quarta-feira, março 12

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Democracia sem sentidos



Se tivéssemos que classificar a democracia portuguesa poderíamos dizer que a mesma está na puberdade, quer quase temporalmente quer, principalmente, no humor. A nossa democracia está assente nalgumas verdades absolutas: o sistema político é quase um sistema tri-partidário. Temos, por enquanto, o PS, o PSD e o maior deles todos, a abstenção. Este último é desde há uma mão-cheia de anos, o principal, o sistemático vencedor das eleições sejam elas quais forem.
Vivemos uma altura complicada. Uma maioria deu em autismo, prepotência e a uma oposição de estimação que, com ela se dá numa lógica de alterne, a qual se encontra imersa num vórtice extremamente confuso. Crises internas resolvidas, como sempre que a pequena oposição carece, na praça pública. Não digo que é bom ou mau apenas constato esse facto.
Numa das alturas mais rasteiras do governo, o PSD dedica-se a brincar aos partidos políticos o que é mau mas torna-se pior visto que os barões se desmarcaram e, quer de um lado quer do outro, não existe nenhum, ninguém, zero personalidades com carisma para pegar nos barcos. É como a nossa filha se quisesse casar mas a casa apenas levava pelintras. Ser pelintra não é automaticamente uma característica indesejável, para a filha do vizinho. Mas aqui não se esgotam as forças partidárias ainda temos o PCP, o BE e o PP. Ora bem… sou adepto dos debates mensais e políticos em geral e é minha opinião que o PCP parece um doente comatoso, isto é, às vezes dá sinais de vida mas… O PP é outro caso complicado já que as suas intervenções são por vezes interessantes mas, mal nos descuidamos, encontramos logo uma nódoa. O BE tem sido a lufada de ar fresco ao parlamento seja pelas tiradas de Francisco Louça ou pela dinâmica do partido, são “novos” e isso nota-se.
Não faço aqui um manifesto político bloqueano apenas quero chegar ao seguinte ponto. Se Sócrates é mau, se Menezes não tem ou demonstra o necessário savoir fare, se Portas já mostrou não ser de confiança sobram dois: o PCP e o BE. Pois bem daqui não vai resultar nada de bom e o mais caminho mais certo será um de três: Saramago-nos-emos, ou seja, mandamos os boletins de votos às malvas e aproveitamos o sol, no dia assinalado, aumentado o tal partido vencedor; ou caímos no erro de votar Sócrates (ainda há pessoas que votam na mãozinha porque sim, aqueles que eu chamo alinhados) ou caímos noutro erro e votamos Menezes.
É um sinal dramático para um país quando os salvadores são cegos ou surdos ou mudos ou tudo junto, o que parece ser cada vez mais o caso.

domingo, março 9

Não quis ver Lisboa por um “canudo”



Hoje (ontem) não quis ver Lisboa por um “canudo” e foi a melhor opção que fiz. Quem lê este blogue e me conhece sabe que não sou exagerado ou faço “fitas” por isso… Trago muitas sensações daquelas horas que Lisboa parou um pouquinho para que um tsunami de professores pudesse entrar pelas “avenidas novas” (do Marquês) e por todo o lado. Uma dessas sensações é a de que este foi um acontecimento que traduz o dizer “uma imagem vale mais que mil palavras”, neste caso oitenta mil. É descritível mas seria um exercício, pelo menos para a minha escrita, terrível e, por certo, incompleto. Não sei se o exagero que trago no espírito se deve a que foi a primeira manifestação em que participei isto apesar de, como é visível por aqui, os artigos do blogue serem assíduos em temas de política interna.
Não sou adepto de nenhum partido e os sindicatos não me dão confiança a tal ponto de que hoje teria ido com o meu carro não fosse o previsível e comprovado STOP às viaturas particulares e a prioridade aos autocarros da organização. Ressalvo também que, apesar desta ter sido a maior mobilização de uma classe de que há memória em Portugal (para cima de 50% da classe), as pessoas não teriam boa vontade suficiente para, em tempo útil, organizar os meios e as necessidades que uma demonstração destas requer.
Guardo também o apoio que fomos recebendo de viaturas que connosco se cruzaram na A1, Professores? Cidadãos em geral? Nunca saberei mas foi bom receber os polegares levantados, as buzinadelas, os “quatro piscas”. Nas ruas pessoas anónimas bateram palmas e deram força. Para quem atrapalhou a vida de muitos Lisboetas em resposta à trapalhada que têm provocado na sua, foi bom de ver, de sentir. De qualquer modo a maior imagem que trago é a saudação que uns se fizeram aos outros, professores para professores. A Ministra realmente alcançou um facto digno de registo, colocou a maioria dos professores norteados pelos mesmos objectivos e isso parecia impossível há pouco mais de… dois, um ano?
O autocarro onde seguia foi deixar-nos (e não “despejar-nos” como ouvi na TSF) mesmo no local e, logo aí, foi impressionante o número de pessoas que saíram de todos os lugares, portas, escadarias e becos adereçados, prontos e que acenavam à nossa passagem, se alegravam de ver o grupo engrossar, não augurando “um dia que viverá para a infâmia” como disse certa vez Roosevelt mas sim um dia que perdurará na memória pessoal e colectiva.
Não vou comentar as palavras da Ministra. Eu sou da opinião de que a sua troca não ia alterar os objectivos do Primeiro-Ministro (porque é ele que decide) e, ao cabo de três anos, dever-se-ia aproveitar o que a Ministra por esta altura deve saber de educação se a mesma se lembrasse que, antes dela, está uma imensa percentagem de docentes que saberão algo do assunto. A prepotência de uma reforma que ou se faz comigo ou contra mim é pura… poderá ser suicídio, político de uma Ministra de um tal Engenheiro e de um partido e isso sim seria um facto relevante. A democracia Portuguesa poderá viver algo que só tem precedente com o Maio de ’68 e se isso acontecer não sei bem qual será a vantagem que todos retiraremos disso. O povo talvez tire já que a confiança na classe política é diminuta e o aproveitamento dos mesmos tem sido descarado.

A propósito disso quero dedicar as últimas palavras a dois deles, o primeiro ao Ministro(?) Mário Lino. Mário Lino, não sei se por escolha de alguém ou por língua tresloucada, veio defender a Ministra. O que tem de mal? Nada a não ser que este é o Ministro mais mentiroso do Governo. Este sénior mente na rua, em conferências de imprensa, em encontros e inclusive na Assembleia da República. Não se que raio de sinal será este, mas ser ele a defender a Ministra da Educação parece algo saído de uma das melhores rábulas dos Monty Python. O segundo é o Ministro Augusto Santos Silva, outrora Ministro da Educação, que disse que a liberdade deste país não se devia a pessoas como o falecido Álvaro Cunhal. Ora bem o lendário líder do PCP antes de mais está FALECIDO e como tal a oportunidade da sua intervenção é, no mínimo, questionável mas por certo de extremo, fascista mau gosto. Acresce também que este ministro também não tem muita “área” para poder reclamar para si qualquer luta anti-fascista. Por último e pegando nas suas palavras “o que disse foi uma apreciação política pessoal”. Pois bem se pessoalmente, em política, tudo vale e se políticos somos todos, eu expresso aqui a minha ideia política sobre Angusto Santos Silva. É uma Besta. Disse.

quinta-feira, março 6

Curta de mau gosto



É mais um caso de vergonha. Vergonha que se estende a políticos, administradores públicos, Polícia Judiciária, Procuradoria-Geral da República e muitos outros. Depois de ter sido feita referência em Jornais de Coimbra e de este caso ser público ninguém mexeu uma palha. Veio o novo Bastonário que, graças à providência, não tem muitas pápas na língua e fez-se luz. Lá se iniciaram as investigações ao caso dos imóveis de Coimbra. Que miserável país este onde os iluminados magistrados e directores da PJ não têm dois dedos de testa para, por si sós, iniciarem a investigação sobre o que tem indícios de ilícito.
Outra situação miserável acontece com os familiares das pessoas que perderam a vida na ponte de Entre-os-rios em 2001. Optaram por matar o processo de modo a obter descanso. Que merda de país este onde tudo o que é contra o pobre, pequeno e privado é levado às últimas consequências e tudo o que mexe com interesses públicos ou instalados cai no esquecimento dos tribunais e na prescrição ou no arquivamento que parece ser o sujo truque judicial para compactuar com as injustiças. Justiça vadia.

Para rir. 8



Tinha esta sensação com alguns professores. Se eu me tenho lembrado disto...

A ver vamos...



Como é normal sendo eu professor tenho prestado suficiente atenção às opiniões emitidas pelos mais variados programas dedicados ao movimento tertuliano. Pois bem estou neste preciso momento a ouvir o Jorge Coelho, uma espécie de mobiliário antigo o Largo do Rato. É incrível como as pessoas não conseguem ter capacidade de pensar pela sua cabeça. É incrível como o autismo percorre o âmago dos principais partidos políticos como o ar que ora invade, ora abala dos meus pulmões. É costume chamar cassete aos comunistas mas cassetes parecem ser todos. O discurso de todos aqueles que se encontram casados vitaliciamente mais com os partidos do que com os respectivos cônjuges. A democracia vive uma época de desmoronamento de alguns ideais e existem pessoas que em vez de descerem das varandas para ajudar a reconstruir o que ainda merece o suor de todos, preferem deixar-se estar como gargolas de suportes desses mesmos varandins em derrocada lutando contra tudo e todos. Mesma contra a gravidade, seja ela a da Terra seja a da situação presente.
Guardo as palavras, estas sim sábias, de António Lobo Antunes ou de Vilaverde Cabral no Prós e Contras desta semana. O primeiro por dizer uma verdade insofismável - “A escola fácil não prepara para a vida difícil”; o segundo porque a ideia do livro branco da educação parece ser uma grande ideia. É sempre preferível dar um passo para trás para dar dois ou três para a frente e aqui Portugal poderia deixar de ser seguidor a ser seguido, explico. O mal da escola é um mal Europeu, quiçá, global. Pois bem, em vez de irmos copiar modelos específicos e talvez irrealizáveis, porque as especificidades são muitas, porque não, através do tal Livro Branco da Educação criar um modelo educativo de raiz e centrado em nós e não na… Finlândia.
Os professores vão sair à rua, eu vou sair à rua. Não tenho noção ainda com três dias de distância se a manifestação vai ser decisiva, sinceramente não creio mas de uma coisa estou certo: Portugal irá ver sem dúvida a maior manifestação de uma única classe, de sempre. A manifestação pode mostrar muitas coisas díspares mas uma será universal: é necessário parar e dar ouvido a quem se encontra nas escolas, a quem nunca se manifestou e desta vez optou por fazê-lo, em desânimo, com agastamento entre a espada e a parede porque em situações extremas nunca se sabe a “força” de um indivíduo e, muito menos, a de uma multidão.
“Nota dez!? Já não é mau” Jorge Coelho na Quadratura do Círculo.
É o tipo de políticos lamentáveis que temos.

quarta-feira, março 5

Imagens . 13



Provavelmente esta imagem irá ficar para a história. A NASA, mais concretamente o Jet Propulsion Laboratory, conseguiu captar uma imagem marciana insólita até aos dias de hoje. Do topo de um declive de 700 metros de altura soltou-se uma quantidade de pedras, pedregulhos, terra e gelo que se precipitaram para o vale e percorreram perto de 190 metros. Na fotografia captada pela Sonda da NASA que orbita Marte, vê-se uma escarpa com socalcos que se situa no pólo Norte do planeta vermelho. Uma explicação para o sucedido? Ao certo nunca se saberá (um sismo, a queda de um meteorito ou contracções das superfícies geladas causadas pelo aquecimento sazonal) mas uma certeza temos: Marte é um planeta e como tal terá actividade igual ou parecida à da Terra e apenas a quietude das imagens recebidas faz pensar o contrário.

Poesia . 16



De volta à poesia …
Ganhei um gosto especial por este poema e isto apesar do mesmo se vestir com um inglês rebuscado e entrelaçado, como que a querer dizer “não me leiam!”. Uma confusão para uma mente com raízes linguísticas procedentes mais das narrativas da terra do Tio Sam e do que da pátria de Shakespeare. Até o modo como o poema se me surge é curiosa já que resulta da magnífica, admirável, estrondosa série dos Simpsons, o que acho que lhe deu um toque especial, essencial e permita talvez ver neste o que não consigo ver em outros escritos do género e época. Basta de conversa, deixo uma parte e uns links do poema, da tradução do Mestre Pessoa e da animação que originou tudo.

THE RAVEN

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
" 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;
Only this, and nothing more."
(…)

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."
Quoth the raven, "Nevermore."
(…)
"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting--
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!
Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the raven, "Nevermore."

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted--- nevermore!

Edgar Allan Poe


Link1 . versão original
Link2 . versão traduzida (Fernando Pessoa)
Link3 . versão imperdível

sábado, março 1

Decisions decisions...


Faz hoje manchete electrónica no Público que o Presidente da República fez um apelo veemente à serenidade por parte dos agentes educativos. Ora como escrevi há pouco tempo atrás, Cavaco Silva arriscava-se a ser o primeiro Presidente, salvo erro, a cumprir apenas um mandato e para lá parece continuar a caminhar. Apesar de todos os apelos feitos em discursos comemorativos para que houvesse “uma maior atenção às questões educativas”, certo é que a sua posição foi sempre “estratégica”. O desgoverno sempre aproveitou esses discursos para abençoar a sua estratégia e o Presidente sempre transpareceu a ideia de que “para bom entendedor meia palavra basta”, não sendo directo no que afirmava desde o seu remanso gabinete. Agora que a contestação é espontânea, atingiu características “de bola de neve”, de “gota que transbordou o copo” a sua posição é de “serenidade”? A serenidade perdeu-se por entre actos descabidos de quem pode e pela estratégica cooperação de quem devia, pode mas se remeteu a intenções codificadas. Nunca quis sair do cimo do “muro” e ser claro.
É certo é que aqui não existe lado, o que existem são alunos que merecem ter um ensino de qualidade, com um carácter geral ou técnico ou profissional honesto e apropriado, com condições, diferenciado em certos aspectos mas onde se lhes possa exigir a excelência. O que acontece hoje está algo longe disso. Um jovem professor na passada segunda-feira fez afirmações polémicas que têm por base esse ruir do sistema. Já se veio retractar não porque o que disse, ou o espírito do que disse, seja falso, mentira ou uma inverdade (palavra muito utilizada pela classe política e pelas pessoas que gravitam nesse meio mas que não existe) mas sim porque a distância entre o que se ouve e sabe e o que se pode provar é muito, demasiado grande. Sempre a aprender caro colega… Quem não viveu situações dessas que atire a primeira pedra. Essa política facilitista pode não estar descriminada de modo claro em decreto mas a realidade, importada para a escola por quem se cruza com os decisores, é essa.
Para acabar: acredito piamente que as famílias têm um papel preponderante para a escola na educação em falta que deveria ser dada em casaaos meninos. Tenho jovens que andam na rua até à 1h da manhã e depois vão cair de sono dentro da sala de aula. O tempo de antena que um certo senhor, representante e “projecto a político” tem é exagerado. E o que digo é tão mais verdade quanto as afirmações, posições e exaltações que esse senhor propala para a comunicação social. Se esse senhor é o modelo tipo de encarregado de educação eu serei certamente a Madre Teresa de Calcutá. Caro senhor primeiro os deveres e depois os direitos, não subverta o raciocínio escudando-se na juventude e passe a palavra: eduquem os meninos.

sexta-feira, fevereiro 29

Baptismo ecológico


(clique na imagem para aumentar)

Hoje aqui em casa fomos verdadeiramente conscienciosos. Circulou nos mails, e pela Internet em geral, um pedido, um acto simbólico a fazer com data e hora marcada. A ideia era saltar centenas de anos atrás através da utilização de uma máquina do tempo? Não, foi mais simples, para tal bastava desligar o quadro eléctrico “no geral” e com isso não pedir energia à rede, a rede não pediria recursos à natureza e então ela poderia respirar fundo como há muito não o deve fazer. O desiderato ecológico estava marcado para hoje, dia 29 (data simbólica nem que seja porque deixa a ideia que a terra só irá respirar de novo daqui a quatro anos… esperemos que não) das 19h55 até às 20h. Olhando pela janela percebi, do fundo das sombras que invadiram tudo e todos dentro de casa, que respirar respirar a Terra não deve ter respirado muito, foi mais um querer e poder mais que o normal mas mesmo assim insuficiente para tanta pancada que, por exemplo, nesses cinco minutos levou daqui, dali, lá longe, de tudo, de todos. Eu tive hoje o meu baptismo ecológico, já que durante cinco minutos, trezentos segundos inteirinhos, completos pus-me à parte e dei lugar a quem já cá estava antes de mim. E vocês já se penitenciaram ao verde?

quinta-feira, fevereiro 28

Dos fracos não reza a história!



Hoje, para mim pessoalmente, é um dia de orgulho, muito orgulho. Não sou pessoa de fazer grandes demonstrações ou pelo menos assim me revejo mas hoje senti-me orgulhoso e disse-o sem receio.
Na vida temos a sorte de encontrar e conviver com pessoas que nos marcam. Para mim até hoje havia e há uma bom punhado delas mas no topo estavam umas poucas especiais. Hoje houve outra que chegou lá acima. Diz-se que existem professores que passam por nós e não nos deixam indiferentes. O meu professor da escola primária (grande, imenso Professor Lourenço) foi o expoente máximo desse sentimento mas hoje levo para lá perto outra pessoa que sendo professora apenas a conheci como Orientadora de Estágio. Por uma questão de reserva não vou, nas suas palavras, ”fazer estrilho” mas não posso deixar passar a circunstância sem escrever algo. Vamos contextualizar…
Sabemos que a política educativa deste país está em convulsão completa e comparo-a a um incêndio massivo em absoluto descontrolo. O desagrado é tanto que os professores, corporação que não é conhecida por serem unidos em prol dos mesmos objectivos reivindicativos, espontaneamente têm-se juntado e fizeram da injustiça e cegueira ministerial, força. Esse “estado de alma” é visível nos jornais diários e nas edições televisivas de informação algo que, em termos biológicos, só tem comparação em organismos que combatem por sobreviver.
O (des) governo, em resposta a essa organização espontânea, tem-se desdobrado por todo o país em acções de expurgação de mentalidades dos professores que pertencem ao partido, de forma a conseguir apoiantes infiltrados dentro da classe. Uma dessas acções de propaganda decorreu ontem na cidade de Castelo Branco. Não estive presente mas foi-me referido que o propósito do (des) governo está a ser cumprido já que quando confrontados com a Ministra o nervoso (normal) invade e a personalidade dos participantes é tomada por um jeito zombie, sem vida ou amor próprio que apenas lhes permite verbalizar o inerte “na generalidade estamos de acordo”.
Alguns deles têm responsabilidades acrescidas no seio das escolas e por tabela, já que lhes dão a gentileza de os auscultar, uma pequeníssima com a assumpção das medidas a aplicar. Para tristeza minha e de muitos milhares de professores, os alinhados, os que continuam a votar no partido “porque sim, porque sempre votei” cuja mentalidade eu apenas encontro paralelo na minha doce avó de oitenta e muitos anos, existem, estão em lugares decisivos e o seu yes a tudo isto tem apenas significado no poder próprio que daí advirá e não num qualquer estado estupidificação.
A minha Orientadora aqui quebrou a rotina, não se alinhou, fez valer o raciocínio lógico, a vasta experiência de muitos anos de “voo”, colocou o receio para canto (só custa no início né!?) e disse o que pensava, o que pensamos muitos, olhos nos olhos. Numa plateia, que acredito composta, FOI A ÚNICA, repito A ÚNICA a chamar os “bois pelos nomes” e nem após a sua intervenção os zombies acordaram, contam os relatos. Deixo aqui a minha admiração e um novo nível de contentamento por ter podido e, ter de novo a oportunidade de poder partilhar, partes do meu caminho com ela.
Como escrevi aqui uma vez “Mais vale morrer em pé que viver ajoelhado!”.

quarta-feira, fevereiro 27

Informação


Os órgãos de comunicação social deviam ter mais atenção na criação das manchetes. Se aos que têm vícios de tablóides esse cuidado não lhes é reconhecido como necessário, fazem disso o seu código d’escrita, já aos jornais nacionais e de referência essa prática para além de justificada seria também um exemplo de bom serviço público e de cidadania. Pois bem, na primeira página de alguns jornais é feita referência “à vitória” dos professores na disputa com o Min. Educação devido às aulas de substituição. Não sei se estarei a ser picuinhas mas nestas discussões sobre questões educativas, por vezes, passam-se termos que de facto aos poucos vão sendo modificados e que no final a distância entre a realidade e a notícia, é mensurável. Os professores não estão contra as aulas de substituição e nem podiam já que a sua validação estava consagrada pela anterior lei por eles subscrita em negociação.
O problema surgiu em dois pontos: primeiro as pessoas estavam habituadas a que estas não se verificassem, havendo uma resistência normal do status quo que não se queria alterar (e mal claro). Como em tudo neste país, as leis são feitas mas depois não são correctamente aplicadas; segundo: serviu de desculpa nalguns casos mas foi a realidade em imensos sítios que as substituições ou a aplicação da regulamentação não pode ser feita do dia para a noite. Para serem bem aplicadas é preciso haver coordenação porque foi uma realidade, existiram professores de Português a substituir professores de Educação Física em pavilhões, sem que existisse uma sala de aula que pudesse ser utilizada na leccionação de uma aula de Português. Eu próprio substituí, sendo de Física-Química, aulas de Inglês, História, etc até Ed. Musical (situação que até é algo incorrecta já que se o Min não me revê capacidades para dar aulas ao 2.º ciclo, a substituição dessas turmas deveria ser feita por professores “aptos” para tal. Sou professor e esta distinção é estúpida mas a lei faz e se se cumpre num sentido terá obrigatoriamente que se cumprir no outro, tal como o código da estrada).
Não é a ideia que está mal é a aplicação “à pressa” da mesma e a concepção generalizada que se faz passar de que os professores são “uns baldas”, que faltam muito. Faltavam muito alguns mas não era certamente a maioria. Chegou-se a um valor de três milhões de euros que o estado tem que restituir e parece que todos faltaram sem justificação o que também é errado. O tal serviço público de comunicação, que se quer isento e completo, faz passar essa atoarda algo que muitas vezes me faz pensar que não são mais do que puppets do poder instituído. Todas as substituições que fiz resultaram de faltas por doença. Como sei? Sou colega das pessoas, convivi e convivo com elas diariamente. Os professores fazem de máquinas mas até a eles não estão livres de que lhes funda “um fusível”. Por isso senhores jornalistas sejam neutros, independentes e escrevam o “conto” todo e não apenas as partes sensacionalistas.

A lei do mais forte



O que acontece sempre que o estado liberaliza ou compele certas empresas, assentes em monopólios, a deixar de cobrar certos valores? Bem… elas fazem batota, dão a volta ao texto, talvez contratando os mesmos advogados que estiveram na origem da renovação legal, e assim conseguem, às custas dos mesmos de sempre, aumentar as margens do costume. Diria que é uma prática “xico-espertista” ou muito Portuguesa. Porque toco no assunto. Bom, temos tido exemplos flagrantes disso mesmo seja na questão dos combustíveis, ginásios etc. No dia de ontem o desgoverno aprovou a lei que proíbe cobrança de aluguer de contadores água, electricidade e gás.
Algo me diz que esta lei terá o peso que a comunicação lhe quiser dar, isto é, dependendo do barulho que a comunicação social faça assim o roubo que será certo com a morte, por parte dos tycon’s, vulgo monopolistas ou açambarcadores, será maior ou menor. A lei entra em vigor no dia 26 de Maio, por isso estejam atento. De acordo com a lei passa a ser proibida a cobrança “de qualquer importância a título de preço, aluguer, amortização ou inspecção periódica de contadores ou outros instrumentos de medição dos serviços utilizados e de qualquer taxa que não tenha uma correspondência directa com um encargo em que a entidade prestadora do serviço efectivamente incorra, com excepção da contribuição para o audiovisual”. O tempo dirá se terei razão ou não.

terça-feira, fevereiro 26

Reacções



O meu artigo sobre “cortar o mal pela raiz” com um political/burocratical killer parece que teve acolhimento. Não só nos comentários (nunca poderei agradecer em conformidade a gentileza de tal acto) dos fieis leitores mas, e acredito que o Eng. Belmiro Azevedo não seja leitor, também de pessoas acima de suspeitas. O Eng. Belmiro de Azevedo, pessoa empreendedora como poucas por cá por quem tenho uma certa simpatia, preferiu um tom mais consentâneo com a posição, a idade e os negócios que ostenta mas também não calou.
Transcrevo para aqui a sua posição que, na minha humilde opinião, carece de… arrojo."…que, para garantirem lucros, aumentam os preços prejudicando o cliente, que é o mesmo que o Estado faz quando não tem dinheiro quando aumenta os impostos. É preocupante a atitude dos bancos: se os custos sobem os lucros têm que subir, é um raciocínio perigoso, estatal (…) A pressão fiscal deste país é enorme, e cobra-se de qualquer jeito (…) as empresas têm tanta oferta para se localizarem ou re-localizarem, que a decisão em Portugal pode ser a de bater com a porta". Lembro que ainda esta semana um casal comerciante algures no Alentejo, pegou na tasquinha e foi fazer vida para Espanha.

segunda-feira, fevereiro 25

Oferta de trabalho


Encontrava-me sossegado, ou o mais que podia, a ouvir as notícias mudando de canal com a mesma frequência com que os membros, perdão, apêndices do desgoverno surgiam na TV quando aconteceu algo. Estava a começar a ficar alegre, porque ia deixar a irada, neurótica e cíclica mudança de canal (os apêndices iam deixar de aparecer..) quando dou de caras com a notícia dos lucros da banca. Para um país como o nosso aqueles valores, relativos aos lucros obtidos pela banca, são perfeitamente, indiscutivelmente ordinários. E dizer isso sabe-me a pouco. Já aqui havia matéria para escrever algo mas vai daí o novo administrador da CGD, tomado certamente por algum tipo de alucinogénico potente e sujeito a prescrição médica, toma a palavras e atira uma atoarda com este sentido - Existe a necessidade de aumentar a taxa de juro do banco (a margem de lucro) devido a que os empréstimos entre os bancos estão cada vez mais caros.
Ganhos na banca: dois mil milhões de euros, ou seja 2 000 000 000 euros!
Desde as palavras néscias de... do senhor Presidente da Administração da CGD até à vontade de contratar um assassíno em série foi um ápice. Existe material neste país para se ganhar uns cobres valentes às custas dos imensos assassinatos que de o país, por certo, beneficiaria. Por isso faço um apelo veemente a um assassíno ou a alguém que seja "vontadeiro", que faça o favor de vir cá e limpar este país. O país por certo arranjará maneira de fazer merecer tamanha boa vontade. Fosse eu velhinho e estaria a escrever para mim próprio...

PS: a empreitada nem será nada de estraordinário já que a polícia nada apanha, quando apanha os juizes soltam.

A ovelha com educação de lobo!


O tempo é daquelas coisas que acaba por nos ir dando razão. A prova de que afinal é um lobo e não uma ovelhinha está ali. Clicando lê-se melhor.

PS: Um Doutoramento nunca deu, nunca dá e nunca dará educação. E em Sociologia ainda menos. Mas não quero colocar todos os ovos o mesmo saco:

"Talvez fosse diferente se os políticos tivessem de responder, com os seus bens, pelas dívidas de que são responsáveis" - António Barreto, um verdadeiro Senhor.

sexta-feira, fevereiro 22

No comments . 1

Afinal o país tem vida



Pensava que era um mito, tal a espiral descendente e extrema que esta democracia tem consumado. Afinal existem neste país pessoas, elites ou não, que têm capacidade de intervenção mas têm, principalmente o poder de falar bem, de modo claro e com projecção mediática para tal. As pessoas andam um pouco fartas de discursos inertes semanais de personalidades inactivas democraticamente. Não sei quem é a SEDES, não sabia da sua existência mas, bem vinda. Deixo o link do texto completo. Devem ler.

PS: Só não entendo é a intervenção do PR que "... entende e partilha a opinião". Devia estar calado principalmente quando falamos de alguém que, apesar de bibelot político, tem mais vida do que um mero cão de louça.

Para rir . 7

Democracia enregelada



Achei muito curiosa a posição de Cavaco Silva sobre a recentemente promulgada "Lei de vínculos etc etc". O Presidente tinha muitas reservas em certos pontos mas, no final do dia, a Lei lá passou e nada mais ficará para a história. Alguns meios de comunicação afirmavam que Cavaco Silva teria ficado... algo aborrecido devido a que a Lei voltou à base (leia-se à casa da democracia que é regida pela escumalha social) e da mesma trouxe poucas alterações e nenhuma das fundamentais. Pois bem se o digníssimo Chefe de Estado ficou aborrecido o que se poderão dizer as pessoas e as suas famílias que irão sofrer na pele com a referida Lei. Já agora, vai sendo tempo do Presidente se deixar a famosa "convergência estratégica". A convergência as pessoas até entende, já a estratégia... a não ser que ela seja a inauguração de um novo ciclo em Belém - um Presidente a completar apenas um mandato.