domingo, abril 6

Pontes para a outra "margem"



Sou adepto da SIC noticias. Talvez por defeito de formação/criação sempre andei rodeado, mas principalmente, foi-me chamado sempre à atenção factos relevantes nos noticiários. Como tal ficar viciado em informação foi um passo. Pego neste tema porquê? Simples. Um dos programas que sigo com alguma frequência é a Quadratura do Círculo que contou até há bem pouco tempo com Jorge Coelho, eminência política dentro do PS. Para quem não via o programa mas vê a SIC notícias talvez se lembre do anúncio ao programa e onde se ouvia Jorge Coelho dizer “Há muita fraca memória nos políticos e nos portugueses…” Ora bem, sobre o que haveria ao tempo que justificasse a “fraca memória” sou sincero, não me lembro, mas parece que a Coelho a memória também já teve mais pujança.
Para paladino da honestidade e da pureza de valores, Jorge Coelho na minha óptica, acabou de dar um tiro no pé ou talvez não porque nada irá fazer correr mais tinta que a que vai ser gasta nos talões do seu vencimento. Após ter sido Ministro das Obras Públicas algures em Governos PS ao ex-Ministro foi-lhe descoberta a característica transversal a qualquer ex-Ministro e, como por arte de magia, transformou-se num reputadíssimo gestor aos olhos da maior empresa do ramo da construção em Portugal, a Mota-Engil. Não deixa de ser curioso que esta movimentação estratégica se dá na altura que o Governo se prepara para entregar a concessão de milhões e milhões de dinheiros em obras públicas às entidades com características idóneas. Espero que a idoneidade se consiga, nomeadamente, pela relação custo/qualidade e não propriamente pelas personagens que “comandem o barco”, o tal concurso público que pretende impedir, mas não consegue, o acerto directo. Confuso?
Pensemos que isto mesmo acontece com outras tantas personagens, algumas delas de capacidade intrigante: Ferreira do Amaral (Lusoponte), Armando Vara (BCP), António Mexia (EDP, mas a este dou um desconto), Pina Moura (Galp/Iberdrola), Jorge Coelho (Mota-Engil).
Fará parte de algum tipo de formação especializada e desconhecida dos portugueses que consiga que ex-ministros pareçam passar de bestas a bestiais gestores num ápice? Uma coisa é certa parece existir um… preocupante? Enervante? Vergonhoso? Descarado padrão de cumplicidades entre o cargo de ministro e os lóbis privados. E não será que existirá algum jornalista que consiga quantificar quanto é que custou ao estado português este tipo de favores às claras? Não digo com isto que os ex-ministros estão condenados a ficar no desemprego mas deveria existir um período razoável de anos, quiçá uns dez, de modo a que a promiscuidade não parece-se ou fosse, tão clara.

sexta-feira, abril 4

Amizades



Cuidado com o défice! Cuidado com os trabalhadores em excesso! Cuidado com o desperdício! Cuidado com as normas de atribuição das bolsas de investigação! É pá mas passem lá o cheque para o Tio Mário!
Pois bem secretário de Estado da Cooperação atribuiu, no primeiro semestre de 2007, à Fundação Mário Soares um subsídio de 150 mil euros. Bem bom! Mas não fica por aqui! O apoio financeiro, atribuído segundo decisão de João Gomes Cravinho (o defensor quixotesco da OTA ou melhor dos terrenos de alguém), em 16 de Fevereiro de 2006, consta de uma lista de transferências correntes de capital, repito para não restarem dúvidas, "correntes de capital" ontem publicada em DR. Estas verbas, a fundo perdido provavelmente, destinam-se a apoiar projectos de cooperação com os PALOP. Se o Ministério das Finanças é tão afoito na recolha de facturas no que toca aos jovens casamenteiros, gostaria de saber se essa prática se estende a, como hei-de dizer se ser inconveniente, estas borlas desconhecidas e perdidas nos textos enfadonhos dos DR's. Parece que afinal os cidadãos terão que tomar o estado não como pessoa de bem, mas como uma entidade que merece pouca credibilidade e muita vigilância.
É verdade "as ajudas" vão ficar na ordem dos 600 mil euros. Já pensaram em toda a investigação científica que poderia ser feita? Dirão: "mas os PALOP necessitam de ajuda!" Talvez mas a força da nossa ajuda pode traduzir-se em investimento empresarial no seguimento da ideia "dá a cana, não dês o peixe".

Parecemos...



Foi impossível conter a gargalhada em mim no instante que escutei o Ministro M. Gago quando este afirmou, sem ter a voz trémula e a transpirar confiança (ou tolice?), que os licenciados portugueses não sofrem de desemprego! (pausa para rir e para respirar fundo… até daqui a 5 minutos)
Não tenho muita coisa a acrescentar a esta afirmação, ela é tão tola que se anula por si só. A única coisa que não é tola é a realidade em que milhares licenciados que estão desempregados, inscritos nos centros de emprego os quais o país não tem capacidade de absorver! Os quais ouvem se pudor ou amargo de boca da pessoa que os atende que o centro de emprego não tem nada para oferecer e é uma perda de tempo a inscrição em tal local. Mas sejamos honestos, o país o que precisa é de pessoal não qualificado porque se isso não acontecer deixamos mal outro Ministro, o da economia, que disse certa vez que a vantagem competitiva portuguesa eram as fracas qualificações e os fracos salários auferidos. Afinal há coerência nas sumidades governativas!
Vou divagar…
Tento dar algum sentido ao comentário do Ministro mas… só se ele souber que Portugal já exporta mais licenciados do que aqueles que emprega? E talvez esteja a falar dos licenciados portugueses no desemprego lá fora? Talvez, não fora que o Ministro afirmou que esta era uma realidade portuguesa… Ah! Já sei! Ele estava a referir-se aos advogados, professores muitos, alguns enfermeiros, engenheiros vários e demais licenciados que ajudam a economia do país a partir da parte de trás do balcão do MacDonald’s, da caixa do Pingo Doce ou do outro lado da linha dos Call Centers! Assim sim! Caramba o Ministro afinal, apesar do ar estonteado, está em cima do acontecimento! Não se sabe de qual mas deve estar em cima de algo.
Em jeito de resumo creio que é possível afirmar que nenhum Ministro se aproveita, é tudo medíocre o que não deixa de ser algo de louvar! Conseguir reunir um grupo de pessoas que, após três anos de governação ainda hoje não sabem, não percebem e não querem saber da casa que governam é algo de aplaudir! Não é para todos mas afinal esta magia tem truque: o exemplo vem de cima.

PS: Senhor Ministro volte aos laboratórios que esse sim era o seu lugar.

quarta-feira, abril 2

"100" mentiras?



Ontem foi dia das mentiras e como tal não escrevi nada porque para não ser mal interpretado.
Uma das curiosidades desse dia para mim, a tal ponto que já não concebia este dia sem isso, é a panóplia de pseudo-notícias que surgem transversalmente a toda a comunicação social. Algumas são tão loucas que acabam por dar uma linha de raciocínio alternativo à realidade que temos por assente e, isso a mim, sabe-me, sabia-me muito bem.
Pois bem qual não foi o meu espanto quando ontem ao folhear o papel e a Internet não encontrei praticamente nenhuma referência absurda, para além das atoardas reais do costume. Foi como se a comunicação social tivesse, em conclui-o, acertado que não iria ser dado lugar a este tipo de regabofe deixando, pessoas como eu, com mais um dia normal para juntar aos outros todos. Se tal como mostra a Física e comprova o dia-a-dia, o Homem apenas percebe, aquando do movimento rectilíneo, alterações à velocidade e, deixa em esquecimento moribundo, situações de movimento uniforme, o dia das pessoas também só se torna entusiasmante quando a boa inconstância acontece.
Assim, ao arquivarem e largarem em agonia a mentira piedosa, divertida e característica do dia, os jornais, as revistas e demais meios e suportes informativos retiraram a alegria a um dia que se tornou par dos outros. Por outro lado podemos assumir para nós o que terá sido porventura, o ponto de vista dos meios informativos. Se ao longo do ano já têm que fazer notícia e manchete de tanta mentira, qual seria a vantagem de perder tempo a inventar cenários improváveis se, são eles próprios, que lhes vêm bater à porta?

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Para (des)moralizar



A que sabe 1% no IVA quando a moralização é apenas num sentido? Contas são feitas, análises apresentadas nos jornais e a conclusão é geral: É acto político e não financeiro, isto é, campanha eleitoral; a migalha apenas vai servir para aumentar margens de lucro dos comerciantes; seria mais justo um abaixamento maior (evidente que não nesta altura, algo que explico mais adiante).
Apesar dos défices e das inflações, persistem grandes discrepâncias no seio da sociedade. As diferenças entre os escalões mais baixos e os mais altos agravam-se com perda para os primeiros e a classe média, suporte da economia portuguesa em variadíssimos casos, desvanecem-se com a rapidez de uma caixa Multibanco numa estação de serviço.
Os políticos ainda possuem apesar de toda (?) a mudança que foi propagandeada, a capacidade de seleccionarem de entre as suas muitas reformas, aquelas que mais lhes convêm ou, de outro modo, aquela combinação que mais lhes enche os bolsos. A banca contínua na senda dos lucros mesmo com crises e trapaças internas. E já nem existe pejo em que as notícias façam manchete, uma após outra, meses a fio. Considero inqualificável esta situação em virtude de uma conjuntura económica péssima como todos os indicadores fazem questão de, não confirmar mas sim, clamar. Considero inqualificável que essas mesmas entidades para não sofrerem como qualquer entidade privada, aumentem juros de modo a transferir o ónus de qualquer crise para a sociedade.
Anda muito mal um país que permite que as multinacionais mandem e desmandem, em conferências de imprensa, com parte da economia nacional como se de um parque de diversões Portugal se tratasse. A par disso cria-se a ilusão, na minha humilde opinião que, a crise das contas públicas está vencida. Reformas poucas. Moralização nenhuma. Poupança imensa! É justo e necessário que o estado seja regrado nos gastos, tal como as famílias deviam ser, mas há gastos baptizados por este executivo de supérfulos que não o são caindo posteriormente em situações ridículas como a do caso dos meninos casamenteiros.
Após a boda os recém-casados, com as malas feitas e repletas de sonhos, fantasias e… facturas irão passar uns belos dias nas… repartições de finanças a provar que a Tia Maria gastou precisamente 57,2 gramas de arroz (“one pound of flesh, no more, no less” – Mercador de Veneza) o que perfaz em impostos… “Carolino?” Rugirá o senhor fiscal do alto de uma cegueira tributária a raiar a extorsão.

quarta-feira, março 26

Início de campanha! Status = 1%


Comecei por achar estranho e de extremo mau gosto a peça que foi feita pela SIC há uns dias atrás. Pensei, estarão "sickes"? Dias depois, mais concretamente hoje, descobri que a doença é outra e não se apanha por mosquito como a febre-amarela. É uma doença eleitoralista que ataca de quatro em quatro anos a espécie anómala que habita nos passos perdidos da Ar, São Bento. Largo do Rato, do Caldas a Rua de São Caetano e que tem o nome de políticus sinescrúpulos.
Esperava começar a ver a bajulação eleitoralista por parte do 1.º Ministro apenas a partir do Verão, sensivelmente a um ano de eleições, mas afinal... o bom senso não tem lugar em todo o lado e ali estará mesmo proibido de entrar.
O início da sem vergonhice eleitoral começa cedo e isso é algo que os provedores deveriam atacar sem apelo nem agravo! Não é sensato ver durante ano e meio um contínuo abaixamento das vestes democráticas, principalmente no horário nobre, quando as criancinhas vêem mais televisão. É impossível poder dizer à priori que traumas e efeitos terão nos petizes e nos graúdos tamanho descaramento e desnudez de princípios, ética, alarvismo eleitoralista mas, de certo, que bons exemplos não irão ser colhidos. Quem sabe o que essas ofertas de lobo mau criarão nas jovens gerações? Cuidado, Carolina! E mais ofertas estão prometidas! O reinginheirozinho vai passar a andar nu, que alguém tenha piedade de nós.

Post scriptum1: Vou começar a designar os post scriptum por extenso para não me confundirem.
Post scriptum2: Bati o meu recorde de palavras em itálico! Guiness Book here i go!

terça-feira, março 25

"Recorte" de jornal e não só



Este vai ser um artigo exemplificativo do usualmente "do oito para o oitenta".

Escrevi no outro artigo e escrevo neste, só voltarei a escrever sobre o circo romano do vídeo da Carolina Michaëlis quando vir algum tipo de medida. Em desafío com uma amiga apostei que o rebento apenas irá apanhar uma suspensão de, no máximo, cinco dias. Se se confirmar o meu agoiro, se nada mais se passar (com os pais, a DREN, o Ministério que tutela, o Governo) considero que este não foi nem será o momento mais baixo da educação, mais e piores virão. Se nenhuma medida estrutural for tomada este terá sido o ponto sem retorno, será seguramente, o princípio do fim do "Mundo". Deixo apenas o link das sábias e elegantes palavras de um dos melhores jornalistas portugueses, para mim claro.

Perpétuo link . 1

Depois quero deixar o link de uma intervenção da ministra da educação (já não sei bem se...). Ora bem o momento Yorn passou-se numa prova de Corta Mato, inserido no Desporto Escolar em Santa Maria da Feira, que contou com a presença da Ministra da Educação. Ao ouvir umas vaias do público ali presente, constituído na sua grande maioria por alunos do ensino básico, a Ministra da Educação utilizou toda a sua pedagogia, o seu comportamento mais admirável e sensato e desafiou os petizes num concurso de… “uivos”. Se fosse correr com eles ainda entendia mas assim… É justo perguntar, no meu melhor espírito de gatinho fedorento, se será que a Ministra foi vítima de bullying ou será que foram os alunos? Peço desculpa pela qualidade do som.
Palavras para quê, isto tem, cada vez, menos sentido.
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Perpétuo link . 2

domingo, março 23

Som na caixa



Para ouvir sem dó nem piedade, Gotan Project . Época

sábado, março 22

Mais uma... cócega

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Sou adepto de boas publicidades como sabe quem vagueia por estas paragens. Recebi esta é imperdível e entra dentro da categoria "que faz cócegas cá dentro". Quero partilhá-la com vocês. Boas cócegas, aliás, publicidades.

É d'época


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Boa Páscoa

UE generalizada



Nas histórias que conhecemos, relatadas na primeira pessoa ou não, pelos nossos emigrantes existia uma característica transversal a todas: a necessidade obrigava a trabalhar no que surgisse. Essa situação originava alguns abusos e eles também faziam parte dos relatos mas felizmente não de todos os que ouvi em directo. Os tempos mudaram mas as más práticas, longe de se esbaterem, permaneceram mesmo contra a maré dos novos conceitos sociais muitas vezes, senão todas, publicitados pela golden era da EU.
Quem anda atento aos noticiários lembra dos relatos do jornalista António Esteves Martins sobre o que emigrantes portugueses sofriam e sofrem em países fundadores de bons costumes, ou talvez não, como é o caso da Holanda. Também eles emigrantes, os jornalistas portugueses têm feito mais pelos nossos que se encontram espalhados (e que li algures que rondam já os cinco milhões!) do que as embaixadas, por vezes à custa de convites, não para jantar, mas para se sossegarem. Bom adiante…
Escrevo porque a EU vai tornar-se verdadeira união não tarda, isto porque Confederação Intersindical Galega fez saber que irá desenvolver acções de luta duras se os seus direitos não se alargarem aos seus colegas portugueses. Como é sabido o país só, e digo só com aquela pitada lusitana de ironia, tem quase 8% de desemprego porque o desenrascanso genético do ser luso fez com que a necessidade os levasse para lá da fronteira buscar o que o país cá não oferece, principalmente na área da construção civil. Pois bem os nuestros hermanos que não advogam, e ainda bem, pelo lusitano dizer “de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos” comportam-se como verdadeiros manos mais velhos e ajudam os picolinos nesta contenda de direitos. Também lhes interessa é claro porque qualquer dia o patronato espanhol enevoado e mal habituado por tanta facilidade no confronto com o portuga, iria lançar-se aos seus, algo que os trabalhadores espanhóis estarão a prever e querem combater.
Em qualquer dos casos a posição tomada é de louvar, de trazer ao blogue e abrirá um novo e meritório pragmatismo dentro da união, ou assim penso eu “o idealista”. Trabalhadores somos todos, tal como os direitos a todos pertencem. Esta posição devia fazer escola dentro do nosso Portugal mas… ainda tem muito que aprender esta nação com quase novecentos anos de história (diz-se rápido…) e que, supostamente ou talvez não, fez em Lagos o primeiro comércio de escravos.

"Não é a primeira vez que denunciamos a situação dos portugueses que estão a trabalhar em Espanha, sobretudo na Galiza, em condições inferiores às exigidas pelo Convénio Colectivo. E as autoridades portuguesas e espanholas nada fizeram para alterar a situação, o que não pode continuar a acontecer", Xoan Melon da Confederação pela imigração ao DN.

PS: Li algures que actualmente por cada 100 portugueses que saiem, entram 15 estrangeiros. Pareceu-me descabido mas...

sexta-feira, março 21

Poesia . 17



Porque a vida é como um oscilador harmónico, vamos recolocar o perpétuo na crista da onda. Hoje é o dia Mundial da Poesia e dizer isso é dizer pouco. Bom mesmo é parar para se deixar levar pela onda de uma qualquer poesia perto de si sem olhar a nomes, a prefácios ou a vendas. Poeta é todo aquele que consegue, recombinando letras, criar frases que consigam retratar, deixando a nossa respiração em suspenso, sentimentos, vivências, momentos ou instante marcantes da viagem. Hoje é dia deles e, por sorte, é nosso dia também. Deixo um que não me é anónimo.

Divagando

Uma a uma, as onda vão rolando,
rugidoras, soberbas e alterosas.
Das cristas, branca espuma vai chispando,
que o sol faceta em vibrações radiosas.

Mas à medida que elas vão chegando
à vastidão das praias arenosas,
uma a uma se vão esfrangalhando,
como farrapos de canções saudosas.

Também as ilusões da mocidade,
vão rolando em liberdade,
carregadas de luz e branca espuma.

Chega a velhice. E as ilusões, coitadas!
Vão, como as ondas, morrer esfarrapadas,
neste sinistro areal, uma a uma!

Nuno Gonçalo . Noites de Solidão

quinta-feira, março 20

Obviamente...

Ao menino que se serviu das novas oportunidades que as tecnologias oferecem, agradeço do fundo do coração visto que aos professores, este tipo de documentação, está vetada legalmente.
Fico na expectativa também para verificar quais serão as desculpas congeminadas para justificar o injustificável. E não pensem as pessoas que isto é caso único, muito pelo contrário. O dado novo resulta de que esta não é uma escola qualquer, dizem os rankings, mas adiante lá iremos. Depois do vídeo não haverá azo à proliferação das maiores palermices, sejam as da tutela que são muitas, sejam elas confapianas. O bem que fazia àquele rebento uma “correcção manual”.
Faço questão de salientar também que, segundo os magníficos rankings, a escola em causa é uma das escolas que lideram a popular tabela o que não deixa de ser curioso. E deixo o raciocínio: Se esta é uma escola referência, o que será que se vive por esse tresmalhado Portugal fora?
Aqui sentado, confortável esperarei por ver que medidas, acções e repercussões irá dar este vídeo amador para o mal formado rebento, os seus papás e por arrasto para todos os rebentos e papás que vivem no país, os mesmos que pedem a cabeça e a correcção dos professores malandros. O mais certo é servir apenas para gastar latim...

terça-feira, março 18

Simbolismos



Mais de cinquenta anos após as atrocidades da WWII a Alemanha decidiu dar os passos que provavelmente ainda faltavam por dar não para esquecer mas para nunca mais desaprender e sossegar de vez o espírito nacional. Tal como um responsável estatal afirmou, a Alemanha é a primeira nação a erigir monumentos que simbolizam a vergonha que o seu povo sente pelas atitudes tomadas noutros tempos em contraponto com os conhecidos os monumentos (Soldado Desconhecido) erigidos em honra dos soldados mortos em combate. A segunda nota prende-se com a ida da Chanceler alemã Angela Merkel ao parlamento Israelita. Tal como no nosso parlamento em que deputados optaram por vetar o gesto simbólico daquela câmara para com a Família Real Portuguesa no último aniversário do regicídio também no parlamento Israelita ouve deputados, cinco apenas, que preferiram se ausentar no momento solene da recepção da Chanceler Alemã. Na vida há umas dores mais fortes que outras mas o tempo parece não ser cura para nenhuma delas.

Para rir . 9



Tenho pena que os incorrigíveis tenham terminado. Eram uma fonte inesgotável de humor...

sábado, março 15

Línguas à solta



Estou indignado.
Deparei-me há instantes na Tv. com as imagens do plenário do PS e contemplei, estupefacto, como o pavilhão estava cheio da espécie lambe-botas! E sem controlo! Depois desta manifestação, contida, é certo que o ministro da agricultura estará em maus lençóis e por horas, depois das suas afirmações para acabar com as raças potencialmente perigosas. Não é justo para o comum cidadão não poder ter o seu animal de estimação, enquanto outros, os exibem às claras em plena luz do dia.
O lambe-botas é uma espécie que surge onde menos se espera. Desde a sua descoberta que o seu número tem vindo a aumentar o que tem colocado em causa a fauna e a flora no território português, uma situação que só tem paralelo sempre que os gafanhotos africanos atacam, sem o aviso que a lei estipula, as plantações algarvias e alentejanas. O lambe-botas não é uma espécie requintada e é possível encontrá-los nas planícies coloridas das hostes partidárias escondendo-se e atacando com poder bajulador, com sucessivo “roçamento língual” sobre a vítima levando-a, conforme enumerado pelos peritos, a um profundo estado afirmativo e catatónico.
E que dizer do governo? Coitados! O primeiro-ministro e demais ministros foram completamente lambuzados, acariciados, afagados a tal ponto que a QUERCUS e a SOS Animal estarão a considerar fazer queixa às autoridades competentes, às não competentes e ao Rei de Espanha para que a ordem seja reposta. Sabe-se que as profissionais libertinas e liberais do canal 18, depois de tal deboche público, enviaram uma queixa formal para a Autoridade da Concorrência por o que dizem ser uma “conduta pública e desleal para a classe que merece mais respeito e melhores salários, compatíveis com os que os lambe-botas auferem por quilómetro em cada exposição pública”.
Nota:
O Tony Carreira teve no atlântico 17 mil pessoas. Acho isso, uma afronta ao PS! Esse senhor devia ser disciplinado e imediatamente enviado para a longe… para professor numa escola em vinhais! O PS indicou que estiveram presentes 10 mil pessoas, falta agora saber o número da PSP e do governo…

quarta-feira, março 12

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Democracia sem sentidos



Se tivéssemos que classificar a democracia portuguesa poderíamos dizer que a mesma está na puberdade, quer quase temporalmente quer, principalmente, no humor. A nossa democracia está assente nalgumas verdades absolutas: o sistema político é quase um sistema tri-partidário. Temos, por enquanto, o PS, o PSD e o maior deles todos, a abstenção. Este último é desde há uma mão-cheia de anos, o principal, o sistemático vencedor das eleições sejam elas quais forem.
Vivemos uma altura complicada. Uma maioria deu em autismo, prepotência e a uma oposição de estimação que, com ela se dá numa lógica de alterne, a qual se encontra imersa num vórtice extremamente confuso. Crises internas resolvidas, como sempre que a pequena oposição carece, na praça pública. Não digo que é bom ou mau apenas constato esse facto.
Numa das alturas mais rasteiras do governo, o PSD dedica-se a brincar aos partidos políticos o que é mau mas torna-se pior visto que os barões se desmarcaram e, quer de um lado quer do outro, não existe nenhum, ninguém, zero personalidades com carisma para pegar nos barcos. É como a nossa filha se quisesse casar mas a casa apenas levava pelintras. Ser pelintra não é automaticamente uma característica indesejável, para a filha do vizinho. Mas aqui não se esgotam as forças partidárias ainda temos o PCP, o BE e o PP. Ora bem… sou adepto dos debates mensais e políticos em geral e é minha opinião que o PCP parece um doente comatoso, isto é, às vezes dá sinais de vida mas… O PP é outro caso complicado já que as suas intervenções são por vezes interessantes mas, mal nos descuidamos, encontramos logo uma nódoa. O BE tem sido a lufada de ar fresco ao parlamento seja pelas tiradas de Francisco Louça ou pela dinâmica do partido, são “novos” e isso nota-se.
Não faço aqui um manifesto político bloqueano apenas quero chegar ao seguinte ponto. Se Sócrates é mau, se Menezes não tem ou demonstra o necessário savoir fare, se Portas já mostrou não ser de confiança sobram dois: o PCP e o BE. Pois bem daqui não vai resultar nada de bom e o mais caminho mais certo será um de três: Saramago-nos-emos, ou seja, mandamos os boletins de votos às malvas e aproveitamos o sol, no dia assinalado, aumentado o tal partido vencedor; ou caímos no erro de votar Sócrates (ainda há pessoas que votam na mãozinha porque sim, aqueles que eu chamo alinhados) ou caímos noutro erro e votamos Menezes.
É um sinal dramático para um país quando os salvadores são cegos ou surdos ou mudos ou tudo junto, o que parece ser cada vez mais o caso.

domingo, março 9

Não quis ver Lisboa por um “canudo”



Hoje (ontem) não quis ver Lisboa por um “canudo” e foi a melhor opção que fiz. Quem lê este blogue e me conhece sabe que não sou exagerado ou faço “fitas” por isso… Trago muitas sensações daquelas horas que Lisboa parou um pouquinho para que um tsunami de professores pudesse entrar pelas “avenidas novas” (do Marquês) e por todo o lado. Uma dessas sensações é a de que este foi um acontecimento que traduz o dizer “uma imagem vale mais que mil palavras”, neste caso oitenta mil. É descritível mas seria um exercício, pelo menos para a minha escrita, terrível e, por certo, incompleto. Não sei se o exagero que trago no espírito se deve a que foi a primeira manifestação em que participei isto apesar de, como é visível por aqui, os artigos do blogue serem assíduos em temas de política interna.
Não sou adepto de nenhum partido e os sindicatos não me dão confiança a tal ponto de que hoje teria ido com o meu carro não fosse o previsível e comprovado STOP às viaturas particulares e a prioridade aos autocarros da organização. Ressalvo também que, apesar desta ter sido a maior mobilização de uma classe de que há memória em Portugal (para cima de 50% da classe), as pessoas não teriam boa vontade suficiente para, em tempo útil, organizar os meios e as necessidades que uma demonstração destas requer.
Guardo também o apoio que fomos recebendo de viaturas que connosco se cruzaram na A1, Professores? Cidadãos em geral? Nunca saberei mas foi bom receber os polegares levantados, as buzinadelas, os “quatro piscas”. Nas ruas pessoas anónimas bateram palmas e deram força. Para quem atrapalhou a vida de muitos Lisboetas em resposta à trapalhada que têm provocado na sua, foi bom de ver, de sentir. De qualquer modo a maior imagem que trago é a saudação que uns se fizeram aos outros, professores para professores. A Ministra realmente alcançou um facto digno de registo, colocou a maioria dos professores norteados pelos mesmos objectivos e isso parecia impossível há pouco mais de… dois, um ano?
O autocarro onde seguia foi deixar-nos (e não “despejar-nos” como ouvi na TSF) mesmo no local e, logo aí, foi impressionante o número de pessoas que saíram de todos os lugares, portas, escadarias e becos adereçados, prontos e que acenavam à nossa passagem, se alegravam de ver o grupo engrossar, não augurando “um dia que viverá para a infâmia” como disse certa vez Roosevelt mas sim um dia que perdurará na memória pessoal e colectiva.
Não vou comentar as palavras da Ministra. Eu sou da opinião de que a sua troca não ia alterar os objectivos do Primeiro-Ministro (porque é ele que decide) e, ao cabo de três anos, dever-se-ia aproveitar o que a Ministra por esta altura deve saber de educação se a mesma se lembrasse que, antes dela, está uma imensa percentagem de docentes que saberão algo do assunto. A prepotência de uma reforma que ou se faz comigo ou contra mim é pura… poderá ser suicídio, político de uma Ministra de um tal Engenheiro e de um partido e isso sim seria um facto relevante. A democracia Portuguesa poderá viver algo que só tem precedente com o Maio de ’68 e se isso acontecer não sei bem qual será a vantagem que todos retiraremos disso. O povo talvez tire já que a confiança na classe política é diminuta e o aproveitamento dos mesmos tem sido descarado.

A propósito disso quero dedicar as últimas palavras a dois deles, o primeiro ao Ministro(?) Mário Lino. Mário Lino, não sei se por escolha de alguém ou por língua tresloucada, veio defender a Ministra. O que tem de mal? Nada a não ser que este é o Ministro mais mentiroso do Governo. Este sénior mente na rua, em conferências de imprensa, em encontros e inclusive na Assembleia da República. Não se que raio de sinal será este, mas ser ele a defender a Ministra da Educação parece algo saído de uma das melhores rábulas dos Monty Python. O segundo é o Ministro Augusto Santos Silva, outrora Ministro da Educação, que disse que a liberdade deste país não se devia a pessoas como o falecido Álvaro Cunhal. Ora bem o lendário líder do PCP antes de mais está FALECIDO e como tal a oportunidade da sua intervenção é, no mínimo, questionável mas por certo de extremo, fascista mau gosto. Acresce também que este ministro também não tem muita “área” para poder reclamar para si qualquer luta anti-fascista. Por último e pegando nas suas palavras “o que disse foi uma apreciação política pessoal”. Pois bem se pessoalmente, em política, tudo vale e se políticos somos todos, eu expresso aqui a minha ideia política sobre Angusto Santos Silva. É uma Besta. Disse.