Para paladino da honestidade e da pureza de valores, Jorge Coelho na minha óptica, acabou de dar um tiro no pé ou talvez não porque nada irá fazer correr mais tinta que a que vai ser gasta nos talões do seu vencimento. Após ter sido Ministro das Obras Públicas algures em Governos PS ao ex-Ministro foi-lhe descoberta a característica transversal a qualquer ex-Ministro e, como por arte de magia, transformou-se num reputadíssimo gestor aos olhos da maior empresa do ramo da construção em Portugal, a Mota-Engil. Não deixa de ser curioso que esta movimentação estratégica se dá na altura que o Governo se prepara para entregar a concessão de milhões e milhões de dinheiros em obras públicas às entidades com características idóneas. Espero que a idoneidade se consiga, nomeadamente, pela relação custo/qualidade e não propriamente pelas personagens que “comandem o barco”, o tal concurso público que pretende impedir, mas não consegue, o acerto directo. Confuso?
Pensemos que isto mesmo acontece com outras tantas personagens, algumas delas de capacidade intrigante: Ferreira do Amaral (Lusoponte), Armando Vara (BCP), António Mexia (EDP, mas a este dou um desconto), Pina Moura (Galp/Iberdrola), Jorge Coelho (Mota-Engil).
Fará parte de algum tipo de formação especializada e desconhecida dos portugueses que consiga que ex-ministros pareçam passar de bestas a bestiais gestores num ápice? Uma coisa é certa parece existir um… preocupante? Enervante? Vergonhoso? Descarado padrão de cumplicidades entre o cargo de ministro e os lóbis privados. E não será que existirá algum jornalista que consiga quantificar quanto é que custou ao estado português este tipo de favores às claras? Não digo com isto que os ex-ministros estão condenados a ficar no desemprego mas deveria existir um período razoável de anos, quiçá uns dez, de modo a que a promiscuidade não parece-se ou fosse, tão clara.












