segunda-feira, abril 28

Que raio se passa?



Um Austríaco teve em cativeiro durante mais de 20 anos uma filha. É escusado dizer que em cativeiro a jovem sofreu situações inarráveis. Não entendo como é possível acontecer algo semelhante e ou sou eu que ando parco em palavras ou esta é mais uma daquelas situações em em que uma imagem vale mais que...
Questões preocupantes:
- Como era possível a mulher do homem e, presumo mãe de rapariga, não ter dado por nada?
- A casa situa-se numa zona habitacional, será que nunca ninguém se apercebeu de nada?
- A rapariga foi dada como desaparecida, a polícia não fez perícias na casa?

Sociedade estranha aquela em que vivemos onde uns se comportam como animais selvagens em fúria atrás de outro ou uma pessoa domina a vida do outro e o resto dos vizinhos não percebe nada.

"Chamem a Polícia!", ou talvez não...



Há episódios que deixam pouco que dizer e apenas uma careta de estupefacção, de indignação, de perfeita dúvida é que conferiria alguma justeza ao acontecimento. Esta seria a melhor maneira de reagir a duas notícias que o fim-de-semana nos trouxe. Mas apesar de parecer impossível vou tentar escrever algo sobre as duas.
Um jovem viu-se perseguido por uma turba de gente, concretamente quinze indivíduos, na tarde de Domingo em Moscavide, periferia de Lisboa. Pensamento do jovem: “Vou até à esquadra que lá estou seguro e posso fazer queixa”. E se assim o pensou, assim o fez mas o que nem ele, nem o anfitrião (o polícia de turno) nem todos nós era que a turba fosse, quais cães danados, atrás da presa para dentro da esquadra. E aqui é que as versões agora surgem como cogumelos, cada um parece ter a sua. Eu só me detenho no que é transversal a todas e que é motivo do meu assombro.
Eu sei que existem postos de polícia e/ou GNR onde apenas uma arma está funcional e que quando essa sai para a ronda, o polícia que fica no posto se barrica lá dentro e apenas atende o telefone. Se eu sei isto, acredito que quem governa também sabe mas se eu fosse um malandro com juízo (algo paradoxal, admito) esta seria uma informação que daria muito jeito.
Sinais dos tempos certamente onde a começar pelo exemplo da Assembleia “do povo”, tudo parece ser palco das mais variadas vergonhas. Não deixo passar em claro, apesar de já ter feito eco da sua intervenção durante as comemorações do 25 de Abril, as palavras de Cavaco Silva sobre os políticos. O défice democrático que se sente e que parte do autismo politico, partidário e “lobista” assenta em acontecimentos como os de quarta-feira passada onde a aprovação do Tratado de Lisboa é feita às escondidas da população, sem o prometido debate público e apenas tem destaque em notas de rodapé nos jornais diários. Democracia? Hmmmm… qu’é d’ela?

Vida feita lição



A ver e ouvir...

sexta-feira, abril 25

25 d'Abril, sempre!



E então, nesse dia, as armas só espingardaram... cravos.

O Presidente no seu discurso habitual deixou uma lembrança na casa de todos nós. A população afasta-se da política, os políticos não fazem nada e a democracia, sentido pelo Presidente e não só, parece não ter chegado ainda a todo o lado. Virá, certamente, o ilustríssimo primeiro dizer que "tudo bem" ou "porreiro pá". E o circo contínua mesmo num dia como o d'hoje
Deixo a foto de alguém digno, de alguém importante do bravo capitão - Salgueiro Maia

quarta-feira, abril 23

Constituição ("Romana") Europeia



É hoje aprovado no Parlamento, a casa de todos nós e da nossa democracia, a Constituição Europeia. Não a li mas deixa-me algum amargo na boca não ter havia um debate de modo a perceber as linhas que irão costurar a nova manta europeia. A azia, por outro lado, surge porque aos portugueses nem sequer é reconhecido o direito terem algo a dizer sobre a mesma. Se é assim tão importante como a propalaram os agentes políticos,não devia a mesma resultar de um processo transparente e claro? Ora nem sequer foi feita publicidade clara quanto mais debate ou esclarecimento da mesma. Fraca democracia aquela que se urde em turbilhões democráticos para atordoar as pessoas.
A Constituição irá passar como nos tempos do Coliseu Romano, com polegar para os céus dos decisores e sem polegares visíveis da populaça porque os mesmos foram retirados à entrada para o recinto.
Avé Sócrates!

Inadaptações várias



Existe algo que me deixa a pensar… Existe muito na verdade mas esta foi a última. Vivemos num tempo de voragem avaliativa e o Governo, e bem, quer tê-la por base para, de forma justa e imparcial penso, poder decidir segundo itens de meritocracia a progressão nas carreiras. Noutro âmbito e segundo o Código do Trabalho que agora se negoceia, vai existir a possibilidade de despedimento por inadaptação ao posto de trabalho. Estes dois projectos a artigos legislativos criam-me as seguintes dúvidas:
1. Os portugueses, não como um todo obviamente, avaliam como “pouco satisfatório” o desempenho do governo. Segundo a ideia de meritocracia e as novas soluções laborais, nós como eleitores poderíamos ou deveríamos poder dispensar este elenco governativo, ou não!? Alguém que me responda.
2. Percebemos a inadaptação do Governo para fazer qualquer tipo de governação e, como tal, não deveriam ser estes despedidos? Aguardo resposta.
3. Como pode um trabalhador ser despedido por inadaptação? Bem, no seguimento ao momento em que é contratado não poderá ser certamente isto porque o processo de selecção deve servir para evitar desadaptações, correcto? Então as inadaptações só poderão ocorrer ao fim de um relativo período de tempo ou então quando as organizações tiverem mudanças do corpo directivo e, como tal, mudança de política dessas mesmas organizações. De qualquer modo esta ideia de inadaptação é algo titubeante e pode ser tomada de modo ligeiro.
A prova de inadaptação é algo relativamente complicado de fazer prova mas é algo que parece, no extremo, ser mais uma ferramenta na mão de quem pode, para poder orientar as necessidades, suas, de alguém ou duma conjuntura temporal. O que para mim é inadaptação pode ser facilmente uma mais valia para outra pessoa. O mundo não tomba por estas diferenças. Será possível dizer que um professor é idandaptado para a profissão porque após anos e anos na província acabou colocado em Lisboa e ao cabo de uns meses meteu um atestado ou por ter simplesmente desaparecido? Recordo que neste país já se despediu um treinador por incompetência, incompetência essa que se virou para os incompetentes decisores.
Resta-me dizer que somos um povo latino, que se serve de esquemas e a trapaças para fazer valer os seus pontos de vista e, como tal, este tipo de liberdades decisórias devem ser muito bem limitadas porque a lei também serve para proteger. Confuso?

terça-feira, abril 22

Em busca do equilíbrio perfeito



Ao Homem urge, como que em jeito malabarista, a necessidade e a responsabilidade de tratar melhor o local que nos deu vida e que nos acolhe no seu seio e de perseguir a sustentabilidade. As imensas acções nocivas que o Ser Humano teima em fazer à Terra irão inevitavelmente colocar, se nada for feito, um ponto final drástico à questão, sendo que nós seremos os maiores prejudicados com isto tudo. Podia resumir-se toda a problemática, da relação Terra-Homem, ao chamado efeito borboleta, numa alusão à teoria do Caos ou, numa versão mais singela, “aqui se faz, aqui se paga”. O problema ambiental poderá, assim não espero, ser a grande guerra que o Homem terá que travar no próximo meio século.
O problema reside no facto de que esta é uma guerra, à partida, condenada ao fracasso já que a nossa “força” é inútil para a matéria em questão e o nosso poder interventivo esgota-se a cada segundo que passa. Como em tudo, a prevenção é o melhor remédio. No The Guardian a ameaça ambiental foi a que colheu mais referências por parte de alguns dos maiores cientistas da actualidade. No topo da lista surgem todos os fenómenos naturais que se irão incrementar graças à acção humana e um fenómeno antinatural, ou com génese humana, que contribui decisivamente para, por exemplo, o degelo das calotes polares. O alerta está mais do que dado. É preciso não esquecer que hoje não é o dia da Terra, todos os dias são dias da Terra.
“Pensa em verde”

Extremos



Onde reside o problema das reformas milionárias? Historicamente, Portugal viveu tempos de extremismo, entenda-se em matéria de benefícios, e de austerismo evidente. Este tipo de alternância apenas se manifesta nos altos cargos, desde a monarquia até aos dias de hoje com os governantes do pós 25 de Abril. Foi assim, é assim e parece que sempre será assim. E é aqui que provavelmente reside a semente de antipatia que o resto da população sente por estes príncipes investidos por poderes dourados - poderes legislativo. Não será novidade que os políticos, como outras pessoas quaisquer, se tenham servido do seu poder legislativo para redigirem leis de modo a proteger e melhorar uma existência que, anos antes, foi penosa. No tempo do Estado Novo a ideia de austeridade foi uma ideia bastante enraizada a começar pelo próprio Salazar.
Salazar fazia questão disso porque, provavelmente, a sua educação, o “seu país” e a coerência lhe pedia isso e então, o seu jeito e o do povo, levou a essa ideia se institui-se como destino. Pois bem, isso foi levado ao extremo e com a revolta que, em breves dias comemoraremos pela 34.ª ocasião, estalou na rua e as promessas de melhoria foram feitas, o caminho utópico, vê-se hoje, foi abraçado por todos mas apenas vivido por alguns. As asneiras foram feitas e inclusive alguns crimes foram cometidos nesse voragem revolucionária. O povo tinha a necessidade de sair duma miséria intemporal mas apenas um grupo de privilegiados acabou por concretizar esse ensejo a poder de punho e redacção. O resto é história e presente amargos, são défices, excessos de gastos e de infracções à coisa pública que apenas têm desfecho na contínua desregulação contributiva, promessas infundadas sem critério e sentido e uma falta de moral e ética a todos os níveis deplorável.
Hoje, pela enésima vez, é feita notícia das reformas douradas que são foram concedidas a indivíduos de, muitas vezes, duvidosa valia e que se serviram do estado para terem e serem aquilo que aparentam ser, não sendo. Não quero com isto fazer passar a ideia que o mal está nos vencimentos ou nas reformas elevadas. Não penso assim mas acho algo vergonhoso e profundamente injusto, por muita valia que um indivíduo tenha, que haja imensas reformas de quatro mil euros e mais e que exista um salário mínimo que ande na ordem de uma décima parte desse valor ou que existam reformas que não ultrapassam o salário mínimo.
Acho isso indigno, pouco isento, sem moral ou ética, com laivos de burla descarada feita às claras em relação à população portuguesa. Não sou daqueles que considera que o ordenado de um Director-Geral dos Impostos deva ser baixo, muito pelo contrário. O que eu acho indecente é o salário mínimo e os salários auferidos pelo grosso da população quer ela tenha, ou não, formação superior ou de outro tipo. Encontro e convivo com casos desses todos os dias. O problema das altas remunerações não é que existam, é que sejam desproporcionadas e que, vezes sem conta, resultem vezes demais da passagem por cargos políticos. Estatisticamente as pensões superiores a quatro mil euros atingiram em 2007 1% do valor atribuídos pela CGA o que perfaz cerca de quatro mil reformados dourados. Não é muito? Quase vinte e um milhões de euros anuais e com uma tendência muito visível para subirem.
Acabo com a sabedoria popular: “A necessidade faz a lei

domingo, abril 20

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A palavra ciência acarreta não apenas as típicas artes ou disciplinas a que associamos este conceito. Cabem muitas outras já que, numa leitura muita própria, ciência é a capacidade de produzir conhecimento numa matriz fidedigna e, no caso das disciplinas naturais, de modo a ir de encontro com o Mundo que nos rodeia.
É nesta base que trago um site muito interessante. Nele é possível obter variada informação de diferentes quadrantes científicos, e pelo que tenho consultado, sempre numa base de palestras. A mais valia centra-se nos palestrantes e no tema das palestras as quais são acessíveis de acompanhar sempre e quando o inglês não esteja num estado calamitoso. De muitas áreas sem ser a própria a sugestão fica aos que, querendo, tenham curiosidade de espreitar.
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Perpétuo Link . TED

sexta-feira, abril 18

Avancem os titeriteiros laranjas



Politicamente estas últimas 24 horas foram alvoroçadas. O líder do maior do partido da oposição bateu com a porta com a razão que apenas a sua pessoa pode aquilatar ao milímetro. Estive a ouvir o ex-líder no melhor noticiário português (Jornal das Nove – Sic Notícias) e sou sincero, Luís Filipe Menezes não colhia em mim muita simpatia não sei se é por não lhe rever o carisma que este tipo de posição carece, se por outro motivo qualquer. Como costumo dizer, não temos que agradar ou gostar de toda a gente e como tal a minha preocupação era nula nesse aspecto. A única coisa que me deixava pensativo, e esta sim por ser capital, após cada intervenção do ex-líder laranja, era o facto da mensagem não colher em mim quase nada, e então, o raciocínio óbvio tomava-me de assalto como um pesadelo: Será que o PS ainda vai ter maioria? Para mim era e é algo para lá de desagradável e ao mesmo nível de imbecilidade daquela que foi feita pelos americanos ao darem o segundo mandato a Bush.
Há poucos minutos, Luís Filipe Menezes mostrou-me mais em vinte minutos do que em seis meses, não sei se devido ao encanto costumeiro da hora da despedida. Não é que com isso me ganhasse o voto, sou apartidário e ao contrário de um amigo meu que diz que o voto só serve para ganhar as eleições, e como tal acha desprezível o voto nos pequenos partidos, eu acredito que as maiorias absolutas são irresponsáveis. Sou da opinião que a dispersão q.b. do eleitorado cria a necessidade de consensos, não alimenta os “grupos do chá” que às escondidas manobraram, cada vez mais de um modo desavergonhado, os governos ao ritmo das suas conveniências. Hoje Menezes fez-me lembrar aqueles jogadores que apenas acertam a finta quando vislumbram o banco de suplentes. Menezes afirmou vezes sem conta que não é candidato e escrevo isto apenas para depois me servir de base se a palavra tiver volta. Pediu aos que o criticaram que passem das palavras aos actos, que se abandonem da gulas dos comentários e larguem a posição de titeriteiros. Sinceramente acho que o partido precisa mas principalmente o país precisa porque o Zé, se assim tiver que ser, aliasse ao Paulinho (nunca ao Xico ou ao Jerónimo) para fazer perdurar a alucinação e a alienação a que teimam em chamar de governação.

quinta-feira, abril 17

Para a história



Ontem, por esta hora, já tinha tido estados d’alma muito antagónicos. Cheguei ao fim da primeira parte do Sporting - Benfica com a sensação de uma certa injustiça no resultado e uma grande amargura pelo modo como o Sporting se desmoronou após o, e fortuito no meu entender, primeiro golo do Benfica. Fui para a segunda parte com o passo pesado, vagaroso e hesitante para perto da TV com a tal esperança tão nossa e tão verde que só os Sportinguistas compreendem. Já disse certa vez um Sportinguista: “Por cada um que cair, logo outro se levantará.” Ninguém sabe ao certo porque é do Sporting mas também ninguém tem dúvida da força desse sentimento, não se entende, é irracional. Caído mas não derrotado do primeiro tempo, levantei-me a mim mesmo, amotinei o sangue que me dá vida e com os olhos raiados de pujança e varados no ecrã dei força, dei animo, dei saliva e suor e tentei, como em inúmeras ocasiões anteriores, empurrar os bravos que envergam as camisolas da minha paixão. Os golos foram verdadeiras bombas de adrenalina e, qual cão danado com um suculento bife a um palmo do focinho, pedi mais e mais! E nem o terceiro golo do Benfica me desmoronou, sabia que aquele turbilhão de vontade, de coração, esforço, altruísmo e entreajuda dos jogadores daria cabo do que se lhes atravessasse no caminho por aquele então. E então o jogo terminou, o corpo não jubilou, apenas repousou e desmontou paulatinamente o olhar arrebatado. A realidade abraçou-me numa alegria muito minha, um contentamento tranquilo. Um jogo para a história não pela beleza estética da partida mas pela emoção, pelo resultado, pela entrega, e mais importante, por ser leão. Sossega-se o espírito para a restante temporada que, não sendo perfeita, agrega resultados dignos, à excepção do sofrível campeonato.
Esforço, dedicação, devoção e glória! Eis o meu Sporting.

Assim serve Sr. Ministro?



Recebi as linhas que se seguem e não tive outra ideia que... espero que gostem.

"Querido Fisco,

no meu casamento, que se realizou no dia 15 de Março de 2008, estiveram presentes 120 convidados: 89 adultos, 9 crianças e 2 bebés. A festa teve lugar na Quinta do Coxo (artigo matricial 2750 da freguesia 110785), do meu padrinho Luís Maria (NIF 111222333), que me presenteou a boda ( as cópias dos talões do talho, da mercearia e da peixaria seguem em anexo). A minha tia Alzira Salzedas (NIF 101202303), que é costureira, fez-me o vestido e não cobrou nadinha, mas gastei 60€ em tecidos, 34,5€ nas rendas e bordados e 18,75€ em linhas, botões e alfinetes. As meias e as ligas ficaram por 35€, conforme recibos que envio. O noivo usou o fato da Comunhão Solene com umas ligeiras alterações (a Tia Alzira não cobrou nada).
O meu irmão foi o fotógrafo de serviço. Todas as fotografias foram enviadas aos convidados por e-mail, que imprimirão as que entenderem por sua conta. Não foi alugada qualquer viatura. Eu fui na Charrete do Sr. José Maria (NIF 101404707), que andou comigo ao colo e é como um pai para mim. O Manuel ( o noivo) foi de mota: a mota dele que ainda está a acabar de pagar, conforme se comprova com documento. As flores foram todas do jardim da minha avó Margarida e a minha prima Mariana que é uma moça muito prendada fez os arranjos. A animação da festa esteve a cargo do irmão e dos primos do Manuel, que têm uma banda - os 'Sempr'Abrir' que merecem ter sucesso.
Não pudemos aceitar nenhum dos presentes, uma vez que não vinham acompanhados dos recibos. Os charutos cubanos que um amigo nosso nos trouxe de Cuba ficaram para nós, porque não os declaramos na Alfândega, e assim não os podíamos oferecer para agora provar o seu custo. Os preservativos comprou-os o Manuel naquelas máquinas que estão longas horas ao Sol (porque é um rapaz muito introvertido), mas que não dão recibos, o que me permite escusar-me a revelar o seu número, não vá, daqui a alguns anos, lembrares-te de cobrar retroactivamente uma taxa pelas que foram dadas na lua de mel.
Maria e Manuel Chibo "

quarta-feira, abril 16

Mime a sua voz



Hoje é o dia Mundial da Voz. Existem tantos dias e a voz, pela importância que tem, não podia nem devia, passar em claro. A voz é muito importante e é daquelas pequenas grandes coisas da vida que tomamos, dia após dia, como garantida. A voz faz a profissão de imensa gente, permite vastíssimas coisas, senão mesmo tudo. Permite berrar os golos (cinco hoje, Uffff…), permite dizer palavras doces de amor, permite a troca de ideias e a discussão sadia, permite cantar descomplexadamente, acolhe os nossos estados de alma e está intimamente ligada às palavras e à escrita, duas coisas muito importantes, aliás, fundamentais da nossa existência. Apesar de ter uma explicação física, guardo-a para outro artigo.
Cuidem da voz para que, com ela, cuidemos de nós.

segunda-feira, abril 14

Farinha do mesmo saco



A ideia de que Alberto João Jardim “é assim” e que a todas as suas intervenções têm que se receber com alguma indiferença face ao seu típico… zurro, é algo que não entendo nem aceito em tantos níveis quantos os possíveis. A.J. Jardim é uma figura do estado com responsabilidades para com os eleitores, para com o Parlamento Madeirense e os seus deputados, para com a Constituição e, como tal e por muito menos, acredito que muito boa gente respondeu, em sede própria, em função das atoardas de que são responsáveis. A A.J. Jardim parece estar acima desse tipo de responsabilidades que são uma realidade para todos nós. Em virtude da consideração feita pelo dito governante ter tido um carácter público e visto esta ter sido difamatória e atentatória do bom-nome dos deputados Madeirenses, será que não estão reunidos os condimentos necessários a uma intervenção por parte da Procuradoria-Geral da República? Aqui deixo a lembrança…
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Por falar em desbocados… Em Itália, Sílvio Berlusconi foi, pela terceira vez, eleito como primeiro-ministro com uma taxa de participação superior a 84%, o que não deixa de ser assinalável. Assinalável a diferentes níveis, já que o recém-eleito milionário soma escândalos atrás de escândalos em todas as áreas onde se imiscui, mas isso não coibiu os italianos de fazerem, e em massa, a escolha com a consciência o mais ponderadamente que alguma vez o terão feito. A história dirá.

domingo, abril 13

De carnívoro para herbívoro.


Esta semana foi notícia a seguinte situação. Uma pessoa circulava na sua viatura e deu de caras com uma “operação STOP”. Depois de verem documentos e demais circunstâncias passíveis de autuação não se sabe bem como nem porquê, ou melhor eu não me apercebi, os polícias descobriram que o carro andava a óleo alimentar. A sua estupefacção foi tal que isso deu logo origem a que a rapariga ficasse impedida de ir embora e à seca na beira da estrada durante algum tempo enquanto os agentes conferenciavam sobre o insólito e descobriam uma nesga para aplicar a bela coima.
Duas horas depois foi comunicado à senhorita que teria que ser pago o imposto sobre combustíveis. Ela predispôs-se a liquidar o dito imposto mas os agentes não sabiam quanto era e não sabiam quem cobrava. Ora o insólito, para mim pelo menos, vem da atitude da força policial. Se existe delito este deveria estar contemplado por completo com valores e entidades competentes, nalgum código poeirento. Mas afinal…
Esta situação não é novidade para mim. No norte de Inglaterra, numa terra que ao certo não sei ou arrisco dizer o nome, esta febre chegou há anos provocada por um programa de TV denominado Top Gear. No referido programa, do qual sou fã, provou-se que o óleo alimentar é um substituto suficientemente efectivo relativamente ao cada vez mais oneroso gasóleo. A “bombinha” estalou visto este ser um programa com alguma audiência em terras de Sua Majestade e o resto é história: os auto-mobilizados da terrinha secaram o óleo alimentar nas lojas com tal pujança que os comércios foram obrigados a racionar o dito produto. A voragem passou, as pessoas sossegaram mas a ideia ficou e parece ter sido exportada e já foi relativamente tratada em publicações e programas da especialidade.
Do que se passou em Portugal restam-me algumas questões. Primeiro: o óleo alimentar é um bem de consumo e não um produto petrolífero, por isso o mesmo estaria isento dessa taxa; segundo: se na lei estiver que um produto combustível não é um produto petrolífero mais sim qualquer substância que permita a combustão dos motores normais então a lei será omissa sobre qual é a entidade que está apta para agir em operações de controlo e para autuar quem prevarica; terceiro: se aquele casal que usa com frequência o dito produto for obrigado a pagar a coima, então terá que ser ressarcido sobre os impostos pagos na compra do dito produto já que o mesmo não se destinou ao consumo normal mas sim a outra tipo de utilização.
Uma coisa é certa, o valor da coima foi obtido e perfaz a quantia de pouco mais de seis euros, quantia essa que por lei está isenta de pagamento devido ao seu exíguo valor. Moral da história: duas horas na beira da estrada para nada, uma legislação pouco atenta ou inexistente e uma falta de organização das forças policiais confrangedora.

Imagem . 16



Tomorrow: monday morning. E parece tudo tão anormal que apenas a cabeça é forçada a sair da letargia que nos abraça como um suave cobertor.

sábado, abril 12

Com fim à vista



Parecia uma impossibilidade mas afinal sempre houve um entendimento possível entre o Ministério e os Sindicatos. Ainda não li o teor desse entendimento, apenas soube que ele foi alcançado e pude ouvir as reacções dos líderes de outros partidos. Uma coisa que me pareceu de profundo mau tom foi a generalizada ideia de que o governo recuou. Não sei se avançou, se foi de encontro ou se recuou e nem é isso que me interessa nem creio que seja isso o aspecto mais importante da questão. Em cavalaria existe uma frase que diz que “nunca se recua, dá-se meia volta e avança-se por aí”. O que mais interessa é que a consenso foi alcançado sem prejuízo espero, de uns e de outros e sempre com a ideia presente de que a avaliação é fundamental mas não uma avaliação irrealizável e inconcebível como esta.
Mas deixo uma ideia em aberto, agoirando ao extremo o futuro: os contratados, como eu, são importantes porque tal como as plaquetas do corpo humano, tapam os buracos do sistema impedindo que este tenha falhas, no entanto estes são uma ínfima parte do sistema e, por arrasto, da avaliação. A avaliação para os professores continua para o ano e, pelo que me apercebi, as mudanças apenas se materializam, em forçado ambiente de concórdia, este ano para os contratados. Ou seja o acordo apenas engloba este final de ano para uma pequena parte do sistema perpetuando para o ano e em letra de lei para ser implementado aquilo que fez muitos professores saírem à rua. Creio que apenas se negociou, e voltando outra vez à cavalaria, um cessar-fogo para celebrar uma “época especial” e isso não era de todo o expectável, pelo menos para mim.

Seguros ou nem por isso?



O “click” para este artigo nasceu de uma sempre agradável conversa online com um amigo meu dos tempos universitários. Tive a sorte de conhecer uma rapaziada com muita sede, como qualquer grupo que se preze, com um espírito e sentido crítico muito apurado e este é um deles. Um abraço para Faro.
Falávamos dos cuidados de saúde, das questões que a saúde privada levanta e poderá levantar adiante no tempo em Portugal. Daí a cair nas questões dos seguros de saúde e nas seguradoras em geral foi um simples sopro. E aqui ele teve um comentário bestial: “fazer um seguro é como ir ao casino, raramente podes sair a ganhar”. Simplesmente excelente.Já tinha aflorado esta questão num artigo dedicado ao filme Sicko de Michael Moore, que eu acho imperdível para qualquer pessoa e que volto a recomendar.
É complicado perceber qual é de facto a função das seguradoras, ou melhor, a função percebe-se não se percebe é porque razão a sua necessidade é exigida por lei. Em abono da verdade, e como em muitas coisas neste país, a teoria está correcta mas quando se passa à prática é que a “porca torce o rabo”. O normal é que as seguradoras sejam necessárias em caso de aflição. Ora no caso dos maus mas corriqueiros acidentes rodoviários a culpa pode sempre ser atribuída a uma parte e isso faria que a parte lesada fosse compensada na justa medida da alteração da sua condição. Basta ler as notícias para ver que nem sempre é assim, aliás pegando no sábio comentário do meu amigo, raramente será assim. Ainda esta semana tramitou em julgado a decisão de um atropelamento mortal o qual no final de tudo não produziu condenação ou indemnização para a parte lesada, apenas sofrimento e perda de um familiar. Não acho correcto.
Ora é de todo injusto, para não dizer delito, que às pessoas patrocinantes de um serviço religiosamente e obrigatoriamente pago, o retorno do mesmo seja posteriormente vetado ou mal cumprido. As seguradoras patrocinadoras, provavelmente, dos grandes “lobbys maus” que são os escritórios de advogados de topo deste país, os quais presumivelmente, tiveram uma palavra a dizer na concretização das leis de modo a proteger por e a levar às seguradoras a favorável decisão judicial. Onde há fumo (tem que haver combustão) tem que haver fogo e aqui será mais um dos maus serviços públicos que os legisladores nos oferecem. Começo a pensar que eles não acertam uma.

sexta-feira, abril 11

Momento sonoro



Um dos filmes que mais me disse trouxe atrelada uma grande banda sonora da qual sobressaiu uma música que eu acho de extremo bom gosto. Espero que gostem.

quarta-feira, abril 9

Diga: "Externocleidomastoideu"



Oitocentos. Oitocentos foram os médicos de desertaram, debandaram do sistema nacional de saúde para o mercado dos cuidados de saúde privados. Sinais dos tempos? Nem tanto, parece-me mais um ir para lá fora mas cá dentro. Já fiz questão de listar neste blogue os inúmeros amigos e/ou conhecidos que a política económica e o capricho do défice me levou para outros países. E mais continuam a ir e os poucos que voltaram já estão a comprar passagens de volta. É pena só se viver uma vez porque se esse não fosse o caso provavelmente também faria do espírito aventureiro e da vontade de viver uma vida confortável e reconhecida, a minha bandeira. Não tenho parentesco com Vasco da Gama… Tiro o chapéu aos que foram e que deixam, para um futuro organizado em semestres, o valor mais alto, a família. Mas não vim aqui para isso, no entanto o meu abraço a todos eles e aos que não conhecendo, a isso a vida os conduziu.
Queria discutir a questão dos médicos.
Quem já visitou os hospitais do nosso país sabe que não é raro dar-mos de caras, ou ouvidos, com médicos que vêm se fora. Não sou contra e até sou a favor. Diferentes especialistas contratados no exterior poderão trazer modos diferentes de “ver as coisas”. O que eu acho mal é que o estado pague, e bem suponho, a formação dos nossos doutores e que depois estes ganhem asas, tal como os pilotos da força aérea, e rumem para melhores paragens que, no casos de ambas as especialidades, se encontram do outro lado da rua nas empresas privadas. O seu sonho americano está bem mais perto para estes do que para os outros profissionais emigrados.
Para piorar o cenário, provavelmente quem vai para esses hospitais privados, que surgiram da fértil terra lusitana como cogumelos sedentos, serão os profissionais mais experientes que cheios de saber, fartos das condições dos hospitais centrais e com a muito louvável aspiração de fazer o “contrato da sua vida”. Ora bem… em que pé, ficamos? Agora já não chega dizer que existem muitos alunos a saírem todos os dias por dois motivos: Primeiro, porque a experiência conta muito (não vêem o House?) e segundo porque também eles quererão agarrar essa galinha dourada à mínima hipótese. Se nada for feito… acabamos, não no sonho americano, mas sim no pesadelo americano dos seguros de saúde (Medicare e coisas terríveis dessas).Deixo uma nota para outra área. Anda tanto professor a querer pedir a reforma; a opinião sobre esta profissão anda tão mal que o que se passa em muitos países europeus, falta de professores, por estúpido que a minha ideia possa parecer, há-de chegar cá e algum governo ainda terá que voltar, e repito voltar se as políticas não forem organizadas, a contratar engenheiros para dar inglês. Só espero que não o inglês técnico e que o menino não tenha cursado na Independente.