quarta-feira, novembro 14

Governo de perna curta e nariz grande



Diz a sabedoria popular que "a mentira tem perna curta" ou que "é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo". Pois bem ou sou eu que detesto mesmo aquela gentinha ou então para o Governo só entram mesmo "coxos". "Coxos" de espírito, de inteligência, de formação, consciência, de sabedoria (podia ficar aqui horas e horas…). Confirmou-se agora que também são mentirosos. Provou-se que as afirmações do Primeiro-Ministro no debate do Orçamento, sobre o contracto estabelecido para as estradas de Portugal, e que foi rectificado pelo Presidente da República (não se esqueçam), são mentira. Disse que não se tinha ainda estudado por quanto tempo ia ser a concessão mas afinal, e ainda bem que existe papel, isso já estava estabelecido e serão 92 anos. Eu nem vou tecer considerações relativamente ao tempo de concessão só vou deixar uma nota: Muitas cidades foram nos últimos anos abençoadas com auto-estradas mas as alternativas foram destruídas para a construção das segundas. A minha pergunta é: Não deveria, no sentido de concessionar livremente as auto-estradas, o governo disponibilizar percursos alternativos? Faço questão de notar que eu posso ir, de onde quer que eu esteja, a Lisboa por Faro mas isso não creio que entre na categoria “percursos alternativos”. Ou seja com esta concessão muita gente vai ter que abrir os bolsos porque neste país, quando se privatiza, abrem-se as portas do inferno.
Num segundo episódio, que referi ontem num artigo, o Ministério da Justiça adjudicou por acerto directo (sem o normal e exigível concurso público!) a compra de cinco carros de alta cilindrada. Já nem falo no exemplo pouco ambiental que o governo passa, concentro-me antes no furar da política de contenção orçamental. No dia de hoje vem o bombeiro do governo (Ministro das Finanças) dizer que afinal “deu ordem”. Óbvia mentira que vai ter perna curta como teve a das estradas de Portugal e sabem porquê? Porque, e lembrando por onde comecei, os Ministros são pessoas “coxas” e a inveja e a lei de “quando há para um, há para todos” pode, e vai vir, ao de cima! Só falta contar o tempo para que isso aconteça. Que se seguirá? Baixa de impostos? Aumento real dos salários? Certinho é que o Inferno irá receber um bom molho de “lenha”.
Guardo para o final a genial afirmação do Primeiro-Ministro. Agradeço a risada que me deu no dia de ontem. Piadas daquelas só têm mesmo paralelo no circo. Passo a citar: este galardão não foi criado para “agradar ou massajar uma corporação”. “Não é uma operação de Relações Públicas, matéria em que não sou especialista” – mais uma mentira. Já agora. Sou de opinião que aos premiados não lhes teria ficado mal se não tivessem sequer comparecido quanto mais terem aceite esta afago “para inglês ver”.

terça-feira, novembro 13

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Dívidas



Saiu a confirmação sobre o número de autarquias que estão endividadas e do valor desse endividamento. Sou sincero, sempre pensei que o valor fosse superior já que considero que é nessa Governação de proximidade que os pecadilhos e os compadrios mais se fariam notar. Eles existem mas até prova de contrário, isto é, contas mal feitas ou desorçamentação, não serão tantos quantos, pelo menos, eu acreditava. Certo é que isso nunca será um aspecto positivo, endividamento é mau veja de que prisma se veja e por muito "olhar estratégico" que se tenha. Os compadrios existem, prova disso são as falências ou desastres estruturais das cidades, e não podemos ignorar que muitos autarcas orientaram a sua vida e a dos seus sob um toldo com as letrinhas "PDM". Falta apurar isso mas há muitos que não querem ainda olhar para aí. Adiante... Confirma-se o endividamento de Lisboa mas não se confirma o seu primeiro lugar... e achei e acho estranho. Como maior sorvedor de dinheiros públicos (nossos) aparece a cidade de Vila Nova de Gaia. Se fosse uma pessoa mal intencionada afirmaria que esta notícia veio a jeito mas como não sou. No entanto não deixo escapar que, e apesar de Luis Filipe Menezes ter obra feita segundo Miguel Sousa Tavares (eu não conheço, sou sincero), este primeiro lugar é negativo. Mesmo que haja obra feita, ela não deve ser feita a qualquer custo. Posteriormente a isso, pelo menos no meu caso, não deixo passar em claro e de fazer este raciocínio: Se em Gaia, que terá os fundos que lhe são devidos, o dinheiro não chegou e a gestão foi danosa, o que será que poderá acontecer, num futuro "laranja", com os dinheiros públicos? Os gestores de V.N. de Gaia trocam-se! Muito bem mas se se recorrer aos do aparelho PSD, que outrora contribuíram para o descalabro, a situação não é mais risonha. Para onde quer que nos viremos parecemos condenados ao engano, às mentiras, aos ineptos e longe de um trajecto de excelência que só defende e segue, quem não governa. Parafraseando os senhores deputados - Disse!

Poesia . 14


Porto Sentido

Quem vem e atravessa o rio
junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende até ao mar_

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, sanjoanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
dum rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa.

Carlos Alberto Gomes Monteiro (Carlos Tê)

Justiça "topo de gama"


O estado, na pessoa do Ministro da Justiça Alberto Costa não, vai investir em obras de melhoramento, resmas de papel, tinteiros, pessoal, meios informáticos e demais necessidades prementes do sistema judicial, vão ser CARROS! Espera, espera! Não vão ser carros quaisquer! Aí não? O que é que disse o tipo lá do fundo? Carros ecológicos? Parece maluco... Vão ser bombas!!! Da al-Qaeda? Nãaaaaaaao, daquelas que nos ultrapassam, quando vamos sossegados na nossa vidinha pelas auto-estradas, cheias de luzinhas (parecem uns ovnis) como se fossem um vendaval, que prometem arrancar pela raiz qualquer coisa que se lhes apareça pelo caminho, até o Vasco Uva. É só números grandes - 140 cavalos (fora os que...), 176 000 euros, 210 km/h e tudo por ajuste directo (que a AutoEuropa não ficou cá de borla) Amigos do ambiente? Nada disso, que a Galp ainda é nossa!
“E a contenção orçamental? É pá deixa lá isso! E os tribunais, que nas pessoas dos Magistrados, dos Advogados, do Ministério Público e demais órgãos, se queixam de falta de "ovos para a omoleta”? A galinha dos ovos de ouro é minha, não a dou a ninguém!" Um exemplo parece ser sempre um bom exemplo até quando vem de cima...
A justiça é lenta mas vai ser lenta em topos de gama.

Para rir . 1

Saí da cadeira onde escrevo e olhei "à volta". Nesse instante percebi que não consigo fugir "à alfinetada" sobre a actualidade. Não consigo, leio algo ou oiço ou vejo e ganho automaticamente duas coisas: a de me achar no direito de ter algo para dizer sobre o assunto (o chamado "meter o nariz") e a vontade que tenho de escrever isso aqui, já que ninguém num raio apreciável está com vontade de ouvir as minhas sandices. Ora bem... só assim não dá, para bem do quórum mental quer de quem lê, quer de quem escreve because it can rain all the time. Vai daí, e alguns dirão "enfim!", vou colocar aqui semanalmente (não me comprometo como o governo, vou fazer os possíveis algo que é mais do que executivo já faz) um vídeo que seja cómico. Qualquer coisa que anime no meio de tantos... insólitos.
Aqui fica o primeiro vídeo, enjoy.

domingo, novembro 11

¿por qué no te callas?


Decorreu por estes dias a XVII Cimeira Ibero-Americana a qual tinha poucos temas de interesse. Não existiam, à partida, grandes pontos de interesse e creio que a dita Cimeira aconteceu apenas porque o calendário assim o ditava. Quando isso acontece é porque mais vale enveredar por outro caminho. O único ponto de interesse centrava-se na ida ou não do Presidente Hugo Chavez. A dúvida foi desfeita às primeiríssimas horas do dia um da Cimeira com o avião do Presidente venezuelano a aterrar em solo chileno.
Restavam algumas dúvidas já que o Presidente venezuelano é conhecido pelas suas posturas muito pouco ortodoxas, dirão uns, algo alteradas, dirão outros, sobre certas questões. Não foge da retina que Hugo Chavez está, na sombra de umas reservas interessantes de petróleo, a tomar certas atitudes que fazem trazem, pelo menos a mim, a memória de Fidel Castro. Se por um lado a sua subida ao poder foi benéfica já que serviu de "stop" às economicistas pretenções Norte-Americanas relativamente à facilidade com que se prestavam a deitar a mão ao ouro negro venezuelano, por outro lado, a embriaguez de poder está a tornar-se o seu pior aliado. O cúmulo interno foi a aprovação de uma lei que permite que o mesmo se candidate ad eternum à presidência venezuelana (o homem já se terá esquecido, e fê-lo facilmente, do que é estar do lado da luta). Isso levou os estudantes à rua em protesto o que levou a que, como já se sabe que os facistas fazem, que a policia fosse para a rua de cacetete em riste a distribuir a "doutrina" por aqueles "mal educados".
Internacionalmente o cúmulo foi atingido ontem quando, a pretesto de não-sei-o-quê, o senhor Chavez se lembrou da palavra facista. A poder ou coberto de uma certa intolarável incontinência verbal, jorrou vezes sem conta o termo associado ao nome ex-Presidente espanhol. Pouco habituado a ambientes diferentes daqueles que o seu novo, intimidatório e abusador, para o povo venezuelano, status o Presidente Chavez esperaria que a Cimeira fosse conivente com a situação. Pois bem, o caso foi diferente e teve duas reacções. Uma educada e conciliatória mas intransigente por parte do Presidente espanhol e outra contundente e quiça, com raizes tugas, do Rei Juan Carlos que não teve pápas na língua e vai daí disparou: "¿por qué no te callas?". Só pecou, no meu entender, por duas coisas: Primeiro: Faltou ao Rei levantar-se de dar dois tabefes no estafermo. Em segundo, a reprimenda já foi tarde já que as verborreias do senhor há muito que ultrapassam o admissível.
A Cimeira não se resume a isso mas será isso que irá ficar para os livros de história.

sábado, novembro 10

Os Justiceiros


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E a ASAE atacou de novo e de tal maneira que até o Barbas, reconhecido Benfiquista e ferrenho adepto, diz que este fim de semana não vai ao estádio da Luz para estar de plantão à porta da referida autoridade em modo de reclamação. A ASAE continua a não deixar pedra sobre pedra...

Portugal, o país "yorn"



Fez ontem notícia que as custas legais de Fátima Felgueiras, que supostamente se orientou de maneira ilícita enquanto Presidente da Câmara de Felgueiras, são pagas pela mesma edilidade! Serei eu ou esta situação é merecedora de um prémio "Yorn"? Não sei bem sequer que mais poderei escrever neste artigo para mostrar toda a minha incredulidade e toda a minha vergonha por este país.
Quando um cidadão não tem dinheiro as custas legais são suportadas pelo estado através do chamado advogado oficioso. A senhora Fátima Felgueiras, devido à... Ignorância (?) de alguma população felgueirense, voltou a ser eleita, e assim a sua situação económica não será certamente compatível com a necessidade de recorrer às tais ajudas oficiosas. Não sei se foi graças aos senhores legisladores deste país por quem, a ser verdade, começo a ter cada vez menos respeito, ou se esta... janela foi instituída pela mesma senhora. Certo é que parece existir algum tipo de artigo que possibilita a que a senhora de Felgueiras reencaminhe a conta para a mesma edilidade. Resumindo: A senhora de Felgueiras certo dia pegou (supostamente) num saco. Era azul. O saco era mágico e sempre que este se abria davam-se os milagres da multiplicação e da aparição de dinheirinhos.
E quando o saquinho, ficou cheio de dinheirinho a senhora ficou contente mas outros ficaram chateados. Numa noite soube que uns meninos, chamados os "pejótas", iam ter com ela para saber coisas deste saquinho. Como ele era mágico, ela não estava disposta a deixar esses meninos mexerem nele e vai daí, antes que se fizesse tarde, foi confirmar a beleza das praias de Copacabana e da vida despreocupada. Mas as saudadinhas eram muitas (aliás os manos brasileiros e os acordos de extradição ajudaram a isso) e ela acabou por voltar com a promessa de não levar muitas "palmadas". Alguns meninos estudam agora o saquinho para saber de onde vem tal magia só que esses meninos não andam a ar. Nem esses nem o menino que a senhora de Felgueiras arranjou para guardar a magia e é exactamente este que passou um pepelinho, que vale dinheirinho e que afinal quem vai pagar, não é pessoa são pessoas e como é a dividir por uns... 10 milhões calha pouco a todos e por isso não se deve queixar.
O tio Isaltino será o senhor que se segue? Não sei mas parece que nós temos que as costas largas.

sexta-feira, novembro 9

Fogo fátuo


O país não vai bem e isso, toda a gente sabe. Uns tempos estranhos que teimam em não passar e que fazem questão de se arrastarem como o andar pesadão de um imenso elefante. Um elefante que não alinha num mimo em troco de um outro mimo, desta vez económico (toque da sineta), em sentido inverso. É neste espírito de contradição que está o país e o Governo. Pois bem, foi então este o espírito que levou imensa atenção e quiçá, gente, para frente da TV durante esta semana.
Prometia muito o debate do Orçamento de Estado. A constante luta por saber que é que afinal sabe somar, multiplicar, dividir e subtrair. A constante disputa por saber que vai dar a estocada na besta ou, se pelo contrário, será a besta a estocar os "jovens destemidos". Este debate tinha ainda, esperava o país interessado, um duelo mitológico já que, transpareciam os meios noticiosos em letras "néon", Sócrates ia encontrar a sua (andava doido para escrever isto) Nêmesis - Santana Lopes. (Era nesta altura que se ouviria isto). Mas no meio de tanta euforia, sentimentos mortíferos e vinganças bolorentas, alguém se esqueceu de algo muito importante: Estamos em Portugal. Resultado: O debate foi como se esperava, um interminável fiada de bocejos e pouco ajuste de contas em nome dos abusados portugueses.
O debate foi fraco e como se suspeitava ninguém "roeu a corda", isto é, ninguém teve a coragem de dar alguma emoção apesar de que, a certo ponto, o grupo açoriano prometeu mas não cumpriu. O menino ficava chateadito e então... Certo é que o documento lá foi aprovado com a maioria dos alinhadinhos, dos zombies cor-de-rosinha e o resto dificilmente fará história. Mas não desmoralizem já que apesar de se perder mais um ano, ou melhor, segundo o Sócrates, se ganhar(!?) mais um ano de boa governação, há uma confirmação cientifica mundial que foi conseguida neste país. Confirmou-se que o Inferno existe, chama-se Assembleia da República e é lá que pagamos os pecados havidos e por haver. E que faz a malta que daquilo vive? Falam, falam...

terça-feira, novembro 6

Da bola...


Ora estas breves linhas servem apenas para dois propósitos, sendo que os mesmos valem o que valem. Ao Luís Figo votos de melhoras numa situação nova já que é a 1.ª vez, salvo erro, que ele sofre uma lesão grave. O rapaz é forte, vitaminado, profissional e determinado por isso esta foi a primeira semana de recuperação.
A 2.ª nota é para Pedro Mantorras. O jogador do S.L. e Benfica assistiu um taxista nas proximidades da sua residência em virtude do primeiro ter sofrido um ataque cardíaco. Mostrou ter a calma suficiente para procurar ajuda para aguentar o senhor até chegar o INEM. Terá sido decisivo? Não sei e apenas importará ao taxista mas o acto é de louvar.

quarta-feira, outubro 31

Deixem estar o porquinho


Pede-se insistentemente e cada vez mais que os portugueses poupem. De onde vem esta onda gastadora? Bom, durante anos e anos, este foi um país privado de muitas coisas, não só de luxo ou de capricho, mas sim de influência básica. Com o 25 de Abril as coisas rumaram noutro sentido apesar de ter havido anos bem complicados nos anos subsequentes. Os anos oitenta trouxeram um crescimento apreciável dos salários e muitas pessoas compraram o primeiro automóvel, as férias na praia tornaram-se possíveis, nuns casos, e regra, noutros. Podia passar aqui muito tempo a fazer comparações e só se concluiria o que já disse: As pessoas tornaram-se gastadoras por que viveram anos e anos com salários baixos e, com a chegada dos aumentos, as pessoas acabaram por optar por uns mimos mais que merecidos.
Passou-se então de uma altura em que o pouco era regra e a poupança, mesmo que pouca, era um hábito para uma situação de vida mais folgada onde as vontades se tornaram reais. Que temos hoje? Primeiro temos uma debandada dos jovens. Eu próprio, fazendo um exercício, constatei aqui que são muitas as pessoas com que me relaciono que optaram por ir para fora porque aqui não dá. Por outro lado temos uma geração instruída que, pagando pelos erros dos mais velhos (e que em certa medida acabou também por nos beneficiar), acaba por ver a sua situação complicada apesar de ter estudado e de esperar algo melhor. Os laços perdem-se nos quilómetros feitos, nas trocas sucessivas de local de trabalho, na instabilidade profissional o que leva a que o curso normal de uma vida se torne impossível de realizar a dois quer fora da alçada paterna.
Que opções existem? A primeira é arriscar a vida a dois o que leva a uma sucessão e acréscimo de problemas sob a forma de facturas, prazos e necessidades que urge dar resposta. Aqui largam-se sonhos, carreiras em prol de valores adoptados em comum e que no extremo, quebra o que parecia inquebrável. A segunda é fazer as contas e ver que não dá (sou adepto, por muito que me custe, desta). Não dá por muita matemática que a minha santa instrução me tenha dado a conhecer ao longo do meu trajecto escolar e universitário. As contas não saem e assim sendo eu também não saio.
Isto tudo a propósito de quê? 118%. Este é outro número que os portugueses, ignorantes em matemática e vencidos por rankings enganosos, têm que apontar. 118% é o valor do sobreendividamento daquelas famílias portuguesas que arriscaram ou que não fizeram as contas. Pedem para que as pessoas poupem é certo mas isso torna-se algo complicado quando temos a quinta taxa mais alta de desemprego a 27 sendo que a mesma é enfeitada com bastantes licenciados (pessoas que sabem fazer as tais contas). É complicado quando o exemplo não vem de cima: reformas chorudas, carros de alta cilindrada (que se lixe Quioto), corrupção a torto e a direito etc etc. É complicado quando a pobreza atinge três milhões de portugueses, valor esse que subiria para quatro milhões se não houvessem rendimentos mínimos atribuídos. Assim sendo que até quereria poupar não pode. Já é uma sorte ganhar dinheiro de modo a poder pagar as contas. Pagar contas torna-se um luxo num país em que existem mais pessoas do que se pensa a pagarem para trabalhar. A taxa de poupança atingiu o valor mais baixos dos últimos quarenta anos.
Digam-me, olhando de fora, que se poderia dizer de este país no Dia Mundial da Poupança?

PS: E os bancos continuam a aliciar as pessoas via telefone propondo endividamentos sendo que o Governo não faz nada.
PS1: Se o Governo quer combater o suicídio nas polícias que se deixe de tretas: pague salários decentes, normalize os turnos, equipe as polícias, não aceite qualquer triste que se candidate para as forças. Depois coloque os psicólogos e faça a propaganda que quiser.

sábado, outubro 27

Imagem . 9


Poesia . 13


Súplica
.
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
.
Miguel Torga

sexta-feira, outubro 26

M.E. - Os Estúpidos


Nem sei bem, no momento que escrevo este artigo, para onde é que ele vai nem qual vai ser o seu título. O que me move? Os alunos vão deixar de poder ser retidos (chumbados) por faltas. Nem sei que diga. Já me acontece dar um bloco e meio de aulas, que corresponde a 135 minutos, que se encontra dividido em três aulas de 45 minutos. O Ministério atira uma circular dizendo que os meninos apenas estão sujeitos a uma falta em vez de três como seria normal. Já os docentes continuam a "chumbar por faltas" e a verem cada aula de 45 minutos ser castigada com uma falta. Mas que vem a ser isto? Não falo como professor (que Sócrates diz que não sou) mas como aluno que fui! É desrespeitador para todos os que fomos, um dia, alunos! E não chumbando por faltas que lhes acontece? Fazem um teste ou dois ou os que forem precisos até eles serem obrigado a passar. Quem os faz? Os mesmos de sempre. Já estou a imaginar:
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PAI - Ó Zé este mês não vais às aulas que temos que ir vindimar!
FILHO - Mas ó paizinho assim chumbo?
PAI - Não chumbas nada. E olha prepara-te que em Janeiro vamos para a Galiza que vão precisar de gente para a nova auto-estrada!
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Qual é a ideia destas medidas? Preciso de um iluminado que explique já que sozinho não consigo chegar lá mesmo sendo alguém letrado como eu. Será que é possível? Será que não é... hmmmm deixem pensar numa palavra... talvez o Professor Chibanga ajude... ESTÚPIDO!? Quem será que está no Ministério? Não acredito que haja vida inteligente no Ministério da Educação. Até o Gervásio (aquele simpático macaquinho que aprendeu a reciclar) já teria percebido por esta altura a tamanha incompetência que reza pelo Ministério só há outros simios que deviam saber mas...
Por falar nisso, esta medida foi aprovada pela maioria do PS com os votos contra de todos os outros partidos. É triste quando se paga e bem a uma série de gente que não sabe mais do que acenar com a cabeça, seguir directrizes de outros e a viver agachada. O Gervásio é assim, aprende com os outros e isso faz-me pensar que estaremos provavelmente a ser governados não desde a Assembleia da República mas sim desde o Jardim Zoológico.
Por favor Senhor Presidente, dê umas vergastadas nessa gentinha.
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PS: Parafraseando, relativamente à Confederação Nacional das Associações de Pais e à pessoa de Albino Almeida, uma frase do Snatch ("põe-lhe uma trela antes que seja mordida") acho que a dita associação devia ter mais consciência naquilo que afirma. Só diminui a sua posição e a sua imagem, já de si de pouca inteligência, junto da opinião pública. Outros alinhados.

Never ease the brain!


Por vezes surgem certas notícias sobre os políticos que me deixam com bastante raiva. Não consigo afastar da ideia que todos eles são uns incompetentes, que a única coisa que os move são os lobbys e os compadrios tudo com um propósito de proveito próprio, não deixando para plano nenhum os compromissos que têm para com os cidadãos. Acredito que a política é a disciplina que mais urge tratar neste país dada a falta de ética e de valores morais que, vezes sem conta, sobe ao cimo das manchetes dos jornais e me deixam com uma raiva quase demente. Daí, por vezes puxar pela frase: "só quando os políticos tiverem medo de andar na rua com receio de apanhar uns merecidos açoites é que as coisas vão ao sítio!" e juro que é o que sinto.
Pensava que sofria de complexo "Che Guevara" ou algo pelo estilo mas eis que hoje, no suplemento P2 do diário Público, surge um maluco, aparentemente, como eu ou será que sou eu como ele? Adiante… Diz a crónica que eu um pensador, um ensaísta. Não conhecia nem creio ter alguma vez lido algo seu, sou sincero. Que tem 80 anos (já deve ter pensado a sua parte e a de muitos outros) e está radicado em Cambridge. Veio a Lisboa dar uma palestra sobre se o conhecimento científico estará perto de atingir o seu limite. Esteve por cá e quem foi diz que não deu o tempo como perdido já que George Steiner, de seu nome, surge nas crónicas como um comunicador nato, incrivelmente actual e absolutamente contagiante.
Sobre o tema da palestra creio que a ciência avançará até onde o seu poder perscrutador (avanços no sistemas de calculo e de observação) permita. Nunca me irei esquecer do dia que vi o primeiro microscópio de varrimento a trabalhar e que, com ele, me foi permitido observar pela primeira vez, qual Argonauta, muitos dos termos abstractos que fui ouvindo no meu tempo de aluno. Nunca me esqueço de que para “observar” um átomo ele é quase destruído durante essa empreitada. Como me foi referido: “Com esta máquina, é como se quiséssemos ver uma bola de basquetebol, atirando contra ela, para o conseguir, uma bola de andebol.” O limite, para mim, está nos instrumentos já que a nossa capacidade de estudo está completamente dependente dos avanços tecnológicos em termos instrumentais. Mas voltando ao início…
Steiner, como ensaísta e pensador que é, não se limitou e muito bem ao tema da palestra e derivou por outros temas. Também discorreu sobre a existência de pobreza no mundo actual e asseverou que não entende como é que os pobres, munidos de uma raiva extrema, ainda não se revoltaram com as injustiças de que são alvo. Ou como é que os desempregados ainda não assassinaram o patrão que os colocou nessa situação desesperada antes de o mesmo entrar no seu carro de luxo em direcção ao avião para umas férias paradisíacas em “Barbados” às suas custas. O que viria a seguir? Os políticos, claro. Que diria ele? "Só quando os políticos tiverem medo de andar na rua com receio de apanhar uns merecidos açoites é que as coisas vão ao sítio!", quero acreditar.

quarta-feira, outubro 24

Agarra que é LADRÃO!


Numa altura de suposto aperto de cinto, das calças a tal ponto que até as ceroulas já não cabem e onde se pensa que o esforço é universal heis que surgem notícias como a da manchete do Correioda Manhã de hoje. Pensava-se que os direitos adquiridos tinham-se perdido mas parece que eles perderam-se menos para quem se arrasta vergonhosamente pelos passos perdidos da Assembleia da República. Feitas as contas, em 2008 as subvenções aliás os ROUBOS VITALÍCIOS irão ultrapassar os 8 000 000 de euros.
Encontramos sujeitos como Almeida Santos que só me deixa mais sossegado porque colecciona já 81 primaveras. Mas está lá Isabel de Castro que pelos Verdes vestiu a camisola mas que agora a troca pela dos cifrões aos 52 anos. E como eles muitos mais. O ROUBO ganha contornos escandalosos numa altura de suposta contenção onde os únicos a conter parecem ser os mesmos, faltando apenas conter a respiração em prol dos limites impostos para Portugal dos níveis de CO2. Numa década e meia é possível constatar que o números de beneficiários com estes roubos descarados e vitalícios passaram de 141 em 1993 para 383 para o ano de 2008. Volto a dizer, só quando essa escumalha tiver medo de andar na rua com receio de apanhar uns merecidos açoites é que as coisas vão ao sítio! Agarra que é ladrão!

Sons estranhos


Sei que vou algo fora de tempo mas isto andava a pedir um artiguinho. Ora bem, o Procurador-geral da República apareceu no semanário Sol, a propósito do primeiro ano no cargo, numa entrevista que não passou desapercebida. O caso já foi, e ainda está a ser, objecto de debate ao ponto de as suas afirmações lhe terem valido um dia na casa de todos nós.
Não sou discorrer muito a não ser em duas afirmações proferidas por Pinto Monteiro. A 1ª tem a ver com a banalização ou não das escutas telefónicas. O Procurador afirma que sim, já eu penso que não pelo seguinte. Se fizermos um exercício de raciocínio sobre os casos mais mediáticos com que este país se debate, verificamos que na maior parte deles houve necessidade de recorrer às ditas escutas. Aliás segundo a Lei, as escutas só podem mesmo ser utilizadas quando existe fundamento para se concluir que, sem elas, não há caso, havendo no entanto crime. E eu pergunto: Se não fossem as escutas que seria de certos casos que surpreenderam a opinião pública, reconhecidamente serena e pacata? Pois, o mais provável era não se conseguir fazer prova e daí o crime e o criminoso, permaneciam como estavam, sossegados.
Por isso, para mim, escutas sim sempre e quando a investigação não tenha, em tempo útil outro modo de fazer prova de crime.
A outra afirmação reside no facto de que o Procurador teme que o seu telemóvel esteja sobre escuta. Se assim é, e se eu estivesse no lugar dele, a primeira coisa que faria era averiguar essa situação do modo mais sigiloso possível e isto porquê? Imaginem que têm um galinheiro e desconfiam que anda por ali a rondar uma raposinha farfalhuda. O que fazer? Hipótese A: Gritar a pleno pulmão “Eu sei que andas aí raposinha farfalhuda, eu vou-te agarrar!” ou, em oposição, hipótese B: cogitar um plano infalível à moda do “Ranger do Texas” para apanhar a raposinha com a mão na massa de modo a poder “aparar-lhe o pêlo”. Eu fico-me pela “B”. Pinto Monteiro ao inclinar-se pela “A” fez com que a “raposinha” desliga-se o sistema de modo a não ser apanhada e quando a poeira baixar, toca de voltar a ouvir as conversas do Senhor Procurador.
Não vou pegar pelo comentário de quem não deve não teme, porque estamos a falar do Procurador-geral da República. Não é uma questão de temer, mas sim uma questão de reserva que o Estado que fazer prevalecer, numa figura que se quer autónoma, independente e não aliciavel. Aqui entra a última questão: Se realmente anda ali uma raposinha, ela só pode vir de dois lugares: SIS (que está sob a alçada do Primeiro ministro) ou dos Juízes. O SIS sabemos de quem pode estar a mando, já os Juízes… Já no que toca à ida do Procurador e do Ministro à Assembleia… não lhe reconheço grande valor à distância, pode ser que algum resvale.
Que abra a caça à raposa!

terça-feira, outubro 23

School Uniform


Hoje, e passados seis anos do início de tudo, confisquei a minha primeira arma a um aluno. Não é nada que me apraz assinalar, no entanto a situação, não deixa de dar direito a uma reflexão, principalmente numa altura não muito famosa em termos educativos, ao invés do que se quer propagandear a coberto e conivência da comunicação social.
Não dou aulas num local como Lisboa ou Porto em que a propiciação e a proliferação desse tipo de situações serão parte do dia-a-dia de colegas meus. Dou aulas num sítio pacato e não seria aqui que eu esperava, se é que algum dia esperei, vir a fazer tal apreensão! Não fiquei orgulho, fiquei mais bem triste. Mas porque é que uma arma branca andaria nas calças daquele rapaz?
Não é nenhum garoto para não saber que isso era um objecto proibido em todo o lado, nem falo no perímetro escolar. Mas mesmo que fosse, o que nos lavaria a cair na virginal ideia da Ministra de que uma mudança no Estatuto do Aluno iria ajudar a que situações dessas se esgotassem à medida do passar do tempo. Que acham? Bom, eu questionei os alunos (dessa turma de “amorosos” adolescentes) sobre se sabiam o que era o Estatuto do Aluno. Zero respostas certas, aliás profundo silêncio apenas rompido por um “o quê!?” pelo totó da turma. De que serve haver um Estatuto se ninguém, que devida, está a par dele? Nem Encarregados de Educação, nem alunos a quem esse estatuto diz, capital, respeito. Influências, pensei.
Perguntei sobre a incompreensivelmente famosa série da TVI, principalmente no que toca às técnicas usurpação, ameaça, intimação, conluio, arranjinhos usadas no argumento da dita série e aí o resultado é outro. Acrescem os problemas de sempre sobre as vidas das famílias, que hoje em dia, não têm solução fácil e se perpetuam no tempo. O Pai está longe a trabalhar (50km, 100 ou na Suiça) e a mãe “não tem mão neles”. Ou então pura e simplesmente ninguém se chateia ou lembra do menino. No entanto esperam que, deixando-o na alcofa ainda bebé à porta das escolas, os Professores eduquem (cientifica e familiarmente) os meninos e os entreguem já consumados e, de preferência, com o canudo na mão de novo à procedência. Caricato mas infelizmente muito mais real do que seria lógico.
Em função disto tive uma ideia grotesca e que já havia circundado a minha mente. Qual é o Currículo da Ministra? Pois bem, é Socióloga. Aqui deixo o link que aconselho a ver. Aulas que é bom só na Universidade e em “Paleio Soviético”. Não tenho nada contra ou aliás tenho tudo contra esta disciplina e estes formados. Filosofia, acho importante e classifico uma aberração que até se tenha pensado em retirá-la dos currículos escolares. Já no que toca à Sociologia… Não se pode gostar de tudo. Acho que no dia em estes senhores e as suas técnicas educacionais irromperam pelas escolas, Direcções de Educação ou no Ministério e obtiveram “tempo de antena”, a escola nunca mais foi a mesma e para pior. E os pais com uma vida exigente deixaram-se contagiar disso. Posso com toda a certeza afirmar que com a Sociologia nunca aprendi nada e recordo, fez seis anos em Setembro, a minha primeira aula em que a Sociologia não me serviu de nada quando aquela milícia irrompeu a sala de aula como se de um estampido se tratasse. O que resultou? A força bruta.Que fazer à escola? Se estivesse aqui um sociólogo, a debitação de teorias e axiomas seria de tal modo célere que deixaria as pás de uma ventoinha envergonhadas. Eu fui aluno uma série de anos, sou professor há seis e só sei que assim isto não serve ninguém e que quando eu era aluno a canção era outra. Já agora um estoiro bem dado, na hora, certa nunca fez mal a ninguém, nem a mim. Faltam Professores de primeiro ciclo “à antiga”. “É de pequenino é que se torce o pepino”

Keep'on walking



Andava com imensa vontade, à medida que o número se aproximava na sua subida, ora lenta, ora abrupta, de ver o marcador neste marco. Consegui ver. Não sei quem foi a pessoa que fez mover todos os dígitos por forma a oferecer um novo "à causa", mas gostava de saber quem foi.

1000 visitas, 140 artigos de alguns de poemas e imagens, de muitos textos de reflexão própria sobre os assuntos do presente que mais me dizem algo. Não passa por aqui muita gente. Alguns são por engano, muitos por amizade, uns poucos porque gostam do que leêm e é raro que alguém divague comigo na mesma loucura. Mas estou contente. Surgiu como algo do momento, ganhou força em mim e até levou a trocar opiniões com pessoas que não conheço. Vou continuar nisto porque não vou a lado nenhum e a terapia, a catarse é boa, sabe bem. Estou curioso para ver o que trás o novo milhar.