropriado.
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Os imigrantes não-australianos, devem adaptar-se. É pegar ou largar! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria do Australianos. A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade. A nossa língua oficial é o Inglês, não é o Espanhol, o Libanês, o Árabe, o Chinês, o Japonês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua! A maior parte do Australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas. Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura. Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco. Este é o nosso país, a nossa terra, e o nosso estilo de vida. E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têem muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade autraliana: o direito de partir. Se não são felizes aqui, então partam. Não vos forçamos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou.'

Lei da bala 2



Dizia uma senhora de etnia cigana “eles não dão casas, são racistas” O poiso mudou-se desta feita das imediações da Câmara de Loures para uma ponte em Frielas. Dá gosto ver, nas imagens televisivas, pessoas a quem lhes foram dadas casas, com rendas de 1uatro, oito euros, em bons veículos de todo-o-terreno, repletos de plasmas e outras aparelhos de indubitável bom gosto e ao alcance de certas carteiras. A polícia bateu “à porta” às 6h da manhã e já foram tarde. Só tenho pena que as insinuações de que iriam fazer uma manifestação nacional, não se tenha concretizado. Tinha sido bonito de ver. Os ciganos são cidadãos portugueses no papel, está na hora de que os deveres a doer, lhes sejam pedidos. Termino com outra frase iluminada: “ eu não quero uma casa ao pé dos pretos!” Racismo? Qual racismo?
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PS: Continuem os BURROS dos tugas a comprar em feiras.

Ciência (made in Portugal)



É evidente que existem situações de maior urgência e, como tal, com maior relevo nos meios informativos. O crédito mal parado, a situação da Quinta da Fonte, o caso Mc Cann entre outras. É aqui, na minha opinião, que mostramos o que somos. Vivemos uma crise económica permanente e só a cunhagem, no Zimbabué, de notas de milhões de dólares locais terão um maior ridículo do que o motor económico deste país. Quando penso “como será ele? O motor económico, claro” lembro-me de um hamster na roda estático do seu exercício diário. É assim que o vejo e porque falo nisto?
O jornal Público de hoje traz um artigo sobre a criação ou o desenvolvimento, por um grupo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, de transístores em papel! Se houve material revolucionário do século XX um deles foi, sem dúvida, o transístor. Permitiu e permite o mundo como hoje o temos, na palma da mão por exemplo. O que tem de revolucionário este trabalho científico de ponta no nosso país? Logo, à partida, permite uma diminuição dos custos o que leva a que tudo o que se reja por códigos binários veja substancialmente reduzido o seu custo de fabricação. É evidente, penso eu ou talvez não, que os computadores não serão feitos de papel mas poderemos comprar um dia um jornal digital e receber, invariavelmente, dia após dia, as notícias fresquinha como se o jornal se renovasse na hora. Isto é só uma aplicação e talvez a mais insignificante. Sendo descartáveis poderão ter um impacte decisivo na indústria dos cuidados de saúde. Isto sim, para mim e não desmerecendo as outras, é uma notícia digna de registo.

sábado, julho 19

A frase do... ano?



"Os Estados Unidos não têm inimigos permanentes."

Condoleezza Rice, num encontro com representantes do Irão.

Hipocrisias, como tal, deixo de criticar o nosso Primeiro por se encontrar com pessoas de duvidoso carácter. Força Zé, vai-te a eles e traz o "marfim".

segunda-feira, julho 14

Lei da bala


Não era para escrever sobre o caso, apesar da violência e, no meu caso, o insólito da situação. As imagens de quinta ou sexta-feira em Loures, ou no bairro em questão, se fossem colocadas no meio de uma reportagem sobre o Iraque ou o Afeganistão, muito pouca gente daria pelo truque. A não ser aqueles “linces televisivos” que descobriram o leopardo no anúncio do VW Passat cc e que neste caso leriam as matrículas dos veículos (situariam a história) como uma rapidez que faria corar a cobrança de impostos.
Então se não era para escrever porque escrevo? Muito simples, vinha na estrada ouvindo o Fórum da TSF e periodicamente a locutora, e bem, há que ser realista, calava as vozes mais acaloradas sobre o caso, sempre que o destrato passava a questões de índole xenófoba ou racista.
Pois bem, aqui não há locutora e, não sendo eu xenófobo ou racista, creio que muitos dos testemunhos silenciados têm fundamento. Não quereria generalizar mas é incontornável que, seja qual for a cidade, vila ou aldeia, toda a gente tem algo, ou muito, contra a comunidade cigana. Lembro-me bem de reportagens televisivas onde o medo ou a paz era reabilitada, em certos pontos do paí,s só a poder de ameaças e confrontos fortes entre os populares e os ciganos ali “residentes” tendo este que fugir "a sete pés". É uma comunidade segregada porque ela própria se coloca nessa posição. Existem poucos que se adaptaram aos bons hábitos. Eu cá só me lembro do da trivela e esse até está a meio termo.
Portugal tem sido, nos últimos anos e não só, uma porta de entrada de cidadãos africanos, brasileiros, indianos, chineses e um porto seguro para ucranianos e outros cidadãos do continente europeu, vitimas de sucessivas guerras civis.
Essas comunidades integraram-se e tirando casos pontuais e muito ligados a factores sociais, particularmente no que toca a certas gerações na comunidade africana, não se registam grandes problemas sociais (tirando o arrastão numa praia, em Oeiras creio). Nota-se mais na comunidade africana de 3.ª ou 4.ª geração porque, a par das situações sociais como o desemprego e alguma desconfiança sobre eles, são eles, tal como os jovens lusos de gema, que se encontram mais susceptíveis à crise de valores e geracional que atravessamos.
Depois surge o termo “inclusão social”. Todos temos que trabalhar para termos as nossas coisas. Esta “rapaziada” não faz nenhum, atiraram “areia para os olhos” das autoridades ao vender, pontualmente em feiras, uns sapatitos e tretas dessas, arranjam umas facturazinhas e a vida continua já que o “estado”, esse bicho sem rosto, sem corpo, sem cheiro ou gosto, acéfalo como uma rocha, gosta quando as o “faz de conta” se institui. Eu, por princípio, desconfio há brava dessa gente e como tal as feirolas ou acabavam ou eram passadas a pente fino, tal como as suas casas, carros e tudo. Há direitos para os meninos? Haja deveres e responsabilidades!
Recebem patrocínios estatais sobre a forma de subsídios de inserção, umas casas municipais sujeitas a rendas baratas, que não são pagas, e assim vão fazendo a sua vidinha. Se recebem esses subsídios, porque razão não trabalham meia jornada na limpeza de ruas ou matas?
Também há quem diga que são os maiores no tráfico de drogas. Olhando para os “artistas” da minha cidade, isso não é sequer tido em conta tal é a certeza que eu tenho nesse aspecto. (Por esta altura já não falava na TSF há 5 minutos, praticamente desde a segunda linha do texto…)Por isso, como pagador de impostos, não temente de Deus mas cumpridor dos códigos gerais que, mal, governam este país acredito ser necessário colocar-se essa gente na linha. Há bairros onde a polícia não entra e isso é tido como normal. Se fosse eu saia era tudo pelas janelas tal era a força com que se entrava pelas portas. Sim, não tenho este gente em boa conta. Sim, por mim... No entanto dou o beneficio da dúvida e por isso investigue-se.
Outra coisa que me mete repúdio é as birras e os assentamentos que fazem em certos locais como hospitais. No tempo de Salazar, não "o saudoso", só por vezes, nessas vezes, essa gente era corrida à pancada se não desmontasse a tenda e se não fizesse pouco barulho. O estado tem receio de ser mal interpretado? Por quem? Creio que nesse aspecto os portugueses em peso estariam de acordo com a ideia simples da paridade: Se há para uns, há para todos. E que sabe se não ajudava a garantir mais umas simpatias autárquicas ou legislativas. Pensem nisso.

sexta-feira, julho 11

Em jeito... horizontal


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Um
Ontem à noite iniciou-se a venda de um revolucionário aparelho pessoal de comunicação (não lhe chamo telefone porque era o mesmo que chamar a uma navalha Suiça uma faca de pelar batatas) - o iphone da Apple. Diz-se que para além do preço, o dito aparelho carece de uma renda mensal entre 50 e 65 euros. E houve fila para comprar! Para variar a crise fica... rouca nestes momentos e Portugal fica no topo dos países em que, governar um bicho destes, é mais dispendioso. Não seremos um país rico?
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Dois
O debate do Estado da Nação foi ontem. O que valeu a pena? A poesia de Paulo Porta. Muito actual e com um travo de estilo "castiço" que é refrescante no local bafiento em questão e onde os espectadores são tão exigentes e descontrolado (até quando têm que trabalhar. Por onde andará Santana Lopes que, diz-se, não vai trabalhar há semanas? Não há faltas?). Quem era a senhora em roxo (perdoem-me as senhoras mas só reconheço as cores do arco-íris. Não é implicância, é defeito do sistema, não sei se meu ou vosso) da bancada do PS que estava tão... indisposta com Francisco Louçã. Até um perdigoto me veio parar à mão e, da qual acredito, ter visto parte do sistema arterial e venoso, que liga o corpo à cabeça, pelo pescoço portanto. Senhora controle-se, a seguir virá de novo o menino Portas ou então o Primeiro irá consolá-la com um beijinho.
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Três
Taxa Robin dos Bosques. O grande momento do Primeiro-ministro foi a introdução da taxa Robin dos Bosques. Haverá coisa mais gay? Não, não tenho nada contra os gays e juro não ser familiar de Manuela Ferreira Leite. Mas ele há personagens e personagens. Porque não a taxa Batman? Pois... esse também andava com um fato justinho. Talvez os super-heróis sejam má opção. E que tal a taxa "Zé-povinho"? Aquele do manguito e que sova e bebe a torto e a direito? E é Português! Já temos... é o Ministro da Finanças.
A melhor proposta de Sócrates é um tipo em collants verdes, com uma pena num chapéu algo folgazão, sempre rodeado de homens, todos escondidos numa floresta com muito tempo para matar, que rouba a poder de inteligência (veja-se, será isso é másculo) os senhores ricos do condado e que em vez de um pistolão (de macho, tipo Clint Eastwood) usa um arco e umas flechas. "Aí, aí vou roubar o Sheriff, com os meus colans verde bosque e as minhas setas de penas de pato!"
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Quatro
Ainda a propósito da taxa. Façam as contas. A Galp ganha mais valias no valor de 400 milhões de euros. Tudo devido à subida, especulativa ou não, dos combustíveis. A Galp compra a "1" e vende, posteriormente, a 401 milhões. É um negócio doce, não? Amargo para nós mas... mas esperem! Temos o nosso Robin... de collants. Pois bem o nosso Robin, perdão o nosso Primeiro-ministro, munido dos seus... colans verde musgo (apeteceu-lhe mudar, coisas de super-herói) vai e diz: "Ha ha, apanhei-te! Dá para cá hmmmmm... 25% dos 400 milhões que é para aprenderes!" 25%? Porque não 24 ou 26 ou 100!? Ora bem este Robin é mesmo camarada. Fica lá com 300 milhões e dá para cá 100 milhões. Afinal este Robin de colans rouba ou deixa-se enganar? Põe de quatro ou coloca-se a jeito? Ou será que vai rodando? Isto parece-me muito suspeito? E os colegas de armas: "Hmmmm isso é normal. Ele de semana para semana gosta de variar. Umas vezes é com o João Pequeno e na outra já está numa cela do sheriff de Notthigham. Sabe, isto aqui entre nós, ele também usa collants!"

terça-feira, julho 8

"Velho do Restelo" ou "Homem do Leme"?



Sou sincero, aprendi a gostar de política mas os actores políticos deste país metem dó. No entanto existe um que, não sei se por descrença patológica minha, se por coerente reacção às políticas(?) realizadas, em que eu reconheço frontalidade. Ele é o professor Henrique Medina Carreira. É directo, frontal, propõe coisas e, quando faz intervenções conta as coisas tal como o zé povinho as sente. Fala da realidade que todos sentimos no dia-a-dia e explica-a de modo simples e, parece-me, honesto. Sem dúvida uma daquelas pessoas que ou se ama ou se detesta. Deixo à vossa consideração num link do último "Negócios da Semana"
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PS: Medina Carreira, como ministro das finanças de um governo de Mário Soares em finais dos anos 70, e perante o aumento brutal dos combustíveis, disse em directo no telejornal que “os portugueses deveriam voltar a andar de burro”. Priceless

No dia que a casa (uma delas) veio abaixo


O passado intimidou a noite lisboeta durante o início da semana. Um incêndio numa das avenidas principais e mais emblemáticas do “monopólio” da capital do país ameaçou reduzir a cinzas mais do que um prédio, num instante dejá-vu, com mais de quinze anos. Concordo com as palavras do arquitecto paisagista Ribeiro Telles, que afirma há anos, que a construção selvagem da periferia da cidade de Lisboa era um erro bestial só possível devido ao altíssimo patrocínio de bestas políticas e empresários de ocasião.
4600 Habitações livres, no seio da maior cidade de Portugal, é algo que me faz relembrar duas coisas. Primeiro, quem for a uma qualquer cidade europeia verá que os edifícios semelhantes aos que estão ao abandono em Lisboa são os mais acarinhados e os mais reluzentes. Segundo, relembro uma reportagem sobre o vereador bloquista da câmara em questão da cadeia Al-Jazeera, que na sua introdução dizia que a capital Portuguesa, outrora famosa pela sua construção vanguardista (pós 1755) e pela pujança proveniente dos tempos dos Descobrimentos, revelava, sem muita dificuldade, o passo dos anos e a decadência de uma ida potência mundial.
Curiosas também não deixam de ser as declarações de um tal representante de uma Associação de Proprietários Imobiliários de Lisboa, salvo erro que a verificar-se, no nome e não na substância, eu me penitencio. Dizia o senhor que se o Governo ou a Câmara quiser que os prédios não se degradem, o Governo “terá que dar subsídios”. A gargalhada espontânea, com alguma mágoa, apoderou-se de mim. Vou tentar metaforar, sobre a estúpida tirado do senhor, em prol da minha pessoa. Eu tenho um mini de 1974 e ele está a necessitar de um trabalhito de bate-chapas. Eu vou abandoná-lo na estrada e se o governo ou a câmara, que eu não sou esquisito, quiser que o retire ou arranje, que me patrocinem a empreitada.
Um conselho ao governo de quem quer uma casa daquelas, não tem como uma comprar mas que arrendaria de bom grado: Criem um Decreto-lei que exija que imóveis desses, existentes pelo país fora, sejam reparados ou, na impossibilidade monetária de que isso suceda, que os proprietários sejam forçados a vendê-los ou a arrendá-los. Quem não quiser vender que se sujeite ao cumprimento da Lei (limpeza, emparedamento, etc) e fique obrigado, no exercício voluntário dessa opção, a satisfazer esse sua vontade a poder de impostos obscenos, em virtude de magnificência dos edifícios em questão. Algo me diria que essas casas não ficariam ao abandono por muito tempo.

segunda-feira, julho 7

Erosão educacional



Neste período pré-férias tenho tido, durante algumas destas tardes mais sossegadas, um primito meu que, por esta altura, goza as férias tendo como horizonte o segundo ano a partir de Setembro. Pois bem, até aqui tudo normal. Temos jogado futebol, viste BD e outras coisas normais, próprias da idade dele e ainda um pouco da minha, penso eu.
Ele trouxe consigo uns trabalhos, e bem, para as férias e vai daí, sabendo eu disso, disse-lhe para trazer as coisas para ir “matando o borrego” aos poucos durante estas tardes. Sem pressas, sem stress, sem moléstia. De soslaio observei se as coisas permanecem como eu as tenho na minha cabeça, dos tempos em que eu próprio frequentava a 2.ª classe, menos fashion mas de igual valor. Verifiquei que se pinta, se recorta muito mais do que quando eu por lá andava. Parece mais “pintar e recortar” e, pelo meio, aprender umas contas ou umas letras. Soube-me estranho mas… “eles saberão, eu sei mais dos níveis e disciplinas”. No entanto surgiu uma dúvida no trabalho que versava assim: “Quantos alunos tem a turma? Quantos meninos existem? E meninas?” Pois bem a primeira foi feita sem dificuldade, tal como a segunda, mas no momento de responder a terceira, o ritmo alterou-se e ele ficou estático sem saber o que fazer e já a sentir algum nervosismo disparou com 16!? “Mauuuuuuuuu…” Pensei eu. “Desde o início”, disse-lhe e foi com algum custo dele e com alguma confusão minha que a resposta surgiu. Escusado será dizer que, desde esse dia até hoje, tenho feito uma revisão com eles dos conceitos matemáticos mais simples: algarismos, classes de algarismos, contas de somar e subtrair. O emperramento tem sido algum e isso é algo que me tem sabido mal. Que raio andou este miúdo a aprender durante o ano que terminou?
Na semana que passou o Público publicou um artigo extenso de M.ª Filomena Mónica intitulado “Os testes de Português podiam ser substituídos por uns papeluchos como os do Totobola”. Li e concordo com as suas palavras, Surpreendi-me porque, apesar do seu nome não me ser estranho, a curiosidade ainda não tinha sido suficiente para me ter arrastado para saber mais sobre ela. É Socióloga, e disso eu não esperava. Já escrevi aqui algures que a Sociologia terá a sua importância mas eu não a reconheço devido a que: primeiro – aqui para os meus lados, há quem tire sociologia durante o mesmo tempo que eu demoro a vestir uma camisa e com menor dificuldade; segundo: a Ministra da Educação, sendo socióloga, criou-me um desconforto, um bloqueio permanente e de dimensão desmedida em relação a tal disciplina, que apenas reconheço António Barreto como alguém merecer da minha atenção aquando das suas intervenções.
M.ª F. Mónica também o é, é casada com António Barreto (parece novela onde surgem coincidências daquelas que dão cócegas dentro do “miolo”). Adiante… das suas palavras, guardei o seguinte: “Qualquer dia até o meu neto, de seis anos, é capaz de responder satisfatoriamente às provas do final da escolaridade. Uma vez que já sabe escrever o seu nome e que responde prontamente a quem lhe pergunta quanto são dois mais dois, penso que não vale a pena matriculá-lo na 1ª classe, deixando-o no recreio até aos 15 anos, altura em que se poderá apresentar a exame como aluno externo.” Esperemos que não.

quarta-feira, julho 2

Filhos de um Deus... capitalista



Deus aderiu às leis do mercado, ao capitalismo. Não tenho muito a dizer em relação a isto, a situação descreve-se e classifica-se por si só (33% de aumento). Numa época de grande aperto social e quando a ida a uma igreja é um dos consolos diários, ou semanais, dos portugueses com idade superior aos 50 anos, é estranha a opção de uma igreja em decadência nítida. Os mais novos só participam em certas cerimónias religiosas, como casamentos ou baptizados, por mera obrigação social. Se a igreja taxa os mais fiéis o resultado será um maior afastamento dos mais novos e uma desistência, significativa ou não, forçada ou espontanêa, dos primeiros. Mais um tiro no pé.

segunda-feira, junho 30

C'est chaud



Percorria uma estrada nacional, sob uma calina horrível onde o mero olhar para os campos ou o asfalto, ofuscava as vistinhas quando me deparei com imensos trabalhadores ao longo da estrada. Encontravam-se, e bem, a cortar as ervas secas nas bermas da estrada que poderiam originar, por descuido ou negligência, um incêndio. É uma tarefa que deve ser feita, no entanto, creio que a hora a que estava a ser feita é um massacre para os trabalhadores. Se dentro do carro faz o calor que se sabe, onde ligamos compulsivamente o ar condicionado ou “escondemos”, nas sombras vizinhas, os braços dos raios do sol que invadem incontrolavelmente o carro, o que dizer do que aqueles homens estavam a passar. Todas as profissões têm vicissitudes e elas devem tentar contorná-las de modo a obter o melhor rácio rendimento do trabalho/satisfação dos trabalhadores. Acho que, seja a poder de código de trabalho quer através de acordos dentro das empresas, devia haver alguma liberdade, estando as partes em sintonia a alterar as características laborais. Se eu pudesse, se eles quisessem, aqueles trabalhadores poderiam escolher entre fazer aquele trabalho às 14h ou a partir das 18h. Eu se fosse trabalhador agradeceria, certamente.

"Arquivamentodependentes"



Hoje fazem notícia um par de arquivamentos sobre dois processos distintos mas, de certa forma, mediáticos. O “caso da fruta” de Pinto da Costa e do uso indevido da imagem de um cidadão anónimo numa brochura da Câmara do Porto subordinada ao tema da toxicodependência. Vou-me “perder” no segundo caso do qual poderei, penso eu, fazer uma apreciação mais assertiva. O Presidente da C.M.P. tem uma revista. Num artigo sobre toxicodependência e os malefícios dessa prática, a par das ajudas aos arrumadores que acabou por eliminar, Rui Rio decidiu utilizar a imagem de um qualquer arrumador de carros que proliferam pelas ruas do Porto. Compreendo a ligação entre arrumadores e toxicodependentes já que esse foi o meio de subsistência directo do indivíduo e, indirectamente, do vício, destes durante anos. O problema é que hoje em dia não arruma só carros quem é toxicodependente. Já há “no ramo” pessoas que tinham profissões normais e que a crise levou a esse extremo depois de tudo perdido. Perdeu-se a casa, o carro, o emprego, os amigos, nalguns casos a família e apenas se achou sentido da rua e da noite ao relento, como é possível ler num artigo elucidativo do JN de ontem, que aqui deixo.
O problema de Rio surge aqui, com esta mudança social, se bem que, ao edil Portuense não se deveria olvidar que as pessoas, mesmo as mais desgraçadas, têm direitos como outra pessoa qualquer, como mesmo o próprio Rui Rio. Um lapso talvez mas um lapso marcante para o visado arrumador que se sentiu prejudicado com tal foto e que esperou, e espera até hoje, por uma desculpa do Presidente Portuense. Se o erro fosse admitido, o caso teria sido sanado e o tribunal não teria sido chamado a intervir, mal no meu entender. O tribunal decidiu não dar provimento à queixa e remeteu tudo para o monte dos arquivamentos. Haveria matéria para um processo? Não me parece, mas não havendo um pedido de desculpas para uma situação tão clara e simples o que seria pedido ao tribunal era que condenasse o autarca a repor a situação prévia. Através de outra publicação camarária? Numa publicação nacional? O que fosse mas algo que tivesse o impacto da que despoletou o sucedido. São estes episódios importantes para o país? Não, mas ajudam a dizer muito, neste caso dos autarcas e do juiz que optou pelo arquivamento. Se eu aqui colocasse a imagem de Rio ou do juiz “arquivador” com a palavra toxicodependência a “colorir” o artigo, achariam eles bem?No que toca aos arquivamentos… senhores magistrados bem sei que a pilha de papel é mais que muita e que o dia não estica mas utilizem a lei e a imaginação e não arquivem porque assim é mais fácil. Analisem e arquivem se a isso conduzirem os factos e argumentem nesse sentido, e não decidam arquivar para se esquivarem ao trabalho, não arquivem “à priori” e argumentem em função de um desfecho pretendido. Isso é mau serviço e a sua confirmação é o suficiente para deixar uma má ideia de um instrumento basilar da sociedade.

domingo, junho 29

Bom som, desfrutem

Dedicatória a todos os políticos


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Dedico este vídeo a todos os políticos sem excepção. Que o sol vos faça mal durante este verão.

sábado, junho 28

Pura estatística



“talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média. Os “alunos têm direito a ter sucesso...honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos” by Margarida Moreira, DREN
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Lembram-se do macaco Gervásio? Aquele macaco que ao fim de 1 hora já sabia separar o lixo pelo código das cores? Pois bem acho que agora até já o macaco Gervásio começa a entender do que raio falam os professores quando dizem que existe facilitismo. Se tem quatro patas, chifres, tetas e manchas branca e negras, que bicho é este? Hipóteses:
A: Margarida Moreira, Directora da DREN;
B: Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação (dizem... com dedicatória);
C: Um coelho;
D: Uma vaca.
Alguém arrisca? Não vale apostar em mais do que uma alínea, seria... correcto?
Ou seja, do alto do critério e da sapiência do estado (já não faço distinção, é tudo farinha podre do mesmo saco) se eu quiser ter honra no meu trabalho basta passar os meninos. Levante a mão, o professor que ainda não foi convidado, por um qualquer conselho executivo perto de si, a fazer tal. Excelência? Sim, sim excelentes parasitas que nos governam e que nós, às custas das suas ideias, ajudamos a formar nas escolas, a rodos. Estou farto disto. Estou em blackout na Educação se é que ainda assim se poderá chamar.
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PS: Perguntem aos alunos que se esforçaram durante o ano, sobre os exames? Que dirá o "João" que se esforçou como um camelo e viu o "Manel", que não via um boi das coisas, que passou o ano a apanhar ondas, passar com uma nota semelhante à dele? "Oh Stora não é justo!"

quarta-feira, junho 25

Vergaram-se? Qual é a novidade?


Cada vez que se aproxima uma pseudo Concertação Social em vias de se propagandear ou, como agora, na perspectiva de um acordo tão importante como a revisão do Código de Trabalho, existe uma imagem que me é recorrente. É o chamado colocar-se "a jeito", na língua de shakespeare o termo esconde-se atrás do "bend over" ou, ainda em alternativa mais corriqueira, "UGT" ou "João Proença".
Sim, é verdade, aproxima-se muito avidamente o dia que no dicionário, ao lado do termo "pôr-se a jeito", virá o símbolo da UGT. Como sabemos uma imagem vale mais do que mil palavras, mesmo palavras ofensivas como seria neste caso.
Também há quem diga, não eu que sou uma pessoa responsável, temente de valores morais, que acredita no inferno, ou talvez não, e que não embarca em desvarios insensatos, incessantes ou rameiros, que a UGT é como uma entidade proxeneta. Um proxeneta é aquele que lucra, através de uma posição mediadora ou intermediária, de casos amorosos. Ora o (des)Governo, na pessoa(?) do Sr. Pinto de Sousa, ama que se farta o sector do patronato. Leva-o a passar, apresenta-o a pessoa supostamente importantes como ditadores e tal... Ora se para esse amor se consumar, o patronato, que não gosta do Sr. Pinto de Sousa, apenas gosta da figura personificada, neste caso, pelo referido elemento, faz das tripas coração e concede-se à loucura, mas sempre a troco de umas coisitas pequenitas... É aqui que entra a proxenetice da UGT, que facilita amor alheio, como por altruísmo ou sentimento cupidiano. Isto, se não tivermos em conta que a UGT é do Sr. Pinto de Sousa. O conceito de ser é menos lato do que parece inicialmente. Bastaria para tal verificar as chamadas entre o "rato" e... adiante. E tudo se confunde, tudo se ama e o amor paira no ar, a Abraço não tem mãos a medir tal como segurança social que, pelo menos uma vez, recolhe o nome dos malditos cordeiros condenados por proxenetas vergados. Mas atenção, não sou eu que digo, é um Senhor que a propósito de certas situações optou por tecer determinadas considerações, em local incerto sobre este tipo de indivíduos percursores de certas ocorrências que têm tendência a acontecer em determinadas alturas do ano. O costume.
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PS: Ainda me hão-de explicar de que modo é que a mobilidade ajuda ao estabelecimento de famílias. Era uma coisa para a qual, do fundo do coração, gostava de obter uma resposta e não uma série de considerações estúpidas.

quarta-feira, junho 18

Ideias dessincronizadas...

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A EDP a convite ou, esperemos que não, a conselho da ERSE parece estar em vias de poder taxar nos contribuintes, nos milhões de fies “à força”, os calotes daqueles que não pagam o que lhes é devido. A ERSE justifica, aparentemente parece possível justificar, que esta é uma conta que deve ser dividida por todos. Não sei se ria se chore. Vou optar pelo discurso não convencional. A partir de hoje vou abraçar um melhor estilo de vida: Vou comprar uma vivenda, plantar lá uma piscina, comprar uns bons carros, fazer umas belas viagens até cansar a Terra, isto é, tudo aquilo a que uma pessoa, inclusive um bicho “ersiano”, daqueles movidos a força de idiotice, tem direito. Quem paga? Quem não souber conjugar o verbo “Ser” no presente eu ensino, porque vai ser preciso já que pagamos todos. Porquê? Ora, porque assim custa menos, pelo menos a mim! E quando a EDP der lucro espero ver na minha conta bancária creditado o que me é devido. Para já não falar no que está em dívida. Lembrando e bem, creio eu, o enorme António Silva: “Oh seu grandessíssimo e alteradíssimo camelo! Arranjo-lhe um lugar no desemprego e dessincronizo-lhe a tromba!”

O martelar dos ponteiros



Já viveram certamente aquela situação de estarem confortavelmente deitados, refastelados no quente ou no fresco dos lençóis, consoante a época do ano, a mergulhar, querendo, sem apelo nem agravo no silêncio e no escuro da noite numa tentativa de “fazer a cama”, à primeira, ao estado de vigília quando, de repente, se houve… os ponteiros do relógio. Lá longe, no extremo do quarto, para chatear ainda mais, surge em crescente gritaria o martelar dos insípidos ponteiros. “Mas nem lhe mudei as pilhas? Será o seu grito do Ipiranga?” Conjecturam-se tácticas evasivas que minimizem o som, o movimento e maximizem o sono. Puro engano, a realidade é outra. Vais-te mexer para um lado e para o outro, serves-te da almofada, lençóis, do cabelo, das mãos mas nada acalma o desconforto que já não se sabe se vem do extremo do quarto, se ganhou raízes dentro da cabeça. Muda-se de táctica, abraça-se a ofensiva. Voa a almofada, uma t-shirt e o que houver à mão. Acena-se a cor branca e, contra vontade, “cai-se” da cama chega-se ao sujeito e… coloca-se no raio da gaveta. Pensamos: “amanhã não me posso esquecer de fazer disto”. Voltamos para a cama e… uma noite a olhar em vão.
Não, não deixei de dormir na última noite devido ao relógio.Durante a vigilância de um exame tem-se tempo para tudo, não se podendo fazer nada a não ser algumas funções vitais e espantar a trapaça. É então que o nosso maior inimigo se apresenta com um mero, incessante e agitado “risco” de metal vestido numa couraça vidrada que, como qualquer inimigo, acaba por estar sempre mais perto do que pensamos. Foram 14h58, o soalho estalava do calor, a atmosfera foi ficando mais pesada, os vidros escorriam o calor como água, a colega rezava descontrolada mas discretamente pela filha em exame em parte incerta, para mim é claro. Eu cá lutava com o raio do ponteiro que não parava quieto ou, em alternativa, acelerava o passo, sempre pensando mentalmente e em desatino seguro com os alunos: “O sacana do tempo que não anda”. E ainda esta foi a primeira…

sábado, junho 14

Amigos, bons fim de semana.

A noite já vai alta... A música não quer parar... Hmmmm... "mai uma" para o caminho...